quarta-feira, agosto 22, 2007

Toda pompa para os heróis do Parapan


Toda pompa para os heróis do Parapan

Os heróis dos Jogos ParaPan-Americanos já estão de volta a Natal. Alguns atletas chegaram de madrugada, mas grande parte chegou por volta das 13h de ontem - o grupo foi recebido pela governadora Wilma de Faria, seguindo-se um almoço de confraternização no Aerporto Augusto Sevrro e um desfile em dois trios elétricos pelas principais ruas da cidade, onde todos foram aplaudidos por muitas pessoas no percurso. ‘‘Vocês são exemplos de vida, de superação neste percurso no esporte. Estamos orgulhosos de vocês’’, resumiu Wilma. O único para-atleta ausente foi Clodoaldo Silva - o ‘‘Tubarão’’ ficou no Rio cumprindo compromissos, e só chega hoje a Natal. Por outro lado, o ‘Moicano’’ Adriano Gomes de Lima, que igualou Clodoaldo em medalhas (sete ouros e uma prata) não vai esquecer o Rio tão cedo - ‘‘Este ParaPan foi excepcional, a grande força foi da torcida carioca, que me apoiou’’, contou, dedicando as conquistas à esposa Flávia e à filha Gabriela, quase indo às lágrimas, observado de perto pela mãe (‘‘Dona’’ Maria, muito emocionada e orgulhosa). ‘‘Superou todas as expectativas. Eu esperava algumas medalhas, mas não tantas!’’.

Quem voltou empolgado mesmo foi Danielson Pontes, com um ouro no peito. ‘‘Fiz três provas, e obtive o ouro justamente na principal (100 m peito). Agora, quero aprender a falar bem inglês para fazer bonito em Pequim. Eu vou sim, eu quero!’’, afirmou, cercado pela família - a mãe (‘‘Dona’’ Maria), o pai (‘‘Seu’’ Daniel) e o irmão (Deyvison).

As mulheres também tiveram espaço na água. Edênia Garcia, por exemplo, obteve quatro medalhas, mas foi um desafio. ‘‘Disputei uma categoria acima da minha, sou S4 e disputei na S5. Mas foi bom, consegui dois ouros e duas pratas’’, disse, acompanhada dos irmãos Wescley e Edeniely, mais a mãe, ‘‘Dona’’ Graça. ‘‘Ficamos apavorados com a subida de classe, achamos que ela não conseguiria. No fim, tudo deu certo’’, desabafou a irmã Edeniely. ‘‘O coração batia forte aqui, eu só me acalmava depois que ela ligava para casa...’’, confessou a mãe.Além da natação

A judoca Ana Luiza, por sua vez, confessou que além do apoio da familia, teve uma dose de sorte... do labrador Cauã, seu cão-guia. ‘‘Cauã me deu sorte. Ele vem me acompanhando desde o Mundial (de Desportos para Cegos, em São Paulo, onde obteve o ouro por equipe). Minha grande vitória foi ter se classificado para o ParaPan, e a medalha de bronze foi uma grande surpresa’’.

No levantamento de peso, teve um bronze - ‘‘Eu levantei 180 quilos. Valeram 175. Eu não esperava o bronze (na categoria Pesado), por causa da unificação das categorias, ficou muito difícil. Mas esta conquista vem provar que o Rio Grande do Norte está fazendo um trabalho muito sério nesta modalidade’’, lembrou o halterofilista João Eusébio.

No atletismo, quase Emicarlo de Souza agarrou o ouro

‘‘O nivel técnico dos 800 m estava muito forte, tive algumas dificuldades. Se eu tivesse feito a marca que estou acostumado, teria sido ouro. Me saí bem nos 400 metros, mas fiquei com a prata’’, analisou Emicarlo. A família ficou toda aqui, então teve que contar com outra ‘‘família’’ - ‘‘A torcida, o povo marcou presença mesmo. O estádio (Engenhão) ficou lotado!’’.

No tênis de mesa, teve ouro - e mais emoção para Ecoldo Lopes. ‘‘O coração ainda está legal...’’, disse o atleta, que depois de se considerar fora da delegação, foi convocado de última hora, e voltou com a medalha. E o nível? ‘‘Estava muito forte, e a equipe brasileira evoluiu muito, tanto que foi campeã geral’’.

Chegando pertoA festa também foi dos que chegaram perto, como a nadadora Adriana Azevedo e o judoca Alexandre Magno. Adriana, por exemplo, tinha índice de sobra na sua categoria original (S6), mas no Rio foi reclassificada para S7 e, como o número de concorrentes era pequeno, todos disputaram na categoria S8 - ‘‘Mas nadei buscando o ouro, e agora estou entre as quatro primeiras das Américas’’. No judô, o nível nas categorias masculinas surpreendeu Alexandre - ‘‘Estava pesado mesmo. Mas agora é levantar a cabeça e partir para outra!’’, contou, ao lado da filha Áurea, da esposa Nadir e dos amigos Euzênia e Bruno. Não desanina, acredita que pode chegar a Pequim, e analisa se para tanto permanece na categoria pesado ou vai para a meio-pesado. ‘‘Vamos fazer um planejamento’’.

Compromissos

‘‘Esta missão está cumprida. Agora vai começar o planejamento para competições nacionais de natação, atletismo e halterofilismo’’, considerou Eduardo Gomes, presidente da Sadef. Os próximos compromissos já estão marcados. Hoje mesmo, seis atletas estão a caminho dos Jogos Mentais de Atletismo, em São Paulo, evento que segue até o dia 25. No início de setembro, Emicarlo vai participar dos Jogos Mundiais de Amputados de Atletismo, em Taiwan; os judocas aguardam a realização da seletiva para as Paraolimpíadas de Pequim, ano que vem; em outubro, boa parte dos para-atletas vão a São Paulo, para mais uma etapa do Circuito Caixa Brasil Paraolímpico; e em dezembro, está previsto um ‘‘Meeting’’ internacional de natação no Rio de Janeiro.Hoje tem mais homenagem. Logo mais, ao meio-dia na Governadoria, os medalhistas parapan-americanos serão recebidos, pela governadora Wilma de Faria, que vai entregar a Honra ao Mérito Desportivo a cada atleta e anunciar a continuidade do apoio ao esporte paraolímpico do Estado - com o aumento do repasse mensal de R$ 2 mil para R$ 5 mil, a cessão de material e infra-estrutura para os treinos dos atletas, e a ampliação do espaço físico da Sadef-RN.

Rogério Torquato e Fábio Pacheco

Da equipe do diário de natal

FONTE: Diário de Natal - Natal, RN, Brazil

http://diariodenatal.dnonline.com.br/

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