quarta-feira, novembro 26, 2008

Da preguiça como método de trabalho


Terça-feira, 25/11/2008
Da preguiça como método de trabalho


Reedições de livros são importantíssimas porque dão aos leitores jovens a oportunidade de conhecerem obras antigas e há algum tempo fora de catálogo. Não tivesse a editora Record tomado a atitude de reeditar a obra de Charles Kiefer, por exemplo, muito provavelmente eu não teria lido dois livros seus no ano passado. Só "conheceria" o autor este ano, por ele ter sido patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, mas talvez não tivesse o mesmo interesse por seus livros ― e já teria "perdido" um ano.

Sem essas eventuais reedições, seria quase impossível um leitor de vinte e poucos anos se deparar com determinadas publicações em livrarias. Uma análise (minha, é claro) rápida, superficial e birrenta aponta que isso ocorre devido à publicação em excesso de livros de autores novos, aqueles com menos de trinta anos, dos quais apenas 20% merecem ser lidos ― e olhe lá...

Por isso são louváveis as iniciativas de reeditar obras de autores consolidados ― estejam eles vivos ou não ―, como vem acontecendo com Flávio Moreira da Costa e Caio Fernando Abreu (editora Agir), João Ubaldo Ribeiro e Carlos Heitor Cony (Alfaguara), Monteiro Lobato e Mario Quintana (editora Globo), entre outros.

Sem iniciativas assim, teríamos que ler, ainda no clima "obamístico", O Presidente Negro em edições antigas de folhas amareladas e empoeiradas (pessoas como eu precisam evitar ao máximo terem livros assim em mãos, por conta de problemas respiratórios). Pior ainda: correríamos o sério risco de jamais conhecermos livros como Da preguiça como método de trabalho (Globo, 2007, 357 págs.), de Mario Quintana. Sua primeira edição é de 1987 e seria difícil encontrá-lo em alguma livraria. Só em sebos, mas leitores com problemas respiratórios não costumam comprar em sebos. Eis que, vinte anos depois, em 2007, foi publicada a segunda edição do livro, justamente a que caiu em minhas mãos.

Reunião de textos publicados na coluna que Quintana mantinha no "Caderno H" do jornal Correio do Povo, Da preguiça como método de trabalho é um livro inclassificável, pois não se restringe a um só gênero. Nele podemos ler crônicas, aforismos, poemas, entrevistas e contos do autor gaúcho.

Mais conhecido por sua poesia ― alguns o chamam de "o poeta das coisas simples" ―, a impressão que se tem, ao ler este livro, é a de que ele foi também um homem simples. Na sua apresentação, texto publicado na revista IstoÉ em novembro de 1984 e também no livro em questão, ele diz "Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu.". Sua prosa e seus versos são, igualmente, simples, mas nem por isso superficiais ou banais. Em sua grande maioria bem-humorados, os textos reunidos em Da preguiça como método de trabalho são leitura divertida e emocionada: garantem gargalhadas, sorrisos melancólicos e momentos de reflexão.

Tudo é assunto para Mario Quintana. Alguns são mais presentes que outros, claro, como o cigarro, por exemplo. Fumante inveterado, Quintana faz elogios ao seu vício (mas só ao seu; ele não pede que ninguém o acompanhe): "Fumar é um jeito discreto de ir queimando as ilusões perdidas. Daí, esse ar aliviado e triste dos fumantes solitários. Vocês já não repararam que nenhum deles fuma sorrindo?". O ato de escrever e a condição do escritor também são temas constantes, como nos aforismos "O assunto": "E nunca perguntes o assunto de um poema. Um poema sempre fala de outras coisas..." e "A função": "A função do poeta não é explicar-se. A função do poeta é expressar-se.".

E se há uma característica em praticamente todas as páginas ― não confundir com "em todos os textos" ― do livro, é o bom humor. Como não rir de gracejos como "Os carecas": "Ser careca deveria arejar as idéias... Pelos menos, são os carecas que brilham mais."? Ou de minipoemas como "A bem-amada na praia": "Sua bundinha/ Deixou na areia/ A forma exata/ De um coração..."?

O que não impede de Mario Quintana abordar assuntos mais sérios e reflexivos, como o aborto: "O aborto não é, como dizem, um assassinato. É um roubo. Nem pode haver roubo maior. Porque, ao malogrado nasciturno, rouba-se-lhe este mundo, o céu, as estrelas, o universo, tudo! O aborto é o roubo infinito.". Ou de falar de livros e autores, como nos textos sobre Raul Bopp, Proust, Goethe ou seu grande amigo Erico Verissimo.

Mario nasceu em 1906 e faleceu em 1994, aos 88 anos. Tivesse ele nascido algumas décadas mais tarde, teria vivido o suficiente para chegar até os nossos dias, em que até uma planta tem um blog (fato que certamente ele não deixaria de comentar).

Com sua verve humorística e reflexiva; com seus textos que variam de aforismos de apenas uma linha e poemas curtos a crônicas e contos de todos os tamanhos possíveis, certamente Mario Quintana faria uma diferença enorme no meio jornalístico e blogueiro de hoje. Coitados dos blogueiros, se Quintana estivesse vivo e blogando. Coitados também dos autores jovens (que fique o exemplo de Mario, que publicou o primeiro livro só aos 34 anos). Muita gente por aí teria vergonha de escrever e publicar.

Polivalente, Mario Quintana fez de quase tudo: foi poeta, cronista, tradutor (traduziu Marcel Proust, Virginia Woolf, Guy de Maupassant, Somerset Maugham, entre outros) e jornalista. Apesar do título do livro, a preguiça definitivamente nunca tomou conta de Mario. Não por mais de alguns minutos. Talvez o título tenha sido uma brincadeira ou trocadilho do autor. Aliás, retiro o que disse. Não tentarei adivinhar o que Mario disse ou não. Acho que ele não iria gostar.

Feira de Santana, 25/11/2008

Quem leu este, também leu esse(s):

01. O Brasil é carioca de Luiz Rebinski Junior
02. Nine Inch Nails e The Slip de Rafael Fernandes
03. O taikonauta, o astrônomo e o espaço de Elisa Andrade Buzzo
04. Da indústria do sabor e do desgosto de Elisa Andrade Buzzo
05. Bukowski e as boas histórias de Luiz Rebinski Junior

FONTE: Digestivo cultural - São Paulo,SP,Brazil

Quinta do Quintana com jazz e literatura


Quinta do Quintana com jazz e literatura


Nesta quinta-feira, dia 27 de novembro, o Quintana Café & Restaurante (Avenida Batel, 1.440) presta uma homenagem ao jazzista norte-americano Cole Porter no projeto semanal Quinta do Quintana. Os músicos Kadu Lambach (guitarra e violão) e Boldrini (baixo acústico) prepararam uma seleção com as principais músicas de Porter, que ficou notabilizado por suas composições para os grandes musicais da Brodway entre os anos 40 e 60. No repertório, sucessos como "I Love You", "Love for sale", "Night and Day", "Could it be You", "Easy to Love", entre outras.
Arte e Letra: Estórias
Além do jazz, o Quinta do Quintana também traz novidades para os amantes da literatura. No mesmo dia será lançada a edição C da revista Arte e Letra: Estórias. Desta vez, a publicação está totalmente dedicada aos contos. O texto de Paul Auster, "O Conto de Natal de Auggie Wren", é inédito no país e é o resultado de um pedido do jornal New York Times para o escritor. Também é inédito no Brasil o conto "Pontes como Lebres" do escritor argentino Mario Benedetti. Completam a lista de autores desta edição Jonathan Coe, Arthur Schnitzler, Horacio Quiroga, M. R. James, o estreante Ernesto Klüppel e um trecho do romance "Longe Daqui" da autora americana Amy Bloom ainda inédito por aqui. A parte gráfica desta edição é feita por cartas de baralho antigas. A Arte e Letra: Estórias é editada pela Arte & Letra Editora, tem 80 páginas e custa R$ 16,50.
A apresentação do duo Kadu Lambach e Boldrini começa às 20 horas e tem entrada franca. Durante a noite, serão sorteadas cestas de livros entre os clientes do Quintana. Mais informações pelo telefone (41) 3078-6044.
Sobre Kadu Lambach e Boldrini
A dupla de música instrumental possui vasta experiência em festivais de jazz, workshops e shows pelo Brasil. Em Curitiba, se apresentam com freqüência em diversas casas noturnas da cidade. Além de grandes nomes do jazz, o repertório também inclui blues e composições de nomes da MPB como Tom Jobim, Roberno Menescau, Caetano Veloso e Egberto Gismonti, entre outros.
Serviço:
Quinta do Quintana — duo Kadu Lambach e Boldrini interpreta Cole Porter; Lançamento da edição C da revista Arte e Letra: Estórias
Quintana Café & Restaurante (Avenida Batel, 1.440), (41) 3078-6044.
Dia 27 de novembro, quinta-feira, às 20 horas. Entrada franca. Jazz.
Fonte: nume@nume.com.br
Leia mais sobre: Quinta do Quintana
[19-11] Quinta do Quintana tem jazz e gastronomia tailandesa
[11-11] Quinta do Quintana homenageia Wayne Shorter
[05-11] Quinta do Quintana homenageia Django Reinhardt

FONTE: Paranashop - Curitiba,Paraná,Brazil

A vida de Machado só com imagens


A vida de Machado só com imagens
A Olhos Vistos, livro organizado por Hélio de S. Guimarães e Vladimir Sacchetta, reúne material iconográfico inédito do escritor
Livia Deodato
Raras ou inexistentes são as imagens de infância e adolescência de um dos maiores romancistas brasileiros, Joaquim Maria Machado de Assis. A explicação para isso é o fato de o escritor ter praticamente nascido junto com a disseminação da fotografia pelo País - o autor de Dom Casmurro chegou à vida em 21 de junho de 1839 na quinta do Livramento, no Rio, quase duas décadas anteriores ao alcance da popularidade da atividade imagética, na mesma cidade.

