TEMPESTADE DE AMORMaria de Fatima Delfina de Moraes
Eu não fugi da nau na tempestade.
Súbita coragem, sequer hesitei.
Não me esquivei, segui em frente - total ausência do medo.
Os raios de teu olhar despertando-me carências no corpo.
Não era olhar de ternura, mas pleno de loucura e desejo.
Em sôfrego desejo de não afogar na solidão, depus as armas.
Deixei-me acorrentar, dei-te o meu corpo.
Não me acorrentastes com grilhões de ferro.
Preferistes ter-me prisioneira de ti,
quando em tua investida nada indaguei e nada pedistes.
Tuas ávidas mãos levaram meu corpo ao encontro do teu.
Recordo meu corpo em tua cama.
Tuas mãos fortes e hábeis
explorando-me as curvas, sem pedir licença.
Não havia murmúrio ou gemido . . .
Apenas silêncio de bocas seladas num beijo.
O peso do teu corpo sobre o meu.
Tuas mãos e a volúpia de teus desejos
fazendo-me escrava de tuas vontades.
Indefesa, o vi desnudar meu corpo,
e tua boca sedenta explorando-me
da boca ao colo, do colo aos seios
e dos seios à loucura de imaginar sedenta
o que haveria de vir depois
- tempestade dos desejos teus . . .
Fiz-me entrega plena, sem receios.
Não havia medo, só silêncio.
Não havia cooperação, só perplexidade e gozo.
Não havia medo, só silêncio.
Não havia cooperação, só perplexidade e gozo.
Copyrigth 2007
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