quarta-feira, outubro 28, 2009

"I piatti della poesia", mostra a Milano


L.P., 21 ottobre 2009

Nel capoluogo lombardo esposte alcune opere dell´artista algherese Roberta Filippelli in occasione del centenario di una storica


"I piatti della poesia", mostra a Milano


MILANO - La storica pasticceria milanese Taveggia inaugura giovedì 5 novembre alle ore 19 le celebrazioni del suo centenario con la mostra d’arte contemporanea “La Favola del cibo: i piatti della poesia” curata da Milli Gandini.


Dal titolo della mostra si intuisce un chiaro riferimento all’ideatore di Milano-poesia dei piatti della poesia e dell’inimitabile prestigiosa rivista La Gola: l’indimenticabile Gianni Sassi. Quel Sassi che ha sempre esaltato i locali di grande professionalità e personalità rivelandone l’arte che va ben oltre all’esercizio commerciale.


Tra gli artisti invitati ad esibire le proprie opere l’algherese Roberta Filippelli, oltre agli storici amici e collaboratori di Sassi: Nanni Balestrini, Walter Marchetti, Ben Patterson (appartenenti al movimento Fluxus) Ermanno Krumm e i più giovani Michelangelo Jr, Loriana Castano, Valeria Magli, la ballerina dei poeti, infine l’immancabile fotografo Fabrizio Garghetti. Tutti comunque hanno un modus operandi fluido e inafferrabile, si spostano tra scrittura, figurazione, cibo e performance con divertimento, rabbia e sfrontatezza. La mostra sarà visitabile fino al 27 di novembre.


Nella foto: una delle opere di Roberta Filippelli


FONTE (foto incluída): Alguer.it

Alegre: «Não se perdoa a Saramago ser Nobel e não ser religioso»


Alegre: «Não se perdoa a Saramago ser Nobel e não ser religioso»
Por Redacção

«O Deus da Bíblia não é de fiar, é vingativo e má pessoa». Isto disse José Saramago, já a polémica sobre as suas considerações negativas ao livro sagrado do catolicismo ia alta. Manuel Alegre está ao lado do Nobel da Literatura português, que continua a ser «um grande escritor».

«Ele escreveu um livro, mas não vejo ninguém discutir o livro. Só vejo discutir as opiniões que com todo o direito ele expressou sobre a Bíblia», disse o poeta, à TSF. Alegre está sobretudo contra os preconceitos – Saramago não deve ser criticado por dizer o que pensa.

«Isto é uma história portuguesa cheia de preconceitos e fantasmas. Em primeiro lugar é preciso ler o livro de José Saramago. Ele é um grande escritor, mas parece que não se perdoa a Saramago ser um grande escritor da língua portuguesa, ser um Prémio Nobel e não ser um homem religioso», atirou.

«As pessoas podem não estar de acordo com aquilo que ele diz, mas como é que se pode pôr em causa a seriedade de um homem que diz aquilo que pensa?» – questionou. Alegre entende a polémica como «um preconceito» e justifica-a com «resquícios de dogmatismo».

«Não lhe podem negar o direito de escrever um livro e também não se pode crucificar o Saramago por exprimir as suas opiniões e menos ainda por ser um grande escritor, e menos ainda por ser um Prémio Nobel. E ao Saramago não se perdoa ser um português que se atreveu a ganhar o Nobel da Literatura e que diz que não acredita em Deus», concluiu.
08:36 - 22-10-2009
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FONTE (foto incluída): A Bola

Atletas da capital vencem jogos panamericanos na Colômbia


Atletas da capital vencem jogos panamericanos na Colômbia

Os atletas Bruno Duarte Mello, 17 anos Victória Santos Almeida, 16 anos do CAIRA (Centro Arco Iris de Reabilitação Alternativa), vencedores do Grand Prix de Judô, realizado no mês de maio em Niterói/RJ, conquistaram a medalha de Prata nos Jogos Parapanamericanos Juvenil em Bogotá - Colombia, na modalidade de Judô para deficientes visuais.

Com treinamentos intensivos e dedicação ao esporte paraolímpico, os atletas Campo-Grandenses superaram os obstáculos e com o apoio da equipe técnica e da Funesp (Fundação Municipal de Esporte), parceira fundamental para o crescimento do Paradesporto no Município de Campo Grande.

Para o diretor presidente da Funesp, Carlos Alberto de Assis este foi mais um resultado esperado Prefeitura de Campo Grande. "Nós promovemos as competições escolares com objetivo inscrever os atletas vencedores nas competições nacional e internacional", comentou Carlos Alberto.

Fonte: PMCG
Cadastrada em: 2009/10/23

Pelo colaborador:Portal MSportalms@portalms.com.br

Judoca piauiense Sarah Menezes desembarca com medalha de bicampeã


27/10/2009 15:07h
Judoca piauiense Sarah Menezes desembarca com medalha de bicampeã
Sarah Menezes é a única bicampeã mundial de Judô do Brasil.
do GP1

A piauiense Sarah Menezes chegou a Teresina, nesta terça-feira (27), com a medalha conquistada no Campeonato Mundial de Judô, em Paris, onde sagrou-se bicampeã na modalidade Juvenil (categoria de atletas abaixo dos 21 anos). É uma conquista exclusiva da jovem, que desde os 9 anos participa de competições no Brasil e no Exterior, sendo a única piauiense a participar de uma Olimpíada.
Sarah Menezes é a única bicampeã mundial de Judô do Brasil. Ao desembarcar no Aeroporto Petrônio Portela, em Teresina, deu muitas entrevistas e foi recepcionada pelo pessoal do judô que acredita no seu desempenho de campeã desde os primeiros anos. Trata-se de uma conquista que tem muito a ver com o Piauí, porque desde o início o governador Wellington Dias acredita nas suas conquistas.
Hoje, o bicampeonato representa muito mais que a conquista apenas pessoal: aos jornalistas ela disse que é uma piauiense que está participando dos eventos mais importantes do mundo na categoria Judô e que tem trazido vitórias importantes para o esporte do Estado. Ela fez questão de destacar esse apoio citando essa participação de órgãos da administração como a Fundação Estadual de Esportes do Piauí (Fundespi).
Os parentes e amigos prepararam carros e faixas, para uma grande festa para a judoca piauiense, faixas com a frase "Sarah Menezes hoje bicampeã mundial, amanhã campeã Olímpica. Este é o Piauí que vai à luta e vence" e traziam fotos da atleta já com a medalha conquistada no mundial júnior, em Paris, na última quinta-feira (22).
O presidente da Fundespi, Vicente Sobrinho, deixou claro que a participação do Estado no apoio a Sarah Menezes representa a preocupação do governador Wellington Dias na formação do atleta piauiense em todas as modalidades.

FONTE (foto incluída): http://www.gp1.com.br/

Museu parisiense começa festa pelos 50 anos de Asterix e Obelix


Museu parisiense começa festa pelos 50 anos de Asterix e Obelix
De Agencia EFE – Há 20 horas
Paris, 27 out (EFE).- Asterix e Obelix invadiram o museu de Cluny, em Paris, em uma exposição que é o ato inicial de uma série de festividades com os quais a França comemora os 50 anos dessas estrelas dos quadrinhos.
A "frigidarium" (sala fria) das Termas Galo-Romanas do Museu Nacional da Idade Média, nome oficial do museu de Cluny, recebe até o dia 3 de janeiro trinta ilustrações não coloridas de Albert Uderzo e alguns textos datilografados pelo próprio René Goscinny que serviram para a concepção da saga de Asterix.
Apresentados "simultaneamente pela primeira vez", segundo a diretora do museu, Elisabeth Taburet-Delahaye, a mostra reúne desenhos novos e antigos que permitem "descobrir o processo de criação e o nascimento destas páginas".
Os primeiros esboços dos desenhos de Asterix e de Obelix, assim como um caderno manuscrito com os possíveis nomes dos protagonistas, se misturam aos livros sobre a história de Roma que Goscinny e Uderzo utilizaram para elaborar sua mais famosa criação.
Uma coleção de fotografias da dupla comprova a excelente relação de amizade existente entre os pais de Asterix e Obelix, que sobreviveram à morte do roteirista, em 1977.
Além dos documentos exclusivos, está em exibição a máquina de escrever Keyston Royal de Goscinny, assim como o primeiro número do semanário dedicado à história em quadrinhos, "Pilote", de 29 de outubro de 1959.
A homenagem ultrapassa as paredes do museu medieval e chega ao seu jardim, que acolhe 12 réplicas de grandes obras da arte ocidental protagonizadas por Asterix e Obelix.
Paris continuará os festejos com "Os franceses invadem Lutèce", uma celebração ao ar livre idealizada pelo cenógrafo francês Yvan Hinnemann que durante os próximos dias se desenvolverá em oito pontos da capital francesa como a Torre Eiffel, o Hôtel de Ville e a Praça da Concórdia.
Entretanto, o melhor presente para os milhões de leitores da famosa epopeia francesa chegou na terça-feira passada: a publicação do 34º álbum da saga, "Anniversaire d'Astérix et Obélix: le Livre d'Or" ("O Aniversário de Asterix e Obelix - O Livro de Ouro", em tradução livre), lançado em 15 países e em mais de cem idiomas.
Em meio século de vida, mais de 325 milhões de livros de Asterix e Obelix divertiram fãs de todo o mundo em 107 idiomas e dialetos.
Os oito filmes inspirados na saga, cinco deles de animação, serão exibidos em Paris no mês de novembro.
Na terça-feira passada, o compositor francês Frédéric Chalin que apresentou o concerto "Le Tour de Gaule Musicale d'Asterix", inspirado nos quadrinhos de Goscinny e Uderzo.
Além disso, os correios da França lançaram dois selos comemorativos do cinquentenário de Asterix e Obelix.
FONTE (imagem incluída): EFE

