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quinta-feira, dezembro 02, 2010

O. Henry: Um presente de Natal!



Escrito por Joana Cabral   

Ontem estava esperando o inicio de uma palestra na companhia de amigas escritoras, quando, ao falarmos sobre os livros que mais gostávamos de ler, recebi uma pergunta à queima-roupa: “Qual o escritor que você mais gosta?” e para surpresa total a resposta saiu automática: “O. Henry”! Fiquei absolutamente admirada, não que eu o subestime, mas exatamente pelo contrário, o inconsciente me revelou, inesperadamente, essa escolha tão difícil de fazer.

Descobri a literatura de O. Henry em uma oficina que fiz com o escritor e ensaísta, Bráulio Tavares, na Estação das Letras nos idos de 2005, época em que comecei a investir mais pesado na carreira de escritora.

Estudamos vários contistas como Edgar Allan Poe, Machado de Assis, Cortázar... a lista é grande, embora, O. Henry, talvez por ser inédito, para mim, foi o que mais marcou.

Suas histórias de narrativa curta, trazem enredos aparentemente simples, com personagens do “povo”, por meio de tramas que, geralmente, culminam em finais surpreendentes, recheados da mais fina ironia e coincidências (sua marca registrada), que levam o leitor, mesmo sem querer, a emitir aquele: “Ai, que pena!”. São histórias possíveis, e provavelmente é isso que nos seduz, porque habitam a rotina de todos nós, leitores.

O. Henry foi um pseudônimo criado por William Sydney Porter que, preso quatro anos por fraude em um banco, começou a escrever histórias curtas para, da prisão, poder sustentar sua irmã, Margaret.

A vida desse escritor cheia de desacertos e perseverança, não foi em vão, suas histórias estão ecoando até hoje, por meio de pessoas que lêem e divulgam sua boa literatura.

Como estamos entrando em clima pré-natalino, presenteio o leitor com o conto:

“O Presente dos Magos”

Um dólar e oitenta e sete centavos. Era tudo. E sessenta centavos eram em moedas. Moedas economizadas uma a uma, pechinchando com o dono do armazém, o dono da quitanda, o açougueiro, até o rosto arder à muda acusação de parcimônia que tais pechinchas implicavam. Três vezes Della contou o dinheiro. Um dólar e oitenta e sete centavos. E no dia seguinte seria Natal.

Não havia evidentemente mais nada a fazer senão atirar-se ao pequeno sofá puído e chorar. Foi o que Della fez. O que leva à reflexão moral de que a vida é feita de soluços, fungadelas e sorrisos, com predomínio das fungadelas.

Della terminou de chorar e cuidou do rosto com a esponja de pó. Postou-se junto à janela e ficou a contemplar melancolicamente um gato cinzento caminhando sobre uma cerca cinzenta num quintal cinzento. Amanhã seria Dia de Natal e ela tinha apenas um dólar e oitenta e sete centavos para comprar o presente de Jim. Estivera a economizar tostão por tostão havia meses, e esse era o resultado. As despesas tinham sido maiores do que calculara. Sempre são. Apenas um dólar e oitenta e sete centavos para comprar o presente de Jim. O seu Jim. Muitas horas felizes passara ela planejando comprar-lhe alguma coisa bonita. Alguma coisa fina, rara, legítima – algo que estivesse bem perto de merecer a honra de ser possuída por Jim.

Subitamente, afastou-se da janela e postou-se diante de um espelho. Seus olhos estavam brilhantes mas sua face perdeu a cor ao cabo de vinte segundos. Num gesto rápido, soltou o cabelo e deixou desdobrar-se em toda a sua extensão.

Ora, os James Dillingham Youngs tinham dois haveres de que muito se orgulhavam. Um era o relógio de ouro de Jim, que pertencera a seu pai e a seu avô. O outro era o cabelo de Della.

O cabelo de Della, pois, caiu-lhe pelas costas, ondulando e brilhando como uma cascata de águas castanhas. Chegava-lhe abaixo do joelho e quase lhe servia de manto. Ela então o prendeu de novo, célere e nervosamente. A certo momento, deteve-se e permaneceu imóvel, enquanto uma ou duas lágrimas caíam sobre o puído tapete vermelho.

Vestiu o velho casaco marron; pôs o velho chapéu marron. Desceu rapidamente a escada que levava à rua. Parou onde havia um letreiro anunciando: “Mme Sofronie, Artigos de Toda Espécie para Cabelos”. Della subiu a correr um lance de escada e se deteve no alto, arquejante para recompor-se. Madame, corpulenta, alva demais, fria.

