domingo, julho 09, 2006

A FILHA ANTIGA DA LEI - Adélia Prado



A FILHA DA ANTIGA LEI
Adélia Prado
Deus não me dá sossego.
É meu aguilhão.
Morde meu calcanhar como serpente,
faz-se verbo, carne, caco de vidro,
pedra contra a qual sangra a minha cabeça.
Eu não tenho descanso neste amor.
Eu não posso dormir sob a luz do
Seu olho que me fixa.
Quero de novo o ventre de minha mãe,
sua mão espalmada contra o umbigo estufado,
me escondendo de Deus.

Um comentário:

  1. Anônimo9:43 AM

    Adélia, quando eu "crescer", quero ser igual a você.

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