segunda-feira, abril 28, 2008

Ciclo de palestras discute sexualidade e grupos socialmente marginalizados em São Paulo

Ciclo de palestras discute sexualidade e grupos socialmente marginalizados em São Paulo

Escrito por Ana Paula Vieira Rogers
segunda, 28 abril 2008
Série, que começa em 5 de maio, o mês da Parada do Orgulho GLBT, conta com palestrantes como o estilista Jum Nakao e a vereadora Mara Gabrilli, além de nomes respeitados do meio acadêmico
No mês de maio, em que São Paulo promove um de seus maiores eventos, a Parada do Orgulho GLBT, um ciclo de palestras do Universo do Conhecimento, organizado pelo Instituto Cidadania Global (Al. Ministro Rocha Azevedo, 419, Jardins), abordará questões relativas ao corpo e à sexualidade e os desdobramentos sócio-culturais dessa relação.
Com curadoria de Claudio Bardella, o “Ciclo Corpo”, do Universo do Conhecimento, que será realizado de 5 a 16 de maio, constitui uma iniciativa que pretende demonstrar como o corpo transviado é cultural e socialmente construído.
Entre os palestrantes, a série conta com as participações da vereadora Mara Gabrilli, de estudiosos como Stéphane Rémy Georges Malysse, professor-doutor em Arte e Antropologia Aplicada (EHESS) da EACH - Escola de Artes, Ciências e Humanidades / USP, e o estilista Jum Nakao.
O caráter multidisciplinar das palestras permite o desemaranhamento das complexas e poderosas relações entre o que normalmente se entende por comportamento anormal e os corpos dos grupos socialmente marginalizados. O corpo só pode ser compreendido através da cultura e da história; corpos não são simplesmente entidades naturais, e não são jamais independentes das relações de poder.
O discurso médico-científico e as percepções comuns por eles produzidas constroem o corpo através de técnicas de investigação específicas e de objetivos de pesquisa culturalmente informados. A construção do corpo transviado inclui o corpo do homossexual, o corpo infértil, o corpo surdo, o corpo colonizado, o corpo criminal e o corpo enfermo. Categorias completas de pessoas – mulheres, judeus, pobres, aborígenes, negros, homossexuais, pessoas que mudam de sexo, doentes – foram assim fundamentalmente transviadas, não pela virtude de seus sintomas e diferenças, mas devido à sua posição subordinada nos sistemas que distinguem gênero, afiliação étnica, orientação sexual, deformidades e raça. “As palestras do Ciclo Corpo pretendem demonstrar como os diversos conceitos de anormalidade são utilizados para conjurar a noção do normal – o corpo branco, masculino, heterossexual, saudável – e revelar como o corpo considerado normal não passa de uma ficção da ciência, documentando, ao mesmo tempo, as subversivas estratégias de resistência do corpo transviado”, ressalta Bardella.
PROGRAMAÇÃO E PALESTRANTES
5 DE MAIO - A ética da estética: Antropologia das aparências corporais Stéphane Rémy Georges
Malysse, professor-doutor em Arte e Antropologia Aplicada (EHESS) da EACH - Escola de Artes, Ciências e Humanidades / USP. Malysse introduz os principais conceitos utilizados para realizar uma antropologia das aparências culturais, por meio da apresentação do seu site Opus Corpus, experimento que concretiza suas pesquisas.
6 DE MAIO – A costura do invisível Jum Nakao, estilista. A proposta desta palestra é realizar uma viagem aos interessados em pensar sobre o processo criativo. Através de imagens, sons, inquietações próprias dos que trabalham com criação são trazidas à tona. Reunindo imagens do processo de desenvolvimento da coleção de papel, apresentada em julho de 2004 no São Paulo Fashion Week – considerado o desfile da década de moda no Brasil, através do São Paulo Fashion Week, e um dos mais importantes desfiles do século, pelo Museu da Moda de Paris - e pensamentos sobre a criação artística, a palestra conduz o espectador ao mergulho para desvendar o que não se vê sem o pensamento.
7 DE MAIO - Gênero, sexualidade e educação: reflexões sobre o mundo contemporâneo Érica Renata de Souza, doutora em Ciências Sociais pela Unicamp e professora da PUC/Campinas. Os estudos de gênero trazem contribuições para repensarmos antigas concepções sobre o masculino e o feminino e analisarmos o aspecto relacional entre ambos. Contanto, o marcador social de gênero sempre é analisado na sua relação com outros marcadores, como raça/etnia, classe social e sexualidade. Nesse contexto, a palestra introduzirá as teorias de gênero a fim de dialogar com o marcador social da sexualidade. Num segundo momento, essa discussão tomará corpo no âmbito educacional, refletindo sobre os processos através dos quais nossas crianças têm sido educadas para entender as questões de gênero e de sexualidade no mundo contemporâneo.
