segunda-feira, novembro 05, 2007

Quase morena...e Fugi da mulher morena

Quase morena...e Fugi da mulher morena
Ela veio até mim...
me enfrentou...
me fez rir e chorar...
a mulher morena na pele e voz da Piaf...
a mulher morena nos meus cabelos repintados...
a mulher morena que dançou na noite, que se sacudiu...
a que eu resgatei para me divertir, reviver a mocidade...
Ela me chegou de vestido florido...
parecia a primavera...
mas eu sei que vivo o outono...
não me importa muito isso...
consegui manifestá-la em volteios e rodadas...
alimentei-a...
Ela me surpreendeu com ganas de compensar-se e amar...
A mulher morena está em mim, quer queira ou não queira...
tem olhos de mel, boca de baton vermelho, volteia as pernas
eleva os braços, cantarola, rebola, cola como grude em mim
tem jeito de fada, musa, deusa, bruxa, bailaora de seguidilha
é a vida que se reconstrói todas as vezes que é preciso ...
Ela me adentrou como um vulcão em teste de maturidade
compreendi, mais uma vez, o seu (meu) papel, no mundo
no meu, no nosso, nos mundos que ainda não pisei...
E nem questionei mais...deixei-a comer, deixei-a beber,
deixei-a dançar, deixei-a escapar nos instintos, soltei-a...
Tinha a influência da Piaf, é verdade, aquela que viveu
como pássaro amante da vida e com voz e sentimento,
como a dela, a minha mulher quase morena, é alento...
Quando ela me vem, assim, só posso acalentá-la, só isso...
Aparecida Torneros
04/11/07

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