terça-feira, outubro 27, 2009

O Sumiço de Belchior


CULTURA
O Sumiço de Belchior
THEÓFILO SILVA

Quando Tímon desapareceu de Atenas deixando poucos vestígios, abandonando a vida respeitável e confortável que levava, poucos souberam o motivo. Tímon fora à falência, consumindo todo o seu patrimônio em banquetes e presentes para os amigos. Não encontrando nenhum apoio, se afasta de tudo e de todos e vai morar numa cabana bem longe da cidade. Logo, as notícias sobre suas desgraças ganham o mundo.
Não pude deixar de lembrar de Tímon, protagonista da peça Tímon de Atenas, de Shakespeare, depois que acompanhei, pela Imprensa, as notícias do sumiço do cantor e compositor cearense, Belchior. Belchior consagrou-se, nos anos 70, como um dos grandes compositores brasileiros. Juntamente com outros cearenses, que ficaram conhecidos como “pessoal do ceará”, sendo os mais notáveis, Ednardo e Fagner – curiosamente nenhum deles utiliza sobrenome – inscreveram o talento nordestino na Música Popular Brasileira, a “elitizada” MPB.
Num período em que Chico Buarque de Holanda era chamado de unanimidade nacional, com suas veneradas músicas de protesto, e Caetano Veloso e Gilberto Gil estavam consagrados após a Tropicália, aparece um cearense dizendo que é: “apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo interior”. Naquele momento surge um compositor falando de sua terra com uma pitada de literatura clássica, com álbuns denominados A Divina Comédia Humana e, mais tarde, com O Elogio da Loucura, conquistando o Brasil. Belchior, naquele final dos anos setenta, chegou a ser festejado, e com razão, como o maior compositor do país.
Ele e Fagner foram os primeiros compositores nordestinos a “estourarem” nacionalmente com músicas de MPB. Gil e Caetano são baianos, e a Bahia quando se trata de música ultrapassa o conceito de região.
Permanecer no topo e criar a vida toda é algo impossível pra qualquer artista. O único da geração de Belchior, a turma que passou dos sessenta anos, que continua criando e em grande atividade é Caetano Veloso. A criação é quase como um parto.
Poucos sabem, mas Belchior já havia “sumido” trinta anos antes, logo depois de se tornar um “superstar”, e reaparecendo irreconhecível com uma longa barba e um repertório completamente mudado. Mas Belchior, diferente de quase todos os “sumidos”, segundo me disse ele em 2002, nunca deixou de ler - como fazia desde os quinzes anos - um livro por semana. Sua vida é impregnada de literatura. Hoje, Belchior está traduzindo e ilustrando A Divina Comédia, de Dante.
As especulações tolas e fúteis de grande parte da Imprensa, de que Belchior estava montando um golpe publicitário, porque estaria esquecido, para depois surgir dando entrevistas em programas de auditório, denota burrice. Belchior está noutro patamar.
Tímon estava brigado com o mundo, Belchior não, ele quer viver sua alucinação, longe de gente comum, dos frutos da aldeia global de que ele se recusa a participar. Ele segue o conselho de Apemanto a Tímon: “A melhor situação, sem contentamento, é mais desgraçada e miserável do que a mais baixa situação com contentamento”. Os gregos, que sabiam de tudo, já tinham afirmado: “uma vida que não é reexaminada não merece ser vivida”. Belchior está louco de razão, ele está reexaminando a sua. Os broncos não sabem o que é isso. Deixemo-lo em paz.
Theófilo Silva é Presidente Sociedade Shakespeare de Brasília e colaborador da Rádio do Moreno.

FONTE (imagem incluída): O Globo - Rio de Janeiro,RJ,Brazil
http://oglobo.globo.com/

Radicada no Japão, paulista leva bronze no Mundial júnior de judô, em Paris


24/10/09 - 14h39 - Atualizado em 26/10/09 - 15h31
Radicada no Japão, paulista leva bronze no Mundial júnior de judô, em Paris

Depois do ouro de Sarah Menezes, Mariana Silva sobe ao pódio

GLOBOESPORTE.COM
Paris

Dois dias depois de Sarah Menezes conquistar o inédito bicampeonato (-48kg), o Brasil faturou mais uma medalha no Campeonato Mundial júnior, em Paris. Paulista radicada em Tóquio há cinco anos, Mariana Silva (-63kg) levou o bronze com uma vitória por yuko sobre a ucraniana Tetiana Levytska. Nas semifinais, foi superada pela japonesa Sayuri Yamamoto, por ippon.
Neste domingo (25) o Brasil encerra a participação no Mundial Júnior com Mayra Aguiar (-78kg), Jonas Inocencio (-100kg) e Roberto Silva (+100kg).
Mariana venceu na estreia Renalda Gedutyte, da Lituânia, por ippon. Nas oitavas, passou pela russa Tatiana Kazenyuk com um yuko (duas punições) e, na fase seguinte, conseguiu um ippon em Vlora Bedeti, da Eslovênia.

- É uma medalha importante para a minha carreira. Tenho muito o que melhorar e sei que, se tivesse colocado o meu judô em prática na semifinal, poderia até ter saído daqui com outro resultado - diz Mariana Silva.

Nascida em São Paulo, Mariana mora há cinco anos no Japão. Estuda e treina no principal centro do esporte e ficará por lá até a formatura na faculdade de Educação Física, em 2011. Mariana chegou à seleção brasileira em março, quando venceu a seletiva nacional sub-23, em Salvador (BA). Antes do bronze no Mundial, Mariana foi ouro nos Jogos da Lusofonia, em Portugal.

- Quando subi no pódio, lembrei de muita gente que me ajudou a conquistar esta medalha. Lembrei dos meus pais, amigos e todos que treinam diariamente comigo no Japão - conta.
FONTE (imagem incluída): globoesporte.com

A mercadoria do fetiche


Estilo
A mercadoria do fetiche
Vem aí Dita Von Teese, a stripper americana que é cultuadacomo ícone e frequenta, a convite, os melhores ambientesda Europa e dos Estados Unidos – com e sem roupa

Suzana Villaverde

Para uma mulher que ganha a vida tirando a roupa, é impressionante o sucesso dos figurinos da americana Dita Von Teese. O nome, evidentemente, é artístico. E, dizem os especialistas, o que ela faz também. Pele branquíssima, maquiagem elaborada, voz baixa e roupas copiadas por toda uma tribo de garotas que sonham ser divas ao estilo anos 40, Dita vive na primeira fila de desfiles de moda e em festas de celebridades. Quem não é do ramo demora para entender exatamente o que ela faz. Aos 37 anos, cachê, em média, de 75.000 dólares por quinze minutos de show, Dita é a mais renomada stripper da atualidade. Mas não daquelas que fazem acrobacias em volta do poste e mostram tudo, tudinho. Dita se denomina artista do teatro burlesco, sendo que burlesco, no caso, não tem nada a ver com aquelas encenações tipo commedia dell’arte. É um espetáculo parecido com o vaudeville, que surgiu na Europa e nos Estados Unidos na virada para o século XX, mas concentrado no que interessa a seu público: mulheres belíssimas fazendo cena enquanto se despem. "O burlesco americano surgiu da necessidade de atrair público para os teatros e da avidez dos homens por entretenimento. As dançarinas começaram a ganhar destaque e o strip-tease virou a atração principal", explica o diretor teatral Cláudio Botelho, que em março estreia no Rio de Janeiro o espetáculo Gypsy, sobre a vida de Gypsy Rose Lee, linda e engraçada stripper dos anos 40 e uma das inspiradoras de Dita. "É difícil para as pessoas entender que o strip-tease já foi uma forma respeitada de entretenimento", defende a própria sobre o gênero que a consagrou. "Eu faço a mesma coisa que as strippers, só que em um nível grandioso." Botem grandioso nisso: Dita tem contratos com uma grande empresa de sutiãs, outra de cosméticos e uma terceira do ramo das bebidas, que patrocina sua apresentação nesta semana numa casa noturna de São Paulo. Sim, ela fará a performance dentro da taça gigante de martíni.
Dita é uma falsa morena que conseguiu superar a origem sem glamour, o trabalho num ramo de entretenimento no qual a aspiração máxima costuma ser o estrelato pornô e até um casamento com o horripilante gótico-metaleiro Marilyn Manson. Pouca gente se interessaria por olhar, que dirá pagar para ver, uma loirinha sem graça chamada Heather Renée Sweet, filha de manicure e operário, vestida com o uniforme quase obrigatório no gelado estado de Michigan: jeans, um casaco de náilon bem grosso e zero de maquiagem. Mas ela era tudo, menos comum. Começou trabalhando numa loja de roupas íntimas ("Fui a melhor vendedora de lingerie do mundo") e depois entrou no ramo do erotismo comercial. Inventou o nome, homenagem a uma diva do passado, Dita Parlo, e o sobrenome vagamente alemão, mas que rima com strip-tease e tem uma carga evidentemente fetichista. Em lugar do estilo chicote e roupa de couro, adotou um figurino que evoca a era de ouro de Hollywood e suas vamps destruidoras de corações e reputações. "Eu via as mulheres dos anos 40 no cinema e pensava: nada é de verdade. Percebi que podia fazer igual. Adoro essa beleza artificial, inventada", diz. E insiste: "Sou totalmente fabricada". Em termos concretos, ela admite os cabelos tingidos de preto, o implante nos seios, a pinta tatuada abaixo do olho e os espartilhos que reduzem a cintura de já exíguos 58 para inacreditáveis 40 centímetros.
Além dos atributos evidentes, Dita tem um senso de estilo apurado e, acreditem, ótima cabeça para negócios. A feminilidade hiperestilizada da qual virou ícone é disputada por estrelas tanto do mundo da moda quanto do cinema. A desinibição própria da categoria ajuda um bocado. "Meses atrás fui o presente de aniversário da Sofia e do Roman para o pai deles, Francis Ford Coppola. Fiquei pelada na sala da casa para uma plateia na qual estavam George Lucas, Steven Spielberg, todos os maiores cineastas. Foi meio assustador, mas só recebi elogios", conta. Dita diz que não pensa em mudar para o cinema, mas já teve aulas de interpretação com a mesma pessoa que orientou beldades oscarizadas como Charlize Theron e Halle Berry. Ela própria foi parodiada por Cameron Diaz, no filme As Panteras, justamente pela performance mais famosa, a da taça gigante. "Consegui montar esse espetáculo todo em três meses, um recorde", diz ela, que em média demora de um a três anos planejando cada show – e cuida de tudo sozinha: trilha sonora de época, iluminação (de preferência luz rosa e indireta), cabelo, maquiagem e coreografia. "Todo mundo acha que é só chegar lá e tirar a roupa, mas até a roupa não é qualquer uma, são fantasias que pesam muito", diz Dita, que já passou alguns apuros no palco. Em 2004, seu cabelo pegou fogo durante uma performance com castiçais em Los Angeles. Nada daquilo que os mal-intencionados estão pensando, mas que redundou em quase desastre. "Tive de cortar o cabelo bem curto", anota.
Vamp que é vamp tem de segurar o modelão, e Dita segura. Está sempre de salto alto, com roupas elaboradas e maquiada até na aula de pilates. "A última vez que usei jeans e camiseta foi no Dia das Bruxas do ano passado", brinca. "Peguei emprestados de amigas. Pus peruca loira, um bronzeado falso e fiquei a típica garota americana." Seu estilo é mundialmente copiado por uma tribo de mulheres que sonham ser Dita, desde garotas que fantasiam com o poder de sedução das grandes divas até colegas de profissão. "Ela é sensual, mas tem um glamour que não a deixa vulgar. É assim que uma dançarina burlesca deve ser", diz Karina Raquel de Campos, 36, que desde 2006 se apresenta em São Paulo como Fascinatrix. Perto dos 40 anos, Dita começa a pensar em parar. "Todo ano me pergunto: será que ainda posso fazer isso? Mas sempre que falo em deixar o palco todo mundo é contra." Segue-se um leve suspiro, quase uma deixa para os aplausos.
Fotos Jean Baptiste Lacroix/Wire Image/ Getty Images, Corri/Petrinka/Olycom/Sipa Press, Benaroch/Sipa Press, Mike Ruiz/Contour by Getty Images e Chris Polk/Filmmagic/ Getty Images