- Quer comprar meu cabelo? – perguntou Della.

- Eu compro cabelo – disse Madame. – Tire o chapéu e vamos dar uma olhada no seu.

Despenhou-se, ondulante, a cascata de águas castanhas.

- Vinte dólares – ofereceu Madame, erguendo a massa com mão prática.

- Dê-me o dinheiro depressa – pediu Della.

Oh, as duas horas seguintes voaram com asas róseas. Della se pôs a vasculhar as lojas à procura de um presente para Jim.

Encontrou-o por fim. Fora feito para ele e para ninguém mais. Nada havia que se lhe parecesse nas outras lojas, e ela as revirara de alto a baixo. Era uma corrente de platina, curta, simples e de modelo discreto, proclamando adequadamente seu valor por sua mesma substância e não por qualquer ornamentação espúria. Era digna até do relógio. Tão logo a viu, soube que tinha de ser de Jim. Era como ele. Serenidade e valor – a descrição se aplicava a ambos. Vinte e um dólares cobraram-lhe por ela, e Della correu para casa com os oitenta e sete centavos. Com aquela corrente no relógio, Jim poderia preocupar-se decentemente com o tempo na frente de qualquer pessoa. Grande como era o relógio, ele às vezes o consultava meio envergonhado devido à velha tira de couro que usava em lugar de corrente.

Quando Della chegou em casa, seu embevecimento cedeu lugar a um pouco de prudência e razão. Pegou os ferros de frisar, acendeu o gás e pôs-se a reparar os estragos causados pela generosidade acrescida ao amor. O que sempre é uma tarefa muito árdua, queridos amigos – uma tarefa gigantesca.

Ao cabo de quarenta minutos, sua cabeça estava coberta de pequenos caracóis cerrados, que a faziam parecer, admiravelmente, um menino vadio.

Às sete horas, o café estava preparado e uma frigideira quente no fogão esperava o momento de fritar as costeletas. Jim nunca se atrasava. Della dobrou a corrente no côncavo da mão e sentou-se a um canto da mesa, perto da porta pela qual ele sempre entrava. Ouviu então seus passos no primeiro lance da escada e empalideceu por um instante.

- Oh, Deus, fazei-o por favor achar-me ainda bonita!

A porta se abriu, Jim entrou e a fechou. Parecia magro e muito sério. Pobre sujeito, apenas vinte e dois anos e já responsável por uma família! Precisava de um sobretudo novo e não tinha luvas.

Jim Avançou alguns passos. Seus olhos estavam fitos em Della e havia neles uma expressão que ela não conseguia ler e que a aterrorizava. Não era raiva, nem surpresa, nem desaprovação, nem horror; não era nenhum dos sentimentos para os quais ela estava preparada.

Della esgueirou-se para fora da mesa e se encaminhou para ele.

- Jim, querido – gritou – não me olhe desse jeito! Mandei cortar o cabelo e o vendi porque não poderia passar o natal sem dar um presente a você. Ele crescerá de novo… não se aborreça, por favor. Meu cabelo cresce terrivelmente depressa. Diga “Feliz Natal!”, Jim, e fiquemos felizes. Você não sabe que coisa bonita, que belo presente tenho para você.

- Mandou cortar o cabelo? – perguntou Jim a custo, como se não tivesse ainda compenetrado desse fato patente após o mais árduo esforço mental.

- Cortei-o e vendi-o – disse Della. – Você não continua a gostar de mim do mesmo jeito, então? Não precisa procurar por meu cabelo, foi vendido, como lhe disse… vendido, não está mais aqui. É véspera de Natal, querido. Seja bonzinho comigo, fiz isso por sua causa. Ninguém poderá jamais avaliar o meu amor por você. Posso fritar as costeletas, Jim?

Emergindo do seu transe, Jim pareceu despertar rapidamente. Abraçou a sua Della. Os magos trouxeram presentes valiosos, mas isso não estava entre eles. Esta asserção obscura será esclarecida mais tarde.

Jim tirou um pacote do bolso e atirou-o sobre a mesa.

- Não me interprete mal, Della – disse. – Não acho que haja alguma coisa, corte de cabelo, raspagem ou xampu, capaz de fazer-me gostar menos da minha mulherzinha. Mas se você abrir este pacote, poderá ver por que fiquei abalado no princípio.

Alvos dedos ligeiros desfizeram o atilho e o embrulho. Ouviu-se então um grito extático de alegria, e depois, ai!, uma súbita mudança feminina para as lágrimas e os gemidos, que exigiram o imediato emprego de todos os poderes de consolação do senhor do apartamento.

Pois sobre a mesa jaziam Os Pentes – o jogo de pentes para cabelos que Della adorara havia muito numa vitrine. Belos pentes, de tartaruga legítima, orlados de pedraria – da cor exata para combinar com seu lindo cabelo. Eram pentes caros, ela o sabia, e seu coração se limitara a desejá-los e a suspirar por eles sem a menor esperança de vir um dia a possuí-los. E agora pertenciam-lhe, mas as tranças que os anelados enfeites deveriam adornar não mais existiam.

Ela, porém, os apertou contra o peito e, por fim, pode erguer os olhos nublados, sorrir e dizer:

- Meu cabelo cresce tão depressa, Jim!

Jim ainda não vira o seu belo presente. Ela lho estendeu ansiosamente na palma da mão aberta. O fosco metal precioso parecia brilhar com o reflexo do seu jubilante e ardente espírito.

– Não é uma beleza, Jim? Vasculhei a cidade toda para achá-lo. Doravante, você terá de ver as horas uma centena de vezes por dia. Dê-me o seu relógio. Quero ver como fica nele.

Em lugar de obedecer, Jim deixou-se cair no sofá, pôs as mãos atrás da cabeça e sorriu:

– Della – disse -, vamos por os nossos presentes de Natal de lado e deixá-los por algum tempo. São lindos demais para poderem ser usados agora. Vendi o relógio para comprar os seus pentes. Que tal se você fritasse as costeletas agora?

FONTE: MULHERES DE OPINIÃO
http://www.mulheresdeopiniao.com.br/
http://www.mulheresdeopiniao.com.br/site/na-estante/literatura/537-o-henry-um-presente-de-natal

terça-feira, outubro 19, 2010

The Raven: Filme sobre dias finais de Edgar Allan Poe ganha mais atores

Alice Eve

Luke Evans e Alice Eve se juntam a John Cusack no novo filme de James McTeigue

Carina Toledo
14 de Outubro de 2010

Luke Evans (Fúria de Titãs) e Alice Eve (Território Restrito) estão fechando negociações para se juntar a John Cusack em The Raven, novo filme do diretor James McTeigue (V de Vingança, Ninja Assassino).

Cusack viverá Edgar Allan Poe. The Raven será uma versão ficcionalizada dos últimos cinco dias da vida do poeta, cuja morte é até hoje um mistério. Sabe-se que ele foi descoberto nas ruas de Baltimore em estado de delírio e grande estresse. Poe estava vestido com as roupas de outra pessoa, repetindo o nome "Reynolds", e morreu pouco tempo depois em um hospital, sem nunca ter explicado o que aconteceu.

O filme, que leva o nome de seu mais famoso poema, mostrará o autor encabeçando uma investigação atrás de um serial killer que raptou sua esposa (Eve) e cujos assassinatos são inspirados em seus livros. Evans entra para viver o detetive que acompanha Poe na investigação.

O roteiro foi escrito por Hannah Shakespeare (Obsessão, Ghost Whisperer) e Ben Livingston. As filmagens começam em 25 de outubro, na Sérvia e em Budapeste.

FONTE: http://omelete.com.br/

terça-feira, julho 21, 2009

Pensamentos negativos persistentes refletem mente socialmente sensível


21/07/09 - 06h00 - Atualizado em 21/07/09 - 06h00
Pensamentos negativos persistentes refletem mente socialmente sensível
Estudo na ‘Science’ discute tentativa de controle de compulsões.

Cérebro gasta, na inibição, ao menos a mesma energia que gasta na ação
Benedict Carey Do ‘New York Times’

As visões parecem subir do “sistema de esgoto cerebral” nas piores horas possíveis – durante uma entrevista de emprego, uma reunião com o chefe, um apreensivo primeiro encontro, um importante jantar. E se eu começasse uma guerra de comida com esses canapés? Zombasse da gagueira do anfitrião?

“Esse único pensamento é suficiente”, escreveu Edgar Allan Poe em “O Demônio do Perverso”, um ensaio sobre impulsos indesejados. “O impulso se desenvolve numa vontade, a vontade num desejo, o desejo numa compulsão incontrolável.” Ele conclui: “Não existe na natureza um desejo tão demoniacamente impaciente, como o daquele que, estremecendo frente à borda de um precipício, medita a respeito de mergulho.”

Ou medita sobre a possibilidade de estar doente?
Em alguns casos, a resposta pode ser sim. Porém, uma grande maioria das pessoas não age, ou raramente o faz, em tais compulsões – e sua suscetibilidade a fantasias rudes reflete, na verdade, o funcionamento normal de um cérebro socialmente sensível, segundo artigo publicado recentemente na “Science”.

“Há todo tipo de ciladas na vida social, em todo lugar que olhamos; não apenas erros, mas os piores erros possíveis chegam a nossas mentes, e chegam com muita facilidade”, diz o autor do artigo, Daniel Wegner, um psicólogo de Harvard. “Ter a pior coisa entrando em nossa mente, em algumas circunstâncias, pode aumentar a probabilidade de que uma crise aconteça.”

A investigação das compulsões perversas tem um rico histórico (como poderia não ter?), passando pelas histórias de Poe e do Marquês de Sade até os desejos reprimidos de Freud e a observação de Darwin de que muitas ações são realizadas “em oposição direta à nossa vontade consciente”. Na última década, psicólogos sociais documentaram o quão comuns são essas vontades contrárias – e quando apresentam as maiores chances de alterar o comportamento de uma pessoa.

Cérebro adulto gasta, na inibição, pelo menos a mesma energia que gasta na ação

Num nível fundamental, funcionar socialmente significa controlar os próprios impulsos. O cérebro adulto gasta, na inibição, pelo menos a mesma energia que gasta na ação, sugerem alguns estudos, e a saúde mental depende da manutenção de estratégias para ignorar ou reprimir pensamentos profundamente perturbadores – da própria morte inevitável, por exemplo.

Essas estratégias são programas gerais, subconscientes ou semi-conscientes, que habitualmente funcionam em piloto-automático.

Impulsos perversos parecem surgir quando as pessoas focam intensamente em evitar erros ou tabus específicos. A teoria é bastante direta: para não revelar que um colega é um grande hipócrita, o cérebro precisa inicialmente imaginar exatamente isso; a simples presença daquele catastrófico insulto, por sua vez, aumenta as chances de que o cérebro cuspa tudo para fora.

“Sabemos que o que é acessível em nossas mentes pode exercer uma influência no julgamento e comportamento simplesmente por estar ali, flutuando na superfície da consciência”, diz Jamie Arndt, psicólogo da Universidade do Missouri.

As evidências empíricas dessa influência têm se amontoado nos últimos anos, como Wegner explica no artigo. No laboratório, psicólogos fizeram pessoas expulsarem um pensamento de suas mentes – o de um urso branco, por exemplo – e descobriram que os pensamentos ficam voltando, aproximadamente uma vez por minuto. Da mesma forma, pessoas tentando não pensar numa palavra específica citam-na continuamente durante testes rápidos de associação de palavras.

Jogadores de futebol instruídos a chutar um pênalti em qualquer lugar do gol menos um local específico, como o canto inferior direito, olham para esse ponto com maior frequência que qualquer outro

Os mesmos “erros irônicos”, como Wegner os chama, são fáceis de evocar no mundo real. Jogadores de golfe instruídos para evitar um erro específico, como lançar longe demais, o fazem com mais frequência quando estão sob pressão, segundo estudos. Jogadores de futebol instruídos a chutar um pênalti em qualquer lugar do gol menos um local específico, como o canto inferior direito, olham para esse ponto com maior frequência que qualquer outro.

Politicamente correto

Esforços para ser politicamente correto podem ser particularmente traiçoeiros. Em um estudo, pesquisadores das universidades Northwestern e Lehigh fizeram 73 estudantes lerem uma vinheta sobre um colega ficcional, Donald, um homem negro. Os estudantes viram uma foto dele e leram uma narrativa sobre sua visita a um shopping com um amigo.

No estacionamento lotado, Donald não estacionou na vaga para deficientes, embora estivesse com o carro de sua avó, que tinha um passe, mas esbarrou em outro carro para se enfiar numa vaga comum. Ele insultou uma pessoa coletando dinheiro para um fundo do coração, enquanto seu amigo contribuía com alguns trocados. E assim continuou. A história propositalmente retratava o protagonista de maneira ambígua.

Os pesquisadores pediram que aproximadamente metade dos alunos tentasse reprimir estereótipos ruins de homens negros enquanto liam e, em seguida, julgasse o personagem Donald em critérios como honestidade, hostilidade e preguiça. Esses alunos avaliaram Donald como significativamente mais hostil – mas também mais honesto – do que os alunos que não tentaram reprimir os estereótipos.