Hélio de Seixas Guimarães, professor de Literatura Brasileira da USP, se dedica há mais de dez anos exclusivamente ao estudo de Machado de Assis. Durante as suas pesquisas acadêmicas, notou um encorpado volume de imagens e retratos do fundador da Academia Brasileira de Letras (ABL) nunca antes tornado público, muito menos reunidos. Embora incompleto se a intenção fosse montar uma cronologia iconográfica pela razão já citada, o extenso material encontrado consegue ilustrar o caráter determinado do escritor a partir de seus 20 anos, a austeridade alcançada aos 40 e um certo olhar melancólico adquirido por volta dos 60.

Além disso, é também notável a ascensão social repentina: de origem modesta, o rapaz mulato de cabelos revoltos foi fotografado aos 25 anos por Joaquim Insley Pacheco, profissional contratado da “Casa Imperial”. A justificativa de Guimarães está na apresentação da obra que será lançada hoje, A Olhos Vistos - Uma Iconografia de Machado de Assis (IMS), organizada por ele e pelo jornalista e produtor cultural Vladimir Sacchetta. “Como o jovem escritor, de recursos modestos, teria conseguido chegar a um dos estúdios de fotografia mais disputados da corte? Muito provavelmente pelos laços de amizade.”

Para preencher as lacunas de algumas fases da vida do escritor - o que tornou impossível a produção de uma fotobiografia machadiana -, Guimarães e Sacchetta tiveram a feliz idéia de completá-las com fotos do Rio do século 19, legendadas com trechos dos clássicos do autor. Dividido por décadas, o livro também apresenta, no início de cada capítulo, a cronologia de Machado, tanto pessoal quanto profissional. “Machado acompanha a mudança do Rio de Janeiro imperial para o Rio de Janeiro republicano moderno. Na produção da obra tivemos em mente essa sua relação com a cidade, que vai se transformando durante o período de vida do Machado. A cidade que viveu (e de onde nunca saiu) e que é cenário de sua obra ficcional”, diz Guimarães.

O capítulo 22 de Esaú e Jacó (1904) serve como legenda da foto ilustrada nesta página (e evidencia sua percepção sobre as transformações na então capital do Brasil): “Também a cidade não lhe pareceu que houvesse mudado muito. Achou algum movimento mais, alguma ópera menos, cabeças brancas, pessoas defuntas; mas a velha cidade era a mesma.”

FONTE: O Estado de São Paulo - São Paulo,SP,Brazil

Metropolitan de Nova York comemora 125 anos com apresentação de gala

Entrada do Metropolitan de Nova York em foto de 2000


Metropolitan de Nova York comemora 125 anos com apresentação de gala
Há 13 horas

NOVA YORK (AFP) — O Metropolitan Opera de Nova York anunciou que irá celebrar seu 125º aniversário com uma programação de gala no dia 15 de março, que reunirá mais de vinte dos melhores cantores líricos do mundo.
Para a ocasião, o diretor James Levine apresentará 26 árias de óperas famosas, encenadas para evocar a história do teatro e suas memoráveis produções.
"Isso será uma das festas de gala mais deliciosas que já realizamos, tanto para os artistas quanto para o público", comentou Levine.
"Junto com alguns dos grandes artistas de hoje, vamos render uma homenagem à gloriosa história do Met, evocando os lendários momentos que todos sonhamos presenciar", acrescentou. "Tenho certeza de que será fascinante".
Num evento sem precedentes, a ocasião reunirá grandes estrelas da ópera mundial, como os cantores Roberto Alagna, Aleksandrs Antonenko, Kim Begley, Stephanie Blythe, Joseph Calleja, Natalie Dessay e Renée Fleming.
Plácido Domingo, Juan Diego Flórez, Angela Gheorghiu, Marcello Giordani, Maria Guleghina, Thomas Hampson, Ben Heppner, Dmitri Hvorostovsky, Maija Kovalevska, Mariusz Kwiecien, Waltraud Meier, Susanne Mentzer, James Morris, René Pape, Sondra Radvanovsky, John Relyea e Deborah Voigt completam a lista.
A apresentação de gala incluirá quatro fragmentos do Fausto de Gounod, que inaugurou o teatro em 22 de outubro de 1883, com um figurino baseado na produção, e uma seleção dos grandes clássicos do repertório operístico italiano, alemão, russo e francês.
"Queremos que seja uma celebração à altura da rica história musical e teatral do Met, por isso iremos além do formato de gala tradicional. Isso será mais do que um típico desfile de cantores", comentou o diretor geral do Met, Peter Gelb.


FONTE (photo include): Metropolitan de Nova York comemora 125 anos com apresentação de gala - AFP
http://www.google.com/hostednews/

ABSTRATO - Mariana Botelho

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Mariana Botelho
ABSTRATO
eu nunca beijei um poema.
no entanto ele está aqui
roçando leve minha
boca
nas horas dos mais
doídos silêncios
poesia.net

Presidente da CBJ faz minuto de silêncio por morte de conselheiro


Presidente da CBJ faz minuto de silêncio por morte de conselheiro
Paulo Wanderley pediu 1 minuto de silêncio em memória do membro da Confederação, Luiz da Mota.

O presidente da Confederação Brasileira de Judô, Paulo Wanderley, abriu hoje (11) o Campeonato Brasileiro de Judô, que está sendo realizado neste final de semana no Piauí, e pediu um minuto de silêncio em memória ao Presidente da Federação Pernambucana de Judô e membro do Conselho Nacional de Graduação da CBJ, Luiz da Mota, falecido no último dia 17.

Paulo Wanderley falou como Cidadeverde.com sobre a tendência de reduzir o tempo das disputas, da política adotada em sua administração e sobre o projeto Avança Judô.
De acordo com Wanderley é provável que o tempo de disputa de quatro minutos, que vem sendo adotoado como testes nas competições do mundo inteiro, seja homologado ano que vem. "Há uma tendência para reduçã do tempo nas lutas porque os campeonatos são cada vez maiores. Quatro minutos é o suficiente e torna-se também um elemento facilitador da organização do evento".

O presidente falou da importância da CBJ priorizar competições fora dos grandes centros. "A política adotada na nossa administração é uma forma de divulgar as modalidades e também icentivar atletas que possuem dificuldades de competir fora dos seus Estados. Nossa política é descentralizar as competições do eixo Rio-São Paulo para que o esporte se popularize mais e ganhe força em todo o País".
Em relação ao Projeto Avança Judô, uma parceira entre a CBJ e a Infraero que possibilita a inclusão social através do judô, Paulo Wanderley prometeu um núcleo no Piauí próximo ano. "O projeto é uma inclusão social de crianças em condições de risco que vivem em torno dos aeroportos. Não dá para instalar um projeto em todos as localidades que necessitam ao mesmo tempo. Temos nove pólos implementados no Brasil e a perspectiva de implantação de mais quatro núcleos ano que vem, um deles será no Piauí. O projeto contará com a parceria da infraero e apoio da prefeitura local".


Da redação (direto do Campeonato Brasileiro de Judô)

redacao@cidadeverde.com
MAIS NOTÍCIAS
› 14/10/08, 08:34

Matéria Publicada em 11/10/08, 10:25

terça-feira, novembro 25, 2008

Calentitas las letras – Noche de poesía sensual



Poesías de amor, sensuales y eróticas en el Melipal El calor de la literatura invadirá el café del Centro Cultural Melipal el próximo miércoles 26 de noviembre cuando la Subsecretaría de Cultura y Educación de la Municipalidad de Esquel, a través del Programa Esquel Literario, presente “Calentitas las letras, noche de poesía sensual”.

Lectura de poesía amorosa, proyección de poesía audiovisual, tragos, un exquisito menú a la carta, velas y la pasión de quienes vayan solos o en pareja, serán los ingredientes de una noche para disfrutar de la mano de poetas de todos los tiempos.

Será una excelente razón para salir sin los niños y sentir cómo la palabra hecha poesía puede ser palabra y fuego, rodeados por cuadros alegóricos de artistas locales. “Calentitas las letras”, de entrada gratuita, comenzará a las 21 y están invitados todos los adultos que deseen, además, retirar un ejemplar gratuito de una cuidadosa selección de poesía sensual y erótica.

FONTE (image include): Puerta E - Esquel,Argentina

Homenaje a la palabra en libertad


REPORTAJE
Homenaje a la palabra en libertad
Personalidades del mundo de la cultura evocan el poder de los versos en la presentación de la colección de libros de grandes poetas de EL PAÍS
T. CONSTENLA / C. ETHEL - Madrid - 18/11/2008


