domingo, maio 18, 2008

Teoria da Literatura

Da Grécia aos modernos entendimentos dos processos narratológicos
Teoria da Literatura
Desde os gregos se estudava literatura e os aspectos inerentes a ela. Platão, na República, e especialmente Aristóteles, na Poética, dedicaram-se a tais investigações e são hoje fonte primeira da teoria literária. Essa, entretanto, com o nome e a função da moderna teoria literária, passaria por um longo processo de formação e, para muitos teóricos, só aparece no começo do século XX, com a Neo Crítica de um lado e o Formalismo Russo de outro.
Vale sumariamente comentar as correntes anteriores à teoria literária. No classicismo houve uma veneração aos clássicos gregos e romanos, e as poéticas foram não apenas ressuscitadas como revalidadas e rescritas em diversos países e idiomas. Não se tratava de uma revisão da Poética clássica, e sim de uma adaptação para o mundo renascentista em formação. Pouco adiante, quando o humanismo se torna a ideologia dominante, o indivíduo ganha força. Ou seja, passa a valorizar -se o escritor enquanto artista, suas inovações e invenções são vistas como obras de génio e a análise literária recorre às biografias desses génios como forma de explicar seu texto. Era um ponto de vista humanístico que os oitocentos substituirão gradativamente por uma perspectiva científica. E o resgate histórico que o mundo oitocentista se permite fazer traz à tona a história literária como primeira investigação científica da literatura.
Aliada ao biografismo, a história literária procura no contexto social e político da época as explicações ou relações com a obra literária. Mais tarde este mesmo século XIX consolida o racionalismo Iluminista e a literatura aos poucos é vista como ciência. Já se fala em ciência da literatura. Os modelos metodológicos desta ciência seriam – alternadamente ou em combinação – (1) biográfico-psicológico, (2) sociológico, e (3) filológico.
O movimento que surgiria, com a Neo Crítica estadunidesne e o Formalismo Russo, é de rompimento com esta noção de que a literatura só pode ser analisada sob o prisma de outra ciência. Os novos estudiosos querem uma análise imanentista da literatura, uma análise dos sons e ritmos dos versos, das estruturas narrativas da prosa, enfim, de aspectos estritamente literários.
Géneros literários
Desde a antiguidade, os géneros literários são conhecidos e geralmente são divididos, segundo Aristóteles, em narrativo, lírico e dramático.Todos as modalidades literárias são influenciadas pelas personagens, pelo espaço e pelo tempo. Todos os gêneros podem ser não-ficcionais ou ficcionais. Os não-ficcionais representam fielmente a realidade, e os ficcionais inventam um mundo onde os acontecimentos ocorrem coerentemente com o que se passa no enredo da história.
Género narrativo
O género narrativo (também conhecido como género épico ) nada mais faz, a não ser narrar uma história, e assim o faz de diversas formas. As narrativas utilizam-se de diferentes linguagens: a verbal (oral ou escrita), a visual (por meio da imagem), a gestual (por meio de gestos) etc.
É classificado, assim, todo o texto que traz foco narrativo, enredo, personagens, tempo e espaço, conflito, clímax e desfecho.Romance – é um texto completo, com tempo, espaço e personagens bem definidas de carácter verossímil.
Fábula – é um texto de carácter fantástico que busca ser inverossímil (não tem nenhuma semelhança com a realidade). Os personagens principais são animais, e a finalidade é transmitir alguma lição de moral.
Epopéia ou Épico – é uma narrativa feita em versos, num longo poema que ressalta os feitos de um herói ou as aventuras de um povo. Um bom exemplo é Os Lusíadas, de Luís de Camões, Ilíada e Odisséia, de Homero.
Novela – é um texto caracterizado por ser intermediário entre a longevidade do romance e a brevialidade do conto. O personagem se caracteriza existencialmente em poucas situações. Exemplos de novela são O alienista, de Machado de Assis, e A metamorfose, de Kafka.
Conto – é um texto narrativo breve, e de ficção, geralmente em prosa que conta situações rotineiras, anedotas e até folclores (conto popular).
Caracteriza-se por personagens breviamente retratados. Inicialmente fazia parte da literatura oral, Boccaccio foi o primeiro a transformá-lo em escrita publicando Decamerão.
Crónica – é uma narrativa informal, ligada à vida cotidiana, com linguagem coloquial, breve e com toque de humor e crítica.
Ensaio – é um texto literário breve, situado entre o poético e o didático, expondo idéias, críticas e reflexões morais e filosóficas a respeito de certo tema. É menos formal e mais flexível que o tratado. Consiste também na defesa de um ponto de vista pessoal e subjetivo sobre um tema (humanístico, filosófico, político, social, cultural, moral, comportamental, literário, etc.), sem que se paute em formalidades como documentos ou provas empíricas ou dedutivas de caráter científico. Isso tudo é uma característica dos tipos de géneros narrativos.
Género lírico
É na maioria das vezes expressa pela poesia. Entretanto é de grande importância realçar que nem toda poesia pertence ao género lírico.
Esse género se preocupa-se principalmente com o mundo interior de quem escreve o poema, o eu-lírico. Os acontecimentos exteriores funcionam como estímulo para o poeta escrever. O que é fundamental num poema é o trabalho com as palavras, que dá margem à compreensão da emoção, dos pensamentos, sentimentos do eu-lírico e, muitas vezes, levam à reflexão, portanto, sendo geralmente escrito na primeira pessoa do singular.
