sexta-feira, agosto 17, 2007

ESTRADAS - Maria de Fatima Delfina de Moraes


ESTRADAS
Maria de Fatima Delfina de Moraes

Sigo nestas estradas por caminhos diversos, onde tantos fatos adversos vivi.
Expectativas intensas no peito e uma torpe sensação de que a vida estagnou,
sensação de que me perdi entre os caminhos que trilhei.

Minha realidade, dividida entre sonho e vontade,
quis ir além de minhas próprias verdades
e descobrir fundamentos íntimos em minha própria filosofia de viver.

Quero vislumbrar flores e campos lindos!
Quis buscar um recanto de paz onde houvesse a brisa leve
e o sopro dos ventos a desalinhar-me os cabelos, doando frescor ao meu rosto.

Nas estradas que percorro, há sensação de algo esquecido.
Algo deixado de lado, que ao meu coração dá a certeza
de que não poderei voltar para buscar.

Nas estradas que percorro, há um quê de saudade
do tempo mágico da ousadia,
em que arriscar era a magia.

Encanto doado pela juventude no frescor da idade que tudo consente e encanta.

Juventude é poder, que faz brotar do fundo da alma
uma intensa e inexplicável vontade de viver.

Sigo nas estradas longíngüas em busca de amor.
Quero reencontrar o vigor da luta, saborear assim a glória,
levando no peito sentimento profundo de vitória.

Nestas estradas que percorro, sou ansiedade e cansaço
- despojei-me da vaidade.

Quero encontrar além um recanto,
onde possa estar só com meu pranto
ou entoar bem alto meu melhor cântico.

Quero fincar minha bandeira
sabendo no fundo do peito, que enfim sou livre,
dona de mim mesmo.

Os passos que darei tornar-se-ão mais firmes
do que minhas mãos de poeta artesã, nestes versos que escrevo.

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