8 DE MAIO – Exclusão Mara Gabrilli, psicóloga, publicitária, empreendedora social e vereadora na cidade de São Paulo. A palestra vai falar da exclusão vista “por dentro” – uma vez que a vereadora Mara Gabrilli tornou-se tetraplégica em virtude de um acidente, 12 anos atrás, o que a levou a fundar a organização não-governamental Projeto Próximo Passo (PPP), assumindo de vez a luta para melhorar a vida das pessoas com limitações físicas. Gabrilli vai relatar suas experiências, iniciativas e projetos pioneiros, que interessam a todos os que se preocupam com o tema da cidadania.
9 DE MAIO - Filosofia do Jeito Fernanda Carlos Borges, filósofa, mestre em Ciências da Motricidade, doutora em Comunicação e Semiótica e autora de A Filosofia do Jeito - um modo brasileiro de pensar com o corpo (Summus) e Manobras da Existência - como o corpo dirige as nossas vidas (Sinte). Filosofia do Jeito é uma filosofia envolvida com o jeito do corpo, ao mesmo tempo em que favorece uma certa compreensão a respeito do nosso jeitinho brasileiro. A razão filosófica que apóia o jeitinho brasileiro parece mais apoiada nos valores afetivos e perspectivos do jeito do corpo do que nas razões impessoais. A Filosofia do Jeito ajuda a compreender essa razão que exige uma consciência situada, chamando a atenção para a urgência de uma filosofia atenta ao jeito do corpo.
13 DE MAIO - Inteligência do Corpo e os Vídeo-Games Roger Tavares, mestre em educação, arte e história da cultura pela Universidade Mackenzie; doutorando em comunicação e semiótica pela PUC-SP. Embora o uso de videogames esteja na grande maioria das vezes associado a perda de tempo, e ao entrentenimento puro e simples, seria possivel de certa maneira relacionar o aumento da inteligencia ao uso de videogames? se sim, em que sentido? da cultura dos dedoes ao corpo todo, dos signos pictograficos ao reconhecimento de padroes sonoros e visuais, como este tipo de midia pode estar modificando o nosso aparato cognitivo?
14 DE MAIO - Amores Impróprios na Literatura Pedro Paulo de Sena Madureira, editor com passagens importantes por diversas editoras do país, editor-proprietário d'A Girafa, autor do livro de poemas Rumor das Facas (Companhia das Letras, 1989). Esta palestra analisará a homossexualidade na literatura desde a produção literária da Grécia antiga até a época de hoje. Percorrendo mais de dois mil e quinhentos anos o editor desenvolverá o tratamento do amor homossexual na obra de vários autores da literatura mundial, destacando-se entre outros os livros de Marcel Proust, Honoré de Balzac, Adolfo Caminha, Machado de Assis, James Baldwin, terminando com a obra do maior poeta da homossexualidade contemporânea, o poeta grego Cavafis.
15 DE MAIO - O corpo na cibercidade Leonora Fink é licenciada em Artes Plásticas pela FAAP e designer de multimídia pela Faculdade Senac, autora do Projeto Iadê Resgate. A palestra tem por objetivo a reflexão sobre arte e dispositivos móveis, no cenário da cibercultura. A discussão parte da hipótese de que, com a utilização criativa das tecnologias de comunicação e informação, hábitos e estilos de vida na cibercidade se transfiguram.
16 DE MAIO - Amores Impróprios através da história Claudio Bardella Jr é P.H.D em sociologia da religião pela London School of Economics, onde lecionou sociologia da religião e sociologia da medicina e da saúde. Esta palestra analisará a evolução do conceito da homossexualidade, assim como as suas diversas configurações, da idade pré-histórica até a época atual. Será também discutida a normalização heterossexista que encobriu o amor homossexual no Antigo e no Velho Testamento. Sobre o Universo do Conhecimento O Universo do Conhecimento, projeto do Instituto Cidadania Global, realiza fóruns Internacionais, encontros e ciclos de curta duração desde 2004. A programação é diversificada, entre os vários campos do saber, oferecida em um espaço que é referência em cultura e conhecimento, agora no bairro dos Jardins.
SERVIÇO:
O quê: Ciclo Corpo – palestras do Universo do Conhecimento
Quando: de 5 a 16 de maio, das 20h às 22h
Onde: Instituto Cidadania Global – Al. Ministro Rocha Azevedo, 419, Jardins (próximo ao Metrô Trianon-Masp)
Quanto: R$ 50,00 por palestra avulsa / R$ 400,00 o ciclo completo (9 palestras).
Vagas: 50 lugares por palestra
Informações: (11) 3083-0996
FONTE: Jornal Cidade de Itapetininga - Itapetininga,SP,Brazil

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