El recital de ayer, conducido por la periodista Concha García Campoy, fue un aperitivo de la colección. Y la colección puede convertirse en un trampolín hacia la poesía. "El lector es quien justifica la literatura. Cada esfuerzo por aumentar nuestra capacidad lectora merece alabanzas", señaló Caballero Bonald, director de esta antología, que destacó que por vez primera un periódico español se comprometa con la difusión de la poesía. Las obras han sido escogidas por un equipo de seis personas. Y como sucede en todas las selecciones, advirtió, resultó "difícil, compleja y debatible". "Prescindir de seis o siete poetas esenciales supone un sacrificio", lamentó.
Pero los treinta elegidos son de los grandes. Junto a las noticias sobre el interminable seísmo financiero y el enésimo atentado en Irak, el lector encontrará versos que ya han hecho historia literaria, versos como "últimas voluntades". Como éste de Gil de Biedma: "Por lo visto es posible declararse hombre. / Por lo visto es posible decir no". O este otro de Ángel González: "Yo sé que existo porque tú me imaginas".
A Gil de Biedma lo interpretó ayer Ana Belén. Pero también Joaquín Sabina. El cantautor jugó duro con su primera elección: el poema Contra Jaime Gil de Biedma, un ejercicio de amarga autocrítica, un exabrupto existencial que va como anillo al dedo a la voz y a la biografía de Sabina. Antes de abrir su libro en el escenario, el cantautor explicaba en el camerino que había elegido a Gil de Biedma porque a través de su obra "puede engancharse a gente que no le gusta la poesía".
Para Víctor Manuel, el poeta Ángel González es "un imprescindible". Dos asturianos frente a frente. Con la voz que popularizó temas como Sólo pienso en ti, leyó Muerte en el olvido. Pero no fue el único que le abrazó. También el músico canario Pedro Guerra recurrió al poeta y recitó Me basta así. Entre los asistentes al acto se encontraban Susana Rivera y Sabina de la Cruz, las viudas de los poetas Ángel González y Blas de Otero, respectivamente; el ex ministro de Cultura Jorge Semprún; varios rectores como Juan Gimeno (UNED) o Carlos Berzosa (Complutense); cineastas como Vicente Aranda; escritoras como Clara Sánchez; políticos como el socialista Rafael Simancas, y directivos del Grupo Prisa, como Manuel Polanco.
En una antología de los mejores (que se venderá los miércoles a 8,95 euros cada entrega) no podía faltar Antonio Machado, el poeta que nació en el palacio de Dueñas de Sevilla y murió en la crudeza del exilio francés tras la Guerra Civil. En el prólogo de esta obra, el filósofo Emilio Lledó escribe que la voz del poeta "hace resonar la historia del país al que querríamos pertenecer". Sobre el escenario de ayer, resonó la voz de Juan Echanove mientras declamaba Soledades y su homenaje a Soria, la tierra de su esposa Leonor.
Hubo más emparejamientos. Blanca Marsillach con Luis Cernuda. Pedro Guerra con José Ángel Valente. O Juan Echanove con José Hierro. El colofón fue un Alberti pícaro, que permitió a Aitana Sánchez Gijón y Juan Diego Botto subir la temperatura con el tentador juego entre un clérigo y una dama poco castos en el poema Con la condición.Caballero Bonald: "El lector es quien justifica la literatura"

FONTE (photo include): El País (España) - Madrid,Spain

As virtudes do homem


As virtudes do homem
18/11/2008 - Tribuna do Norte
Maria Betânia Monteiro - Repórter

A série de livros publicados pela Coleção Metafísica do Departamento de Pós-graduação em filosofia da UFRN lança a oitava obra da coleção: “Uma Introdução a Filosofia Moral de Kant”, da professora Cinara Nahra. O livro aborda de forma inédita no Brasil o pensamento de Kant. “É um livro inédito por não existir nenhuma publicação feita por autores brasileiros, propondo a introdução da Moral em Kant”, esclarece a professora. O livro será lançado durante XVIII Semana de Filosofia da UFRN, hoje as 18h30 no Hall do anexo do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA).

“Introdução a filosofia moral de Kant” é o resultado do aperfeiçoamento da dissertação defendia pela professora em 1995, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), cujo título era “Teoria da Ação Moral em Kant”. “Os alunos consultavam constantemente a dissertação nas bibliotecas onde foi distribuída. Foi quando me dei conta que era um material inédito e que estava sendo muito utilizado”, falou Cinara Nahra ao Viver.

O livro é indicado principalmente para estudiosos da moral e da filosofia, procurando elucidar uma série de conceitos da filosofia kantiana que muitas vezes não são bem compreendidos. Ele pode interessar, também, a um público maior de leitores que estão desejam aprofundar seu conhecimento sobre teorias éticas e morais e compreender o pensamento de um dos maiores filósofos morais de todos os tempos. “Kant, que viveu entre os anos de 1724 e 1804, é um grande autor no que concerne à ética e a Moral na Filosofia. Ele foi responsável pelo estabelecimento de novos paradigmas nesta área. Antes de Kant a Moral era compreendida como sendo um conjunto de virtudes. A quebra de paradigma é dada quando apresenta uma nova visão da moralidade. A moralidade como um conjunto de regras socialmente construídas, que nos serve de guia. Uma bússola que indica o que é certo e errado e que deveria ser usado por todos os seres humanos. Para Kant é preciso colocar-se sempre no lugar do outro, basicamente esta era a regra dele. Você pode concordar ou discordar de Kant, só não pode é ignorá-lo”, explicou a professora.

A autora Cinara Nahra é gaúcha, 44 anos, é professora de ética do Departamento de Filosofia da UFRN, bacharel e mestre em filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutora (phd) em filosofia na área de ética e políticas públicas pela University of Essex (Inglaterra). É autora de livros como Através da Lógica (Vozes), sétima edição, e Malditas Defesas Morais (Cooperativa Cultural) e de vários artigos em revistas especializadas. “Uma Introdução a Filosofia Moral de Kant” tem 210 páginas e está sendo editado pela EDUFRN. O livro será disponibilizado à venda na Cooperativa Cultural, que fica no Centro de Convivências da UFRN.

Semana de Filosofia

Iniciou nesta segunda-feira dia 17, e segue até o dia 20, quinta-feira, a XVIII Semana de Filosofia da UFRN, um evento já tradicional no calendário cultural de Natal. Este ano a semana, que versa sobre o tema “Linguagem e Realidade”, também é mais uma das atividades que fazem parte das comemorações dos 50 anos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Nas atividades programadas para a semana de filosofia vão acontecer sessões de comunicação (manhã), mesas redondas (tarde) e conferências (noite). Hoje as 19h vai acontecer a palestra da professora Maria de Lourdes Alves Borges da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sobre Ética e realidade e da prof. Clélia Martins da UNESP falando sobre Linguagem e reflexividade:uma análise a partir de Wittgenstein. Na quarta feira, dia 19, acontecerão as palestras de Marcos Bulcão Nascimento (FAPESP) sobre A constituição da Realidade no Sujeito, Edson Sedin Magalhães (FEUDUC) sobre Linguagem e Realidade: de Morin a Chomsky e também a do professor Antonio Basilio (UFRN), que fala sobre Michel Foucault:os limites da linguagem e o estatuto da ficção .

FONTE (photo include): Tribuna do Norte - Natal - Natal,Brazil

“Conversas com o Brasil - Filosofia para crianças”


Terça-feira, 18 de Novembro de 2008
“Conversas com o Brasil - Filosofia para crianças”

Abrir um espaço de discussão sobre as possibilidades de um filosofar com crianças, colocando em questão os conceitos de infância, de filosofia e de formação é o objectivo da sessão “Conversas com o Brasil - Filosofia para crianças”.

O atelier, que decorre no Laboratório de Aprendizagens, no próximo dia 26, entre as 17h20 e as 19h30, é conduzido por Paula Ramos de Oliveira e assenta na partilha de experiências com vista a descobrir o melhor caminho para ligar a filosofia às crianças.

Dirigido a profissionais de educação, mas também aos educadores e pais em geral, o encontro tem como objectivo fundamental apresentar experiências com o ensino de filosofia para e com crianças, partindo do modelo dado a conhecer por Matthew Lipman, segundo o qual “é possível levar a filosofia até as crianças”.

Da partilha e aplicação prática através de trabalho de grupo – essencialmente a construção de histórias filosóficas – pretende-se abrir caminho para desenvolver esse trabalho educativo junto de muitas outras crianças.

Com a duração de duas horas, o ateliê tem lugar no Laboratório de Aprendizagens, sito na Rua Vale de Santa Rita, 47-B, Estoril, e as inscrições podem ser feitas através do email lab.aprendizagens@gmail.com ou pelo fax n.º 21 468 54 05.
Publicada por Mafalda Ribeiro às 17:49
FONTE (photo include): Correio da Cidade - Sintra,Sintra,Portugal

