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terça-feira, novembro 16, 2010

Bocage

Quantas vezes, Amor, me tens ferido?
Quantas vezes, Razão, me tens curado?
Quão fácil de um estado a outro estado
O mortal sem querer é conduzido!

Tal, que em grau venerando, alto e luzido,
Como que até regia a mão do fado,
Onde o Sol, bem de todos, lhe é vedado,
Depois com ferros vis se vê cingido:

Para que o nosso orgulho as asas corte,
Que variedade inclui esta medida,
Este intervalo da existência à morte!

Travam-se gosto, e dor; sossego e lida;
É lei da natureza, é lei da sorte,
Que seja o mal e o bem matiz da vida.



FONTE: http://desafiomelgadoporto.blogspot.com/
http://desafiomelgadoporto.blogspot.com/2010/09/bocage.html

IMAGEM: aterceiravaga.blogspot.com

terça-feira, junho 23, 2009

Poesia perché? La parola ai poeti


EVENTI
Poesia perché?
La parola ai poeti

E' l'epoca dell'informazione, dello scambio veloce, della globalizzazione di pensieri e merci. In questo mondo, che ruolo può trovare la poesia? Lo abbiamo chiesto ai protagonisti del ParmaPoesiaFestival. E voi che cosa ne pensate?


RAUL SCHROTT - poeta austriaco

“La poesia è onnipresente, pervade tutta la nostra vita. Anche gli incipit degli articoli giornalistici si rifanno spesso ai principi della poesia. La poesia usa per esempio molte similitudini, molte metafore. La poesia è necessaria per comunicare questioni importanti. Ezra Pound affermava che se una cosa non si può mettere in versi, non è degna di essere sperimentata.”


KATARINA FROSTENSON - poetessa svedese

“Le parole consolano, ma ti danno anche forza, infondono coraggio. Ci sono molti tipi di poesia. Quando si scrive poesia si scende profondamente nel linguaggio. Oggi la lingua sta subendo un’usura, si stanno perdendo tanti vocaboli, alcune parole scompaiono. La poesia è un modo per pensare, per riflettere per entrare in contatto con il mondo interiore. Quando leggo un altro poeta per me è un modo di entrare in contatto con i suoi sentimenti, di conoscere la sua interiorità.”


WALTER MARCHETTI - curatore Festival ParmaPoesia

“La poesia è necessaria perché, essendo la più inutile delle attività umane alla fine invece si rivela quella che resiste di più al tempo e alle violenze della storia.”

DANIELA ROSSI - curatrice del Festival ParmaPoesia

“La poesia è un’assoluta necessità per la vita perché ci permette una percezione della realtà differente. Puoi permetterti, con la poesia, di vivere su due piani”

NICOLA CROCETTI - curatore del Festival ParmaPoesia“

Il bisogno di poesia è un bisogno diffuso a tutti i livelli, è un bisogno primario dell’animo umano. Ma penso che sia una necessità anche della società”

MARIELLA BETTARINI - poetessa italiana

"La poesia per continuare a essere umani insieme agli altri umani (e non solo: penso a tutta la natura, Vegetale e animale e, insomma, alle meraviglie del Creato, senza le quali credo non ci sarebbe poesia)"
FRANCO - poeta

"Dante lo dice bene nel Purgatorio. Alla domanda «Chi sei tu?» risponde: «I’ mi son un che quando/Amor m’ispira noto e a quel modo/ch’Ei ditta, dentro vo significando.» Io divento uno me stesso quando l’Amore mi muove, io ascolto e prendo nota. E a quel modo che Lui detta dentro, io vado riempiendo di significati di lingua e di cultura. La poesia perché? Perché fa crescere gli uomini. La poesia rivela aspetti della nostra vita di cui non abbiamo consapevolezza e quindi fa crescere. Cresce chi la fa e cresce chi l’ascolta. Il movimento musicale e sonoro e i significati che ascolto richiamano alla memoria la propria esperienza"

NICOLA GARDINI - poeta e scrittore

"Poesia è disciplina dei sentimenti e anche invenzione dei sentimenti, come diceva Leopardi. Allarga la grammatica della vita e contribuisce ad evolvere la storia individuale di tutti. La poesia è un dovere che abbiamo verso la lingua, che è madre"

(22 giugno 2009)

FONTE: La Repubblica Parma.it - Parma,Italy
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FOTO: http://static.blogo.it/
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segunda-feira, junho 01, 2009

'Preciso estar pronto para a poesia'


'Preciso estar pronto para a poesia'
Para Gary Snyder, a escrita em versos é uma surpresa a partir de uma ideia 'que vem de outra parte'

Rodrigo Garcia Lopes - Especial para O Estado

HICKRY, CAROLINA DO NORTE - Um dos fundadores e um dos últimos representantes vivos do movimento beat, o poeta, antropólogo, tradutor e ensaísta Gary Snyder, aos 79 anos, pertence a uma estirpe de intelectual cada vez mais rara na atualidade: a do poeta público, imerso nas questões de seu tempo, servindo de intérprete ou xamã da complexa paisagem cultural dos dias atuais. Seus livros mais recentes são Danger on Peaks: Poems (2004), espécie de diário poético, e Back on the Fire, coletânea publicada em 2007 e que reúne ensaios sobre temas caros a Snyder, como o papel do fogo na preservação das florestas da Califórnia, poesia oriental, mitologia indígena, a "nova desordem mundial" e ecologia - sobre os quais ele fala na entrevista a seguir, realizada na cidadezinha de Hickory, Carolina do Norte.

'Danger on Peaks: Poems' foi publicado em 2004. Por que você demorou tanto para publicar poesia novamente (seu último livro dedicado ao gênero havia sido ‘Mountains and Rivers Without End’, de 1996)? O senhor acha que às vezes é mais importante viver do que escrever?

Estou sempre escrevendo poemas. Quando me sinto estimulado a escrever? Quando me sinto estimulado a escrever! A poesia não é prosa: na prosa você pode se atirar e se forçar a escrevê-la. Já com a poesia é preciso esperar que a voz chegue até você. É uma questão de inspiração, de se conseguir uma ideia criativa que o surpreende e que vem de outra parte. Meu trabalho é sempre estar pronto para a poesia. A escrita de um novo poema é sempre uma surpresa.

No poema 'Waiting for a Ride' (esperando uma carona), do último livro, você escreve: "a maior parte de minha obra / tal como é / está feita". Como você vê seu trabalho, retrospectivamente? Quais poemas você acha que sintetizam sua poética?

Meu trabalho é tão diverso, e há tantos tipos de poemas, que existe um ecossistema literário inteiro aí. Não há um exemplo de um poema em particular que eu sinta interesse, orgulho ou que eu tenha preferência, mesmo porque eles servem funções diferentes. Cada um tem um papel: não fosse assim, eu não deixaria ser publicado.

Que paralelos você traça entre Zen e poesia, em seu caso? Seus poemas incorporam a precisão e concisão da poesia chinesa e japonesa, e a percepção detalhada e afinada cara ao Budismo. Como a poesia e arte chinesa e japonesa afetaram sua sensibilidade?

