quinta-feira, abril 03, 2008

Criação intelectual entre as grades


LITERATURA BRASILEIRA (29/3/2008)
Criação intelectual entre as grades

Infelizmente, a prisão de Graciliano Ramos não foi um evento isolado. Por toda parte, escritores e intelectuais foram parar na cadeia, acusados de ter idéias subversivas ou obras que fossem de encontro ao poder estabelecido.

Não poucas vezes, a repressão teve um efeito contrário, fornecendo combustível de sobra para obras que rememoram contextos políticos e denunciam suas prática no embate com a oposição. Alguns destes relatos são bem conhecidos, como “Reading”, de Oscar Wilde, e o próprio livro do autor de “Vidas Secas”.

Preso por razões políticas entre os anos de 1969 e 1973, o mineiro Frei Betto começou a escrever imediatamente após sair da prisão. Em dez anos de trabalho, produziu “Batismo de Sangue”, em que retrata os horrores sofridos por ele e outros frades dominicanos nas mãos da ditadura militar.

No livro, Frei Betto destaca a história do cearense Frei Tito, que cometeu suicídio na França, após um longa temporada nas mãos de torturadores.

Recentemente, foi reeditado “Cela 3”, de Rudá de Andrade - filho dos modernistas Oswald e Pagu.

Nele, o autor fala de um tema que, infelizmente, se revela ainda mais atual: a discriminação contra brasileiros no exterior. Rudá relata sua passagem pelas prisões francesas no início da década de 1980, quando foi acusado de tráfico de drogas.

Fora do Brasil, a Itália mantém uma infeliz tradição. O cientista político Antonio Gramsci (1891 -1937) foi preso, em 1926.

Condenado a cinco anos, ficou encarcerado por oito. Neste período escreveu sua obra-prima, “Cadernos do cárcere”, em que reforçava suas posições anti-fascistas.

Mais recentemente, os ativistas Antonio Negri e Cesare Battisti produziram obras com fortes marcas de suas temporadas na prisão. Negri lançou “Jó”, ensaio sobre o sofrimento na luta política; preso no Brasil, Battisti repassou sua trajetória política em “Minha fuga sem mim”.

(DR)

SOBRE O ASSUNTO

  • ´Cadernos do cárcere´, de Antonio Gramsci. Seis volumes, Editora Civilização Brasileira, como preços de R$ 48 a R$ 58.
  • ´Batismo de Sangue´, de Frei Betto. Editora Rocco, R$ 45.
  • ´Minha fuga sem mim´, de Cesare Battisti. Martins Fontes, R$ 45.
  • ´Jó - a força do escravo´, de Antonio Negri. Editora Record, R$ 32.
  • ´Cela 3´, de Rudá de Andrade. Globo, R$ 28.
  • ´Vigiar e Punir´, de Michel de Foucault. Editora Vozes, R$ 43,90.
  • ´Manicômios, Prisões e Conventos´, de Erving Goffman. Editora Perspectiva, R$ 29,00.

FONTE: Diário do Nordeste (Assinatura) - Fortaleza,CE,Brazil - http://diariodonordeste.globo.com/

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