Entre gêmeos desiguais


20/11/2008 03:38:00
Entre gêmeos desiguais
Por Sérgio Medeiros

No dia 28 de novembro, o antropólogo Claude Lévi-Strauss completará 100 anos. Nascido em Bruxelas, de uma família de judeus alsacianos, Lévi-Strauss vive hoje em Paris, onde comemorará seu centenário, pois fez da França sua pátria. Autor de livros fundamentais, como Tristes Trópicos e Mitológicas (quatro volumes), Lévi-Strauss é considerado o maior antropólogo vivo e um dos grandes intérpretes da cultura ameríndia, tendo vivido no Brasil, onde estudou a cultura urbana e indígena do País, a partir de 1935. Para homenagear o célebre etnólogo decidi reler sua obra, ou, pelo menos, um de seus textos fundamentais, que resume suas grandes teses.
Publicado na França em 1991, o livro Histoire de Lynx (História de Lince), do antropólogo Claude Lévi-Strauss, atrai inicialmente o leitor pelas páginas bem-humoradas, destacando-se o prefácio, onde o autor afirma que seus estudos sobre mitologia indígena se situam entre os contos de fadas e os romances policiais, gêneros considerados fáceis de ler. Por isso ele se surpreende quando reclamam da complexidade de suas análises, embora admita que os quatro volumes que compõem as Mitológicas, publicados entre 1964 e 1971, possam ser difíceis. O fato é que Lévi-Strauss inventou, como os críticos reconhecem, uma nova linguagem para resumir e comparar mitos, um estilo inconfundível que começou a ser forjado nos anos 1950 e cuja verve e frescor perduram na História de Lince, um livro que retoma os anteriores, porém apostando na concisão e na simplicidade da exposição. Pode-se dizer que, nesse livro, Lévi-Strauss reviu toda sua obra e fez uma defesa contundente do método que sempre empregou para analisar os mitos. Clifford Geertz chega a dizer, num estudo sobre a originalidade do discurso antropológico, que “Lévi-Strauss não quer que o leitor olhe através de seu texto: quer que olhe para o texto”, situando-o numa linhagem literária que incluiria nomes como Baudelaire, Mallarmé, Rimbaud e em especial Proust. Quem freqüentar as páginas dessa obra-prima que é Tristes Trópicos, publicada em 1955, não ignorará sua assombrosa dimensão literária, digna de Mallarmé, caso esse poeta simbolista tivesse vivido na América do Sul, como já se afirmou.
Quando a Europa programava as comemorações dos 500 anos da descoberta da América, Lévi-Strauss lançou História de Lince e lembrou, em suas páginas, que houve invasão e destruição, não descoberta. O prefácio bem-humorado termina lamentando a destruição dos povos indígenas e de seus valores e anuncia um dos temas desse livro fascinante: o branco e o índio não seriam irmãos gêmeos? É possível sustentar essa hipótese?
A “descoberta” do Novo Mundo não teria agitado muito a consciência européia. Ao espanto inicial, nada espetacular, sobreveio certa indiferença, quando a cegueira voluntária do Velho Mundo se sobrepôs à evidência de que a sua “humanidade plena” não representava o gênero humano, mas uma parte dele. Para o século XVI, a descoberta da América teria confirmado, muito mais do que revelado, a diversidade dos costumes, como se nada de absolutamente novo tivesse sido trazido à luz. Outra teria sido, contudo, a reação dos índios quando se depararam pela primeira vez com os europeus recém-chegados ao seu território. Essas duas atitudes opostas são discutidas pelo antropólogo Claude Lévi-Strauss em História de Lince, onde ele se debruça sobre o papel que os brancos exerceram no imaginário indígena, antes mesmo do efetivo desembarque dos europeus no Novo Mundo.
Para falar do nascimento dos gêmeos mitológicos, Lévi-Strauss resume as relações sexuais possíveis entre humanos e não-humanos, numa época em que as fronteiras ontológicas eram porosas e pululavam contatos inusitados no território ameríndio. Nesse sentido, além de conto de fadas e de romance policial, a análise estrutural pode incluir também a narrativa erótica, sempre atribulada e exuberante: certa jovem, por exemplo, que recusou todos os pretendentes, acabou levando uma vida solitária e se resignou finalmente a desposar uma raiz, com a qual teve um filho, que cresceu ao seu lado. À medida que, nesse livro, os diferentes mitos vão sendo apresentados, o leitor se depara com vegetais e animais sedutores e, sobretudo, já nas páginas iniciais, com o lince, um velho pouco atraente que se une a uma moça virgem. O casal vive feliz porque o lince é, na verdade, um rapaz belo e forte. Quem imagina que o príncipe encantado é tema exclusivo da literatura do Velho Mundo será surpreendido, na História de Lince, por uma galeria de heróis bem-apessoados, embora, inicialmente, todos se caracterizem pela má aparência e a idade avançada. Contudo, há sempre uma pele jovem sob a pele encarquilhada, e o feio oculta o belo. Das uniões sexuais entre esses heróis ambíguos (seres sobrenaturais) e moças cobiçadas pelos homens nascem os gêmeos ameríndios.
Na América do Sul, à época da “descoberta”, os povos indígenas temiam em geral os gêmeos (estes podiam ser mortos ao vir ao mundo), embora eles também fossem venerados, como sucedia entre os incas. Os mitos ameríndios, contudo, parecem se comprazer em apresentar, em todos os rincões do Novo Mundo, nascimentos de gêmeos, filhos do mesmo pai ou de pais diferentes, seja porque a mãe se relacionou com dois homens ou com um homem e um animal. Segundo a tese de Lévi-Strauss, isso poderia ser explicado pelo fato de que o mundo e a sociedade estão estruturados sobre uma série de bipartições. As partes, porém, não são iguais, uma é sempre superior à outra. É o que acontece com os gêmeos míticos: eles são diferentes entre si, um agressivo, o outro pacífico; um forte, o outro fraco; um inteligente e hábil, o outro desajeitado e tonto etc. Tampouco os seios das mulheres são gêmeos idênticos, lembram os mitos: um é distinto do outro, pois o peito das índias é assimétrico.
Entre as mais importantes polaridades míticas, Lévi-Strauss destaca a bipartição em índios e brancos. Ele constata que os brancos, logo após sua chegada, foram facilmente incorporados à gênese ameríndia, como se o lugar deles nesse relato mítico já tivesse sido previsto antes da invasão do Novo Mundo. A criação dos índios, afirma Lévi-Strauss, tornava necessário que o demiurgo também criasse os não-índios. O deus civilizador Quetzalcoatl, por exemplo, anunciou que viriam pelo mar, de onde o sol nasce, seres semelhantes a ele mesmo, cuja aparência, conforme acreditavam os índios, era a de um homem grande, branco e de barba longa. Porém, o mesmo e o outro, idealmente gêmeos, sempre se revelaram desiguais nos mitos e na realidade. Esse desequilíbrio era ainda mais forte entre brancos e índios. Ou seja, os gêmeos não são de fato gêmeos, conclui Lévi-Strauss, tudo neles contradiz essa condição. O filho do Velho Mundo e o filho do Novo Mundo entraram inevitavelmente em conflito, o que os mitos já previam. O índios não puderam ficar indiferentes à chegada dos europeus, mas tampouco puderam reverter a seu favor a superioridade numérica. Há um pormenor inquietante nesse conto de horror e mistério, inserido em História de Lince: o incapacidade indígena de opor uma resistência eficaz ao europeu, mesmo quando 20.000 homens armados, por exemplo, se defrontaram, no Peru, com um número inexpressivo de espanhóis. Essa paralisia terá muitas explicações, inclusive a de que o intruso inicialmente foi visto, pelos incas e pelos astecas, e talvez por outros povos, como uma antiga divindade desaparecida, cujo retorno era esperado e anunciado.
É possível especular como seriam hoje as sociedades indígenas se o “reencontro” entre os gêmeos tivesse ocorrido milhares de anos atrás. Depois de percorrer os Ensaios de Montaigne, um europeu imune à “cegueira voluntária” que acometeu os homens do século XVI, Lévi-Strauss lembra, numa nota de rodapé, que o filósofo lamentou que a conquista do Novo Mundo não tivesse se dado no tempo da Grécia ou de Roma, quando as armas respectivas seriam comparáveis e o contato não teria redundado no extermínio dos mais fracos. Esse belo mito, sonhado por Montaigne e recuperado por Lévi-Strauss, não foi ainda narrado por ninguém. Os gêmeos continuam desiguais, sobretudo nesta parte do mundo, como o demonstra a História de Lince.

Sérgio Medeiros traduziu o poema maia Popol Vuh (Iluminuras, 2007), com a colaboração do americanista Gordon Brotherston, e publicou, entre outros, três livros de poesia. Ensina literatura na UFSC. Participará de uma homenagem a Claude Lévi-Strauss no Centro Cultural Arquipélago de Florianópolis, no dia 22 de novembro, às 19 horas, quando lerá seu poema longo “O retrato totêmico de Claude Lévi-Strauss”.

O continente invisível e o milagre da multiplicação


A política nos aproximou no que dividimos de mais doloroso: as ditaduras
FERNANDO FIUZA

O continente invisível e o milagre da multiplicação

O Brasil não conhece o Brasil. E se assim é, o que se poderia esperar que o brasileiro soubesse de seus vizinhos latinos?! Esse incômodo parece emergir um pouco mais a cada dia, de forma afirmativa, seja movido pela necessidade, seja pela curiosidade. E, se não será contornado num passe de mágica, ao menos problematizado ele vem sendo. Crescentemente. A ponto de emergir como foco de atenção especial na rede pública de televisão, via TV Cultura e TV Brasil, e dar o tom a diferentes eventos culturais em São Paulo, Brasília, Salvador e Belo Horizonte [informações gerais e links no meu blog: futurodamusica.zip.net]. Mas antes de chegar a eles, cabe investir numa breve derivação de fundo histórico que remonte os caquinhos deste quebra-cabeças e nos ajude a enxergar o que pode haver de novo no momento. Além do futebol e da política, a música, a literatura e o cinema afirmam-se como principais frentes de conexão entre brasileiros e seus pares latinos - para além dos acordos comerciais bilaterais e de esforços de ação coordenada como o Mercosul.

No nosso caso, este diálogo raramente deixa de estar circunscrito aos países mais próximos, do Cone Sul. O futebol, que durante décadas apenas recrudesceu a disputa entre os povos, sofreu o impacto da exportação de brasileiros [à razão de centenas por ano] que desmilingüe os campeonatos nacionais. E teve como efeito colateral algum trânsito de jogadores de "lás" pra cá - argentinos, sobretudo, mas também uruguaios, colombianos, paraguaios. A política nos aproximou no que dividimos de mais doloroso: as ditaduras. E a acolhida dos "hermanos" perseguidos, de lado a lado, não foi suficiente para calar os crimes militares inter-fronteiriços, praticados em "pool" em momentos como os da Operação Condor - uma ação conjunta entre serviços secretos, cujo efeito no Brasil [ainda pouco estudado] envolveria diretamente as mortes de Jango e JK, por exemplo. Literatura e cinema contaminam-se mutuamente no que a arte pode oferecer de melhor: a capacidade de compartilhar experiências e permitir a reflexão sobre o que nos une como seres humanos. Mas desconheço algo que permita definir com clareza um manancial de influências específico, capaz de ter gerado filhotes brasileiros com sotaque de qualquer outro país latino.

É especialmente notável, aqui, o vigor do cinema latino recente [argentino, sobretudo] e a sua crescente entrada no Brasil - não apenas pelas mãos dos festivais, mas também no circuito de salas de cinema. Mas não a ponto de se ver com clareza o que um deu ao outro. O território da música, contudo, talvez seja o que tenha gerado o trânsito mais contínuo [coalhado de cruzamentos e desvios] ao longo das décadas. Também aí a Argentina é mais presente. E basta o tango para acentuar isso - de Gardel a atualizações como a do Piazzolla ou, nestes tempos, à revisão eletrônica dos franco-argentinos do Gothan Project. O contra-fluxo, mesmo episódico, não deixa de ser constante. Já nos anos 60 Buenos Aires acolhia muito bem o músico brasileiro egresso da Jovem Guarda. O que pode ser ilustrado por Getúlio Côrtes [autor de "Negro Gato" e uma dúzia mais de clássicos gravados por Roberto Carlos em sua fase áurea], que lá viveu.

