"Gostava de ser profissional"Quem é João Neto? Perguntam os menos atentos ao que se passa no desporto. A resposta é simples: um judoca de Coimbra, estudante de Farmácia, que tem já algumas medalhas conquistadas em torneios importantes da modalidade, Europeus e Mundiais, incluindo um diploma (7º lugar) nos Jogos Olímpicos de Atenas. Acabou de ganhar a etapa portuguesa da Taça do Mundo e O JOGO foi conhecê-lo
PAULA CAPELA MARTINS
Não é a primeira vez que João Neto conquista uma medalha numa prova da Taça do Mundo, mas, desta vez, subiu ao lugar mais alto do pódio numa etapa portuguesa, que encheu o pavilhão Açoreana Seguros, na Luz. A televisão transmitiu os combates em directo e, desde então, o telefone não pára de tocar. João Neto transformou-se num atleta requisitado e acarinhado pelo público.
O JOGO As medalhas anteriores não foram tão mediatizadas como o ouro conquistado no passado fim-de-semana. Como sente este súbito interesse e que importância teve para si esta medalha?
JOÃO NETO Creio que a transmissão televisiva é a grande responsável por esta resposta por parte do público e da imprensa. De resto, é importante que se diga que esta medalha não se compara a uma medalha conquistada num Europeu ou num Mundial. A Taça do Mundo é constituída por várias provas e cabe aos atletas de todo o mundo decidirem quais farão parte do seu programa competitivo, pelo que algumas provas têm um nível mais elevado do que outras e a de Lisboa até estava competitiva, porque estiveram cá alguns ex-campeões.
P Qual o segredo para ganhar por ippon a final ao georgiano Grigori Mamrikishvili?
R A chave da vitória esteve na preparação física. Veja-se que, no fim dos cinco minutos regulamentares, o combate estava empatado e depois disso só o venci por ippon, porque ele quebrou fisicamente. Eu estava mais bem preparado em termos físicos e consegui aguentar, imobilizando-o por 25 segundos até ele desistir e ele só abandonou porque estava cansado.
P Saiu dos -73 kg para os -81 kg. Foi inevitável, tendo em conta que no judo os regimes alimentares são quase espartanos, ou foi uma opção?
R Os sacríficios alimentares são uma situação comum à maioria dos judocas, que devem ter uma percentagem baixíssima de gordura, mas chega uma altura em que o sacríficio não compensa e nesses casos é preferível subir de categoria. Foi o que me aconteceu.
P Pode-se falar numa nova geração de judocas e de uma fase de expansão na modalidade?
R Há sempre ciclos e renovações. Neste momento, eu, o João Pina e o Renato Morais temos resultados obtidos no anterior ciclo olímpico e há ainda alguns que se destacaram no ano passado, como João Cardoso, Pedro Dias e Diogo Lima. Acima de tudo, o judo em Portugal é ainda muito amador, mas, já que me sacrifico, gostava de ser profissional. Só que para isso teria de ser pago por um clube, como acontece em França, Espanha, Alemanha ou no Japão.
Fonte: http://www.ojogo.pt/
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