
poema submerso
Cláudia Roquette-Pinto
olho: peixe-olho que
desvia a mão engua
a pele lisa até o umbigo e logo
a flora de onde aflora
(na virilha) pbarbir
ruivo aceso bruto anfíbio: glabro
dedo tão tentáculos
e crispam esmerilham dorso abaixo acima abaixo brilha
o esforço bravo
peixe tentando escapar mas
ei-lo ao pé da frincha que
borbulha (esbugalha?)
roxa incha e mergulha embrasa estala
e agora murcha
peixe-agulha e
vaza
vaza
[Do livro: Saxífraga, Cláudia Roquette-Pinto, Editora Salamandra]
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