1/5/2008
Onde está a poesia?
Para uns, ela está banalizada; para outros, faz parte do dia-a-dia
Giuliano Bonamin
Onde está a poesia?
Para uns, ela está banalizada; para outros, faz parte do dia-a-dia
Giuliano Bonamin
Da Agência BOM DIA
O poeta francês Charles-Pierre Baudelaire deu o recado ao escrever: “Para não seres como os escravos martirizados do Tempo, embriaga-te, embriaga-te sem cessar! Com vinho, com poesia, ou com a virtude, a teu gosto.”
A dica para o ser humano extasiar-se com a linguagem poética foi passada no século 19. Para uns, esse ideal continua ainda hoje e está presente no dia-a-dia. Para outros, é algo banalizado.
Segundo a professora do mestrado de Comunicação da Uniso (Universidade de Sorocaba), Míriam Cris Carlos, a poesia está presente no cotidiano do ser humano. É uma qualidade artística que vai além da palavra, sem forma definida.
Míriam cita a música popular como uma das manifestações poéticas mais abrangentes. Esses signos poéticos também podem ser encontrados na literatura, em comerciais de televisão, na pichação de um muro e em uma simples refeição.
Na opinião da professora, o fato de o ser humano caprichar no visual da comida já é um exercício poético – que o diferencia dos demais animais.
A funcionária pública Silmara Rocha, 45 anos, comenta que a poesia está atrelada ao sentimento das pessoas. Para ela, essa percepção “íntima” está banalizada nos dias de hoje. A escritora venceu a 8ª edição do Concurso Depoesia de Sorocaba, promovido pelo Instituto Darcy Ribeiro, e lamenta a falta de interesse das pessoas pela arte de compor ou escrever versos.
“A poesia é pessoal, é marcante em cada indivíduo, e precisa ser resgatada”, comenta Silmara. Um impulso para o incentivo da leitura ou da criação de versos é dado anualmente com o concurso Depoesia que, neste ano, recebeu trabalhos de 53 poetas.
Segundo o presidente do Instituto Darcy Ribeiro, professor Armando Oliveira Lima, o concurso tem superado as expectativas. “As pessoas têm, cada vez mais, necessidade de manifestar anseios, crises, insatisfações, amores através da escrita”, comenta. Para ele, o evento tem o objetivo de divulgar poetas anônimos e estimular a continuidade da produção de textos, independente da qualidade dos mesmos.
Silmara tem a oportunidade de mostrar os seus poemas no projeto Sociedade dos Poetas Vivos. O encontro ocorre uma vez por mês no Aquário Cultura, em Votorantim, e tem o objetivo de valorizar a produção literária local.
FONTE: Bom Dia Sorocaba - Brazilhttp://www.bomdiasorocaba.com.br/
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