Júlio MachadoESTRABISMO
Chega à beira do poço;
mede nele o intervalo
que vai de um olho a outro.
Mede nesse intervalo
Mede nesse intervalo
o eixo torto que faz
do esquerdo, o direito.
Vê como esse esquerdo
Vê como esse esquerdo
reconhece sem medo
o que em Narciso é feio.
Repara no direito
Repara no direito
a lágrima em coalho,
véu de leite tão velho.
Faz do suco da lágrima
Faz do suco da lágrima
a beleza que turva,
ledo, o engano da água.
Esquece então que és caolho:
Esquece então que és caolho:
Faz do intervalo um elo,
da água turva, um espelho.
FONTE: poesia.net
Carlos Machado, 2007
Caro Domingos:
ResponderExcluirSou Júlio Machado, autor do poema "Estrabismo". Meu irmão, que mora em Vitória da Conquista, viu seu blog e me passou o link. Também moro em BH, de modo que podemos combinar um café ou um chá qualquer dia desses.
Um abraço,
Júlio.