segunda-feira, janeiro 08, 2007

Inconfessáveis práticas dos psiquiatras e psicanalistas da prisão de Guantânamo.


Ética médica é violada

Washington – Guantánamo desperta, também, mal-estar no corpo médico norte-americano. A principal associação profissional da categoria chegou a pedir a seu comitê de ética examinar se a participação de psiquiatras nas técnicas de interrogatório no centro de detenção viola o juramento de Hipócrates. Paralelamente, o governo do presidente Bush continua a transferir ou a libertar dezenas de detidos a conta-gotas, numa vontade de se desembaraçar de muitos e partilhar o fardo com seus países de origem. Os detidos chamam a atenção do mundo regularmente, organizando greves de fome para denunciar suas condições de detenção sem horizontes ou saídas. Um artigo publicado em junho na revista médica New England Journal of Medecine afirma que médicos e especialistas em ciência do comportamento violaram a ética participando nos interrogatórios de prisioneiros em Guantánamo. Segundo os autores do artigo, Gregg Bloche e Jonathan Marks, "desde o final de 2002, psiquiatras e psicólogos estão envolvidos em estratégias recorrendo a situações de estresse extremo, de modo a extrair deles informações militares úteis". Os pesquisadores afirmam também que os dossiês médicos dos detidos de Guantánamo foram sistematicamente usados pelos interrogadores para explorar sua vulnerabilidade, violando as leis de proteção da ética médica. De acordo com os juristas Bloche e Marks, o governo norte-americano, frustrado em 2002 pela lentidão do fluxo de informações tiradas dos detidos de Guantánamo, fez pressão sobre o comando militar para encontrar "táticas inovadoras”. Durante a semana, o Centro dinamarquês de reabilitação das vítimas de tortura (RCT) pediu a seu governo que exija o fechamento do centro de detenção, somando-se às várias organizações de direitos humanos que condenam a existência e as práticas do centro de detenção.
Fonte: Estado de Minas - Internacional

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