quinta-feira, maio 18, 2006

Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda Soneto - Soneto - VII


Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda Soneto -
Soneto - VII

"VIRÁS comigo", disse, sem que ninguém soubesse
onde e como pulsava meu estado doloroso
e para mim não havia cravo nem barcarola,
nada senão uma ferida pelo amor aberta.

Repeti: vem comigo, como se morresse,
e ninguém viu em minha boca a lua que sangrava,
ninguém viu aquele sangue que subia ao silêncio.
Oh amor, agora esqueçamos a estrela com pontas!

Por isso quando ouvi que tua voz repetia
"Virás comigo", foi como se desatasses
dor, amor, a fúria do vinho encarcerado

que de sua cantina submergida soubesse
e outra vez em minha boca senti um sabor de chama,
de sangue e cravos, de pedra e queimadura.

(Pablo Neruda)
do livro: Cem Sonetos de Amor
tradução: Carlos Nejar

Fonte: http://www.teiadosamigos.com.br/neruda/sonetos/nerudaVII.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário