Maria Amelia Ferreira
Jornalista e aluna do 5º período de Letras – Campus Rebouças

Colocar "Arthur Rimbaud" (Charleville-1854 - Marseilles-1891) em um lugar devido no mundo da literatura tem sido tarefa das mais cruciais e difíceis, desde seu aparecimento em 1860, quando ainda muito jovem compõe versos, remanejando criações de autores latinos. Estudos, críticas e ensaios de autoria diversa, em língua estrangeira e nacional, têm estabelecido nos últimos tempos um aprofundamento da compreensão da obra de Rimbaud, que foge ao cromatismos do Simbolismo, que rompe deliberadamente com as formas clássicas do Parnasianismo para criar uma poesia anunciadora do século 20, absolutamente incorporada ao futuro da arte poética.
O poeta, andarilho, um revolucionário em todos os sentidos, foi, na análise do poeta e ensaísta mexicano Octavio Paz, um ausente, um drop-out da provinciana burguesia da França, que se pautou pela crítica vária: "crítica da experiência poética, crítica da linguagem e do significado, crítica do próprio poema". Rimbaud foi, nos moldes de um dos seus mais instigantes poemas, "Le bateau ivre", um "barco ébrio", sarcástico, irritado com toda e qualquer mediocridade, que deixa de escrever por volta de 1874. Inexplicavelmente. Talvez não tão inexplicavelmente e até explicável, mesmo quando o fazer poético era de tal modo absoluto que se sustentava pela negação da palavra.
De tal forma foi densa e intensa a poesia de Arthur Rimbaud, que o ensaísta e poeta brasileiro Augusto de Campos vê como conseqüência dessa visitação singular e incendiada ao terreno da palavra, mas ao mesmo tempo rigorosa e clarividente, a renúncia e o silêncio a que se submeteu o poeta.
Ler e estudar Rimbaud é indispensável para a busca dos sentidos da condição do homem moderno consubstanciada na linguagem, a qual o poeta questionou, devassou, usou séria e despudoradamente.
Professor de francês em Londres e na Escócia, capataz de pedreira em Chipre, comerciante de peles e marfim na África, traficante de armas na Etiópia, até voltar a França em 1891, em deplorável estado de saúde, com o organismo minado pelo tifo e por maus tratos, Rimbaud não mais volta a escrever. Vem a falecer com apenas 37 anos em Marseilles.
Entre nós, é o poeta Ivo Barroso quem traduz a Poesia Completa de Arthur Rimbaud e ainda nos dá notícia de sua obra.
POESIA COMPLETA
Premiers vers (Primeiros versos), num total de 44 poemas; Vers nouveaux et chansons (Novos versos e canções), conhecidos ainda pelo nome de Derniers Vers (Últimos versos) com 20 poemas; Les Stupra (Os Stupra) formado por três sonetos, cerca de 18 peças que formam o Album Zutique (Álbum Zútico) compreendem produções em paródia de poetas notórios da época, muitas delas atribuídas a Rimbaud, desconhecidas até mesmo dos intelectuais e especialistas. Hoje são estudadas como criações de feição erótica e de sarcasmo político, de um modo novo e singular.
Há ainda cerca de 15 peças atribuídas ao poeta.
PROSA POÉTICA
Une saison en enfer (Uma estadia no inferno), Les illuminations (As iluminações) , Les deserts de l'amour" (Os desertos do amor), Proses évangéliques (Prosas evangélicas), Um coeur sous une soutane (Um coração sob sotaina) e Lettre du Baron de Petdechèvre à son secrétaire au chateau de Saint-Magloire (Carta ao barão de Petdechèvre a seu secretário no castelo de Saint-Magloire), peça atribuída ao poeta.Parte da poesia de Arthur Rimbaud também é traduzida no Brasil por Augusto de Campos e José Paulo Paes.
Fonte: Rede de Letras - http://www.estacio.br/rededeletras/
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