segunda-feira, agosto 06, 2007

PRIMEIRO SONETO BARROCO - Alckmar Luiz dos Santos

Alckmar Luiz dos Santos
Arquivo de Quase Soneto
O volupté de l’1inutile,
Ce luxe indécent de l’esprit,
Comme beauté d’arbre sans fruit
Ou comme la robe de Odile.
“Inutile”, de Jacques Durandeaux,
em Chansons et Poèmes
PRIMEIRO SONETO BARROCO
O todo sem a parte não é todo,
A parte sem o todo não é parte,
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga que é parte, sendo todo.

Gregório de Matos

Um simples conformar-me a olhos tais
Foi firme e certo intento em não querê-la:
Recusa de ceder ao que — tão bela —
Seria morte em mim, um fim, sem mais.
E mais, ainda, a afronta desse viço
Que — tão contrário a mim — se faz arauto
Da dor com que me vejo louco e falto
Da força com que arrosta o fado imigo.
Mas, deu-se o renascer (que nem é certa
Idéia que de mim se afirme à custa),
E fez de outra fatura o meu olhar-te:
E fez de mim — ruína que antes era
— Um ínfimo infinito: imagem sua,
Ao dar-se em todo inteiro o que era parte.

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