António SalvadoCárcere
O cárcere profundo em que encontro...
O forte muro a esta mágoa preso...
A cicatriz deixada nos meus ombros...
A luz extinta a segredar promessas...
A chaga enorme que me abraça bem,
confuso encantamento sem perdão...
A corroída esperança que retenho
quando levanto num suspiro as mãos...
É destas marcas vivas que o meu ser
tenaz e loucamente se alimenta...
São estes os autênticos prazeres
Que as minhas horas sofrem violentas!
Que desenho interessante. Quem é o autor?
ResponderExcluirEnvio-lhe uns poemas de António Salvado retirados dd "Castalia".
Um ab.
Daniel C.
Presos à superfície do quadrante
em seis partes iguais desigualmente
repartimos o sol e dissonantes
acoitamos nas sombras os fragmentos
desviados roubados: esquecendo
a harmonia da luz sobre o quadrante.
E entristecem os campos semeados,
o ar trepida no seu aclarar,
são mais lentas as águas a correr:
à espera que no breu do pensamento
um rasgo se demova e em nós lamente
esses raios de sol que obscurecemos.
Tentar não fadigar o pensamento
com denodos que nunca serão fruto
com latejos que apertam a nascente
da ribeira na belga do futuro...
Penumbrar cercanias do desejo
que em labareda vívida serpeja
até romper a íris do olhar...
Agonizar o falso gineceu
da primavera que já foi sonhada
sem raízes na terra aves no céu...
E na certeza do fluir: ser livre,
alçando a pequenez do dia a dia.
de Castalia (1ª ed. 1996)
http://um-buraco-na-sombra.netsigma.pt/p_mundo/index.asp?op=3&p=68