segunda-feira, outubro 08, 2007

MULHER - Carvalho Filho


Carvalho Filho
Mulher
(in Integração, 1934)

Vejo a tua alma em liberdade na manhã
reconciliadora dos saciados.
Frios,

os corpos são estigma e fonte
da exalação dos córregos.

Gestos ágeis recortam-se na luz
impregnada do cheiro ácido de mulher.

Os sentidos espreitam em torno dos vencidos.
Ao centro dessa auréola que te envolve
ouve:
há sombras pousando ao longo do teu corpo
e os objetos concentrados meditam
sobrevoados por mãos soltas em chamas.
Se se penetrasse a esfinge?
se se revolvesse o mistério?

Das resinas do poço apenas fluiria
a vocação oleosa de ser mulher.

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