Para resumir, a tentativa de banir preconceitos funcionou, até certo ponto. Porém, o estudo também trouxe “uma forte demonstração de que a supressão de estereótipos faz com que os mesmos se tornem hiper-acessíveis”, concluíram os autores.

Fumantes, pessoas que bebem com frequência e usuários habituais de outras substâncias conhecem bem demais essa confusão: o esforço para reprimir o desejo por um cigarro ou uma bebida pode trazer à mente todas as razões para quebrar o hábito; ao mesmo tempo, o desejo aparentemente fica mais forte.

O risco de que as pessoas vão escorregar ou “perder” depende, em parte, do nível de stress ao qual estão submetidas, diz Wegner. Concentrar-se para não olhar fixamente uma enorme verruga no rosto de um novo conhecido, enquanto troca mensagens de texto e tenta acompanhar uma conversa, aumenta o risco de que você diga: “Nós fomos comprar verruga – quero dizer, verdura!”

“Pode haver certo alívio em simplesmente acabar com tudo, fazer o pior acontecer, para que você não precise mais se preocupar com o monitoramento”, diz Wegner. O que pode ser difícil de explicar, é claro, caso você abaixe as calças durante um jantar com os amigos.


FONTE: G1.com.br

sexta-feira, julho 17, 2009

Congresso internacional sobre Allan Poe recebe inscrições de trabalhos até 15 de agosto


Congresso internacional sobre Allan Poe recebe inscrições de trabalhos até 15 de agostoterça-feira, 14 de julho de 2009, às 12h44

O congresso internacional Para Sempre Poe, que vai comemorar na UFMG 200 anos de nascimento do escritor Edgar Allan Poe, teve o período de inscrições de trabalhos prorrogado até 15 de agosto. O evento vai acontecer entre 20 e 23 de setembro, na Faculdade de Letras (Fale). A promoção é do programa de pós-graduação em Estudos Literários.
O congresso terá a presença de especialistas da América Latina e Estados Unidos. No programa, palestras, apresentações de trabalhos, mesas-redondas, exibição de filmes e debates. Além de homenagear Allan Poe, o congresso pretende refletir sobre sua importância na literatura e nas artes, avaliando a relação entre o medo e a literatura, os delitos e as estratégias de enunciação, o lirismo e todas as formas de poder, a falta, a culpa e a condição humana.
Informações e a ficha de inscrição estão na página do congresso. Outros esclarecimentos podem ser obtidos pelo telefone (31) 3409-6094.
Novo estiloEdgar Allan Poe (1809-1849) revolucionou a arte de escrever contos, histórias de detetive, ficção científica e fantástica, poesia lírica e histórias de terror. Suas histórias extraordinárias povoam o imaginário de leitores e escritores. O cinema também produziu inúmeros filmes baseados na obra de Poe, que redimensionam o estatuto da verdade e da ficção.

FONTE: de lcarlos@ufmg.br

sábado, maio 02, 2009

O retorno inesperado do mestre Julio Cortázar


O retorno inesperado do mestre Julio Cortázar
Após 25 anos de sua morte, o escritor argentino ressurge numa obra que reúne textos inéditos: Papeles Inesperados (Papéis Inesperados), uma boa razão para relembrar sua literatura.

PSTU- cultura Opinião Socialista 2-5-2009


No dia 12 de abril de 1984, a leucemia interrompeu a vida de um dos maiores escritores modernos da América Latina e do mundo. O argentino Julio Cortázar cravou seu nome na literatura pela originalidade dos textos e por uma impressionante habilidade na arte de narrar.

Hoje, 25 anos depois de sua morte, Cortázar continua surpreendente. A editora espanhola Alfaguara prevê para maio o lançamento de uma obra que reúne escritos inéditos do autor. Com o título de Papeles Inesperados (Papéis Inesperados), o livro marca o retorno de um verdadeiro imortal.

Direto do baú
Foi na semana do Natal de 2006 que a primeira mulher de Julio Cortázar, Aurora Bernárdez, encontrou um conjunto de papéis antigos, guardados dentro de um baú com documentos do escritor. A partir daí, ela entrou em contato com Carlos Álvarez, um grande conhecedor da literatura do argentino. Durante um ano, Aurora Bernárdez e o especialista trabalharam para organizar e editar todo o material encontrado.

O resultado desse difícil trabalho recebeu o nome de Papeles Inesperados. O título é bem apropriado, já que ninguém esperava uma obra inédita de Cortázar. Com quase 400 páginas, o livro está previsto para ser lançado em maio em todos os países de língua espanhola, mas ainda não tem data de publicação em português.