FONTE (foto incluída): Abril

Intelectuais criticam criminalização do MST pela mídia


Intelectuais criticam criminalização do MST pela mídia
24 de outubro de 2009 • 05h18 • atualizado às 05h23

Um grupo de 71 intelectuais do Brasil e do Exterior condenou a "criminalização" do Movimento dos trabalhadores Sem Terra (MST) feita pela mídia, em comunicado divulgado nessa sexta-feira, segundo informa a edição deste sábado do jornal Folha de S.Paulo.
Segundo o comunicado, a cobertura da mídia, no episódio da invasão e destruição de pés de laranja de uma fazenda no interior de São Paulo, foi taxativa ao classificar o ato como vandalismo.
Entre os nomes que assinam o documento estão: o crítico literário Antonio Candido, o economista Plínio de Arruda Sampaio, o sociólogo Paulo Arantes, o escritor Luis Fernando Veríssimo e o filósofo Paulo Arantes, o sociológo português Boaventura de Souza Santos e o escritor uruguaio Eduardo Galeano, segundo afirma o jornal.
De acordo com os intelectuais, as redes de TV omitiram a informação de que as terras da Cutrale (dona da fazenda invadida) são públicas e diz que o objetivo da criminalização é barrar a revisão dos índices de produtividade conforme o governo federal teria prometido.
A CPI Mista, que investigará repasses de recursos ao MST, foi criticada no documento, sob o argumento de bloquear a reforma agrária.


FONTE: Terra Brasil

Brasileira leva bronze no Campeonato Mundial júnior de judô

Brasileira leva bronze no Campeonato Mundial júnior de judô
O Brasil conquistou sua terceira medalha no Campeonato Mundial júnior de judô, que está sendo realizado em Paris. Neste domingo, a judoca Mayra Aguiar ficou com o bronze na categoria até 78 kg. Na disputa pela medalha, ela derrotou a ucraniana Ivana Makukha por ippon.
É o terceiro pódio conquistado pela judoca em mundiais da categoria júnior. Em 2006, na República Dominicana, Mayra também foi bronze e, em 2008, na Tailândia, foi prata.
Antes de Mayra Aguiar, o Brasil já tinha conquistado medalhas no Mundial de Paris com Mariana Silva, que ficou com o bronze na categoria até 63 kg, e Sarah Menezes, ouro na categoria até 48 kg.
O Campeonato Mundial júnior de judô serviu de teste para algumas mudanças na regra da modalidade. A principal delas diz respeito aos ataques nas pernas com as mãos, conhecidas no judô como "catadas de pernas". Caso aprovada, esta regra começará a valer em 2010.
Para o coordenador técnico internacional das categorias de base da Confederação Brasileira de Judô, Luiz Romariz, o resultado comprova a força do estilo do judô brasileiro. "Para o Brasil vai favorecer muito. A nossa escola é uma escola técnica. Agora é retomar o judô tradicional. O Brasil já está na frente de muitos países. Agora é aproveitar e impor o nosso estilo neste cenário", declarou.
Folha Online
25/10/2009 19:36h
Leia mais sobre:Esporte
FONTE: TV Canal 13

Livro sobre Exu causa guerra santa em escola municipal


Livro sobre Exu causa guerra santa em escola municipal
Professora umbandista diz que foi proibida de dar aulas em unidade de Macaé, dirigida por diretora evangélica
POR RICARDO ALBUQUERQUE, RIO DE JANEIRO
Rio - As aulas de Literatura Brasileira sobre o livro ‘Lendas de Exu’, de Adilson Martins, se transformaram em batalha religiosa, travada dentro de uma escola pública. A professora Maria Cristina Marques, 48 anos, conta que foi proibida de dar aulas após usar a obra, recomendada pelo Ministério da Educação (MEC). Ela entrou com notícia-crime no Ministério Público, por se sentir vítima de intolerância religiosa. Maria é umbandista e a diretora da escola, evangélica.

A polêmica arde na Escola Municipal Pedro Adami, em Macaé, a 192 km do Rio, onde Maria Cristina dá aulas de Literatura Brasileira e Redação. A Secretaria de Educação de lá abriu sindicância e, como não houve acordo entre as partes, encaminhou o caso à Procuradoria-Geral de Macaé, que tem até sexta-feira para emitir parecer. Em nota, a secretaria informou que “a professora envolvida está em seu ambiente de trabalho, lecionando junto aos alunos de sua instituição”.

A professora confirmou ontem que voltou a lecionar. “Voltei, mas fui proibida até por mães de alunos, que são evangélicas, de dar aula sobre a África. Algumas disseram que estava usando a religião para fazer magia negra e comercializar os órgãos das crianças. Me acusaram de fazer apologia do diabo!”, contou Maria Cristina.

Sacerdotisa de Umbanda, a professora se disse vítima de perseguição: “Há sete anos trabalho na escola e nunca passei por tanta humilhação. Até um provérbio bíblico foi colocado na sala de professores, me acusando de mentirosa”. Negro, pós-graduado em ensino da História e Cultura Africana e Afro-Brasileira, o diretor-adjunto Sebastião Carlos Menezes aguardará a conclusão da procuradoria para opinar. “Só posso lhe adiantar que a verdade vai prevalecer”, comentou. Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Sebastião contou que a diretora Mery Lice da Silva Oliveira é evangélica da Igreja Batista.

ATÉ CINCO ANOS DE PRISÃO

“Se houver preconceito de religião, acredito que deva ser aplicado todo o rigor da lei”, afirmou o coordenador de Direitos Humanos do Ministério Público (MP), Marcos Kac. O crime de intolerância religiosa prevê reclusão de até 5 anos. Em caso de injúria, a pena varia de 3 meses a 2 anos de prisão. O MP poderá entrar com ação pública penal se comprovar a intolerância religiosa. “Caso contrário envia à delegacia para inquérito”, explicou Kac.

Alunos do 7º ano leram a obra: referências ao folcloreEm 180 páginas, o livro ‘Lendas de Exu’, da Editora Pallas, traz informações sobre uma das principais divindades da cultura afro-brasileira. O autor da obra, Adilson Martins, remete ao folclórico Saci Pererê para explicar as traquinagens e armações de Exu. Na introdução, Martins diz que ele é “um herói como tantos outros que você conhece”. Em Macaé, 35 alunos do 7º ano do Ensino Fundamental leram o livro. Nas religiões afro-brasileiras, Exu é o mensageiro entre o céu e a terra, com liberdade para circular nas duas esferas. Por isso, algumas pessoas acabam o relacionando a Lúcifer.

O presidente da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Ivanir dos Santos, garantiu que outros autores de livros, como Jorge Amado e Machado de Assis, sofrem discriminação nas escolas: “As ideias neopentecostais vêm crescendo muito, desrespeitando a lei”. Ivanir explicou que o avanço da discriminação religiosa provocou o agendamento de um encontro, dia 12 de novembro, com a CNBB: “Objetivo é formar uma mesa histórica sobre os cultos afro e estabelecer uma agenda comum”.

VIVA VOZ

Até mães de alunos me proibiram de falar sobre a África

“Acusam-me de dar aula de religião. Não é verdade. No livro ‘Lendas de Exu’, de Adilson Martins, há histórias interessantes, são ótimas para trabalhar com os alunos. Li os contos, como se fosse uma contadora de histórias, dramatizando cada uma delas. Praticamos Gramática, e os alunos ilustraram as histórias de acordo com a imaginação deles. Não dá para entender por que fui tão humilhada. Até mães de alunos, evangélicas, me proibiram de falar sobre a África”.

