sexta-feira, maio 26, 2006

DE VAGA-LUMES E QUINTAIS por Hálima Patrícia de Campos Daher


DE VAGA-LUMES E QUINTAIS

Vem,
Acorda que o dia já clareou.
Dá-me sua mão,
Vamos passear
Pelos quintais e campos de nossa infância.
Vem, o melado está no ponto de prova
E a Maria já está na beira do tacho a nos chamar.


Vem
dá-me sua mão,
vamos descobrir mais trilhas.
Fiz um novo esconderijo perto da árvore do paiol,
Lá guardei todos os nossos segredos.
Vem ver,
nos dias de chuva poderemos nos esconder lá.

Vem
Meu irmão,
Lembra da cidade que planejamos construir juntos?
Eu te disse que ela seria feita de bichos, plantas e pessoas felizes,
Sem doenças ou qualquer maldade humana.
Vem logo,
Porque o sol já se põe
e ainda nem começamos.

Vem,
A noite cai e a lua está cheia
Subiremos até o Alto da Santa Cruz
Lá onde os vaga-lumes e sapos fazem seu canto e dança noturna,
Colocaremos velas dentro de abóboras e ficaremos vendo
As pessoas e o tempo passar...

Acorda,
Amigo, acorda!
Os anos se passaram e a mágica também se foi.
Nossa cidade não foi construída.
Não existe bondade humana, nem bichos, nem paz.
Me perdoe. Equivoquei-me sobre tudo.
O que te prometi é impossível para o mundo dos homens...

(Dedicada ao Rei, meu amigo e irmão)

Hálima Patrícia de Campos Daher

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