
ÊXTASE
Resgatar o sol na tarde que finda
alimentar de tristeza a poesia
beber até afogar-se no mistério
eis o caminho!
É possível que a esta hora
só eu esteja lendo sobre a terra
os poemas que Adélia Prado escreveu.
Será que também meu coração disparado
transforma os objetos
transmitindo eternidade ao perecível?
Eu sei qualquer coisa se eterniza
apenas olhada pelo homem:
os pratos no jirau com restos de comida
o poço cheio d'água - lágrimas sem dono -
o ovo branco estático e fiel.
Além disto
só conheço alguns segredos
do coração humano.
Porque escrever é
não deixar que a vida morra
dominar o tempo no poema
passado presente futuro
amarrado para sempre
fotografia do tempo.
Sem poetas
é bem possível que o mundo enlouquecesse
incapaz de encontrar o ritmo certo.
Mas para meu prazer
posso ler Adélia Prado.
Além disto
só conheço alguns segredos
do coração humano.
Porque escrever é
não deixar que a vida morra
dominar o tempo no poema
passado presente futuro
amarrado para sempre
fotografia do tempo.
Sem poetas
é bem possível que o mundo enlouquecesse
incapaz de encontrar o ritmo certo.
Mas para meu prazer
posso ler Adélia Prado.
PAULO GABRIEL - do livro A FRAGILIDADE DA TERRA - BH 1985
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