MARIA CRISTINA MARQUES, professora, 48 anos

FONTE (foto incluída): O Dia Online
http://odia.terra.com.br/
FOTO - CRÉDITO E LEGENDA: A professora Maria Cristina mostra desenhos feitos por alunos após a leitura: mães evangélicas se rebelaram. Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia

Balé e batuque


Balé e batuque
A Cia Vidança Estreia hoje, no Theatro José de Alencar, o espetáculo Ruas de Sonhos
27 Out 2009 - 01h04min

Estreia nesta terça-feira, às 20 horas, no Theatro José de Alencar, o espetáculo Ruas de Sonhos da Cia. Vidança, que traz no seu corpo de baile cerca de 180 jovens que trarão no palco representações artísticas que vão do balé clássico ao batuque da percussão popular. A Escola de Artes e Ofícios Vidança é uma escola de pesquisa, criação e ensino da dança que, ao longo de 29 anos vem trabalhando os dons artísticos de meninos e meninas da periferia, com idades que variam de 7 a 24 anos, residentes da Barra do Ceará. Todo o espetáculo é cuidadosamente feito por eles que, além de ensaiar diariamente, produzem ainda os figurinos, o cenário e os instrumentos. O espetáculo é dividido em três grandes momentos: Paquita, A Alma Afoita de Maria Amélia e Tambatuque.

Paquita é um balé de repertório que estreou no Teatro Royal de Música, em 1° de abril de 1846. A história, que se passa na Espanha na época em que o país enfrentava a invasão napoleônica, conta a história de Paquita, moça que foi raptada ainda na infância por ciganos que mataram seus pais e a criaram. Conhece Lucien, filho de um general francês que logo se apaixona por ela. O moço, porém, já é comprometido com a filha de um governador espanhol, compromisso feito por razões políticas que não agrada a nenhum dos dois envolvidos e nem muito menos ao pai da moça, que não deseja ver sua filha casada com um francês. Paquita, porém não aceita as investidas de Lucien por ser de um nível social inferior ao do rapaz. Na história ainda aparece Inigo, um cigano apaixonado por Paquita que, não contente de ver a amada suspirando por outro homem, trama com o governador para matar Lucien. Paquita, ciente da cilada que estão armando para o amado, alerta-o. O clímax acontece quando os apaixonados descobrem que Paquita é nobre, prima de Lucien e os dois enfim podem se casar.

A segunda parte do espetáculo será reservada para a dança contemporânea. A Alma Afoita de Maria Amélia foi montado em 2008, pelas coreógrafas Anália Timbó e Maria Paula Costa Rego (PE). O trabalho chama para uma reflexão profunda sobre desejo e dança, paixão e obstinação. Foi Maria Amélia quem trouxe a dança moderna para Fortaleza na década de 50.

O grupo de Percussão Tambatuque do Vidança é quem faz as honras no terceiro ato e entram no palco tamborilando as matrizes da cultura brasileira, trazendo um resultado de dedicação e arte. O grupo, formado em 2001, também fabrica os próprios instrumentos. Em uma breve entrevista por telefone, Anália Timbó, no meio do corre-corre, entre uma ordem e outra ``Traz o saco de fuxico para cá, leva o saco de fuxico para lá``, nos falou um pouco sobre a expectativa do grupo para este espetáculo. ``Na verdade é o sonho, é o desejo de ver tudo isso concretizado. Trabalhamos muito durante o ano todo, desde a montagem, os ensaios, a costura, enfim é poder ver o que foi feito ao longo do ano no palco, em cena``, adianta a coreógrafa. Ela conta ainda que a escolha de Paquita foi feita pelo próprio grupo que, constituído basicamente de meninas, cerca de 70%, viram na personagem uma semelhança com a realidade. ``Elas escolheram o tema e se identificaram, o abandono, as dificuldades. Paquita sofre, mas nunca para de dançar e no final de tudo ainda encontra seu príncipe encantado e vivem felizes para sempre``.

SERVIÇO

Ruas de Sonhos - Estreia do novo espetáculo da Cia Vidança. Hoje (27) e amanhã (28), 5 e 6/11 com a participação do 1°bailarino do Theatro Municipal do Rio de Janeiro Francisco Timbó.

Horário: dia 27 e 05 às 20 horas; às 18h e 20h. Local: Theatro José de Alencar Preço: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia-entrada).

FONTE (foto incluída): O Povo

terça-feira, outubro 20, 2009

As oferendas líricas de Tagore


As oferendas líricas de Tagore
Postado em 16 de outubro de 2009 por Vasco

Minhas dívidas são grandes, minhas falhas são enormes e a minha vergonha é secreta e pesada. Todavia, quando venho pedir um benefício, tremo de medo de que a minha súplica seja atendida.
Rabindranath Tagore
[Tagore, Rabindranath. Gitanjali (oferenda lírica). Tradução de Ivo Storniolo. 2ª. ed. São Paulo: Paulus, 1991, poema 28.]
Na semana passada postei neste blog um texto sobre Rabindranath Tagore. Na ocasião citei alguns comentários do poeta a respeito de Cristo. Hoje, conforme prometido naquela ocasião, volto a Tagore para comentar o livro que é considerado por muitos críticos e estudiosos sua obra-prima, e que o tornaria conhecido no Ocidente ao ser traduzido, pelo próprio autor, para o inglês. Refiro-me a Gitanjali (pronuncia-se guitánjali), cujo título foi traduzido como “Oferenda lírica”.
Gitanjali é, todo ele, um grandioso canto de amor a Deus. Nele, Tagore revela toda a força da sua mística e da sua incansável busca de Deus. Este Deus que é tanto mais ansiado e procurado quanto mais se esconde. Por isso, Tagore o denomina Senhor do silêncio. Eis aí a pedra de toque do poema tagoriano. Em Tagore, Deus é uma figura paradoxal, porque, simultaneamente, se revela e se esconde. É algo assim como se Ele aparecesse sempre na semiobscuridade, num lusco-fusco em que só se dá a conhecer parcialmente. No poema 19, reclama Tagore, como num lamento:
“Se não falas, vou encher o meu coração com o teu silêncio, esperando, como a noite em sua vigília estrelada, com a cabeça pacientemente As oferendas líricas de Tagore
Postado em 16 de outubro de 2009 por Vasco
Minhas dívidas são grandes, minhas falhas são enormes e a minha vergonha é secreta e pesada. Todavia, quando venho pedir um benefício, tremo de medo de que a minha súplica seja atendida.
Rabindranath Tagore
[Tagore, Rabindranath. Gitanjali (oferenda lírica). Tradução de Ivo Storniolo. 2ª. ed. São Paulo: Paulus, 1991, poema 28.]

Na semana passada postei neste blog um texto sobre Rabindranath Tagore. Na ocasião citei alguns comentários do poeta a respeito de Cristo. Hoje, conforme prometido naquela ocasião, volto a Tagore para comentar o livro que é considerado por muitos críticos e estudiosos sua obra-prima, e que o tornaria conhecido no Ocidente ao ser traduzido, pelo próprio autor, para o inglês. Refiro-me a Gitanjali (pronuncia-se guitánjali), cujo título foi traduzido como “Oferenda lírica”.

Gitanjali é, todo ele, um grandioso canto de amor a Deus. Nele, Tagore revela toda a força da sua mística e da sua incansável busca de Deus. Este Deus que é tanto mais ansiado e procurado quanto mais se esconde. Por isso, Tagore o denomina Senhor do silêncio. Eis aí a pedra de toque do poema tagoriano. Em Tagore, Deus é uma figura paradoxal, porque, simultaneamente, se revela e se esconde. É algo assim como se Ele aparecesse sempre na semiobscuridade, num lusco-fusco em que só se dá a conhecer parcialmente. No poema 19, reclama Tagore, como num lamento:

“Se não falas, vou encher o meu coração com o teu silêncio, esperando, como a noite em sua vigília estrelada, com a cabeça pacientemente

inclinada”. E, no poema 39, suplica: “Quando o trabalho tumultuoso espalhar por toda parte o seu ruído, isolando-me do além, vem a mim, Senhor do silêncio, com a tua paz e serenidade”.

Para quem conhece a poesia de São João da Cruz, é impossível passar despercebida a semelhança entre os versos do místico espanhol no Cântico Espiritual e aqueles do poeta bengalense expressos no poema 41. Indaga Tagore no início do poema:

“Onde estás, meu amor? Por que te escondes na sombra, por trás de todos? Eles te empurram e passam por ti na estrada poeirenta, pensando que não és ninguém. E eu fico aqui, esperando por horas intermináveis, com as minhas oferendas para ti; os passantes chegam, tomam as minhas flores uma por uma, e a minha cesta já está quase vazia”.

O Doutor Místico, por sua vez, exclama, em tom indagativo: “1. Onde é que te escondeste,/ Amado, e me deixaste com gemido?/ Como o cervo fugiste,/ Havendo-me ferido;/ Saí, por ti clamando, e eras já ido./ 2. Pastores que subirdes/ Além, pelas malhadas, ao Outeiro,/ Se, porventura, virdes/ Aquele a quem mais quero,/ Dizei-lhe que adoeço, peno e morro./ 3. Buscando meus amores,/ Irei por estes montes e ribeiras;/ Não colherei as flores,/ Nem temerei as feras,/ E passarei os fortes e fronteiras” (São João da Cruz. Cântico Espiritual. Em: Obras Completas. Petrópolis, RJ: Vozes, 1984, p. 30).

A propósito do Gitanjali, escreveu Ivo Storniolo no prólogo para a tradução da editora Paulus: “Poderíamos ler este livro em apenas uma hora. Nós o consumiríamos, mas talvez não iríamos perceber o que ele tem a nos dizer, nem a escola de vida que nele se esconde: redescoberta da natureza, percepção do tempo, mistério das relações, demitização das ilusões, anseio pelo absoluto, alegria de descobrir-se amado por tudo e, por trás de tudo, amado por Deus.
“Gitanjali”, conclui Storniolo, “não é um romance, mas livro de vida. É para ser lido pouco a pouco, conferindo a cada momento a percepção poética e mística do autor com a experiência que temos da nossa vida. Ele começa comparando-se com um instrumento nas mãos de Deus (Gitanjali, 1). Ao terminar, ele exclama: “Ó meu Deus, permite que todos os meus sentidos se dilatem, e eu farei este mundo roçar os teus pés, numa derradeira saudação a ti” (Gitanjali, 103). Oxalá cada um de nós possa dizer o mesmo, não mais com as palavras de Tagore, mas com a própria vida” (p. VIII/IX).

