
Mulher
(in Integração, 1934)
Vejo a tua alma em liberdade na manhã
reconciliadora dos saciados.
Frios,
os corpos são estigma e fonte
da exalação dos córregos.
Gestos ágeis recortam-se na luz
impregnada do cheiro ácido de mulher.
Os sentidos espreitam em torno dos vencidos.
Ao centro dessa auréola que te envolve
ouve:
há sombras pousando ao longo do teu corpo
e os objetos concentrados meditam
sobrevoados por mãos soltas em chamas.
Se se penetrasse a esfinge?
se se revolvesse o mistério?
Das resinas do poço apenas fluiria
a vocação oleosa de ser mulher.
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