quinta-feira, outubro 25, 2007

TEMPESTADE DE AMOR - Maria de Fatima Delfina de Moraes

TEMPESTADE DE AMOR
Maria de Fatima Delfina de Moraes

Eu não fugi da nau na tempestade.
Súbita coragem, sequer hesitei.
Não me esquivei, segui em frente - total ausência do medo.

Os raios de teu olhar despertando-me carências no corpo.
Não era olhar de ternura, mas pleno de loucura e desejo.

Em sôfrego desejo de não afogar na solidão, depus as armas.

Deixei-me acorrentar, dei-te o meu corpo.
Não me acorrentastes com grilhões de ferro.
Preferistes ter-me prisioneira de ti,
quando em tua investida nada indaguei e nada pedistes.

Tuas ávidas mãos levaram meu corpo ao encontro do teu.

Recordo meu corpo em tua cama.
Tuas mãos fortes e hábeis
explorando-me as curvas, sem pedir licença.

Não havia murmúrio ou gemido . . .
Apenas silêncio de bocas seladas num beijo.

O peso do teu corpo sobre o meu.
Tuas mãos e a volúpia de teus desejos
fazendo-me escrava de tuas vontades.

Indefesa, o vi desnudar meu corpo,
e tua boca sedenta explorando-me
da boca ao colo, do colo aos seios
e dos seios à loucura de imaginar sedenta
o que haveria de vir depois
- tempestade dos desejos teus . . .

Fiz-me entrega plena, sem receios.
Não havia medo, só silêncio.
Não havia cooperação, só perplexidade e gozo.

Copyrigth 2007

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