Esta é uma questão interessante. Em primeiro lugar, é preciso fazer uma distinção entre a sensibilidade Ch'an (ou Zen) e as artes. Nem todos os grandes artistas do Extremo Oriente - que são Japão, China, Coreia e Taiwan - foram necessariamente influenciados pelo Zen, mas um número surpreendente o foram, especialmente durante as dinastias chinesas S'ung e T'ang, bem como durante boa parte da história do Japão. No entanto, é preciso fazer uma distinção entre poética e trabalho artístico e algo como a prática Zen. A prática Zen o distancia da arte: ela é uma prática de meditação e de investigação profundas e, enquanto tal, não está preocupada com expressão ou representação. Claro que a prática Zen está preocupada com a comunicação, e ela tem seus próprios métodos de se comunicar que estão embebidos na literatura Zen, com o ensino da literatura, em coleções como o Mumonkan, ou O Portal Sem Portão, ou os escritos extraordinários do filósofo Dôgen [(1200 - 1253), fundador da escola Soto de Zen Budismo], no século 13. Qualquer artista pode aprender muito com a leitura destes textos, mas eles não representam a poesia em si. A psiquê estética do Extremo Oriente sempre valorizou a concisão, a observação clara, a condensação, o registro direto da experiência. Em parte, isso acontece porque ela não tem uma carga teológica ou ideológica a dirigindo, como acontece em toda a literatura europeia pós-romana e cristianizada, que possui na maioria das vezes um componente teológico do qual é muito difícil se livrar. Por isso, a poesia chinesa do século 8 soa muito moderna porque fala de história, de amizade, de ideias culturais, bem como ser uma resposta direta para o mundo natural. Este é um caso interessante, como no caso de tradições japonesas como o haiku, sobre a qual escrevo bastante em Back on the Fire. O haiku agora é um valor internacional, sendo ensinado em toda parte. Falando nisso, há inclusive alguns haikaístas nipo-brasileiros maravilhosos, e que escrevem tanto em português quanto em japonês.

Em Back on the Fire você fala elogiosamente de Masaoka Shiki, por exemplo. Quem são os melhores haikaístas, na sua opinião?

Ah, não respondo perguntas como essa. É como comparar laranjas e maçãs.

Você acredita que existe uma imaginação haikaística? Como ela pode ser aplicada a poemas mais longos, como seu 'Mountains and Rivers Without End'?

Em primeiro lugar, é preciso separar a forma do haiku da imaginação do haiku. Nem todos os poemas curtos e breves são haikus. Isso é uma coisa que tenho que explicar muitas vezes, como fiz recentemente para um alemão que me entrevistou por e-mail. Ele queria que eu dissesse que todo poema curto é um haiku. Não é este o caso. O haiku tem uma estética específica e, neste sentido, quero dizer que o que existe é uma imaginação do haiku. As pessoas tropeçam nela mas nem sempre a obtém, a tem, ela é aberta, fresca e sem ego, mas não sempre está no "momento" ou nem sempre é "zen". Este é um assunto complicado, não é tão simplório quanto pode parecer. Não gosto de chamar de haiku os poemas escritos em poucas linhas, a menos que eles se encaixem de fato dentro da estética do haiku. Acho maravilhoso que pessoas na Dinamarca, Itália, Estados Unidos ou no Brasil, sobretudo crianças, estejam aprendendo haiku nas escolas ou escrevendo poemas curtos influenciados pelo haiku. É bonito isso, mas não precisa necessariamente ser haiku. É mais útil dizer que o haiku é um poema japonês escrito numa forma específica mas nem todos os poemas japoneses curtos são haikus. Sugiro a leitura de um livro excelente, escrito por Haruo Shirane, Traces of Dreams: Landscape, Cultural Memory, and the Poetry of Basho [rastros de sonho: paisagem, memória cultural e a poesia de Bashô], que é a primeira descrição bem informativa e de senso comum do mundo social em que o haiku se desenvolveu no Japão dos séculos 18 e 19. O haiku também é um fenômeno sociológico.

Há alguns anos o haiku está em voga no Brasil. Alguns críticos, no entanto, têm dito que ele tem tido uma influência negativa na nossa poesia, se tornando um maneirismo, uma maneira "fácil" de escrever poesia. Poucas pessoas sabem, como você afirma em Back on the Fire, da enorme influência que o haiku teve sobre o modernismo.

O que chamamos de influência do haiku na poesia moderna, pelo menos na poesia escrita em inglês, é a influência sobre o Imagismo, e claro que Ezra Pound fez parte disso em algum momento. O haiku não é necessariamente Imagismo, nem uma imagem. De fato, muitas vezes são duas imagens justapostas que se intersectam. Mas outra coisa que não é realmente percebida é que o haiku é escrito em japonês. Isso significa que a gramática é totalmente diferente,a gramática é totalmente fora do quadro de qualquer coisa que conheçamos nas línguas germânicas ou românicas. Parte do poder de um haiku japonês é o que ele faz em termos de sintaxe. Você sabe o que isso significa? Em primeiro lugar, no japonês os verbos sempre aparecem no fim da frase, mas não se usa frases no haiku. Se o jogo sintático é uma parte da força do haiku, como alguém que não conhece japonês pode apreciar isso? Do mesmo modo, há muitas coisas na poesia portuguesa e inglesa que só pertencem a essas línguas e que somos incapazes de traduzir. Então não devemos nos preocupamos com isso. No entanto, entendo que a escrita de um poema curto pode virar um maneirismo. Mas isso passa. Podemos aprender algo com o modo como o haiku funciona na escrita de poemas longos? Em relação ao poema longo, a questão é mais sobre o que podemos aprender com o Imagismo em relação à escrita de poemas longos, o que já foi demonstrado por Ezra Pound, como algumas coisas que ele fez em seus melhores "Cantos". Muitos não são muito bons. Ele apontou uma maneira, e muitos modernistas da primeira metade do século 20 tocaram no que o Imagismo pode fazer. Eu uso pequenas imagens precisas disso ou daquilo o tempo todo em minha poesia, inclusive em poemas mais longos. Suponho que tenha aprendido isso com o haiku e com o Imagismo, mas para dizer a verdade nem costumo pensar sobre isso.

Lendo sua poesia em geral, tem-se a sensação de estar lendo um tipo de poema meio americano, meio chinês. Fica claro que você incorporou a economia da língua chinesa, além da apresentação direta, seguindo as fórmulas básicas tornadas famosas por Pound. Quão importantes foram as poesias chinesas e japonesas para você?

Mas isso não é tão claro assim porque você não lê chinês! . O que você está querendo dizer é que eu incorporo o que, para você, parecem traduções chinesas em inglês. Então, vamos ser precisos, porque queremos ser internacionais aqui, é preciso respeitar línguas individuais e nem tudo está em inglês. Nós estamos no processo de criar uma linguagem moderna e pós-moderna em um sem números de línguas mundiais, e fico feliz em dizer que a poesia do Extremo Oriente tem dado uma contribuição importante para isso. Não se lê um poema original em chinês como um poema moderno em verso livre: ele é rigidamente formal, muito breve e estruturado: é uma coisa totalmente diferente. Uma das coisas que aprendi foi com a leitura de poemas chineses em chinês, mas isso não aparece, não deveria aparecer.