Para concluir, quero fazer aqui uma revelação. Enquanto transcrevia os trechos em que comparo Tagore e São João da Cruz, por duas vezes tive que interromper o texto. A primeira, para pegar lenço de papel; a segunda, para lavar o rosto. Em ambas as ocasiões, os meus olhos ficaram tão marejados, que não conseguia distinguir as letras do teclado. É assim que me acontece algumas vezes em que volto aos escritos destes dois grandes expoentes da mística. Embriagados pela busca do Divino, eles cantam. Quanto a mim, um reles e insignificante mortal, silencio e choro à leitura de seus extasiantes versos.



FONTE: de Vasco

Grass comemora aniversário com tambor e leitura na Feira de Frankfurt


Grass comemora aniversário com tambor e leitura na Feira de Frankfurt
De Agencia EFE – há 3 dias
Frankfurt (Alemanha), 16 out (EFE).- O Prêmio Nobel de Literatura Günter Grass comemorou nesta sexta-feira seu aniversário na Feira do Livro de Frankfurt e lembrou os 50 anos de seu romance mais famoso, "O tambor", em um espetáculo com direito a presença do percussionista Günter Baby Sommer.
Grass leu fragmentos da obra (lançada na Feira de Frankfurt de 1959 para se transformar imediatamente em sucesso de vendas) e uma parte de "Meu século", no qual lembra precisamente a aparição de "O tambor" em um ano considerado mágico para a literatura alemã do pós-guerra.
Como fez questão de lembrar com frequência por causa do cinqüentenário do livro "O tambor", naquele ano foram publicados outros dois livros "Bilhar às nove e meia", de Heinrich Böll, e "Conjeturas sobre Jakob" de Uwe Johnson - que se transformaram em clássicos da segunda metade do século 20.
Grass, no livro "Meu século", referiu-se a isso ao contar como, enquanto ele escapava do cansaço da Feira e das 20 mil novidades em uma festa da editora Luchterhand, os jornalistas escreviam artigos com títulos como "literatura alemã surge no pós-guerra" e "Grass e Böll triunfam".
Desde o lançamento de "O tambor", em 1959, muito mudou na Feira. Já não são mais apresentadas 20 mil novidades, mas sim 100 mil e a amostra já não é exclusividade de livros.
Grass referiu-se ao local onde ocorreu a sua homenagem, um cinema situado em um pavilhão da Feira, é relativamente novo e faz parte de uma nova seção dedicada às relações entre cinema e literatura.
"O tambor" é um exemplo dessas relações já que foi levado ao cinema por Volker Schlöndorff em um filme que acabou ganhando um Oscar.
Além disso, Grass mudou de editora há anos e a Lüchterhand não tinha nada a ver com a festa deste ano, organizada por Steidl.
Para a leitura ele escolheu passagens especialmente rítmicas de "O tambor" - entre outros, dois poemas que fazem parte do romance - e o ritmo do texto era complementado com a marcação de Sommer em uma bateria gigantesca com a qual conseguiu, desde o começo do ato, construir uma atmosfera de mistério e distância em torno à voz de Grass.
Nas pausas da leitura, era possível ver como o escritor estava compenetrado com o ritmo ditado por Sommer, que acompanhava balançando a perna direita.
Ao final, inclusive, pode ter a impressão que Grass estava a ponto de começar a cantar seu romance e a frase com a qual terminou o espetáculo foi dita em coro por Grass e Sommer.
Em outro ato, o escritor italiano Claudio Magris - que receberá no domingo o Prêmio da Paz dos Livreiros Alemães - expressou sua esperança que algum dia exista um Estado europeu e disse que é quase ridículo que Itália, França e Alemanha tenham legislações diferentes.
"Nossos problemas já não são nacionais. Por isso necessitamos um estado europeu. Sonho com o dia em que tenhamos um estado europeu, embora isso não vá a ocorrer ainda", disse Magris.
Apesar do seu sonho, Magris opinou que por enquanto há muitas dificuldades para que a Europa chegue a uma união e reforçou que ainda há muitos temores que levem a uma nova onda de movimentos nacionalistas em alguns países.
"Por exemplo, eu escrevi um artigo malicioso sobre isso, há gente que acha que nos colégios só se devem estudar os escritores locais. Aplicar isso ao pé da letra implicaria transformar Pirandello (Luigi, escritor italiano) em leitura obrigatória na Sicília, mas proibido na Lombardia", disse Magris.
"Há temor também sobre o nivelamento e isso leva a outro perigo maior que é o perigo do isolamento", acrescentou o autor de "Biografia do Danúbio".
Sobre o prêmio e a contribuição que suas obras possam ter feito à Europa, Magris disse que tomara o júri tenha razão em sua afirmação que a obra impulsionou, mas esclareceu que isso não tinha sido intencionalmente e a literatura de valor não parte de uma intenção política nem moral.
Magris aproveitou o discurso para criticar o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, quem classificou de representante de uma política pop prejudicial a toda Europa.

FONTE (foto incluída): EFE

Judô: Seleção júnior já está na França para disputa do Mundial

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Judô: Seleção júnior já está na França para disputa do Mundial
19/10/2009 - 14:57:48 - por FS/AI CBJ
A Seleção Brasileira júnior de judô já está na França, onde disputa o Campeonato Mundial da categoria a partir da próxima quinta-feira. A delegação brasileira desembarcou por volta das 16h (horário local) no Aeroporto Chales de Gaulle, em Paris.

O Brasil será representado no Mundial por 14 atletas. Atuais campeãs mundiais, Sarah Menezes (-48kg) e Rafaela Silva (-57kg) lutam pelo bicampeonato. Em 14 edições de Mundiais, o Brasil tem 32 medalhas, sendo nove de ouro, oito de prata e 15 de bronze.

Confira os convocados


-48kg: Sarah Menezes
-52kg: Eleudis Valentim
-57kg: Rafaela Silva
-63kg: Mariana Silva
-70kg: Emory Spontoni
-78kg: Mayra Aguiar

-55kg: Raphael Minoru
-60kg: Felipe Versolato
-66kg: Marcos Seixas
-73kg: Vinícius Panini
-81kg: Marcelo Ferreira Filho
-90kg: Vitor Braga
-100kg: Jonas Inocencio
+100kg: Roberto Silva
FONTE: Final Sports
http://www.finalsports.com.br/

Frédéric Mitterrand contre le rappeur Morsay


Frédéric Mitterrand contre le rappeur Morsay
Ben quoi, Morsay n’es- il pas “un artiste” ? Puisque Mitterrand défend les artistes, notamment Orelsan ( auteur de la chanson : "Sale pute") qui avait été interdit de festival, le Printemps de Bourges. Mitterrand avait alors déclaré que c’était ridicule d’interdire à une personne de s’exprimer sur son dépit amoureux. Qui a oublié son soutien appuyé au réalisateur franco-polonais incarcéré en Suisse, Roman Polanski (viol aggravé sur mineure) ? Aujourd’hui pourtant, il s’en prend au rappeur Morsay. Ambiance.

Mais c’est qui ce Morsay ? Un rappeur, leader du collectif rap “Truand 2 la Galère” qui déclare qu’il est du 9-5 (Val d’Oise) et qui serait aussi vendeur au Marché aux puces de la Porte de Clignancourt dans le 18e arrondissement de Paris. J’ai entendu parler de ce mec en 2007. Il avait fait une descente violente du côté de la radio Rap Skyrock qu’il traitait de “pute”. D’ailleurs, c’est son insulte favorite. Il n’aime pas le rappeur Booba notamment, la police municipale surtout, dit-il. La police nationale n’est pas épargnée non plus. Il revendique même sa misogynie et son homophobie.
Dans son dernier clip, posté sur Youtube le 9 octobre dernier intitulé “J’ai 40 meufs”, (attention : paroles extrêmement violentes, homophobes et sexistes que j’ai diffusé dans mon blog) il indique qu’il a encore la "dalle" et/ou faim des meufs, malgré ce nombre considérable de femmes et qu’il nique bien sûr la police municipale. Frédéric Mitterrand l’homme qui défend les artistes et qui, à mon humble avis, n’a plus de crédibilité pour donner son avis sur le bien et le mal vient seulement à la rescousse de la police municipale tout en appelant les internautes et les médias à être prudents et responsables. Rien pour les femmes, les homosexuels masculins que le rappeur traite violemment de pédés.
En réalité, cette affaire lui revient en plein dans la figure, lui qui disait récemment que la licence poétique autorise le récit de rencontres dans les bouges de Bangkok. Le Rap n’est-il pas considéré comme un art poétique, une poésie urbaine ? Pourquoi ce rappeur, que je ne soutiens pas loin s’en faut, ne pourrait-il pas évoquer prosaïquement et même violemment ses ressentiments envers la police municipale ? C’est un avis qu’il donne. Délit d’opinion ? Il nique la police municipale ? Est-ce donc un sacrilège ? On sait très bien qu’un très grand groupe de rap, NTM (Nique ta mère), reconstitué dernièrement a toujours eu un discours similaire et s’en est plutôt bien sorti.
La société française devient tellement hypocrite que, finalement, c’est tout le monde qui se lâchera et demandera qu’on le laisse s’exprimer, puisque, seuls, certains, peuvent dire et faire ce qu’ils veulent en toute impunité, sans être inquiétés par la Justice. Frédéric Mitterrand qui veut sans doute se racheter juge “intolérables” les propos tenus à l’encontre de la police et dans un communiqué indique que la “liberté d’expression ne doit pas être le prétexte à des dérives incitant à la haine ou à la violence”, ajoutant que “si les bornes de la légalité ont été franchies, c’est à la justice qu’il appartient de décider des mesures appropriées”. Ah bon ? Etonnant, il ne dit rien de plus.
Très remonté contre le rappeur, le Syndicat national des policiers municipaux (SNPM), en revanche, on les comprend, a demandé que des poursuites soient engagées contre Morsay. Pourtant, à regarder de plus près, on constate que ce rappeur veut simplement, et par tous le moyens possible, imaginables et inimaginables, faire parler de lui. D’ailleurs, nous le faisons ce matin. Donc, c’est de la fiction et, les jeunes sont assez intelligents pour choisir le bon grain de l’ivraie.
Affaire à suivre !


