Foto: Ruhikant meetei DIÁRIO DE UM SONHADORMaria de Fatima Delfina de Moraes
Ainda pequeno, olhou do alto do muro o mundo.
Podia ainda, ser tudo e todos:
o rei, o príncipe,
o herói, o vagabundo.
Sonhou mais alto, teceu projetos.
Abriu as asas e decidiu:
- um dia, seria rei.
E o tempo, vira-mundo, passou.
E ele partiu.
Lutou, caiu, ergueu-se.
Venceu as guerras da fome,
do cansaço, do desânimo.
Abriu os olhos, abriu as asas.
Não teve pressa, viveu de tudo.
Conheceu todos os recantos e barulhos
das cidades além-muros
que pareciam distantes, adormecidas.
E quanto mais sofria,
mais bendizia a alegria
de poder viver a vida.
Um dia pequenino, sonhou !
Cresceu, partiu, venceu !
A cidadezinha onde nasceu,
bem sabe, já o esqueceu.
Ah! Como gostaria, por um dia, voltar lá.
Iria contar que dormitando ao relento,
em passos ermos, breves ou lentos,
em meio às chuvas, ao calor, ao vento,
de fato tornou-se rei.
Hoje é rico de alma, de sonhos.
Deixou para trás as feridas
da vida um dia doída
que não mais lhe dói.
Um dia pequenino, sonhou.
Abriu as asas, voou.
Copyrigth 2007
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