Ou da Bossa Nova, que geraria discos marcantes como "Vinicius de Moraes - Grabado en Buenos Aires", com Vinicius, Toquinho e Maria Creuza acompanhados por instrumentistas argentinos. A contaminação mais forte, contudo, sempre se deu aos espasmos. Artistas como a argentina Mercedes Sosa ou a chilena Violeta Parra deixaram marcas indeléveis sobre a música brasileira - o que é bastante visível em certa fase do Clube da Esquina [e, mais explicitamente, nas dobradinhas com Milton Nascimento como a de "Volver a los 17", em que Milton e Mercedes fazem dueto na música de autoria de Violeta] ou na obra de artistas como Elis Regina [que regravou "Gracias a La Vida", também de Violeta Parra]. Nos anos 90, o rock brasileiro dos 80 [pós-abertura política] tratou de atualizar a conversa, em parcerias como as dos Paralamas do Sucesso com os argentinos Fito Paez e Charly García.

Recentemente, o carioca Paulinho Moska ativou uma intensa via de mão dupla com o uruguaio Jorge Drexler - que ganhou notoriedade internacional em 2005 com o Oscar pela canção "Al Otro Lado del Río". O que, raios, estaria por trás deste "milagre da multiplicação" do interesse pelos "hermanos" que se vive hoje no Brasil. Coincidência,apenas? Não creio. E você? Será que um dia saberemos o que nos aguarda na outra margem do rio?

Israel do Vale, 41, é gerente-executivo de conteúdo da TV Brasil, e escreve neste espaço aos sábados.

Publicado em: 22/11/2008

FONTE (image include): O Tempo - Belo Horizonte,MG,Brazil

quarta-feira, novembro 12, 2008

Blind Judo Foundation Gives Free Demonstration to Visually Impaired Children and Their Families


Blind Judo Foundation Gives Free Demonstration to Visually Impaired Children and Their Families
Last update: 11:38 a.m. EST Nov. 12, 2008
NEW YORK, Nov 12, 2008 /PRNewswire-USNewswire via COMTEX/ -- Blind and visually impaired children from the New York City area will learn about the history and techniques of the ancient sport of Judo from Paralympic Silver Medalist, Andre Watson, and the 2008 Paralympic Judo Team Leader, Marc Vink, on Saturday, November 15, 2008, at Modern Martial Arts in Manhattan. This event is sponsored by FamilyConnect(TM) -- the national multimedia web resource for parents of children with visual impairments located at http://www.familyconnect.org/ and developed by the American Foundation for the Blind (AFB) and the National Association for Parents of Children with Visual Impairments (NAPVI) -- and the Blind Judo Foundation -- a non-profit which serves to promote Judo to the blind and visually impaired community.
Saturday's event will focus on the Olympic sport of Judo--a system of self-defense, and physical and mental discipline that aims to develop self-confidence, character, and independence in life. Attendees will be given a description of the history of Judo and an opportunity to participate in a hands-on Judo demonstration. They will learn the basics of body awareness and how to properly and securely fall; understand the importance of balance and its role in the sport; and discover how the physical capacities of Judo permit better adaptation to every day life. In addition, the children and their families will see the important roles exercise, mental focus, and sportsmanship play in empowering children who are blind or visually impaired to reach their full potential.
To reserve your spot, contact Jeanette Christie at (718) 519-7000, ext. 127, or Jaynycnapvi@aol.com.
WHEN:
Saturday, November 15, 2008, 1:00 PM - 4:00 PM
WHERE: Modern Martial Arts, 780 8th Avenue (between 47th & 48th Sts), New York, NY
About FamilyConnect(TM)
FamilyConnect is an online, multimedia community created by the American Foundation for the Blind (AFB) and the National Association for Parents of Children with Visual Impairments (NAPVI). This site gives parents of visually impaired children a place to support each other, share stories and concerns, and link to local resources. The site also features a mom-authored blog, inspiring video testimonials from families, and articles authored by parents and experts in the field of blindness on multiple disabilities, technology, education, and more. From the personal to the professional, families will find all the resources they need to raise their children from birth to adulthood. FamilyConnect is generously supported by grants from the Lavelle Fund for the Blind, Inc. and Conrad N. Hilton Foundation, and The Annie E. Casey Foundation and Morgan Stanley.
About the Blind Judo Foundation
The Blind Judo Foundation was created to promote the sport of Judo to the Blind and Visually Impaired community creating a level playing field not only on the Judo mat but in the competition of life itself. Our Mission is to provide professional development activities, information and educational resources for Coaches on "how-to" work with Visually Impaired students. We educate Foundations, Organizations, Societies, Federations and low vision networks about the physical, psychological, emotional and productive benefits of Judo. The Foundation provides funding to deserving students for sustained training and memberships in various organizations to include USABA and USAJudo with a potential to join the US Paralympic Judo Team.


Contact: Caitlin McFeely
cmcfeely@afb.net
212-502-7674
SOURCE American Foundation for the Blind

FONTE: MarketWatch - USA
PHOTO: A Dark Winters night on Hull Pier
By: Tim Everett View Full Portfolio (83 images)

terça-feira, novembro 11, 2008

“Mamã África” morre na Itália


Miriam Makeba sofreu ataque cardíaco após concerto anti-mafia
“Mamã África” morre na Itália
A cantora sul-africana Miriam Makeba, conhecida como "Mama Africa", morreu domingo à noite na Itália ao sair do palco, depois de ter actuado num concerto de apoio a um jornalista ameaçado de morte pela mafia.Fonte da Clínica de Pineta Grande, em Castel Volturno, perto de Nápoles (no sul de Itália), disse que a cantora morreu pouco depois de ter dado entrada no local.

A agência noticiosa italiana ANSA referiu que Makeba terá sofrido um ataque cardíaco no final do concerto, em que participaram vários artistas e que foi dedicado ao jornalista e escritor italiano Roberto Saviano, ameaçado pela Camorra, a máfia napolitana.

"Ela foi a última a subir ao palco, depois de vários outros cantores. Houve uma chamada ao palco e, nesse momento, alguém perguntou aos microfones se havia um médico na assistência. Miriam Makeba tinha desmaiado", relatou.

Cerca de um milhar de pessoas assistiram ao concerto em Caltel Volturno, considerado um dos bastiões da mafia napolitana e onde seis imigrantes e um italiano foram abatidos em condições obscuras em Setembro passado.

Roberto Saviano é autor do best--seller "Gomorra", um livro sobre a Camorra que foi adaptado ao cinema e mereceu o prémio do júri no último festival de Cannes, além de ter sido escolhido para representar a Itália nos Oscares.

Convertida num dos símbolos da luta anti-"apartheid", Miriam Makeba, nascida em Joanesburgo em 4 de Março de 1932 e cujo título "Pata, Pata" a tornou conhecida em todo o mundo, sempre defendeu nas suas canções o amor, a paz e a tolerância.

A cantora, a quem chamavam "a imperadora da canção africana" deixou a África do Sul em 1959. Tentou regressar em 1960, por ocasião do funeral da mãe, mas o passaporte foi-lhe cancelado e não foi autorizada a entrar no país.

Viveu no exílio durante 35 anos nos Estados Unidos, França, Guiné e Bélgica antes do seu emotivo regresso a Joanesburgo em 1990, quando regressaram muitos exilados sul -africanos ao abrigo das reformas instituídas pelo então presidente FW de Klerk. "Nunca percebi porque é que não podia voltar ao meu país", disse Makeba, quando regressou: "Nunca cometi nenhum crime". Em 1976, proferiu nas Nações Unidas um discurso de denúncia do "apartheid" (segregação racial). Foi depois disso, que a rádio e a televisão governamentais sul-africanas se recusaram a emitir as suas canções. Foi casada com o trompetista Hugh Masekela e mais tarde com o activista Stokely Carmichael.

"Uma das nossas maiores cantoras de todos os tempos parou de cantar", lamentou em nota o ministro da Cultura da África do Sul, Nkosazana Dlamini Zuma. "Ao longo da sua vida, Mama Makeba comunicou uma mensagem positiva ao mundo sobre a luta das pessoas na África do Sul e a certeza das vitórias sobre as forças malignas do apartheid e do colonialismo através da arte de cantar", apontou Zuma.

Miriam começou a sua carreira em Sophiatown, uma zona cosmopolita de Johannesburgo muito rica culturalmente na década de 1950. Porém, os negros da área foram retirados à força pelo governo do apartheid (regime que vigorou entre 1948 e 1990). A cantora recebeu um Grammy em 1966 pela melhor gravação folk, com Harry Belafonte, pelo disco An Evening With Belafonte/Makeba. A obra tratava dos problemas enfrentados pelos negros sul-africanos durante o apartheid.

FONTE: Midiamax - Campo Grande,MG,Brazil

Cabral disputa presidência do judo com André de Sousa


Cabral disputa presidência do judo com André de Sousa
André de Sousa e Quintino Cabral são os únicos candidatos à presidência da Federação Angolana de Judo (FAJ), para o quadriénio 2008/2012, cujas eleições no círculo nacional acontecem no próximo dia 29.

Nos círculos provinciais do Bié, do Bengo, de Benguela, de Cabinda, do Huambo, da Huíla, da Lunda- -Sul, do Moxico, de Malanje, do Namibe, do Kuando-Kubango, do Uíje e do Zaire o sufrágio realiza-se a 24 de Novembro.Os resultados serão divulgados a 2 de Dezembro, pela Comissão Eleitoral. Os dias 30 de Novembro e 1 de Dezembro servirão para a reclamação dos candidatos.

De acordo com o mapa estatístico da federação enviado à Direcção Nacional dos Desportos (DND), a massa votante é composta por 84 clubes e 13 associações provinciais. O federativo controla 4 mil e 384 judocas dos mais de 80 clubes do país.

Quintino Cabral, vice-presidente cessante e candidato pela Lista “A”, foi proposto pela Associação de Benguela, enquanto os filiados do Moxico propuseram a candidatura do antigo director técnico da federação e seleccionador nacional, André de Sousa.