Os textos inéditos de Julio Cortázar foram escritos entre os anos de 1930 e 1980 e revelam uma diversidade na produção do escritor. São 11 narrativas, quatro autoentrevistas, 13 poemas, um capítulo da obra O Livro de Manuel, além de reflexões sobre pintura, música, fotografia e escultura.

Há também no volume o Discurso Del Dia de la Independencia, que Cortázar recitou para amigos em 1938, e a narrativa Manuscrito Hallado Junto a una Mano (Manuscrito achado junto a uma mão). Papeles Inesperados parece reunir toda a genialidade do autor argentino.

Um passeio pelo labirinto de Cortazar
A obra inédita reacende a curiosidade sobre a vida e a literatura de Julio Cortázar. Filho de argentinos, o escritor nasceu na Bélgica em 26 de agosto de 1914. Chegou à terra natal dos pais aos quatro anos de idade, depois da Primeira Guerra Mundial. Criado pela mãe, por uma tia e uma avó, viveu quase toda a infância em Banfield, na Argentina.

Era uma criança triste e ficava doente com frequência, o que o fez passar muito tempo na cama na companhia de vários livros. Em 1935, formou-se em Letras e se tornou professor. No ano de 1951, aos 37 anos, foi para Paris por discordar dos mandos e desmandos do general Perón. Ao visitar Cuba, em 1963, aumentou seu envolvimento com a política. Sete anos depois, foi ao Chile prestar solidariedade ao governo de Salvador Allende.

No ano seguinte, Julio Cortázar e outros escritores se desiludiram com Fidel Castro após questionarem o misterioso sumiço do poeta Heberto Padilla. A morte de sua segunda esposa, Carol Dunlop, em 1982, deixou o escritor em depressão. Sem condições de lutar contra a leucemia, Cortázar morreu em 1984 e foi enterrado no cemitério de Montparnasse, na França, ao lado da esposa.

Julio Cortázar foi um mestre da narrativa curta e da prosa poética. Comparado a Jorge Luis Borges, Edgar Allan Poe e Tchekhov, o escritor se dedicou a uma forma singular de fazer literatura na América Latina. Rompendo com modelos clássicos, construiu narrações que fugiam da linearidade temporal e deu a seus personagens autonomia e uma profundidade psicológica nunca vista antes.
O vasto trabalho de Cortázar reúne romances, contos e poesias. Destaque para as obras Bestiário (1951), As Armas Secretas (1959), Os Prêmios (1960), Histórias de Cronópios e de Famas (1962), Modelo Para Armar (1968), Octaedro (1974) e O Livro de Manuel (1973).

Entretanto, O Jogo da Amarelinha (1963) é considerado sua obra-prima, na qual é possível realizar inúmeras leituras. O livro questiona profundamente a humanidade, seus ódios e suas paixões. A originalidade e a habilidade narrativa de Cortázar se encontram nesta obra para formar um verdadeiro labirinto literário.

Quando o livro inédito Papeles Inesperados chegar às livrarias, os leitores deste autor argentino terão outra oportunidade de adentrar mais profundamente em seu mundo fantástico. Isso porque a arte de Julio Cortázar é daquelas que não reconhecem as fronteiras entre o real e a fantasia. Além, é claro, de também não conhecerem as fronteiras do tempo. Mais uma surpresa do gênio que escrevia como quem toca jazz: jogando com o improviso.

FONTE (foto incluída): kaosenlared.net - Barcelona,Cataluña,Spain
http://www.kaosenlared.net/
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domingo, abril 05, 2009

Edgar Allan Poe: O escritor que Lou Reed e os Beatles cantaram


Edgar Allan Poe: O escritor que Lou Reed e os Beatles cantaram
Por Renata Silva e Sara Santos Silva - jpn@icicom.up.pt