FONTE (foto incluída): AgoraVox

ONTEM À NOITE - Maria de Fatima Delfina de Moraes


ONTEM À NOITE
Maria de Fatima Delfina de Moraes


Ontem à noite
como eternos namorados,
corpos entrelaçados,
o amor nos brindou.

Ontem à noite
meu corpo te desejando
sob o toque dos teus lábios
vi estrelas cintilando...

Ontem à noite
entregue as tuas carícias
e o teu beijo como açoite
vivi do amor às delícias.
Ontem à noite
fui somente tua
no melhor do bem querer
amamo-nos à luz da lua.
copyrigth 2009

segunda-feira, outubro 19, 2009

Palavra de mulher


prêmio
Palavra de mulher
Ao longo de sua história, o Nobel da Literatura laureou 89 homens e somente 12 mulheres. A matemática reproduz a desigualdade que ainda persiste entre os gêneros

Publicado em 18/10/2009 Annalice Del Vecchio

A alemã de origem romena Her­­ta Müller recebeu no último dia 8 de outubro o Prêmio Nobel de Literatura de 2009 em uma decisão que surpreendeu a crítica, não só pela pouca idade da au­­tora, 56 anos, mas por ela ser pouco conhecida fora de Europa, onde chamou a atenção em 1982, ao lançar na Romênia a co­­le­­tânea de contos Niederungen (Terras Baixas, inédito no Brasil).
Herta Müller é a 12.ª escritora a ser premiada com o Nobel, em uma edição que teve cinco mulheres vencedoras, entre elas, a primeira economista a receber um Nobel, a professora Elinor Ostrom, da Universidade de Indiana.
Criado em 1901, ao longo das décadas a láurea criada pela Academia Sueca concedeu 101 prêmios de literatura – 89 deles em posse de homens. Mas, já em 1909, a primeira mulher recebeu a distinção: a sueca Selma Lagerlöf (leia quadro nesta pégina).
Mesmo sendo bem poucas, “elas” pontuaram a história do Nobel literário. A Lagerlöf seguiram-se a italiana Grazia Deledda (1926), a norueguesa Sigrid Undset (1928), a norte-americana Pearl Buck (1938), a chilena Gabriela Mistral (1945), a sueca Nelly Sachs (1966), a sul-africana Nadine Gordimer (1991), a norte-americana Toni Morrison (1993), a polonesa Wislawa Szymborska (1996), a austríaca Elfriede Jeli­­nek (2004), a inglesa Doris Les­­sing (2007) e, finalmente, Herta Müller.
A escritora Marina Colasanti, autora de mais de 30 obras, entre elas Fragatas para Terras Distantes, de 2004, diz que basta ler as manchetes dos jornais anunciando os vencedores para se verificar a desigualdade que ainda pesa entre homens e mulheres. São títulos que enfatizam o gênero como “Primeira mulher a vencer o Nobel de Economia” ou “Uma mulher vence o Nobel de Li­­te­­ratura”.
Se, em 1909, uma época em que as mulheres eram tão pouco estimuladas a realizar atividades intelectuais, o Nobel foi concedido à Lagerlöf, porque o número de vencedoras não aumentou à medida que as mulheres foram conquistando seus direitos?
“É um conjunto de fatores ainda ligados à sociedade patriarcal, cujo desmonte é lento e trabalhoso. Houve de fato modificações intensas, mas precisam de muitos séculos para se estruturar. Os avanços não são feitos em linha reta e constante como um trem. Houve períodos de arrefecimento, outros mais intensos, e agora vivemos um novo momento de arrefecimento, em que há um silêncio sobre essas questões. No Brasil isso é flagrante”, diz Marina.
Para a professora do Depar­ta­mento de Literatura Italiana da Universidade Federal do Paraná, Lucia Sgobaro Zanette, “tanto a produção artística como a científica das mulheres é, de uma certa maneira, menos valorizada, as mulheres ainda estão conquistando espaço e voz. Nesse sentido, a obra de Grazia Deledda é exemplar, pois ela dá espaço e voz a uma determinada realidade muito peculiar, a da Sardenha, através de uma apurada e atenta sensibilidade feminina”.
Marina Colasanti afirma que, para que mais mulheres ganhem o Nobel, é necessário que as mulheres sejam avaliadas “exatamente como são os homens, desde a primeira leitura de um original passando pelo processo editorial, de crítica, e sem o véu de preconceito que ainda existe”.
Diversidade temática
Criada na comunidade alemã da cidade romena de Nitchidorf, Herta Müller criticou a ditadura de Nicolau Ceausescu e foi perseguida pela polícia secreta. Em 1987, fugiu para a Alemanha com o marido. Sua trajetória e sua obra coadunam-se com a lógica da Academia Sueca de laurear autores que usam a literatura como elemento transformador.
Entre as mulheres, há casos exemplares como o da norte-americana Toni Morrison, vencedora do Nobel de 1993, que em seus romances relata as experiências dolorosas das mulheres negras nos Estados Unidos dos séculos 19 e 20. Amada, por exemplo, é uma narrativa inspirada em uma notícia que Morrison leu no jornal sobre uma escrava fugitiva que cortou a garganta da filha para evitar que ela tivesse o mesmo destino. Adaptado para o cinema no filme Bem-Amada, de 1998, com Oprah Winfrey e Dan­ny Glover, o romance é o primeiro de uma trilogia, formada por Jazz e Paraíso, e rendeu à autora o Prêmio Pulitzer de melhor ficção.
Doris Lessing, a pessoa mais idosa a receber o Nobel literário, em 2007, aos 86 anos, deixa en­­trever em sua obra a influência de seus anos na África. Devido a campanhas públicas que encampou contra as armas nu­­cleares e o regime de apartheid na África do Sul, foi banida da­­quele país e da Rodésia durante muitos anos. A autora foi anunciada durante a premiação como “contadora épica da experiência feminina que, com ceticismo, ardor e uma força visionária escrutinou uma civilização dividida”.
A italiana Maria Grazia Cosi­ma Deledda escreveu essencialmente sobre sua terra natal, a Sar­denha, “principalmente so­­bre a sabedoria profunda e au­­tên­­tica e a maneira de viver quase religiosa de certos pastores sardos”, como ela própria escreveu. “Deledda se empenhou pa­­ra colocar a Sardenha no circuito da grande literatura europeia e, por isso, a crítica insiste em fazer um paralelo entre ela e os escritores russos. Assim como eles ti­­nham introduzido a língua e as tradições orais russas na própria literatura, ela estava fazendo com a língua e as tradições da Sardenha”, diz Lucia Sgobaro.
“São mulheres de muitas atuações, que nem sempre colocam questões femininas em seu trabalho. Mas, de qualquer maneira, o feminino aparece toda vez que a autora é uma mulher. O próprio fato de ela ganhar um Nobel enriquece a imagem do gênero feminino”, diz Marina Colasanti.
Mesmo quando premia mu­­lheres, o Nobel revela desigualdades. A maioria das escritoras distinguidas com a láurea são europeias, com poucas exceções: a sul-africana Nadine Gor­­dimer (1991), a chilena Gabriela Mistral (1945) e as norte-americanas Pearl Buck (1938) e Toni Morrison.
FONTE (foto incluída): Gazeta do Povo Online - Curitiba,PR,Brazil
http://portal.rpc.com.br/
FOTO: 1909 - Selma Lagerlöf (1858-1940, sueca). Sua obra repleta de duendes e fantasmas, ao recriar a atmosfera ficcional das lendas e relatos populares, significou uma volta ao romantismo em uma literatura dominada pelo realismo naturalista. Escreveu A Saga de Gösta Berlings (1891), seu primeiro romance; a coletânea de contos Os Laços Invisíveis (1894) e a história infantil A Maravilhosa Viagem de Nils Holgersson através da Suécia (1907)
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quinta-feira, outubro 15, 2009