A campanha eleitoral arrancou ontem e encerra no próximo dia 23. A abertura das listas foi realizada sexta-feira, no Complexo da Cidadela.AC

FONTE: Jornal de Angola - Luanda,Luanda,Angola

SOBRE NICOLAU SAIÃO


Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2004
SOBRE NICOLAU SAIÃO

Nicolau Saião é o pseudónimo literário/artístico de Francisco Ludovino Cleto Garção, nascido em Monforte do Alentejo no ano de 1946 e residente em Portalegre desde os três anos. Exerceu as profissões de meteorologista, jornalista e escriturário. Actualmente é o funcionário responsável do Centro de Estudos "José Régio" de Portalegre.

Empenhado civicamente antes e depois do "25 de Abril", teve o seu trajecto condicionado pelo antigo regime. De orientação democrática e libertária, foi também um resistente através da sua escrita e da sua acção, mas sem obrigatoriedade partidária ou de escola literária. Tem colaboração em jornais nacionais (República, Diário de Lisboa, O País, Sporting, Espaço Médico, etc.) e regionais (Jornal do Fundão, O Distrito de Portalegre, A Nossa Terra, Jornal de Paços de Brandão, Correio Beirão, Jornal de Queluz, Correio de Elvas, Diário do Sul, Notícias de Elvas, O Zurão...).

Poeta, pintor, publicista e actor/declamador, concebeu, realizou e apresentou o programa radiofónico Mapa de Viagens (Rádio Portalegre), que entrou para o ranking dos programas mais ouvidos das rádios regionais, e onde entrevistou personalidades como: José Bento, António Luís Moita, Rui Mário Gonçalves, Fernando Vendrell, José Manuel Anes, Diniz Machado, José do Carmo Francisco, etc...

Tem colaborado em revistas e jornais literários e artísticos, tais como Ler, Colóquio-Letras, Apeadeiro, Sílex, Célula Cinzenta, A Cidade, Bicicleta/Mandrágora, Bíblia, Ciclo Cultural, Jornal de Poetas e Trovadores, Callipole, Podium, A Xanela(Betanzos), Abril em Maio, DiVersos (Bruxelas), Albatroz (Paris), Artes & Artes, Mele(Honolulu), Ave Azul , Espacio/Espaço Escrito(Badajoz),etc...

Como pintor participou em mostras de Arte Postal em diversos países (Espanha, França, Itália, Polónia, Canadá, Estados Unidos, Austrália, Mali, etc.), além de ter exposto individual e colectivamente em diversas localidades. Organizou, com Mário Cesariny e Carlos Martins, a exposição O Fantástico e o Maravilhoso, tendo traduzido diversos autores incluídos no livro-catálogo; e, com João Garção, a mostra de mail-art O futebol. Está representado em diversas antologias (Palavras - Sete poetas portugueses contemporâneos, Poetas alentejanos do século vinte, O desporto na poesia portuguesa, O trabalho, Poemabril, Homenagem a Torga, Poemas para Lorca, Millenium, Série Poeta, Poetas e Escritores da Serra de S. Mamede...

Em 1992 a Associação Portuguesa de Escritores atribuiu o prémio Revelação/Poesia ao seu livro Os objectos inquietantes(Editorial Caminho).

Livros, além do citado: Flauta de Pan(Ed.Colibri),Os olhares perdidos(Universitária Editora), Assembleia geral(edição Bureau Surrealista Alentejano), Os labirintos do real - com Carlos Martins (idem), Passagem de nível - teatro (edição do autor, patrocinada pela Região de Turismo de S. Mamede). Em preparação: Cantos do deserto (poemas relacionados com o deserto de Tabernas, Almeria), As vozes ausentes(crónicas), As estrelas sobre a casa(teatro), Em nós o céu(policial) e Nigredo/Albedo - o livro das translações(a sair Black Sun Editores).

Proferiu conferências e palestras sobre arte moderna, poesia, literatura de mistério e os índios norte-americanos em Portalegre, Almada, Leiria, Lisboa, Ponte de Sôr, Montargil, Serpa, Madrid, Roma, Badajoz, Paris, Ciudad Real, Bruxelas e Toronto. Prefaciou Extravagários, de Nuno Rebocho e fez posfácio para livro de Ruy Ventura em preparação.


"Deus sabe que ninguém tem... " - Abus Novas


"Deus sabe que ninguém tem...

"Deus sabe que ninguém tem
instrumento igual ao meu:
venham medi-lo e hão-de ver
o tesouro que El' me deu.
Tomai-o – isso! – na mão:
é meu timbre de valor.
Quem o gosto lhe descobre
sucumbe de temo ardor.
Tão alto como um pilar
(como um pilar não encolhe)
visto ao longe na distância
de qualquer lado que se olhe.
Venham pegar, e apertá-lo
com força na vossa mão.
E levai-o à vossa tenda,
entre onde os montes estão.
Sede vós a lá guardá-lo
com vossa mão cuidadosa.
ede quanto ergue a cabeça
como bandeira orgulhosa!
Nem dareis por sua entrada,
tão corajoso ele avança!
Jamais pende como a vela
quando o vento se descansa.
Que el' seja asa da panela
entre as pernas escondida,
tão vazia desde o fundo
até à borda cingida.
Venham ver a maravilha
que logo se ergue tão pronta!
Tão rara e tão portentosa,
tão rica de bens sem conta!
E vejam como endurece
tão forte e tão magistral:
E coluna dura e longa
de uma força sem igual.
Se quereis pega segura,
ou colher que bem remexa,
outra melhor não tereis
para panelas sem queixa.
Pegai nesta – que ela esteja
na vossa panela ardente,
lá onde só um instrumento
haverá que vos contente!
Nem sonhais – amores –
o gosto que vos dará tal espada,
mesmo em panela de cobre
ou de prata chapeada.
autor: Abus Novas (Tradução de Jorge de Sena)

da poesia excepcional: grabato dias (1933-1994) & os impossíveis 70 anos

da poesia excepcional: grabato dias (1933 - 1994) & os impossíveis 70 anos
Seriam mais de setenta anos, em breve. E quase nunca esse lapso de tempo, brevíssimo à escala cósmica, permite um punhado de poetas assim, de acto e de facto.

Na transiente e verificável vida que nos foi dado ver, existem sempre “estranhos estrangeiros” que pouco se mostram e que muito são. Contra o rigor do vento e das chuvas, esta é daquelas figuras maiores da nossa cultura que não pode ser lacerada pela inclemência do tempo e pela intolerância crítica. “Monstro sagrado” da nossa literatura e também das artes plásticas, e o epíteto é de Eugénio Lisboa, seria Rui Knopfli a atribuir-lhe o apodo de “engenheiro de almas”.

Connosco cruzou este homem sem que o soubéssemos todos. Completo e diferente, as esplanadas e as nossa ruas viseenses mais típicas recordam ainda a sua presença intensa e inconformada. Artista renascentista pela vastidão de apetências manifestadas (pintura, cenografia, docência, urbanismo, arquitectura, apicultura, jardinagem, pecuária...), é como poeta que o convoco, na sua pluralidade de máscaras e personalidades. Sempre corrosivo, clama para que o homónimo escritor António Quadros passasse a assinar António Quadras, uma vez que o pintor era ele; adentro do mundo poético, vingará em si um certo João Pedro Grabato Dias, nascido em Inhaminga (Moçambique) e mestiço de “industano, celta, judeu e com prováveis avós nos Concheiros de Muge.”

António Augusto de Melo Lucena e Quadros nasceu aqui bem perto de nós, em Viseu, no dia 9 de Julho de 1933, vindo a morrer em Santiago de Besteiros , no dia 1 de Julho de 1994, com inclusos sessenta e um anos de idade.

Desconfiado desde cedo da ductilidade do artefacto de verbal, não mais o largou a ideia demiúrgica da refundação e da recriação da linguagem. A incorformação e a heterodoxia serão assim uma pregnância de sempre, desde os primeiros escritos até às últimas criações, como um método que não admitia a fácil cedência ou a tergiversação. Há sinais humanos que dizem o homem que connosco priva. Lembro este, coonestado há pouco por um seu amigo e admirador, feito tão mais admirável quanto se sabe como os homens são volúveis em face das ternas palavras ou das passageiras glórias: chega a ser absolutamente superior a modéstia que leva Grabato Dias a não reclamar, na década de sessenta (1968), um prémio literário que ganhara em Moçambique (“Prémio Literário de Poesia da Câmara Municipal de Lourenço Marques”) com o nome de Grabato de Tete. Sem alardes, passado o fulgor, soube-o Eugénio Lisboa, membro do júri, siderado pela confissão silenciosa e desinteressada do Poeta. Na mesma senda, segue um Knopfli (quem lê?) ao defender, com respeito máximo, que António Quadros sempre foi um envergonhado camponês de Santiago de Besteiros.

Em 1970, sai a lume, em Lourenço Marques, um livro espantoso de nome 40 e Tal Sonetos de Amor e Circunstância e Uma Canção Desesperada. Na constrição da forma poética fixa (“Ó soneto, ó espartilho carcereiro!”), a colectânea pauta-se pela ousadia expressional e pela subversão inventiva, abundando, a par de um camonianismo estruturante, neologismos, justaposições estranhizantes e “infracções” ortográficas. A linguagem estende o seu corpo ginástico pelo calor vulcânico de cada sílaba, expandindo-se, suspendendo-se e recriando-se, logo reganhando a estrutura profunda do texto um halo de corrosão, sarcasmo e humor. Tal erupção léxica facilita em muito a causticidade e a intensidade diferenciadora de um refinadíssimo humor que só encontra alguma equivalência em Alexandre O’Neill. No humor, num território que é idiossincrasia e experimentação, levanta Grabato Dias uma ars poetica única (“Humor, minha automática secreta”). Poesia “ensimesmada, onírica, ironicamente realista, brutal, descabelada, ardentemente bizarra, reveladora de um mundo fantasmagórico e quase demasiado verdadeiro” (Eugénio Lisboa dixit), poucas vezes a nossa literatura conheceu tão descontrolada paródia (“Amor. Te. Ti, tigo. A morte. Amo-te / sem R, sem risco ao meio da morte”), tão acertado humor sobre a biografia poética (“No mundo em pedaços repartida / ficou-me a mim e ao luís vaz a vida, / galinha gorda rebolante ao espeto.”) e tão evidente gargalhada de dessacralização artística (“Me, mi, Mimi, migo... Ó amiga, as migas / ainda são um bom prato, e até com ligas / de duquesa se faz tanto soneto.”).

