segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Fidel, música, poesia e Raúl

saul santos diaz
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25/02/2008 00:18
Fidel, música, poesia e Raúl

Manuel Bandeira costumava dizer que o trecho mais bonito da poesia brasileira havia sido escrito por Orestes Barbosa para música de Sívio Caldas. Chão de Estrelas:

"A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua furando nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
E tu pisavas nos astros distraída
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão."

Eu gosto muito de Tatuagem, de Chico Buarque, especialmente quando diz:

"Corações de mãe, arpões
Sereias e serpentes
Que te rabiscam
O corpo todo
Mas não sentes..."

Mas tem um outro trecho de música que acho não só poesia pura, como, também, filosofia pura. De dois compositores pelos quais não morro de amores, Nélson Mota e Lulu Santos. Como uma onda:

"Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas como o mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo no mundo"

Está aí a resposta para os que se perguntam o que vai acontecer com Cuba, após a saída de Fidel. Só tenho uma certeza: VAI MUDAR!
O curioso dessa sessão de ontem da Assembléia Nacional cubana em que o general Raúl Castro, de 76 anos, foi efetivado como novo chefe de Estado em substituição a seu irmão Fidel Castro, é que a mudança será promovida pelo irmão do Fidel, com a autorização deste. As primeiras declarações de Raúl só vieram a confirmar a expectativa de mudança. Mas mudar para onde?
Acho que eles e boa parte dos herdeiros do leninismo torcem para que Cuba siga o modelo chinês. Meus amigos que entendem de economia dizem que isto é impossível. A China só conseguiu resistir às imposições do capitalismo internacional porque detém um mercado do qual este mesmo capitalismo não poderia abrir mão. Cuba é um pingo d'água no oceano...
A Míriam Leitão afirma que os EUA sonham em tornar Cuba mais uma estrelinha na sua bandeira. Um novo estado americano. Também não creio neste caminho. Duvido. Os gringos são imperialistas, colonialistas... Porto Rico até hoje não passa de uma colônia dos EUA. Tudo que eles aceitam é fazer de latinos estados associados (ou sei lá que nome dão para esses estados de segunda categoria). Isto sim, podem querer fazer de Cuba, do México, do Brasil, de qualquer latino.
Seria uma pena se os EUA voltassem a transformar Cuba na sua latrina, como era a ilha antes da revolução. Mas acho que a música de Lulu Santos afasta essa hipótese definitivamente: "Nada do que foi será/De novo do jeito que já foi um dia".
Nem China, nem nova latrina dos EUA. Creio -- e torço sinceramente -- que Cuba há de seguir um caminho novo. E os primeiros gestos do Raúl (que bem podia ser o Raul Seixas!) parecem confirmar essa expectativa.
enviada por Tales Faria
FONTE: Último Segundo - São Paulo,SP,Brazil

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