quinta-feira, agosto 30, 2007

Cárcere - António Salvado

António Salvado
Cárcere
O cárcere profundo em que encontro...
O forte muro a esta mágoa preso...
A cicatriz deixada nos meus ombros...
A luz extinta a segredar promessas...
A chaga enorme que me abraça bem,
confuso encantamento sem perdão...
A corroída esperança que retenho
quando levanto num suspiro as mãos...
É destas marcas vivas que o meu ser
tenaz e loucamente se alimenta...
São estes os autênticos prazeres
Que as minhas horas sofrem violentas!

Um comentário:

  1. Anônimo3:07 PM

    Que desenho interessante. Quem é o autor?

    Envio-lhe uns poemas de António Salvado retirados dd "Castalia".
    Um ab.
    Daniel C.





    Presos à superfície do quadrante

    em seis partes iguais desigualmente

    repartimos o sol e dissonantes



    acoitamos nas sombras os fragmentos

    desviados roubados: esquecendo

    a harmonia da luz sobre o quadrante.



    E entristecem os campos semeados,

    o ar trepida no seu aclarar,

    são mais lentas as águas a correr:



    à espera que no breu do pensamento

    um rasgo se demova e em nós lamente

    esses raios de sol que obscurecemos.













    Tentar não fadigar o pensamento
    com denodos que nunca serão fruto
    com latejos que apertam a nascente


    da ribeira na belga do futuro...
    Penumbrar cercanias do desejo
    que em labareda vívida serpeja


    até romper a íris do olhar...
    Agonizar o falso gineceu
    da primavera que já foi sonhada


    sem raízes na terra aves no céu...
    E na certeza do fluir: ser livre,
    alçando a pequenez do dia a dia.



    de Castalia (1ª ed. 1996)


    http://um-buraco-na-sombra.netsigma.pt/p_mundo/index.asp?op=3&p=68

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