quarta-feira, dezembro 12, 2007

DESENCANTO - Manuel Bandeira

The Battle of Earth and Sky ( ...and the House )
The Color Version of Photo - IR Photo -
Michael Avlaris by view portfolio (65 images)
Manuel Bandeira
DESENCANTO

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

— Eu faço versos como quem morre.
Teresópolis, 1912
De A Cinza das Horas (1917)

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