Na poesia moderna encontram-se muitas manifestações poéticas que criticam a realidade social em que ela está inserida e onde está circulando. Um dos papéis mais importantes do poema é manter viva a experiência histórica da humanidade e registar os preceitos das épocas que vão se transformando.
No entanto, mesmo quando na poesia o escritor fala da sua experiência e/ou do seu tempo, ele o faz de uma forma diferenciada daquela que geralmente se encontra nos registos dos outros géneros textuais; nesse caso, o poeta faz uso da memória da linguagem de um passado presente, que se alimenta, entre outras coisas, do inconsciente. A importância da palavra no poema é tão relevante que é possível aproveitar toda a riqueza fonética, morfológica e sintática da língua e, através dela, constroem-se várias maneiras de provocar sensações no íntimo do leitor.
Ode – é um texto de cunho entusiástico e melódico, em geral uma música.
Hino – é um texto de cunho glorificador ou até santificador. Os hinos de países e as músicas religiosas são exemplos de hinos.
Soneto – é um texto em poesia com 14 versos, caracterizado em dois quartetos e dois tercetos, com rima geralmente em A-B-A-B A-B-B-A C-D-C D-C-D.
Haicai ou Haiku – é uma forma de poesia japonesa, sem rima, constituidos normalmente por três versos na ordem de 5-7-5 sílabas.
Género dramático
É composto de textos que foram escritos para serem encenados em forma de peça de teatro. Para o texto dramático se tornar uma peça, ele deve primeiro ser transformado em um roteiro, para depois poder ser transformado em um texto do gênero espetacular.É muito difícil ter definição de texto dramático que o diferencie dos demais gêneros textuais, já que existe uma tendência atual muito grande em teatralizar qualquer tipo de texto. No entanto, a principal característica do texto dramático é a presença do chamado texto principal, composto pela parte do texto que deve ser dito pelos autores na peça e que, muitas vezes, é induzido pelas indicações cênicas, texto também chamado de secundário.
Já que não existe narrador nesse tipo de texto, o drama é dividido entre as duas personagens locutoras, que entram em cena pela citação de seus nomes.
Drama_atualmente "classifica-se de drama toda peça teatral caracterizada por seriedade, ou solenidade, em oposição à comédia propriamente dita".
Subclassificações dos géneros
Elegia – é um texto de exaltação à morte de alguém, sendo que a morte é elevada como o ponto máximo do texto.Um bom exemplo é a grande peça Romeu e Julieta, de William Shakespeare.
Epitalâmia – é um texto relativo às noites nupciais líricas, ou seja, noites românticas com poemas e cantigas. Um bom exemplo de epitalâmia é a peça Romeu e Julieta nas noites nupciais.
Sátira – é um texto de caráter ridicularizador, podendo ser também uma crítica indireta a algum fato ou a alguém. Uma piada é um bom exemplo de sátira.
Farsa – é um texto onde os personagens principais podem ser duas ou mais pessoas diferentes e não serem reconhecidos pelos feitos dessa pessoa.
Narratologia
A Narratologia é o estudo das narrativas de ficção e não-ficção (como a História e a reportagem), por meio de suas estruturas e elementos. É um campo de estudos particularmente útil para a dramaturgia e o roteiro de audiovisual (cinema e TV). A narratologia foi consolidada como ciência por pesquisadores franceses (como Roland Barthes) e pela chamada Escola Formalista Russa, de A.J. Greimas, Vladimir Propp e outros. Outro notório estudioso da narratologia é o italiano Umberto Eco.
O termo foi proposto no início do século XX por Tzvetan Todorov, para diferenciá-la como campo de estudo dentro da teoria literária.
A narratologia é extremamente influenciada pelas correntes teóricas estruturalistas, que buscam adaptar a metodologia das ciências exactas às humanidades. Como tal, é característica marcante da narratologia a busca por paradigmas, estruturas e repetições entre as diferentes obras analisadas, apesar de considerar os diferentes contextos históricos e culturais em que foram produzidas. Como tem por objeto de análise narrativas geralmente (mas nem sempre) verbalizadas (escritas ou orais), a narratologia é uma ciência "aparentada" com outra área de estudos estruturalistas: a análise do discurso.
Estrutura narrativa
A estrutura de uma narrativa é a forma pela qual ela é construída para organizar o andamento da trama. Os primeiros estudos sobre estruturas narrativas remontam ao grego Aristóteles, que em sua obra Poética descreveu as características do bom drama (segundo ele e o pensamento grego da época; clássico). A Poética aristotélica às artes narrativas da época, eminentemente teatro e poesia. Nas décadas de 1920 e 1930, as pesquisas dos formalistas russos em teoria literária levaram a actualizações da poética aristotélica a narrativas da cultura popular (contos de fadas e folclore), como feito por Vladimir Propp.
Modo narrativo Épico - narrado por meio da seqüência de eventos (episódios)
Lírico - narrado por meio da linguagem verbal em harmonia com a música ou a musicalidade das palavras
Dramático - narrado por meio da representação/interpretação Eixo dramático
Clímax - o ponto de mais alto drama ou tensão da história, a partir do qual a trama se desfaz e se encaminha à resolução; pode incluir uma catarse Premissa Desmedida - ação que se prova equivocada e desata a peripécia
Peripécia - mudança do destino do personagem
Reviravolta
Nos tempos mais recentes, os estudos de narratologia têm sido apropriados por autores de manuais de roteiro para cinema e televisão, como o estadunidense Syd Field e o francês Jean-Claude Carriére. No Brasil, um livro famoso na área é "Roteiro", de Doc Comparato. Ver também a referência ao Memorando de Vogler.
FONTE: Jornal de Angola - Luanda,Luanda,Angola

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