terça-feira, fevereiro 26, 2008

CBJ ironiza ameaça de punição e assegura ida de atletas a Pequim


26/02/2008 - 08h00
CBJ ironiza ameaça de punição e assegura ida de atletas a Pequim
Fernanda Brambilla
Em São Paulo
Após duas alarmantes cartas enviadas pela União Pan-Americana de Judô (UPJ) em que a entidade condenou uma reunião "política" do presidente da organização brasileira, Paulo Wanderley, e ameaçou até mesmo a ida dos atletas aos Jogos de Pequim, a CBJ (Confederação Brasileira de Judô) ironizou a reprimenda e afastou o risco dos judocas brasileiros não competirem na Olimpíada.

"É impossível que os atletas brasileiros não possam ir a Pequim por causa da UPJ", clama Wanderley. "É uma ameaça infundada e não terá ouvidos na FIJ [Federação Internacional de Judô]. Vai cair no ridículo. Não existe possibilidade ou qualquer motivo legal que tire os brasileiros da Olimpíada."

Para o presidente da CBJ, o risco inexiste mesmo que a UPJ cumpra com as ameaças e desfilie a entidade brasileira de sua União. "A Olimpíada não é uma competição nacional. Os atletas vão a Pequim associados ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

"Em uma das cartas, endereçada à FIJ, o presidente da organização continental, o dominicano Jaime Casanova Martinez, fala em "golpe de Estado" e diz que "o COI seria o primeiro a reconhecer que o judô perdeu a ética e o respeito." "(...)A União Pan-Americana de Judô está sendo alvo de um grande complô para destituir a quem democraticamente elegemos à direção dessa entidade internacional", acusa, em trecho.

O comissário esportivo pan-americano da FIJ, Frank Fullerton, disse estar ciente da discussão e, apesar de não querer se comprometer nominalmente com nenhum dos lados, deixou claro seu parecer. "Nunca vi um judoca que foi campeão mundial no ano passado não ir aos Jogos Olímpicos por razões políticas", disse o comissário, em referência a Tiago Camilo, Luciano Corrêa e João Derly, campeões no Mundial do Rio.

Fullerton disse ainda que isso não impede que, pelo regulamento internacional, a entidade continental puna a CBJ. "É direito da UPJ repreender os dirigentes e [Paulo] Wanderley. Mas barrar os judocas? Nunca vi isso acontecer", disse do Texas, EUA, em entrevista por telefone ao UOL Esporte.

Acusado de confabular com alguns países sul-americanos contra o presidente da entidade pan-americana, o presidente da CBJ chamou a atitude da UPJ de "desespero por medo de perder poder", mas não negou a idéia da "reunião privada". Em novembro, haverá eleição para a sucessão da presidência da UPJ. Wanderley é um dos candidatos a ocupar o cargo.

"O encontro foi pensado para reunir dirigentes e discutir medidas para melhorar o futuro do judô, não para tirá-lo do poder", assegurou Wanderley, que negou ter bancado passagens aéreas e hospedagem aos convidados da tal assembléia, que será realizado no Rio de Janeiro nos dias 28 e 29 de fevereiro.
FONTE (image include): UOL Esporte - São Paulo,SP,Brazil

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