
O BAÚ DE MÁS LEMBRANÇAS
Domingos de Souza Nogueira Neto
Caminhando pela montanha,
Ia de mim abstraído,
Quando um som em língua estranha,
Capturou meu ouvido.
Olhei em volta confuso,
E caído ali no chão,
Vincado por anos em uso,
Vi caído um ancião.
Minha alma é delicada,
Este é o meu maior segredo
Assim socorri o mancebo,
Levando-o a minha casa.
Fiz tudo do que eu sei,
Ajudei-o quanto pude,
Lavei, curei, alimentei...
Sempre evitando ser rude.
Foi aí minha surpresa,
Pois o sujeito coitado,
Limpo e forte em minha mesa,
Apresentou-se como mago.
“Eu lhe concedo um desejo,
não posso tudo, eu confesso!"
"mas esqueça o seu pejo,
e aceite o que ofereço.”
Não preciso outro querer,
Sigo quieto meu partido,
Mas para não o desdizer,
Fiz-lhe breve meu pedido.
Quero a tudo esquecer,
Cada mágoa sofrida,
Cada palavra mal dita,
Voltá-las a não viver...
O velho sorriu cansado,
Procurou em suas tralhas,
E com um grito de gralha,
Celebrou o seu achado.
"O Baú das Más Lembranças!"
Encerre-as todas aqui,
Mas para ter sua fiança,
É coisa de não se abrir.
Se abrires esta peça,
Ainda que não queira fazer,
Nada haverá que impeça,
Seu momento de morrer.
Não posso dizer o que senti,
Foi toda a tristeza de uma feita,
Mas para a vida ser perfeita,
Tomei do baú e rompi.
Domingos de Souza Nogueira Neto
Caminhando pela montanha,
Ia de mim abstraído,
Quando um som em língua estranha,
Capturou meu ouvido.
Olhei em volta confuso,
E caído ali no chão,
Vincado por anos em uso,
Vi caído um ancião.
Minha alma é delicada,
Este é o meu maior segredo
Assim socorri o mancebo,
Levando-o a minha casa.
Fiz tudo do que eu sei,
Ajudei-o quanto pude,
Lavei, curei, alimentei...
Sempre evitando ser rude.
Foi aí minha surpresa,
Pois o sujeito coitado,
Limpo e forte em minha mesa,
Apresentou-se como mago.
“Eu lhe concedo um desejo,
não posso tudo, eu confesso!"
"mas esqueça o seu pejo,
e aceite o que ofereço.”
Não preciso outro querer,
Sigo quieto meu partido,
Mas para não o desdizer,
Fiz-lhe breve meu pedido.
Quero a tudo esquecer,
Cada mágoa sofrida,
Cada palavra mal dita,
Voltá-las a não viver...
O velho sorriu cansado,
Procurou em suas tralhas,
E com um grito de gralha,
Celebrou o seu achado.
"O Baú das Más Lembranças!"
Encerre-as todas aqui,
Mas para ter sua fiança,
É coisa de não se abrir.
Se abrires esta peça,
Ainda que não queira fazer,
Nada haverá que impeça,
Seu momento de morrer.
Não posso dizer o que senti,
Foi toda a tristeza de uma feita,
Mas para a vida ser perfeita,
Tomei do baú e rompi.
Que coisa ,né, Domingos! Que as más lembranças sirvam para nossa melhor revisão e visão de vida neste mundo.
ResponderExcluirAprecio muito seu trabalho poético!!