Obra de Euclides da Cunha ganha debate em Frankfurt


Obra de Euclides da Cunha ganha debate em Frankfurt
Agência Estado

Por AE
São Paulo - A obra de Euclides da Cunha faz eco na Alemanha - no centenário de sua morte, um encontro na Feira do Livro de Frankfurt, a maior do mundo no setor editorial, lembrou ontem a importância e a perenidade de sua obra. Em um espaço chamado Forum Dialog, onde antes se discutiu o nacionalismo chinês diante da globalização, reuniram-se Claudius Armbruster, diretor do Instituto Luso-Brasileiro da Universidade de Colônia; o crítico literário Fábio Lucas; e Francisco Foot Hardman, professor de Teoria Literária do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp e colaborador do Estado.
"Que os escritos de Euclides são essenciais, não resta dúvida", disse Fábio Lucas para a plateia presente ao diálogo em torno do autor. "Mas o que mais chama atenção é o fato de, com o passar do tempo, sua obra maior, Os Sertões, ser cada vez mais admirada especialmente pelo aspecto estilístico e não tanto pela análise científica."
Segundo ele, o escritor viveu o conflito entre ciência e arte que marcou a arte no início do século passado, em que um autor não podia desmerecer uma em detrimento da outra. "Mas, enquanto suas observações científicas foram, aos poucos, ultrapassadas, a força de sua prosa é cada vez mais valorizada, reconhecimento que começou com Monteiro Lobato, impressionado com a escrita de Euclides."
O confronto também foi destacado por Francisco Foot Hardman, que vai lançar um livro com a poesia de Euclides da Cunha. "Há, em seus versos, uma conjunção de influências", observou. "Primeiro, a forte presença do romantismo; depois, uma carga mais iluminista, anticlerical, revolucionária, em que busca de recuperar o cristianismo primário." Hardman destacou ainda um curioso aspecto da poesia de Euclides, aquela que escreveu em fotos e cartões-postais - com um aparente tom de brincadeira, o escritor aproveitava o material e o reescrevia, permitindo que a progressão de seu trabalho fosse acompanhada a partir desse material.
Já Claudius Armbruster lembrou da influência de Euclides em outros escritores. Como João do Rio que, em 1908, ao escrever sobre o avanço das favelas cariocas, comparou-as aos sertanejos de Canudos. "A semelhança era tamanha que João do Rio até citou nominalmente Euclides." Ele lembrou ainda do filme dirigido por Sérgio Rezende e inspirado em "Os Sertões", chamado "Canudos", e, especialmente da minissérie "Desejos", que a TV Globo exibiu em 1990. "Estive no Brasil nessa época e fiquei impressionado com a atenção do público em relação à tragédia", disse ele, referindo-se à trama, baseada unicamente no assassinato de Euclides de Cunha pelo amante de sua mulher, Dilermando de Assis - este também acabaria matando o filho do escritor.
Negócio
A Câmara Brasileira do Livro (CBL) anunciou ontem uma parceria inédita com a Feira de Frankfurt. "A empresa organizadora do evento vai abrir um escritório em São Paulo e sua primeira ação será um congresso sobre novas tecnologias, em março", anunciou Rosely Boschini, presidente da entidade brasileira. "Será no mesmo estilo do encontro realizado antes da feira, em que se discutiram todos os novos formatos de leitura." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
FONTE: Abril

quarta-feira, outubro 14, 2009

Prémio Leya 2009 para João Paulo Borges Coelho


Prémio Leya 2009 para João Paulo Borges Coelho
Inserido em 13-10-2009 19:03


O romance "O Olho de Hertzog", do moçambicano João Paulo Borges Coelho, é o vencedor da segunda edição do Prémio Leya, foi hoje anunciado pelo presidente do júri, Manuel Alegre.


Manuel Alegre justificou a distinção da obra por ser "um romance de grande intensidade, em que se conjugam a complexidade das personagens, a densidade da trama narrativa e a busca do olho de Hertzog, que é, de certo modo, uma metáfora da demanda do destino individual e colectivo".
Nascido no Porto, mas naturalizado moçambicano, João Paulo Borges Coelho já venceu em 2005 o Prémio José Craveirinha, na altura com o livro "As Visitas do Dr. Valdez”.
Agora, vê distinguida uma obra que nos leva de volta ao Moçambique do início do século XX, durante a I Guerra Mundial, explica o escritor e historiador, em declarações à Renascença. Ao Prémio Leya 2009, no valor de 100 mil euros, apresentaram-se 201 originais, tendo sido finalistas 11 obras.
João Paulo Borges Coelho sucede ao escritor brasileiro Murilo António Carvalho, que venceu a primeira edição do galardão, no ano passado, com romance "O Rasto do Jaguar".



FONTE (imagem incluída): Rádio Renascença - Lisboa,Lisboa,Portugal
http://www.rr.pt/

terça-feira, outubro 13, 2009

Cultura popular constrói universo poético na MITI


Cultura popular constrói universo poético na MITI
Da Redação


Com uma porção de teatro de rua, xícaras de Commedia dell'Arte e colheres cheias de poesia, a companhia Panturrilha, de São Paulo, desembarca em Cuiabá com o espetáculo “Feira de Cordel”. O texto é uma criação com caráter popular, no qual quatro brincantes apresentam o cordel “A vingança de um Moribundo”, baseado em contos folclóricos do nordeste brasileiro.

Nas quadras e nas sextilhas dos poetas do povo retratam-se, assim como nesse espetáculo, a psicologia, o sistema de valores, a imagem do herói e do vilão, o senso de humor, as agruras e alegrias, enfim, todo o universo mental e sócio-cultural da gente que vive nos sertões. É uma poesia ingênua e espontânea, sem artifícios, mas não raro e engenhosa e de natureza autêntica, construindo uma importante forma de expressão e comunicação.

O espetáculo faz parte da programação da 3ª Mostra Internacional de Teatro Infantil, MITI, é gratuito e será encenado na Praça 08 de Abril, às 18h.

A Cia. Panturrilha surgiu no início de 1999 a partir de um determinado grupo de pessoas interessadas em desenvolver trabalhos e pesquisas relacionados à cultura popular nordestina.

Hoje, a Cia. Panturrilha mantém em seu repertório espetáculos de qualidade e prossegue suas pesquisas voltadas para a linguagem do teatro popular, valorizando as habilidades do artista mambembe e a simplicidade do artista de rua, que leva para as feiras e praças o seu trabalho artístico, não só alegrando o público por onde passa, mas também levando informação e senso crítico.

Assim, a Cia. continua a desenvolver trabalhos dentro da cultura popular, para (re)descobrir todas as possibilidades de mostrar ao público os costumes, as tradições e as formas de cultura e expressão dos vários lugares de nosso país e do mundo.


(Com Assessoria)


FONTE: Diário de Cuiabá


Nel Nobel alla Letteratura c'è sempre più politica e meno qualità letterarie



Il premio a Herta Müller
Nel Nobel alla Letteratura

di Luca Meneghel - 11 Ottobre 2009

Giovedì 8 ottobre, l’attesa è alle stelle: chi vincerà il Nobel per la letteratura? I bookmakers, scatenati, puntano su Amos Oz e Philip Roth; altri, scambiando i Nobel per i Grammy Awards, dicono Bob Dylan; l’Italia, come ogni anno, sogna Claudio Magris. A mezzogiorno in punto, il Segretario Permanente dell’Accademia Svedese Peter Englund apre la porta e annuncia che il premio è stato assegnato alla scrittrice Herta Müller, la quale “con la concentrazione della poesia e la franchezza della prosa, rappresenta il panorama dei diseredati”. Niente Oz, niente Roth: dopo il francese Le Clézio, ad essere premiato è un altro nome pressoché sconosciuto al grande pubblico.
La domanda sorge spontanea: chi è Herta Müller? Nata in Romania nel 1953, la scrittrice cresce nella cittadina di Nitchidorf, dove tutti parlano tedesco. Nel corso della seconda guerra mondiale, il padre ha servito nelle SS; la madre invece, nel 1945, è stata deportata in un campo di lavoro sovietico. Sin dalla giovinezza, letteratura e politica sono le stelle polari del futuro Nobel: negli anni settanta, Herta studia letteratura tedesca e romena, associandosi ad un gruppo di giovani autori che difendono la libertà d’espressione in opposizione alla dittatura di Ceausescu. Dopo la laurea, la Müller trova lavoro come traduttrice in un’industria meccanica: lavora per due anni, fino al 1979, poi viene cacciata per essersi rifiutata di collaborare con la polizia segreta della dittatura.
Il licenziamento segna un svolta nella vita della scrittrice. Negli anni ottanta si mantiene facendo la maestra d’asilo e dando lezioni private di tedesco, ma nello stesso tempo scrive libri: le sue opere, censurate in Romania, attirano ulteriormente su di lei l’attenzione della polizia segreta. Anni dopo, l’autrice riuscirà a mettere le mani sul fascicolo a lei intestato dalla temibile Securitate: si tratta di 914 pagine, in cui la Müller viene definita “un pericoloso nemico dello Stato da combattere”. A fronte delle crescenti pressioni, la scrittrice e il marito fuggono in Germania e Berlino diventa la sua casa: qui, divenuta membro dell’Accademia tedesca di letteratura, Herta continua a scrivere e arrivano premi sempre più prestigiosi. Fino all’8 ottobre 2009, giorno della consacrazione definitiva.
La nomina della Müller, l’abbiamo scritto, ha colto tutti di sorpresa. Il giorno prima dell’assegnazione però, basandosi su alcuni indizi, il blog “The Literary Saloon” – legato al sito “The Complete Review” – aveva indicato la romena come possibile vincitrice. A favorire la Müller, secondo “Saloon”, sarebbero state l’appartenenza ad una minoranza linguistica (“Una ragione non letteraria, ma nazionalità e linguaggio importano sempre”), le tematiche antitotalitarie, la scrittura sia in prosa che in poesia, i molti premi vinti in passato e, nei Paesi in cui l’autrice è più affermata, il generale favore della critica. Tra i possibili ostacoli alla vittoria, il blog citava la vicinanza ideale dell’autrice a Nobel recenti (Jelinek e Kertész su tutti), la limitatezza numerica delle sue opere e la loro difficoltà: limiti trascurabili, visto l’esito finale.
Ciò che ha più colpito l’Accademia è il tema portante della poetica della Müller: la sua stessa vita. Sin dal libro d’esordio, la raccolta di racconti “Niederungen” (1982), la scrittrice ha rappresentato i drammi delle minoranze e le violenze delle dittature, scrivendo di ciò che conosceva meglio: la Romania sotto il giogo di Ceausescu. Il suo libro più famoso – vincitore del prestigioso Impact Dublin Literary Award e tradotto in 15 lingue – è forse “Il paese delle prugne verdi” (1994): al centro del romanzo vi è la vita di quattro ragazzi nella Romania degli anni ottanta, tra dittatura ed aneliti di libertà fatti di libri e idee proibite. In Italia, Il paese delle prugne verdi è pubblicato da un piccolo editore di Rovereto, Roberto Keller: “Ci abbiamo sempre sperato” ha commentato a caldo, “lei è sempre stata apprezzata in Europa, anche se in Italia è poco conosciuta”.
Poco conosciuta è dire poco. A parte l’edizione di Keller – che ha portato l’autrice al Festival della Letteratura di Mantova, dove ha riscosso grande successo – per leggere un’opera della Müller tradotta in italiano bisogna tornare indietro nel tempo, almeno al 1987, anno in cui Editori Riuniti stampa Bassure, o al 1992 di In viaggio con una gamba sola di Marsilio. E proprio il fatto che una scrittrice poco nota sia stata preferita a “mostri sacri” della letteratura è fonte di polemiche. Secondo D’Orrico, critico del “Corriere della Sera”, la vittoria della Müller è la prova che “non va dato più nessun valore a questo premio”: “Se penso ai primi 5000 autori contemporanei al mondo” continua il critico “lei non c’è”.
Sono in molti a pensarla come D’Orrico. La verità è che nell’assegnazione del Nobel la qualità letteraria conta fino a un certo punto: l’Accademia, negli ultimi anni, ha prediletto altri criteri. Politici, per alcuni, umanitari, per altri: resta il fatto che i premi puntualmente negati ad autori israeliani (Grossman, Oz) e americani (McCarthy, Roth) iniziano a pesare. L’ultimo Nobel per la letteratura americano risale al 1993: a vincerlo fu la scrittrice Toni Morrison, 78 anni, oggi docente all’Università di Princeton. Intervistata da Maurizio Molinari de “La Stampa” a fine settembre, l’autrice ha detto al sua: “Dentro la giuria del Nobel c’è qualcuno a cui gli Stati Uniti non piacciono, ma credo che il tempo sia oramai maturo per assegnare a un americano il premio per la letteratura”.
Niente da fare, invece. Se qualcuno pensava che la presidenza Obama avrebbe spalancato le porte a Philip Roth o Cormac McCarthy, ha fatto male i suoi calcoli: il premio Nobel (per la pace, però) è stato conferito direttamente al presidente, con buona pace degli scrittori americani. D’Orrico, innamorato dell’autore di “Pastorale americana”, se la cava con una vecchia battuta di Giuseppe Pontiggia: “Ogni anno ci sono due premi Nobel per la letteratura: quello dato al vincitore e quello non dato a Jorge Luis Borges”. Sostituite Borges con Roth, e il gioco è fatto. Mentre le case editrici italiane si butteranno sulla Müller, completamente da scoprire, l’appuntamento è tra dodici mesi. Un pronostico? Tra i favoriti ci saranno Roth, McCarthy, Oz, Magris. Il vincitore sarà uno sconosciuto.