Iniciada a obra impressa em livro de modo arrebatador, muito havia a esperar de uma obra que mais e mais se acrescentou: A Arca – Ode Didáctica na Primeira Pessoa. Tradução do sânscrito ptolomaico e versão contida do Autor (1971), O Morto – Ode Didáctica (1971), Uma Meditação, 21 Laurentinas e Dois Fabulírios Falhados (1971), As Quybyricas. Poema éthico em outavas que corre como sendo de Luis Vaaz de Camões (1972), Pressaga (Ode Didáctica da Primeira Singular à Segunda Plural sobre as Terceiras, Segundas e Primeiras Pessoas) (1974), Eu, o Povo (1975), Facto / Fado. Pequeno Tratado de Morfologia. Parte VII. (1982), O Povo é Nós (1991), Sagapress (1992) e Sete Contos para um Carnaval (1992). Sabe-se existir ainda obra inédita e impressa de diminuta circulação, muita dela sem data.

Escolho, para conclusão, falar um pouco sobre As Quybyricas, até porque desde cedo se pensou tratar-se de um livro que muito desse que falar. “Testemunho irónico e fascinante”, assim o diz a releitura de Gil de Carvalho, esta obra de configuração épica é uma devastadora crítica ao regime português de então, esgotando-se o livro em poucos dias, sinal de que os leitores haviam entendido a perfídia subversiva. Polimórfico e sedutor, este longo poema de onze cantos e 1180 estâncias encerra tonalidades épicas, burlescas, dramáticas, jocosas, líricas, bucólicas e outras que fazem de si um imenso exemplar de descaso literário: afinal, quantos poemas como este no nosso século XX, em que “Luso descobre / que a herança imperial pouco mais era / que arco destinado a outra esfera”?

“O proscénio da luz começa aqui na pele”, diz o fabuloso João Pedro Grabato Dias. Estará o palco iluminado para esta diferença de acto e de facto?

sexta-feira, novembro 07, 2008

O maior espetáculo da Terra virá a Maceió este mês


06/11/08 12:30
O maior espetáculo da Terra virá a Maceió este mêsAdicionar imagem

Desde segunda-feira (3), quatro carretas e seis caminhões estão circulando nas estradas do Nordeste com uma carga preciosa. Além de 60 toneladas de equipamentos, a caravana transporta centenas de bonecos para a montagem, em seis capitais da região, do espetáculo "SESI Bonecos do Mundo" - o maior evento do gênero no planeta. Com patrocínio do SESI e apoio da Petrobras, a temporada foi aberta no Recife no dia 3 e contempla Aracaju nos dias 22 e 23.

Em sua 5ª edição, o projeto já foi visto por mais de 1 milhão de pessoas, incluindo públicos das regiões Norte, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Neste ano, com várias novidades, o SESI Bonecos vai percorrer 3.284 quilômetros para promover apresentações e oficinas também em Salvador (15 e 16/11), Maceió (29 e 30/11), João Pessoa (6 e 7/12) e Fortaleza (13 e 14/12). "O festival é um espaço de estímulo para a inteligência. Seja para fazer rir, para fazer chorar, para divertir ou para refletir", afirma Lina Rosa, curadora e idealizadora do projeto.

O SESI Bonecos traz um sortimento de nacionalidades, abordagens e estilos nunca visto, com encenações para crianças e adultos. A trupe carrega, por exemplo, a estrutura gigante do Gulliver (Chile), com cerca de 2 toneladas, e os bonecos da Divina Comédia (RS), que cabem na palma da mão. Tem ainda as marionetes sem fio de Phillip Huber - o artista que deu vida aos bonecos do filme "Quero ser John Malkovich", de Spike Jonze - e o Grupo Contadores de Estórias, com uma temática adulta, recheada de histórias sobre suicídio, masturbação, gravidez e o envelhecimento.

No mesmo comboio, também estão o "Romance do Vaqueiro Bendito", do Distrito Federal, a "Caixa", do Le Grand Manipule (França), e as sombras chinesas de "Não me toques as Mãos" (Argentina-Espanha), apresentada pela exímia marionetista Valeria Guglietti. Outro grande destaque do Festival será um dragão de 50 metros. Cada parte da figura mitológica é levada por uma pessoa. Em sua apresentação, o dragão se mistura às pessoas na platéia.

A programação das seis capitais mostra outros exemplos de diversidade. Com "Dirk, o Vagabundo", a Compagnie de Draak (Holanda) levará à cena um robô construído a partir de princípios tanto da robótica quanto do teatro de marionetes. Quase não se distingue a máquina de uma pessoa. "Sangue Bom", com roteiro e direção de Miguel Vellinho, é uma história de amor tragicômica entre o vampiro de um castelo e uma bela jovem, com tendências suicidas, que sofre a interferência de um caçador de vampiros. Sem palavras, o espetáculo mistura elementos do desenho animado, dos filmes de terror e da literatura gótica. Entre tantas atrações, o projeto também embarca em sua viagem nordestina o festejado grupo mineiro Giramundo, o paulista Rafael Leidens (Estrelas do Brasil) e o Circo Minimal (RS), cuja principal atração é uma galinha que canta ópera.
O mestre-de-cerimônias oficial do projeto Sesi Bonecos é peça construída pela técnica "luva com varas". A mão do artista é introduzida por dentro, para manipular a cabeça e o corpo. Varetas de aço são usadas nas extremidades das mãos e movimentam os braços. Seu temperamento é divertido e eloquente. Ele é uma espécie de garoto-propaganda do festival
por Assessoria

FONTE (image include): Alemtemporeal - Alagoas,Brazil

Le monde va mal


Le monde va mal

Je suis en accord avec le texte « Le monde va mal ». Tout de même je me demande : quels poètes lisons-nous ? Les poètes aux mots engagés ou les poètes aux mots sucrés (ou esclaves du Marché) que les maisons d’édition décident de publier ? La poésie c’est un cri pour la liberté et la révolution du mot. C’est un appel à la conscience profonde. C’est un défi pour dévoiler et jeter à bas les masques, alors que de plus en plus dans le monde le glas d’une foule d’esclaves fait entendre ses plaintes. « Assez ! » aux troupeaux. « Assez ! » à tant de – poètes ? - courtisans du Pouvoir. Le cœur d’Arthur Rimbaud bat toujours et fait battre le mien avec son défi. Plus que jamais actuel : « Changer la vie »
Cristina Castello
Poète et journaliste Paris / Buenos Aires
FONTE (image include): Altermonde-sans-frontières - Orléans,France

José Saramago faz sugestões a Obama


José Saramago faz sugestões a Obama
JB Online
RIO - Em seu blog, cuaderno.josesaramago.org, o escritor português e Prêmio Nobel de Literatura José Saramago deu uma sugestão de primeira medida a ser tomada pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama: fechar o campo de prisioneiros de Guantánamo, em Cuba, e acabar com o bloqueio econômico à ilha. Para Saramago, Obama deve pôr fim a "essa vergonha", que é "um campo de concentração e tortura".
[14:21] - 06/11/2008

FONTE: JB Online - Rio de Janeiro,RJ,Brazil
http://jbonline.terra.com.br/

Pintura: "Birth", de Paula Rego, vai a leilão por 180.00 euros no Palácio do Correio Velho


Pintura: "Birth", de Paula Rego, vai a leilão por 180.00 euros no Palácio do Correio Velho
2008-11-06 10:00:00
Lisboa, 06 Nov (Lusa) - "Birth", óleo sobre tela de Paula Rego com um valor base de licitação de 180.000 euros, estará em destaque no leilão que o Palácio do Correio Velho organiza dias 12 e 13 de Novembro em Lisboa.
Da mesma pintora, uma tinta-da-china e guache sobre papel, de 2007, tem um valor estimado entre 60.000 e 80.000 euros.
Do lote de obras a leiloar constam ainda "Grande Festa na Grécia Antiga", de Manuel Cargaleiro, que irá a praça por 20.000 euros, uma colagem sobre tela de Luís Demée (30.000 euros), "Pierrot e Columbine", desenho a tinta-da-china sobre papel de Almada Negreiros, com uma estimativa de 8.000 euros, e uma escultura em terracota de Jorge Vieira (quatro peças, 20.000/40.000 euros).
Outros nomes de vulto das artes plásticas - nacionais e estrangeiros - participam nas duas sessões do leilão. Entre eles, Júlio Pomar, Jorge Martins, Almada Negreiros, Costa Pinheiro, Menez, Graça Morais, Nikias Skapinakis, Álvaro Lapa, Arpad Szènes, Tàpies, Noronha da Costa, Canogar, Artur Bual, Raúl Perez, Charrua, Nadir Afonso, Lindstrom, Fernando Calhau, Eduardo Nery, José de Guimarães, Carlos Botelho, Palolo, José Pedro Croft, Alvarez, Dacosta e Ana Vidigal.
Além de Pintura, Escultura e Obra Gráfica, o leilão apresenta também uma tapeçaria das Manufacturas de Portalegre, objectos de design e obras de artistas estrangeiros, entre os quais Picasso, do qual serão leiloados "Cabra, um prato em cerâmica" (5.000/10.000) e "Pássaro, travessa em cerâmica" (3.000/5.000).
A exposição que antecede o leilão estará patente no Palácio do Correio Velho dias 7 e 9 das 15:00 às 20:00 e dia 10 das 15:00 às 19:00 e das 21:00 às 23:00.
RMM.
Lusa/fim
keywords: cultura

FONTE: Visão Online - Laveiras,Portugal

Açores evocam 400 anos do nascimento do padre António Vieira

Açores evocam 400 anos do nascimento do padre António Vieira
O padre António Vieira, que esteve nos Açores em 1654, na sequência do naufrágio do galeão em que viajava do Maranhão para Lisboa, é tema central para duas conferências que decorrem na próxima semana na Horta e em Angra do Heroísmo.