Como você vê a importância e a presença cultural das chamadas poéticas orais, ou da etnopoesia, na poesia americana contemporânea?

A etnopoética não teve muita influência, sinto dizer, em termos de quais são seus potenciais. A verdade é que pouquíssimos leitores e escritores se importam com as tradições orais. Para mim e para alguns colegas meus é um grande interesse, e acho que há muito a se aprender com elas, principalmente a importância da performance. Toda literatura oral é, por definição, apresentada Há muito a se aprender com elas, há todo um ensinamento que vai com isso, para explicar como as tradições orais - antes da descoberta ou invenção da escrita, ou em culturas que não tinham escrita - ainda assim podem ser tão ricas, como podem ter tantas canções e histórias nas tradições orais. Milhares e milhares de histórias e canções podem existir dentro de uma tradição oral. Como você deve saber, os textos fundadores da literatura ocidental, a Ilíada e a Odisseia, eram orais, para começar, e só mais tarde foram escritos. Mas na América do século 21 existem formas contemporâneas praticadas como performances orais que ainda podem ser testemunhadas. Hoje o mais próximo disso são as "poetry slams" [competições de poesia falada], onde os poetas têm que memorizar seus poemas e fazer uma apresentação inteiramente oral. A arte da performance - onde geralmente o poeta ou o artista é também o "performer" - as performances beiram o teatro, dança, ritual e cerimonial: todas essas são qualidades da arte oral. A maioria de nós não está praticando isso, mas é algo que aprendemos e respeitamos. Nas poéticas orais a linha entre poesia e prosa não é tão clara, porque toda as tradições dramáticas de narrar estórias são métricas e rítmicas, e é como uma forma de verso livre solta ou até concisa. Se você já assistiu uma sessão de narração tradicional, e ainda há muitos indígenas especialistas nisso, contadores de histórias vivos, que às vezes cantam ou semi-cantam. Na Ásia Central há uma tradição forte na Mongólia, no Azerbaijão ou na Turquia. Nestes lugares ainda se pratica isso, embora eles tenham escrita. Nossos romances em prosa são artificialmente chatos e planos de certa maneira. E as histórias não seriam bem recebidas se fossem escritas como os contos. Dennis Tedlock, que é um estudioso proeminente da literatura oral, e cujo campo é a antiga língua e a narrativa maia, e ele também trabalha com as tradições Zuni do Sudoeste dos EUA. Ele desenvolveu um sistema de escrever estórias, em inglês, tal como são contadas, com versos de extensões diferentes e diferentes tamanhos de fontes: fontes grandes para vozes altas e pequenas fontes para vozes suaves, e fontes minúsculas para sussurros. É muito bom e rico o que ele fez, mas ninguém aprendeu muito com isso. Nós apoiamos da boca pra fora as tradições orais mas a maioria das pessoas não conhece nada sobre isso.

E isso reflete o caráter marginal das culturas indígenas na cultura norte-americana.


Claro que estas culturas são marginais, todo mundo sabe disso. Embora eles tenham uma proteção legal e uma voz forte eles são numericamente pequenos. E claro que a tradição oral não é nativa só dos EUA: ela se encontra também na América do Sul, no sul da Ásia, e por toda a África, e está presente ainda aqui ou ali na Europa, mas não há ninguém fazendo algo com isso realmente. Eu diria que a tradição oral mais viva na cultura americana são as piadas sujas.

Desde o começo da colonização norte-americana, o padrão da invasão do continente pelos europeus foi de violência, de negação do outro, e do holocausto das populações nativas e suas culturas. Você poderia falar sobre o "trauma" presente na mente norte-americana, já que você escreveu que "o índio americano é o fantasma que se espreita no fundo da perturbada mente americana"?

Quando escrevi isso acho que estava citando D. H. Lawrence. Bem, isso é apenas parcialmente verdadeiro. Há outros fantasmas à espreita na cultura americana, até mesmo mais conscientemente presentes agora como, por exemplo, a história do tratamento dos afro-americanos, da escravidão. Nos últimos vinte e cinco anos têm sido publicados livros que tem explorado isso de forma mais aberta e profunda, trazendo anais específicos, listas, dados econômicos, nomes, com informações atordoantes que não existiam quando eu era estudante. A mudança no estudo da história afro-americana na América é significativa, brutal, honesta. As pessoas por toda a América do Norte estão muito mais conscientes disso, não só os afro-americanos. Isso muda o diálogo para melhor, é ainda um território que ainda não foi lidado psicologicamente. Legalmente, estão trabalhando em cima disso, mas espiritualmente ainda há um longo caminho a se percorrer. Porque toda hora vemos uma quantidade de reacionarismo branco nos dias de hoje - particularmente na administração Bush - contra todas as políticas universitárias de inclusão, de ajuda especial para estudantes de minorias.

Isso também tem acontecido no Brasil nos últimos anos. O que pensa sobre isso?

Claro que sou a favor. O Brasil tem uma história de escravidão tão grande quanto os EUA. Acho uma coisa boa, com certeza, e que pode aumentar a discordância, mas acho que é algo necessário pela qual tem que se passar necessariamente. É muito importante apoiar jovens que pertencem à minoria para obter uma melhor educação e curso superior e para se mover mais para o centro da sociedade, mesmo que isso signifique se juntar à classe média capitalista prevalecente. Como no feminismo: há uma linha que é politicamente radical e outra que quer entrar na classe média branca capitalista e apenas fazer dinheiro, o que não me interessa, mas isso sem dúvida serve para abrir o diálogo.

Quando estudamos a história da erradicação das populações indígenas norte-americanas, o que surpreende é a rapidez com que ela ocorreu. Vemos a persistência deste padrão acontecendo agora, por exemplo, desde a invasão do Iraque, com uma ignorância e desrespeito totais pelo outro e sua cultura, pelas culturas nativas. A doutrina do "Destino Manifesto", formulada no século 19, continuaria a ser uma parte importante da política estrangeira norte-americana?

Você sabe, isso não é poesia, é política, e não estou querendo falar muito sobre política. Cada pergunta sua eu poderia responder por meia hora . Eu é que lhe pergunto: o que a poesia tem a ver com poder político? O trabalho do artista, dos poetas, dos escritores, continua o mesmo: como diriam os Quacres, é testemunhar, ver o que está acontecendo em seu próprio tempo e falar deste ponto de vista. Honestamente, outros leitores vão aprender e se beneficiar com isso. O papel mínimo do intelectual é ser um porta-voz, uma testemunha. Meu papel é o de ser uma testemunha da natureza. Embora eu esteja consciente desses temas e problemas raciais e econômicos em nossa cultura, o papel que eu tenho exercido na minha poesia e na minha prosa nesses anos todos têm sido o de estar profundamente envolvido com o mundo não-humano, o mundo natural.

Como você vê a situação do ser humano hoje? Não se pode ignorar que as coisas estão preocupantes, como o terrorismo internacional, a crise ecológica e o aquecimento global, a pobreza de bilhões de pessoas, guerras, violência. Sua poesia frequentemente lida com temas como sobrevivência, comunidade, amor à natureza. Como você vê problemas como esses hoje, além da superpopulação, que você sempre menciona em seus livros? É possível ser otimista?

