quinta-feira, agosto 16, 2007

FUI - Domingos de Souza Nogueira Neto

Fui
Domingos de Souza Nogueira Neto
“Pensando em La Mancha”
Andei perambulando pelo mundo,
Fui guerreiro, poeta e tudo mais,
Hoje pranteio em lugar imundo,
E sinto a loucura em meus quintais.

Desbravei Campos,
Enfrentei Veredas,
Derrotei tantos,
Tremi entre sedas.

Fui o ente mais incrível,
A ser por si mesmo derrotado.
A verdade é veloz e visível...

Hoje sou apenas este velho,
Sem canto neste pobre canto.
Entorpecido pelo próprio espelho.

Um comentário:

  1. Anônimo4:42 PM

    Passeei pelo seu blog pela manhã. Seu poema me inquietou. Porque ser um velho ou uma velha sem canto em um pobre canto, entorpecido ou entorpecida pelo próprio espelho nos leva ao lugar comum destinado a quem envelhece no tipo de sociedade em que vivemos. Aí olhei para a imagem e refleti no corpo que se posta em um banco duro de madeira, no escuro à meia luz. É um corpo jovem e me reporta ao velho.É um corpo jovem e me reporta à criança. A criança e o velho em castigo. A criança em castigo pelo que ela não deve fazer e o velho em castigo pelo que não pode fazer. De acordo com o que nos dita o tipo de sociedade em que vivemos. Deu uma vontade de dizer:_ Ei moço velho! Levanta daí e vai viver: andar
    perambular
    guerrear
    poetizar
    desbravar
    enfrentar Veredas
    derrotar
    tremer ente sedas.
    Ser, pois ainda é tempo.
    Velho,com canto(e dança)em todo canto. acordado pelo próprio espelho.

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