FONTE (imagem incluída): L'Occidentale - http://www.loccidentale.it/

Brasil passeia e vence o desafio de judô contra Argentina e Estados Unidos


11/10/09 - 13h28 - Atualizado em 11/10/09 - 17h13
Brasil passeia e vence o desafio de judô contra Argentina e Estados Unidos
Equipe verde-amarela vence 11 das 12 lutas em Maringá, no Paraná

GLOBOESPORTE.COM Maringá, PR

Em 14 lutas, nove ippons. E assim o Brasil venceu com tranquilidade o Desafio Internacional de Judô contra Argentina e Estados Unidos, em Maringá, no Paraná. Neste domingo, no ginásio do Parque do Japão, os brasileiros venceram os americanos por 6 a 0, com vitórias de Ricardo Ayres (-60kg), Leandro Cunha (-66kg), Marcelo Contini (-73kg), Nacif Elias (-81kg), Luciano Corrêa (-100kg) e Walter Santos (+100kg). No sábado, a equipe verde-amarela tinha batido os hermanos por 5 a 1. A prata ficou com a Argentina, que bateu os EUA por 6 a 1.

- Queria agradecer aos torcedores do Paraná, que foram fundamentais para a nossa vitória. Todo atleta entra muito mais motivado com o ginásio lotado. Argentina e EUA estão em fase de renovação, e foi um bom desafio. Agora é dar início aos treinos pensando no evento daqui a seis dias em Vitória e na reta final da temporada – afirmou o campeão mundial Luciano Corrêa.

Vitória, no Espírito Santo, será a sede do desafio no próximo fim de semana. O meio-leve Leandro Cunha prevê uma competição mais complicada pela frente. - Todo desafio é gostoso de lutar, e dentro de casa temos que mostrar que somos nós quem mandamos. Mas tenho certeza que na próxima semana eles vão vir muito mais fortes e temos que ficar espertos para não sermos surpreendidos – afirmou.

FONTE (foto incluída): globoesporte.com

Histórias de canções

Histórias de canções
Melina Dias
Do Diário do Grande ABC
Amigo de verdade a gente conta nos dedos da mão. Até gente muito, mas muito popular e querida sabe disso. Caso de Chico Buarque de Holanda e Wagner Homem. O segundo é conhecido por ser o curador do site oficial do primeiro, que dispensa apresentações.
Wagner Homem nasceu em Catanduva (SP), em 1951. É "deformado", segundo ele mesmo diz, em administração de empresas e hoje atua na área de Tecnologia de Informação. Nesta semana, lançou o livro Chico Buarque - Histórias de Canções (428 págs., R$ 44,90), que marca o início das atividades do grupo português Leya no Brasil.
Esta edição, que dá origem a uma série, reúne curiosidades e detalhes que cobrem a criação artística do músico e escritor entre 1964 e 2008.
"Como há 11 anos venho recebendo solicitações (via website) sobre essas histórias, decidi juntá-las em um volume", conta Wagner, que foi testemunha ocular de boa parte delas.
Ele conhece Chico Buarque desde 1989, quando iniciaram uma amizade fraterna. "Mas o contato com sua obra é mais antigo, desde 1965, quando fiquei maravilhado com Pedro Pedreiro", conta. Essa letra mereceu um dos comentários de maior destaque do livro.
Comparando-se o site oficial de Chico, no qual essas notas fazem o maior sucesso, com o livro, percebe-se que Wagner Homem caprichou na edição. Há muita pesquisa nova, material inédito, enfim, informações que empolgam os fãs proporcionando aquela sensação de passear pelos bastidores do processo criativo do ídolo.
São 26 capítulos divididos em períodos históricos. No início de cada, Wagner Homem apresenta o quadro sociopolítico da época. São reproduzidos bilhetes, entrevistas, bate-bolas de Chico sobre as composições com personalidades como Tom Jobim e Vinicius de Moraes.
Tem até história envolvendo o Grande ABC. Chico compôs Linha de Montagem, em 1980, auge do sindicalismo. Ia apresentar a música em um show na região (Wagner fala em 100 mil ingressos vendidos). Mesmo assim, a censura - que tanto perseguiu Chico - proibiu. (com AE)
FONTE: Diário do Grande ABC

A língua do probido


LITERATURA
A língua do probido
DA TERRA DO CROISSANT JÁ SAÍRAM CLÁSSICOS DO EROTISMO RELEMBRADOS NO ANO DA FRANÇA NO BRASIL
Além de Saint-Exupéry e de Sartre, o Ano da França no Brasil também oferece ao leitor brasileiro as travessuras de um outro S, o Marquês de Sade. Mestre do erotismo, Donatien Alphonse François de Sade (1740-1814) fundou uma tradição literária que atravessou os séculos.

Um exemplo dessa herança foi o testamento impresso deixado pelo grande nome do nouveau roman, Alain Robbe-Grillet, que em 2007, um ano antes de morrer, chocou público e crítica ao lançar “Um Romance Sentimental”, história de uma menina de 14 anos, Gigi, que recebeu uma “educação especial” do pai, que a obrigava a ler em voz alta, nua, textos dos escritores libertinos do século 18.

A edição francesa chegou às livrarias lacrada e com páginas parcialmente coladas. Robbe-Grillet, que descreveu a obra como um conto de fadas para adultos, apimenta a história ao acrescentar outra menina ao enredo, Odile, de 13 anos, um presente do pai a Gigi, que a transforma em escrava das obsessões e desejos mais sádicos dela.

O erotismo na literatura, é claro, não é uma invenção dos franceses. Na Bíblia, no Antigo Testamento, o “Cântico dos Cânticos” revela um Salomão sensual e afetuoso, diferente da tradição do rei justo e sábio. A poetisa grega Safo de Lesbos escreveu sobre o amor entre as mulheres, e deu origem às expressões “safada” e “lesbianismo”. E, na Roma antiga, o “Satiricon” de Petrônio descrevia, numa crítica à sociedade da época, as aventuras gays de quatro mancebos que aprontam e acabam no caldeirão da bruxa Circe.

Mas foi na França que a literatura obscena, libertina e transgressora ganhou força no final do século 18, quando as ideias revolucionárias, que culminariam com a queda da monarquia em 1789, questionavam não só a estrutura social, mas, também, a moral católica vigente.

Em 1782, Choderlos de Laclos (1741-1803) escreveu “As Ligações Perigosas”, romance em forma de cartas que fustigava a nobreza francesa ao expor a malícia e a vileza de uma elite fútil e manipuladora. O romance foi adaptado ao cinema por 11 diretores, entre os quais Roger Vadim (em 1959), Stephen Frears (1988) e Milos Forman (1989).

Maior escritor libertino, o Marquês de Sade escreveu “Justine” ou “Os Infortúnios da Virtude”, sobre as desventuras sexuais de uma garota pobre, em 1787, às vésperas da Revolução Francesa. Foi a primeira obra de uma série de escritos repletos de perversões, crimes e violências, como na reflexão sobre a tirania e o poder de “Os 120 dias de Sodoma” e o boudoir como espaço para a iluminação da razão de “A Filosofia na Alcova”, textos que o levaram ao hospício, tanto pela monarquia, quanto pelos revolucionários e Napoleão.

Seus últimos dias no hospício de Charenton foram tema do filme de Philip Kaufman, “Os Contos Proibidos do Marquês de Sade” (2000). Completando o triunvirato libertino, Restif de la Bretonne (1734-1806) escreveu em 1798 uma resposta ao sexo como elemento destrutivo de Sade. Em “Anti-Justine”, os personagens estão livres de regras morais. Não são amorais porque seus atos procuram o prazer, sobretudo o feminino. Tudo é permitido, exceto o sofrimento.

DORVA REZENDE
FONTE: A Notícia - Jornal de Joinville - Joinville,Brazil