
Alexandra Maia
É tarde
É tarde
Era tarde talvez
por que muito cedo fosse
talvez por que sempre o seja quando se trata do fim
O velho homem perde aos poucos sua história
Tantos anos esgarçam muito mais que a pele
A figura do pai se apaga entre papéis velhos
A mãe o espera
pendurada no retrato na parede do escritório
“A casa era grande
Eu corria em torno da mesa
onde sentavam deputados
Meu pai era um homem importante”
Sorriu como se encontrado um velho amigo
e continuou a pastorear memórias
para segurar o fio da vida
Seus olhos cheios de mel
De volta, mãos dadas com a solidão
o homem velho disse
“Alexandra, um dia, eu também já fui menino
e, aqui nesta casa, ninguém lembra disso”
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