quinta-feira, maio 25, 2006

ESTRADAS - Maria Delfina de Moraes


ESTRADAS

Maria de Fatima Delfina de Moraes

Sigo nestas estradas por caminhos,
onde fatos adversos vivi.

Expectativas intensas no peito
e uma torpe sensação de que a vida estagnou,
de que me perdi entre os caminhos que trilhei.

Minha realidade,
dividida entre sonho e vontade,
quis ir além de minhas próprias verdades
e descobrir fundamentos em minha íntima filosofia.

Quero vislumbrar flores e campos lindos,
buscar um recanto de paz onde haja brisa leve
e o sopro dos ventos a desalinhar-me os cabelos,
doando frescor ao meu rosto.

Nas estradas que percorro,
há sensação de algo esquecido.
Algo deixado de lado,
que ao meu coração dá a certeza
de que não poderei voltar para buscar.

Nas estradas que percorro,
há um quê de saudade do tempo mágico da ousadia,
em que arriscar era a magia.

Encanto doado pela juventude:
o frescor da idade que tudo consente e encanta.

Juventude é poder que faz brotar do fundo da alma
uma intensa e inexplicável vontade de viver.

Sigo nas estradas longíngüas em busca de amor.

Quero reencontrar o vigor da luta e saborear assim, a glória,
levando no peito sentimento profundo de vitória.

Nestas estradas que percorro,
sou ansiedade e cansaço
- despojei-me da vaidade.

Quero encontrar além, um recanto,
onde possa estar só com meu pranto
ou entoar bem alto meu melhor cântico.

Quero fincar minha bandeira
sabendo no fundo do peito
que enfim sou livre,
dono de mim mesmo.

Os passos que darei tornar-se-ão mais firmes
do que minhas mãos de poeta artesão,
nestes versos que escrevo.
copyright 2006

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