sábado, abril 22, 2006

Antonio Naud Júnior, do livro FICAR AQUI SEM SER OUVIDO POR NINGUÉM, 1998


sou um cântico
esmagado dentro do silêncio
um cigano
uma estrada imunda até a lua
eu sou a lua
um retrato
em um bar numa longínqua madrugada
um fósforo de faíscas púrpuras
um tubarão em oceanos nunca mergulhados
um desero escarlate, uma chuva generosa
uma chuva de seiva - fácil, única
uma carta que não sabe onde você mora.
Não encontra o diáfano caminho
que guarda palavras em todas as línguas,
todas as precese interroga:
"que aconteceria se eu voltasse,
se você voltasse?"

(Antonio Naud Júnior, do livro FICAR AQUI SEM SER OUVIDO POR NINGUÉM, 1998)

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