Publicado: 05.04.2009 09:55 (GMT)
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Mais de 200 anos após a sua morte, o "poeta do mistério" continua bem presente na cultura contemporânea. Na música, influenciou compositores como Debussy ou os icónicos The Beatles.
"The Raven" é apenas um dos álbuns mais paradigmáticos da influência de Edgar Allan Poe na criação musical contemporânea. Lou Reed recriou, em 2003, o ambiente da escrita do autor num disco conceptual.
Anabela Duarte, antropóloga, apresentou no Colóquio Internacional "Poe and Gothic Creativity" uma tese sobre a influência de Poe na estética e na criação musical contemporânea. Em declarações ao JPN, destaca a "filosofia de transgressão e de negrume" presentes no álbum "The Raven", marcadamente "poesca".
Mas o legado de Poe [Infografia] não se esgota na obra do ex-Velvet Underground. Na verdade, pouco tempo depois da morte do escritor, Claude Debussy compôs uma ópera baseada no conto
"The Fall of the House of Usher", que, no entanto, não chegou a concluir. Já nos anos 80, do século XX, o minimalista Philip Glass produziu uma ópera baseada nessa mesma obra.
"Man, you should have seen them kicking Edgar Allan Poe", cantavam os Beatles, numa canção intitulada "I'm the Walrus", que, como explica ao JPN Anabela Duarte, "é uma sátira à sociedade inglesa do seu tempo e, simultaneamente, um protesto de revolta em relação ao modo como Poe havia sido tratado pelos seus conterrâneos". Na década de 60, Poe aparece mesmo na capa de "Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band".
Uma espécie de niilismo punk

Segundo Anabela Duarte, "a apetência das gerações mais novas por Poe" deve-se ao facto de ser um autor "não conformista e anti-convencional". Em 1844, Edgar Allan Poe publicou um artigo intitulado "The Ballon-Hoax", no jornal "The Sun". "Embriagado, colocava-se à porta do jornal e dizia às pessoas: "Não comprem, não comprem, fui eu que escrevi!", relata a antropóloga.
"O espírito atormentado, a paranóia, a rebeldia, o desejo de auto-destruição são algumas das linhas pelas quais se regem muitas das tendências e sensibilidades artísticas contemporâneas", explica Anabela Duarte.
Diamanda Galás como "espelho distorcido" de Poe
Os temas de Diamanda Galás são embebidos em mistério, revolta e inconformismo. Não é, deste modo, surpreendente que seja um dos melhores exemplos da influência de Poe na música actual. Anabela Duarte considera que Galás "reflecte, como um espelho distorcido, a atmosfera de negrume e diabolismo presentes em muitos dos escritos" do autor.
"Masque of the Red Death" é um triplo CD da compositora(compositora) que subverte o conto homónimo de Poe. Cada disco "aposta para uma tipologia da morte vermelha, sendo a peste equiparada à praga por excelência do séc. XX e séc. XXI, ou seja, a SIDA", explica a antropóloga Anabela Duarte.
Ao longo de 200 anos, Edgar Allan Poe foi uma fonte de inspiração na estética musical e artística contemporânea. Contos como "The Raven", "The Fall of the House of Usher" e "The Mask of the Red Death" foram alguns dos escritos mais influentes no universo artístico, nomeadamente na música.

FONTE (imagem incluída): Jornalismo PortoNet - Porto,Portugal

IMAGEM: Poe é retratado na capa de "Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band", dos Beatles (sétima da fila de cima) - Foto: DR

O sol da melancolia


05/04/2009 às 00:00:00 - Atualizado em 03/04/2009 às 20:58:13
O sol da melancolia
Leio na internet que cresce, notadamente na Europa, o interesse por um dos mais intrigantes escritores que já produziu a literatura, o francês Gérard de Nerval (1808-1855). Nem tanto propriamente por seu vigor literário, digamos, que, aliás, não é pequeno, mas pelo que sua biografia - mirabolante, trágica e melancólica - desperta sobretudo entre os jovens.
Um sintoma a mais a denunciar a cética aposta no futuro que é uma das marcas da juventude que emerge para a vida adulta neste tumultuário, senão infernal, início de novo milênio. Nerval é um legítimo cantor da desesperança, do desterro em vida, mais "noir" que Edgar Allan Poe. Todas as gerações se parecem, quando jovens.

A minha não idolatrava Nerval mas era, o que dá no mesmo, absolutamente adicta dos adictos-suicidas Janis Joplin e Jimi Hendrix.

Inexplicável: sessentão, tenho dedicado, ao menos na área pop, desabrido amor por Amy Winehouse por tudo o que nela é rebelião e o distúrbio explícito das convenções moralistas ou moralizantes de nossos "bentos" dias. Viva Amy e a sua vida de chutes, cusparadas e pontapés!

Gérard de Nerval é autor de um romance sinistro, um clássico da "deprê" - Aurélia, inspirado na buliçosa Jenny Colon, pela qual se apaixonou perdidamente em 1836. Como não poderia ser diferente para quem "criou" o sol da melancolia, sofreu até o derradeiro dia o impossível amor pela frívola cocote parisiense.

