domingo, julho 09, 2006

BÉRADÊOBÉRADÊRO - Chico Cesar


Chico Cesar - Béradêobéradêro

os olhos tristes da fita
rodando no gravador
uma moça cosendo roupa
com a linha do equador
e a voz da santa dizendo
o que é que eu tô fazendo
cá em cima desse andor
a tinta pinta o asfalto
enfeita a alma motorista
é cor na cor da cidade
batom no lábio nortista
o olhar vê tons tão sudestes
e o beijo que vós me nordestes
arranha céu da boca paulista
cadeira elétricas da baiana
sentença que o nortista cheire
e os sem amor os sem teto
os sem paixão sem alqueire
no peito dos sem peito uma seta
e a cigana analfabeta
lendo a mão de paulo freire
a contenteza do triste
tristezura do contente
vozes de faca cortando
como o riso da serpente
são sons de sins não contudo
pé quebrado verso mudo
grito no hospital da gente

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