A cargo de dois reconhecidos especialistas da literatura portuguesa, a iniciativa é promovida pelo Centro de Conhecimento dos Açores da Direcção Regional da Cultura da Presidência do Governo e enquadra-se num ciclo de eventos comemorativos dos 400 anos do nascimento do padre António Vieira, iniciado dia 23 de Outubro, em Ponta Delgada, com a abertura de uma exposição biobibliográfica sobre o mais famoso jesuíta português.

Intitulada “António Vieira, uma ‘coincidentia oppositorum’ da sua vida e da sua escrita”, a primeira destas conferências será proferida por Aníbal Pinto Castro e realizar-se-á na Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça, no próximo dia 12, pelas 20:30 horas.

No dia 13, pelas 18 horas, no Palacete Silveira e Paulo, em Angra do Heroísmo, será a vez de Yvette Centeno proferir a conferência “Vieira e Pessoa: Mistérios Adiados”.

Este ciclo de eventos comemorativos encerra dia 16, pelas 21 horas, com um concerto de Música Barroca na Igreja Matriz de Santa Cruz da Graciosa, onde o padre António Vieira, ali deixado com outros 41 náufragos pelo navio corsário que os recolhera ao largo do Corvo, pregou no Verão de 1654.

Da Graciosa, Vieira passou à Terceira e em seguida a S. Miguel, de onde rumou, então, a Lisboa, na segunda quinzena de Outubro, a bordo de um navio inglês. Na viagem que o conduziu aos Açores, o padre António Vieira embarcou num galeão da Companhia Geral de Comércio do Brasil em São Luís do Maranhão a 16 de Junho de 1654, três dias depois de ali ter proferido o famoso “Sermão aos Peixes”.

FONTE (image include): Acores.Net - Ponta Delgada,Portugal

Ícones da cultura Latino-Americana


Ícones da cultura Latino-Americana
Pablo Neruda, Gabriel García Márquez e Vinícius de Moraes foram eleitos em concurso como maiores representantes mais influentes

Da Redação online com assessoria
Jornal Correio de Uberlândia
Atualizada: 06/11/2008 - 12h51min

Após seis meses de votação, a Antena 3 Internacional e a Organização Capital Americana da Cultura divulgaram nesta semana que Pablo Neruda, Gabriel García Márquez e Vinícius de Moraes foram eleitos, por meio de votação popular de milhares de pessoas de todos os países latino-americanos, como os personagens que mais influíram na cultura latino-americana.
A eleição dos 100 personagens que mais influíram na cultura latino-americana foi realizada em comemoração aos 10 anos da instauração da Capital Americana da Cultura, promovida pela Organização Capital Americana da Cultura e Antena 3 Internacional, para divulgar a cultura latino-americana de uma forma rigorosa, didática, pedagógica, lúdica e, ao mesmo tempo, aprofundar o conhecimento sobre os personagens do continente americano que foram eleitos.
Cidadãos de todos os países latino-americanos puderam participar na eleição dos 100 personagens que mais influíram na cultura latino-americana, que estão vivos ou os já falecidos.
Afim de que todos os países latino-americanos tivessem personagens incluídos na lista final, a votação foi realizada em duas fases distintas. Na primeira fase (21 de abril a 31 de agosto deste ano), a votação foi por país, priorizando houvesse maior representação dos países pequenos, em relação aos que tem maior população.
Cada país aportou o seguinte número de personagens à lista final:
Argentina (9); Bolívia (3); Brasil (14); Chile (4); Colômbia (9); Costa Rica (2); Cuba (4); Equador (4); El Salvador (2); Porto Rico (3); Guatemala (4); Honduras (2); México (12); Nicarágua (2); Panamá (2); Paraguai (2); Peru (7); República Dominicana (3); Uruguai (2); Venezuela (6); Outros (4).
Na segunda fase (15 de setembro até 30 de outubro), os personagens indicados por todos os países latino-americanos foram submetidos à votação popular, de onde saiu a lista definitiva ordenada por número de votos.
Tanto a Diretora da Antena 3 Internacional, Mar Martínez-Raposo, como o Presidente da Organização Capital Americana da Cultura, Xavier Tudela, mostraram-se muito satisfeitos com a realização da campanha dos 100 personagens que mais influíram na cultura latino-americana.
Classificação definitiva dos 100 personagens que mais influíram na cultura latino-americana:
Pablo Neruda, Gabriel García Márquez, Vinícius de Moraes, Octavio Paz, Andrés Bello, Jorge Luis Borges, Rubén Darío, Rómulo Gallegos, Gabriela Mistral, Simón Bolívar, Miguel Ángel Asturias, Carlos Gardel, Raúl García Zárate, Oscar Niemeyer, Juanes, Alejo Carpentier, Frida Kahlo, Augusto Roa Bastos, Julio Jaramillo, Franz Tamayo, Astor Piazzolla, Antonio Carlos Jobim, Alfonso Reyes, Arturo Uslar Pietri, José María Figueres Ferrer, Quino, Jorge Amado, María Isabel Granda Larco, Pedro Henríquez Ureña, Eugenio María de Hostos, Mercedes Sosa, Cecília Meireles, Fernando Botero, Violeta Parra, José Martí, Machado de Assis, Ernesto Guevara, Rigoberta Menchú, Miguel Hidalgo, Tarsila do Amaral, Julio Cortazar, Francisco José de Caldas, Roque Dalton García, Jesús Soto, João Gilberto, Benito Juarez, Víctor Jará, Gonzalo Arango, Mario Moreno, Joaquín Torres García, José Carlos Mariátegui La Chira, Francisco de Paula Santander, Jorge Negrete, Froylán Turcios, Ricardo J. Alfaro, Mário de Andrade, Domingo Faustino Sarmiento, Justo Arosemena, Policarpa Salavarrieta, Oswaldo Guayasamín, Shakira, Augusto César Sandino, Pelé, Paulo Coelho, Juan Carlos Onetti, José Antonio Abreu, José Vasconcelos Calderón, Mario Vargas Llosa, Juan Luis Guerra Sijes, Roman Chalbaud, Julia de Burgos, Carlos Mérida, Juan Diego Flórez Salom, José Hernández, Manuel Elkin Patarroyo, Juana Inés de la Cruz, Adela Zamudio, Alicia Moreau de Justo, João Guimarães Rosa, Eloy Alfaro, Pancho Villa, Gertrudis Gómez de Avellaneda, José Napoleón Duarte, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, Dolores del Rio, Luis Alberto del Paraná, José Gabriel Condorcanqui, Juan Pablo Duarte, Guillermo Meneses, Ricardo Arjona, Adolfo Pérez Esquivel, Luis Muñoz Marín, Carmen Lyra, Wilfredo Lam, Manuel Ricardo Palma Soriano, Jorge Icaza Coronel, José Alfredo Jiménez Sandoval, Eduardo Abaroa Hidalgo, José Francisco Morazán Quezada.
Todas as biografias desses personagens podem ser encontradas aqui.

FONTE: Correio de Uberlândia - Uberlândia,MG,Brazil

Como os cegos sonham?


07/11/2008
Como os cegos sonham?

Liliane Cruz

Sonhos dos cegos

A falta de visão impede que os cegos tenham sonhos? Não. Na ausência dela, os deficientes visuais se valem dos demais sentidos. Sensações, perfumes, sons, barulhos e toques ocupam a mente durante o sono.
Esse é um dos temas de pesquisa da psicóloga Liliane Camargos, que procurou entender como a psicanálise, teoria que se utiliza da interpretação dos sonhos, pode ser aplicada a pessoas com deficiência visual. A pesquisa A psicanálise do olhar: do ver ao perder de vista nos sonhos, na pulsão escópica e na técnica psicanalítica foi defendida como dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFMG.
Interpretação dos sonhos
De acordo com Liliane, alguns dos conceitos principais da psicanálise foram desenvolvidos a partir do livro A interpretação dos sonhos, de Sigmund Freud. Ela explica que os sonhos analisados pela teoria freudiana se baseavam em dados visuais. Sendo assim, ela se perguntou se os conceitos da psicanálise poderiam ser aplicados a quem não tem visão.
A resposta é positiva, mas Liliane propõe que é necessário levar em conta o olhar do consciente e o olhar das pulsões. Nesse sentido, pacientes cegos podem se submeter a tratamento psicanalítico.
Desejo de ver e ser visto
Na pesquisa, Liliane Camargos também procurou investigar se os cegos têm pulsão escópica. "De forma simplificada, pulsão escópica é um conceito para explicar o desejo das pessoas em ver e serem vistas", explica a pesquisadora. Segundo ela, os entrevistados demonstraram interesse em se vestir bem e combinar roupas, mesmo sem poder ver o que usariam. Na ausência da visão, eles se portam de acordo as premissas da sociedade, que dá muito valor ao visual, diz a pesquisadora.
Cegueira branca
Em um dos capítulos da dissertação, Liliane estabelece contato com a produção literária acerca da cegueira. Um texto analisado é Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, transformado em filme pelo cineasta Fernando Meirelles. A obra de Saramago trata de uma hipotética epidemia de cegueira que assola um país, com o detalhe de que a cegueira é branca e não escura, mais comum.
"Quando eu li o livro, achei estranho uma cegueira branca, mas parece que o Saramago não estava falando de uma cegueira pela ausência, e sim pelo excesso", relata Liliane. Ela afirma que o excesso de estímulos visuais caracteriza a sociedade contemporânea, como se o ser humano não tivesse mais censura ou recalque. Assim como na obra de Saramago, o excesso de luz e de estímulos caracteriza a cegueira coletiva, que resulta no caos.

FONTE: Diário da Saúde - Valinhos,SP,Brazil