Não, claro que não é possível ser otimista em relação a nada hoje em dia. Mesmo que não nos preocupássemos com o meio ambiente, mesmo assim, não há razão para ser otimista. Isso por causa do enorme desequilíbrio econômico no mundo todo. Mesmo nos EUA e também no Brasil há a diferença imensa entre as classes mais afluentes e as mais pobres. Nos EUA essa diferença está aumentando o tempo todo. Essas coisas devem ser entendidas em termos de dinâmica histórica, e que ainda está com a gente, o que Marx chama de luta de classes. Na política americana ninguém quer falar sobre luta de classes hoje mas, sem dúvida, é uma parte importante do que está acontecendo. Há uma outra abordagem para essas coisas que eu gostaria de levantar: o mundo humano, com todos os seus problemas, ainda está separado da natureza, ele não entendeu a condição do mundo natural. Você abriu sua pergunta com a pergunta "qual é a situação humana"? E eu pergunto: qual é a situação da natureza? O problema, no mundo desenvolvido, é que os seres humanos são totalmente colocados, sempre, em primeiro lugar. Isso ocorre tanto na tradição científica quanto na religiosa e espiritual, que correm paralelamente. As religiões abrâmicas - como o judaísmo, o islamismo e o cristianismo - compartilham o mesmo mito fundador como a história de Abraão no livro do Gênesis e na Torá. Dos dez mandamentos, o mais importante e o que é lembrado pelas pessoas é "Não matarás", mas isso só se aplica aos seres humanos, e muitas pessoas no ocidente nem sequer percebem isso. Isso evidencia um fracasso moral profundo dessas tradições religiosas, e uma fonte de dificuldade considerável. A tradição científica que se desenvolve nos séculos 16, 17 e no Iluminismo europeu, em particular através de René Descartes, impõe uma visão dualista do mundo e de nossas mentes. É a ideia de que a mente e a matéria não se interagem e que os seres humanos e a inteligência humana estão destinadas a encontrar um modo progressivo de fazer um uso melhor do mundo. O mundo natural é visto apenas do ponto de vista materialista e científico, meramente enquanto um provedor de recursos naturais, como pedrisco, ar, água, peixe: como coisas a serem usadas. É visto como algo para ser usado, como uma grande depósito de madeira. As visões judaico-cristã e islâmica também defendem a posição de que os seres humanos são as únicas criaturas na Terra que têm uma fé divina em potencial, de modo que eles estão destinados a ir para o paraíso. Já os demais seres vivos não teriam tal destinação. Eles são tratados meramente como objetos sobre a mesa, e que algumas vezes exercem apenas a função de personagens em nosso drama de salvar nossas almas, mas eles não evoluem e não vão com a gente. Esta é uma deficiência imaginativa e de preocupação moral tão profundamente embutidas no pensamento do mundo desenvolvido que uma das tarefas das pessoas é chamar a atenção para isso e, assim, abrir o coração para a compaixão. Não só para falar para e pelas pessoas da minoria e pessoas que estão sofrendo mas também para a condição do mundo animal, das plantas, florestas, da água, dos oceanos. Este é um trabalho que mal começou. A preocupação com o aquecimento global leva em conta isso simplesmente porque as mudanças serão tão drásticas, mas o relatório que é mais conhecido trata da possibilidade real do desaparecimento dos ursos polares, em decorrência do desaparecimento do gelo no Pólo Norte. Com certeza haverão cada vez mais casos assim. É interessante como esses temas têm surgido cada vez mais na mente das pessoas. Essa crise ecológica não é algo que vai perturbar a natureza e sim os seres humanos! O mundo natural, que é mais amplo, um processo vasto de milhões e milhões de anos, pode se ajustar às mudanças climáticas. Os seres humanos é que estão preocupados com o que vai acontecer! A natureza pode cuidar de si mesma.

Você foi um dos fundadores do movimento da Ecologia Profunda. E como você vê o movimento ecológico hoje, especialmente nos EUA?

Quando comecei a escrever poesia a ideia de um escritor se interessar por ecologia, pelo mundo natural e por filosofias orientais soava como algo bizarro para a maioria das pessoas. Achavam que eu deveria ser eurocêntrico. Agora creio que há uma maneira mais cosmopolita de se perceber as coisas, por isso as entrevistas se tornaram um pouco mais interessantes. O governo Bush se voltou contra o movimento ecológico. Hoje há duas correntes, eu diria: num nível nacional, um grupo que trabalha como um organização, um lobby, com escritórios em Washington, e que tenta mudar a legislação. Do outro lado, grupos regionais e locais que estão em toda parte, existem as pessoas que estão trabalhando em suas próprias regiões e bacias hidrográficas, a maioria sendo voluntária, e que são pessoas comprometidas em trabalhar com temas locais, e estes estão trabalhando muito bem. Em todo o país, ambientalistas regionais e locais têm chegado a algum tipo de consciência sobre o mundo não-natural, e também uma compreensão maior sobre a viabilidade da natureza. Isto se vê no movimento das bacias hidrográficas: as pessoas entendem que as bacias são ecossistemas em si mesmos, e que através da compreensão da qualidade da água é possível saber o que está errado com nosso sistema. E também há o tema da biodiversidade, o que significa potencialmente perder muitas espécies causada pelo comportamento humano, como a pesca predatória, ou intolerância aos lobos no norte das Montanhas Rochosas, ou com os ursos pardos e outros grandes animais. Em geral, as pessoas acham que a natureza é uma inconveniência . As forças econômicas que impulsionam o desmatamento excessivo na bacia amazônica ou na Indonésia, através de companhias japonesas e chinesas, são um problema global. Por isso, uma das primeiras áreas a ser corrigida é a imaginação humana do mundo. Costumo dizer que a imaginação humana do mundo existente num haiku pode ser a mesma que vai salvar o mundo. Essa imaginação que leva em conta o outro, que neste é caso é simplesmente o outro, o não-humano.

Nos EUA, desde o começo da colonização, existiam alguns caçadores que tinham essa consciência da importância de se integrar à natureza. No entanto, a visão dominante tem sido a da natureza como nossa inimiga. Qual é a origem disso?

A ideia de natureza como algo a ser conquistado e destruído vem principalmente da tradição judaico-cristã, sendo posteriormente reforçada pelo urbanismo europeu e por atitudes mentais ao chegarem no mundo novo moderno, na América moderna, puritana e cristã, para quem a vida selvagem era uma analogia das profundezas obscuras da natureza humana. Pessoas que viviam nas florestas, como os índios, tinham uma vida sexual diferente, mais livre, e que os puritanos queriam a todo custo reprimir. Isso é bem conhecido já nos primeiros estudos de ingleses e franceses que fizeram contato com a América do Norte. Isso é parte do nosso conhecimento de como a psiquê anglo-americana e europeia foi moldada por uma imaginação cristã ao ser confrontada com uma paisagem nova e vasta, a qual não era cheia de estradas e cidades. E há toda uma história sobre isso, contada em detalhe em livros como The Wilderness and the American Mind, de Roderick Nash. O contraste com o mandamento "não matarás" é encontrado no Hinduísmo e no Budismo, é a ética do Extremo Oriente que diz: "cause o mínimo mal e não mate nada a não ser que você precise realmente". Isso inclui toda a vida, plantas, e até mesmo a vida não-consciente. O grau de ética e preocupação com relação à água, ao solo, pedras - como fazem as crianças quando dizem "não machuquem aquela rocha, ela pode ter sentimentos". O mundo tem sentimentos.