Espantoso é um poema de Nerval pouco conhecido e que li, há muitos anos, numa mambembe tradução castelhana, A Mariposa. Lembro que em tudo se parecia com o célebre O Corvo, de Poe. O inseto noturno entra pela janela e com suas enormes asas negras assombra o poeta até o último grito, a insistir que a vida é um colapso a cada minuto. Ela própria, a mariposa, é a morte com asas... Antes de o pensarmos morto, acorda! O revôo da mariposa era só um pesadelo.

Depois de longo internamento, com diagnóstico de esquizofrenia, saiu a viajar pelo Oriente. Dizem que nunca mais "voltou" dessa viagem interior, uma vez mergulhado nas doutrinas ocultistas do iluminismo. Mesmo assim, em "regresso" ou não do surto esotérico, escreveu Aurélia, seu livro mais famoso.

Bruxo e obsessivo, alucinado e genial, talvez por isso mesmo a juventude sem rumo desses nossos inquietos dias o tenha eleito o guru da hora. Menos mal para quem, a maioria, se afunda em cachorrinhos ou cachorrões da última safra dos best-péssimos.

Como a cravar uma flecha certeira bem no centro do "soleil de la mélancolie", Nerval suicida-se, em 1855, enforcando-se, em escura madrugada, num beco fétido de Paris. Nascia a lenda e agora, entre a juventude européia, o novo mito.


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FONTE: Paraná-Online (Assinatura) - Curitiba,PR,Brazil

quarta-feira, março 18, 2009

Colóquio que homenageia bicentenário de Edgar Allan Poe começa hoje


"Poe e a Criatividade Gótica"
Colóquio que homenageia bicentenário de Edgar Allan Poe começa hoje
18.03.2009 - 13h18 PÚBLICO
Por ocasião do bicentenário do nascimento de Edgar Allan Poe tem início hoje, pelas 15h00, o colóquio “Poe e a Criatividade Gótica”, organizado pelo Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa (CEAUL).

Até sexta-feira, vários oradores portugueses e estrangeiros, especializados em áreas como a literatura, o cinema e a ilustração, debatem temáticas associadas ao género gótico com base na obra do escritor norte-americano.

Vários serão os palcos deste colóquio, que se divide entre palestras na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, visualização de filmes na Cinemateca Portuguesa, e outras actividades paralelas na Casa Fernando Pessoa, na Biblioteca Nacional e no bar Incógnito, que acolhe a festa de encerramento na sexta-feira à noite.

Hoje, na Faculdade de Letras, a professora catedrática Teresa F. A. Alves inaugurará a sessão, a que se seguirá uma sessão plenária com Fred Botting, da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, especialista na questão do gótico na literatura. Depois da exposição de Botting é a vez de alguns investigadores, como Anabela Duarte, Elisabete Lopes, Paula Ribeiro, Fernando Barragão, Cátia Marques e Francisco Luís Parreira, exporem temas que vão desde o “gótico na ópera e nas performances contemporâneas” à “monstruosidade humana” nas obras de Poe.

O dia prosseguirá com debates e leituras das obras do escritor e culminará com o filme “A Máscara da Morte Vermelha” (Roger Corman, 1964), comentado por Mário Jorge Torres, na Cinemateca Portuguesa.

Ilustrações e encenações em volta da obra de Poe

Na quinta-feira, as palestras serão na Casa Fernando Pessoa, com moderação da directora Inês Pedrosa e de Maria Leonor Machado de Sousa, do Centro de Estudos Anglo-Portugueses da Universidade Nova de Lisboa. Antes do debate sobre a “Arte Fantástica em Portugal” e de uma leitura encenada de poemas de Poe por Ângela Pinto e Luís Lucas, há uma visita à exposição “Ilustrações para a obra poética completa de E. A. Poe”, de Filipe Abranches.

O último dia está reservado às últimas comunicações académicas, com um quadro maioritariamente composto por investigadores de universidades internacionais, nomeadamente Bonnie McMullen, da Universidade de Oxford, e Sandra Hughes, da Universidade de Western Kentucky.
A segunda parte realiza-se na Biblioteca Nacional, com um debate moderado por Maria Antónia Lima, da Universidade de Évora, e uma visita à exposição bibliográfica sobre Edgar Allan Poe, patente naquele local.

Este colóquio inaugura o projecto "Criatividade Gótica", desenvolvido pela Linha de Acção de Estudos Americanos da FLUL coordenada por Teresa F. A. Alves. Margarida Vale de Gato, da comissão organizadora do colóquio, apresentará paralelamente a "Obra Poética Completa" de Edgar Allan Poe, livro que sairá sob a chancela da Tinta da China.

FONTE (imagem incluída): Público.pt - Lisboa,Lisboa,Portugal