Então o que precisamos é de mais Budismo?

Bem, o Budismo aponta um caminho. Não é preciso se tornar budista para perceber que não é só o mundo humano com o qual temos que nos preocupar, mas também com o chamado mundo não-humano. Este é um detalhe tão pequeno, mas tão profundo. E agora existem movimentos ecológicos cristãos que estão reconhecendo isso, grupos pequenos que estão começando a vir à tona, como o Cristianismo Verde.

É possível traçar uma linha de americanos outsiders, que fundem cultura e natureza, uma ética transcendentalista que recorre em momentos da história americana? Você se vê como parte de uma tradição?

Claro que sim. Aprendi muito com Henry David Thoreau, Ralph Waldo Emerson ou Walt Whitman, mas não vejo a ideia do Transcendalismo e do Romantismo estão ressurgindo. Essa visão não é muito útil. Não é assim que as coisas acontecem, porque as influências estão constantemente correndo juntas. Todas essas coisas são simplesmente componentes do passado e o presente corre adiante. Eu diria que um dos componentes mais fortes do passado do mundo desenvolvido é a história de Abraão, a ideia de que Jeová deu a algumas pessoas a Terra Prometida. Que ideia intoxicante! A ideia de que aquela terra foi prometida a você, mesmo que exista gente morando ali, você pode ir lá e se apropriar. Foi isso que os judeus fizeram com Canaã, e foi isso que os europeus fizeram com a América do Norte, que eles a chamaram de "a Terra Prometida". Você já havia pensado nisso? A Califórnia era chamada de Terra Prometida quando as pessoas estavam se movendo rumo ao Oeste, só que já havia gente morando nela! . Nós não temos que nos preocupar com quem está lá porque nos foi prometida, Deus nos deu, é a promessa divina da Torá, da Bíblia, é parte do pacto de Abrãao. Isto não é só falar de religião enquanto uma abstração, leia de novo o livro do Gênesis para entender o que estou querendo dizer. Nós não tínhamos conhecimento deles mas assumimos que era nossa. Já a ideia do "Destino Manifesto" é apenas uma outra maneira de invocar essa psicologia da Terra Prometida: o governo central americano do século 19 daquele tempo afirmava que toda a América do Norte havia sido prometida a nós.

Numa entrevista ao tradutor e ensaísta Eliot Weinberger, você argumenta que "nós pensamos antes da linguagem, e imagens e ideias se tornam linguagem em determinado ponto. Nós temos processos de pensamento fundamentais que são pré-linguísticos. Parte de minha poesia remete a isso". A linguagem não seria simultânea ao pensamento? Não vivemos em estado permanente de linguagem? É possível estar totalmente separados da linguagem?

O que você acha?

Acho que estamos imersos na linguagem o tempo todo, de um modo ou de outro.

Bem, então você precisa investigar mais sobre isso. É para isso que nós meditamos: para investigar profundamente nossas próprias mentes e realmente ver - ao sentarmos e nos observar enquanto pensamos, observar o que a mente está fazendo sozinha dentro de você - em que momento e o quanto esse processo é linguístico. Você me perguntou antes sobre Zen. Como eu cheguei à essa conclusão a que você se refere? Depois de ter meditado milhares de horas e de ter realmente trabalhado em cima disso, e eu queria ver de onde vinham meus pensamentos. Esta é minha resposta. Para qualquer pessoa que diga o contrário eu diria, "tente você mesmo". Mas não aceite isso como apenas uma ideia: essa é um ideia popular e pós-moderna, a de que todo pensamento é linguagem. Ok, mas é apenas uma ideia. Mas você já investigou essa ideia? Como você sabe disso? É só uma opinião, ou você está repetindo o que outras pessoas disseram? Ou é algo que você aprendeu olhando dentro da sua própria mente? É só o que posso lhe dizer: olhe para sua própria mente.

Não poderia deixar de perguntar sobre sua relação com Jack Kerouac, que o transformou em personagem principal do romance The Dharma Bums [os vagabundos do dharma], de 1958? [Snyder ri]. Ele parece que tinha um carinho especial por você, tendo sofrido influência sua.

Eu não sei se tive tanto contato assim com Jack, em comparação a outras pessoas, especialmente depois que fui pro Japão. Jack e eu dividíamos uma casinha em Marin County, perto de San Francisco, no outono de 1955 e no começo da primavera de 1956. Cozinhávamos e vivíamos juntos neste lugar pequeno e simples. Não tínhamos eletricidade. Morávamos numa casa inacabada e sem janelas. Fazíamos trabalho florestal e fizemos longas caminhadas juntos nas montanhas. Eu fui embora pro Japão em maio de 56, e depois nunca mais o vi.

Sério?

Sério. Estive por doze anos no Japão. Mantivemos certa correspondência por um tempo. Seus editores me mandaram On The Road e The Dharma Bums quando foram publicados. Jack pediu desculpas por me colocar no livro, mas eu fui apenas um modelo artístico para o personagem Japhy Ryder. E ele me devia mesmo desculpas porque ele me causou alguns problemas. Desde então, ao longo dos anos tenho tido que explicar que não sou Japhy Rider! . Minha vida e personalidade foram apenas um modelo para o personagem, que vai lá e faz outras coisas no romance que eu nunca fiz. Para se dar algum crédito a Jack, devo lembrar que ele não era um jornalista e sim um romancista. Fiquei um pouco irritado com algumas pessoas tomando o personagem como um modelo. Minha correspondência com ele geralmente tratava mais de aspectos do Budismo. Ele tinha compreensões muito doces, tinha coração doce e profundo. Não importa outros problemas que ele tivesse, confusões sobre sua sexualidade, sobre sua mãe, e bebida demais. Mas ele tinha um bom coração, e no fim da vida parou de escrever e foi cada vez mais fundo em seus problemas, e então ele se virou contra Allen Ginsberg! Acusou Allen de ser judeu, entre outras coisas. E no fim se voltou para sua herança católica.

Você acha que a poesia perdeu sua força cultural nos EUA, como possuía na época da geração beat?

Veja, a poesia vem e vai. Forças culturais são ocasionalmente acidentes. Através da história, vemos que, quando o tempo é apropriado, o escritor certo aparece como uma força cultural. Não é que a literatura seque e vai embora, é que cada época tem sua peculiaridade. Somado a isso, vivemos na era da mídia eletrônica. Quando me perguntam sobre qual é a influência da mídia sobre a literatura eu respondo que linguagem é linguagem: ela ainda é o instrumento mais maravilhoso que possuímos. Nada vai substituí-la. Os escritores e poetas são aqueles que estão mais atentos à linguagem. A linguagem sempre continuará com a gente.

Você foi membro do Conselho de Artes da Califórnia. Qual é sua opinião sobre políticas públicas governamentais para a literatura e as artes?


Eu tenho sentimentos variados este assunto. Não tenho dificuldade nenhuma em ver as artes enquanto negócio, em ver um artista que pode ocupar seu lugar no mercado de arte e ver quão bem ele se sai. Isso se dá especialmente no caso do romance, que certamente compete no mercado. Mas há outras artes que, por várias razões, não podem competir no mercado, e outras que não têm absolutamente entrada no mercado, como a poesia. É simpático apoiar a poesia com fundos mas você não precisa do governo para isso, para fazer uma pequena publicação. A poesia é sempre uma arte marginal, sempre semi-subterrânea, e é uma arte de comunidade. Não é uma carreira: é uma vocação. Você é levado a ela, é um dom. Você não deve se preocupar se está fazendo dinheiro ou não com poesia. O que você precisa fazer é trabalhar com a sua comunidade. É uma coisa cultural. As culturas tradicionais não precisam de dinheiro do governo, precisam é de apoio da comunidade, isso sim. Sim, as artes precisam de apoio da comunidade, mas não quero falar sobre dinheiro governamental. Pra dizer a verdade, o governo norte-americano ferrou com a arte neste país, especialmente em nossos dias.

Em Back on the Fire você fala sobre o controle florestal através do fogo, o que pode parecer paradoxal para algumas pessoas. Você escreve sobre como a saúde ecológica das florestas da Califórnia, especificamente, dependem em parte desses incêndios periódicos. Poderia falar mais sobre isso?

Eu uso o fogo como uma metáfora interessante. Na diretriz de gerenciamento florestal nos EUA e no mundo, por mais de cem anos o fogo florestal era considerado como um tipo de inimigo. Consequentemente, toda vez que aparecia um incêndio florestal, mesmo que pequeno, ele era apagado imediatamente. A metáfora era ressaltar e identificar o fogo como perigoso e demonizá-lo. Então perceberam que, ao se apagar pequenos incêndios, de repente isso apenas aumentava a chance de imensos incêndios, que é o que temos tido, principalmente na costa oeste dos EUA. A falha é toda nossa. A metáfora que uso é social, política e espiritual: a questão é como não demonizar coisas que são simplesmente inconvenientes. Como usar o fogo, por exemplo, como amigo. E isso pode ser aplicado a muitos territórios da vida humana, como na política. Pegue o exemplo da guerra no Iraque: a rejeição da diplomacia por parte da administração Bush, desde o começo, e que teria resolvido o problema, e a pressa e voracidade em começar esta guerra, desinformação fantasiosa, é um caso de se querer demonizar e de se recusar a ter um entendimento maior, e uma negação de ser tratar a questão de um modo mais gentil, e é exatamente sobre isso a que o título do meu livro se refere. Como fazer do fogo - algo que se costuma pensar como um inimigo - um aliado? E é exatamente isso que os EUA tem tratado, oficialmente, em relação ao problema da imigração, sobre o qual também trato no livro.

Em 'Back on the Fire' você traça diferenças entre migração - que historicamente é um processo natural - da imigração, que assume, por definição, o sistema de estado-nação, como sendo um problema político. Já Michael Hardt e Antonio Negri, em Império, afirmam que a ideia de estado-nação está em desuso, que não é mais possível pensar o mundo em termos de estado-nação.

A migração é algo que tem acontecido através dos tempos, era uma questão de populações se movendo livremente de um lugar para outro. Quando os ancestrais dos índios norte-americanos vieram da Ásia para a América do Norte provavelmente não haviam pessoas aqui. Foi uma migração sem problemas. Mas a imigração se torna um problema quando as fronteiras nacionais já existem. Isso o força a pensar o que é uma fronteira, como torná-la porosa, e quando se fecha uma fronteira e por quais motivos. No meu ponto de vista é imperativo se pensar em termos de capacidade ecológica, em algum momento, simplesmente porque, por estarmos presente aqui, nós temos uma obrigação não só para a nossa sociedade mas para a Terra em si mesma. Mas de fato as fronteiras entre os EUA, Canadá e México são algo inúteis neste momento. A administração Bush está construindo uma imensa muralha na fronteira com o México, e agora estão fazendo isso no Arizona. É só para mostrar serviço. Ela não só não será terminada como não resolverá os problemas. Vamos ver o que acontece depois do Bush, com certeza algo melhor ou pelo menos diferente vai acontecer. É o que todos esperamos.

Você diz que não se considera um americano mas um habitante de Turtle Island [ilha da tartaruga]. Como é isso?

Não gosto da palavra América. Quem é esse cara, Américo Vespúcio, que nem esteve aqui? "Turtle Island" é um nome que os nativos americanos davam para o continente norte-americano. É um nome charmoso, eu gosto mais, o faz pensar de uma maneira diferente. "América" se aplica aos últimos quinhentos anos de história, quando os europeus chegaram aqui. Já "Estados Unidos" é um termo que se aplica a mais ou menos duzentos anos de história. Quão velha é a palavra "Brasil"? Quinhentos anos ou mais? "Turtle Island" é um nome que existe há milhares de anos, e quando uso o termo estou apenas tentando lembrar as pessoas de que este é um continente antiquíssimo. Sua origem e história são geológicas e mitológicas. Quando usamos o termo "Turtle Island" estamos nos referindo a um lugar que existe há milhões de anos, com uma presença humana de 40 a 50 mil anos. E é por isso que "Turtle Island" é um bom termo, coloca o tempo sob outra perspectiva. Não sei que nome seria mais adequado para a palavra "Brasil", ou "América do Sul". Isso é com vocês.

Rodrigo Garcia Lopes é escritor e jornalista, autor de Nômada (Lamparina), Vozes & Visões: Panorama da Arte e Cultura Norte-Americanas Hoje (Iluminuras) e professor de Português e Literatura na Universidade da Carolina do Norte (Estados Unidos).


FONTE: Estadão - São Paulo,SP,Brazil

quarta-feira, abril 01, 2009

CULTURA: AD ALESSANDRIA POESIA , NARRATIVA E GASTRONOMIA


Cultura
CULTURA: AD ALESSANDRIA POESIA , NARRATIVA E GASTRONOMIA

ultimo aggiornamento: 01 aprile, ore 16:22Alessandria, 1 apr. (Adnkronos) - La poesia, la narrativa italiana under 40, i reportage, il binomio letteratura e gastronomia: questi i temi di sabato 4 e domenica 5 aprile al Villaggio del Libro quando sara' inaugurata l'edizione 2009 del Festival permanente Una cultura di Provincia.

A far da cornice le sale ottocentesche di Palazzo Mossi, gioiello architettonico della cittadina di Frassineto Po. Il primo incontro sara' dedicato a lettori 'buon gustai': sabato 4 alle 17.00 Elena Accati presenta il suo libro "La cucina dei naviganti", un testo scritto a quattro mani con Paola Accati e pensato per sfatare il preconcetto secondo cui ''navigazione e cucina non vadano d'accordo''. Il libro e' una guida alla scoperta di piu' di 150 ricette e di tutti gli accorgimenti necessari per metterle in pratica durante la navigazione. Ancora sabato, alle 21, e' prevista una proiezione a cura di SuperOttimisti, un progetto di recupero della memoria attraverso la raccolta di filmati amatoriali; un nuovo modo di ripensare la storia e di raccontarla attraverso il materiale inedito ripreso dai cineamatori nel corso degli anni. Per l'occasione verranno proposti dei filmati amatoriali appositamente restaurati dedicati alla zona del Monferrato, con accompagnamento musicale a cura del duo torinese Gattico & Suzuki.

FONTE: Adnkronos/IGN - Roma,Italy

terça-feira, março 24, 2009

Filho da poetiza Sylvia Plath comete suicídio 46 anos depois da mãe


Filho da poetiza Sylvia Plath comete suicídio 46 anos depois da mãe
Há 1 dia
LONDRES, Reino Unido (AFP) — O filho dos poetas Ted Hughes e Sylvia Plath, Nicholas Hughes, cometeu suicídio na semana passada, 46 anos depois da mãe ter se matado, noticia o jornal londrino The Times.
Nicholas Hughes, que sofria de depressão, se matou dentro de casa no estado americano do Alasca, informou a irmã dele ao periódico.
Nicholas Hughes era professor de ictiologia e ciências oceânicas na Universidade do Alasca-Fairbanks, mas recentemente havia renunciado ao cargo para instalar uma oficina de cerâmica em casa.
"Com profundo pesar devo anunciar a morte de meu irmão, Nicholas Hughes, que tirou a própria vida em 16 de março de 2009 em sua casa no Alasca",
afirma Frieda Hughes em um anúncio publicado pelo Times.
Nicholas Hugues era solteiro e não tinha filhos.
Sua mãe, Sylvia Plath, americana, cometeu suicídio em fevereiro de 1963 ao deixar aberto o gás da cozinha de casa, depois de ter vedado com toalhas o quarto dos filhos.
Ted Hughes, britânico, morreu em 1998, depois de ter vivenciado outra tragédia, quando sua companheira Assia Wevill também cometeu suicídio com gás, matando ao mesmo tempo a filha do casal, em 23 de março de 1969.
Vários críticos acusaram durante muito tempo Hughes, por suas infidelidades conjugais, de ter sido a causa da morte da esposa.
O escritor inglês evitou durante anos comentar publicamente a morte de Plath, até publicar, pouco antes da morte, Cartas de Aniversário, uma obra na qual recorda os sentimentos da época.
Alguns críticos literários lamentam ainda que boa parte da notoriedade de Sylvia Plath se dever às circunstâncias de sua morte, e não a suas obras.

FONTE (imagem incluída): AFP

sexta-feira, março 13, 2009

Salvador recebe neste sábado primeira seletiva de 2009


Salvador recebe neste sábado primeira seletiva de 2009

O judô brasileiro faz sua primeira seletiva de 2009 neste sábado (14), em Salvador (BA). O evento definirá 16 judocas que farão parte da Seleção Brasileira Sub-23, no ginásio do Complexo Esportivo “Presidente Dr. Nelson Dahia” - SESC Aquidabã, a partir das 9h30min. Paralela à Seletiva Sub-23, acontecerá a disputa por vaga na seleção sênior na categoria até 90kg, entre Tiago Camilo, Hugo Pessanha e Ricardo Trevisan. Dois atletas se juntarão a Eduardo Santos, titular em Pequim 2008.

Medalha de bronze na categoria médio (-81kg) nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, Tiago Camilo trocou de categoria após a Olimpíada e na seletiva deste sábado fará sua primeira competição na carreira em solo baiano.

“Desde que resolvi subir de peso, logo após competir em Pequim, fiz todo um trabalho voltado para esta minha nova categoria e poder voltar à seleção brasileira é muito importante. Resta apenas ajustar alguns detalhes para que tudo dê certo”, diz Tiago Camilo.

O medalhista também destaca a importância de competir fora do eixo Rio-São Paulo.

“Quando era criança ficava muito empolgado com a possibilidade de ver um atleta olímpico lutar. Esta troca de carinho com o público é muito especial”, conta Tiago.

A equipe Sub-23 que saíra desta seletiva representará o país no Campeonato Sul-Americano 2009 e na etapa brasileira da Copa do Mundo de Judô 2009, que contará pontos para o ranking mundial. A seletiva terá um total de 263 participantes, sendo 168 homens e 95 mulheres. Entre os atletas, destaque para a campeã mundial júnior, Rafaela Lopes (-57kg), e Charles Chibana (-60kg), medalha de bronze no Campeonato Mundial por Equipes 2008.

“Após três anos competindo no 63kg, decidi com o meu treinador e o preparador físico iniciar este novo ciclo olímpico numa categoria acima. Neste primeiro momento a dificuldade é me adaptar à força das adversárias, mas tenho a vantagem de ser veloz e a expectativa é muito boa para esta seletiva”, diz a gaúcha Natália Bordignon.

Programação (horários previstos)
14 de março (sábado)

7h às 7h30min Pesagem Extra-Oficial: SESC Aquidabã.

7h30min Pesagem Oficial: SESC Aquidabã

9h30min Início da Seletiva (masculino e feminino) - super ligeiro, ligeiro e meioleve

13h Início da Seletiva (masculino e feminino) - leve,meio médio e médio

16h30min Início da Seletiva (masculino e feminino) - meio pesado e pesado

Atenção atletas e treinadores: a pesagem da seletiva sub-23, que acontece neste sábado em Salvador, foi transferida do ginásio para o hotel oficial do evento (Hotel Pelourinho. Rua das Portas do Carmo, 20 - Pelourinho)

Já o congresso técnico será realizado no ginásio, ambos nos horários previstos na programação.

Confira a lista completa dos atletas já com a definição dos cabeças de chave AQUI

FONTE: (imagem incluída): CBJ

Tiago Camilo disputa seletiva para seleção de judô


Judô sexta-feira, 13 de março de 2009 - 15h54
Tiago Camilo disputa seletiva para seleção de judô

Medalhista de bronze nos Jogos de Pequim mudou sua categoria de disputa no último ano.

Agência Estado

Bahia - Como decidiu mudar de categoria, passando do meio-médio (até 81kg) para o médio (até 90kg), Tiago Camilo terá de passar por uma seletiva para entrar na seleção brasileira de judô. E o desafio de um dos melhores judocas do mundo será neste sábado, quando ele enfrentará Hugo Pessanha e Ricardo Trevisan em Salvador.
Essa é a terceira categoria na carreira de Tiago Camilo no judô. Ele começou no leve (até 73kg), na qual conquistou a medalha de prata na Olimpíada de Sydney, em 2000. Depois, passou pelo meio-médio (até 81kg), época em que foi campeão mundial, em 2007, e medalhista de bronze na Olimpíada de Pequim, no ano passado.
Agora, em busca de novos desafios na carreira, Tiago Camilo decidiu subir de peso. O curioso é que ele já representou o Brasil no médio quando ainda era do meio-médio. Foi nos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007, quando ganhou a medalha de ouro mesmo fora da sua categoria - a mudança, na época, foi decisão da comissão técnica da seleção.
Na categoria médio, apenas um judoca já está garantido na seleção brasileira. É Eduardo Santos, que foi titular nos Jogos de Pequim, no ano passado. Assim, na seletiva deste sábado, Tiago Camilo, Hugo Pessanha e Ricardo Trevisan disputam as outras duas vagas na equipe que buscará vaga para a Olimpíada de Londres, em 2012.
"Desde que resolvi subir de peso, logo após competir em Pequim, fiz todo um trabalho voltado para esta minha nova categoria e poder voltar à seleção brasileira é muito importante. Resta apenas ajustar alguns detalhes para que tudo dê certo", disse Tiago Camilo, mostrando confiança na seletiva que acontece em Salvador.


FONTE: Diário de Canoas - Canoas,RS,Brazil

Poesia e cultura árabe na UE


Pátio dos Leões Palácio de Alhambra
Foto: SXC
Canal: "Canal Universidade"
Poesia e cultura árabe na UE
Almutâmide e a Poesia do Garb al-Andalus são os temas do colóquio internacional sobre poesia e cultura árabe, que conta com uma homenagem ao Prof. António Borges Coelho, pioneiro nas questões relacionadas com os estudos árabes. Nos dias 13 e 14 de Março, na sala 205, do Palácio do Vimioso da UE.

Com alguns dos mais prestigiados arabistas e investigadores ibéricos e marroquinos, na área da poesia árabe em português, este colóquio é uma organização do CIDEHUS-UE, em colaboração com o Centro de estudos documentais do Alentejo, e conta com a presença de Cláudio Torres, doutor honoris causa da UE e director do Centro Arqueológico de Mértola e de Teresa Garulo, a maior especialista em poesia árabe na Península Ibérica.

No dia 13 consta ainda no programa um convívio gastronómico mediterrânico, com dança oriental, por Elsa Shams e recital de poesia bilingue, por Tiago Bensetil e Eduardo M. Raposo. No mesmo dia pelas 22horas, Eduardo Ramos e "Ensemble Moçarabe" participam no recital de música "Luso-Arabe".

FONTE (foto incluída): Jornal on-line da Universidade de Évora - Portugal - Évora, Évora,Portugal

quinta-feira, março 12, 2009

Nueve convocados para el Europeo de Tiblisi de judo


CINCO CATEGORÍAS DE PESO ACUDEN DESIERTAS A ESTA GRAN CITA
Nueve convocados para el Europeo de Tiblisi de judo

13/03/09 - 00:33.

Se acaba de hacer oficial la lista de judokas convocados para el próximo campeonato de Europa a celebrarse en Tiblisi. En esta ocasión se han seleccionado nueve de los catorce posibles, Kiyoshi Uematsu en -73 Kg. Jorge Benavente en -81 Kg. Ana Carrascosa en -52 Kg. Cecilia Blanco – 70 Kg. y Esther San Miguel, todos ellos integrantes del grupo A se lo ponían claro a Javier Alonso subdirector técnico de la federación española, cumpliendo con la normativa exigida para acudir a este europeo: medalla en torneo internacional de este año y gozar de la mayor puntuación del ranking mundial, mientras que Oiana Blanco en -48 Kg. Javier Delgado – 66 Kg.
David Alarza en -90 Kg. y Ángel Parra en + 100 Kg. han sido convocados a criterio de la nueva comisión que tiene para este ciclo olímpico nuevas líneas de trabajo “queremos establecer una línea de trabajo que nos permita trabajar con todos los judokas que consideramos de calidad, queremos repescar a gente valida y que no se pierda por el camino, el pasado viernes tuvimos una reunión con los entrenadores y la gente salió muy contenta con lo que vamos hacer, se va a crear un circuito B para ir moviendo a la gente, porque hay más competiciones aparte de este europeo y el mundial, están los juegos del mediterráneo y el resto de torneos del circuito. Hemos convocado a Oiana por su calidad, con David y Ángel lo teníamos muy claro y en – 66Kg es un peso que goza de mucha calidad con Sugoi Uriarte, David Ramírez y Javier Delgado, hemos considerado que había que valorar el resultado del campeonato de España.
Que no vaya un deportista del equipo nacional no significa que le descartemos, insisto este año hay muchas competiciones y muy importantes como son los juegos del mediterráneo” puntualizaba Alonso, esta decisión la de -66 Kg. quizás sea la más controvertida dentro de esta segunda tanda de deportistas, Sugoi pertenece al grupo A y es el número 23 del ranking mundial a sus 24 años mientras que Delgado actual campeón de España a sus 30 años está en el puesto 33 y aventaja al alavés en una salida internacional, el pasado 2008 fue un año en blanco de resultados internacionales para este madrileño pero veterano judoka y en su categoría de peso fue Óscar Peñas quien lograba la clasificación para Pekín, ahora en Tiblisi se le presenta una gran oportunidad para dejar las cosas claras.
La pasada semana la Federación Internacional haciéndose eco de la crisis económica que se atraviesa decidió cambiar y empezar la carrera de puntos clasificatorios para los juegos de Londres desde mayo del 2010 en lugar de principios de este. Ha supuesto un respiro para los deportistas españoles y para la estructura de trabajo que quieren desarrollar desde la federación española según manifestaba Javier Alonso “El cambio nos ha venido bien y podremos estar más desahogados ya que los puntos empiezan en el 2010 y contarán al 100% un año antes de los juegos, ahora estamos viendo con que gente contamos para realizar dos líneas de trabajo”.
Han quedado desiertos de cara a esta gran cita las categorías de -60 Kg. -100 Kg., -57 Kg., -63 Kg. y + 78 Kg. con estos parámetros la transición del relevo es todo un dilema, tanto que es difícil distinguir si la crisis está haciendo mella en el judo español o el judo español ya estaba en crisis.
FONTE: Marca - Spain

Homenagem da RB33 ao poeta Ruy Belo


Homenagem da RB33 ao poeta Ruy Belo

Na edição de 5 de Março, na última página na Foto Revista lê-se que a “A romagem à campa rasa do poeta Ruy Belo – que teria feito 76 anos no dia 27 deFevereiro – para deposição de uma coroa de flores no cemitério de São João da Ribeira passou completamente despercebida na sua terra natal.”
Para que as pessoas percebam que a população de S.João da Ribeira não se alheou do aniversário do poeta é bom esclarecer que foi organizada no dia 28 (sábado) pelo RB33(Ruy Belo – nasceu em 1933) – Associação de Jovens de S. João da Ribeira, com o apoio da Junta de Freguesia e da população uma homenagem ao poeta, (para a qual O MIRANTE foi convidado a estar presente) onde estiveram entre outros a Drª Maria Teresa Belo, esposa de Ruy Belo, que veio propositadamente de Lisboa. A homenagem que se fez ao poeta Ruy Belo, que nasceu nesta freguesia, foi merecida e foram as gentes e as forças vivas desta terra que a fizeram.

FONTE: O Mirante - Santarém,Santarem,Portugal

Le Labyrinthe de la solitude



Le Labyrinthe de la solitude
OCTAVIO PAZ
Au rang des traits qui définissent au mieux le caractère mexicain, c'est la solitude que le grand Octavio Paz érige en symbole. Et le pays - son pays - s'incarne dans 'Le Labyrinthe de la solitude', publié en 1950, un texte magistral qui ausculte ce penchant naturel, cette donnée culturelle fondamentale.

Lorsque paraît cet essai ambitieux sur le peuple mexicain, Octavio Paz, qui n'a que 36 ans, a derrière lui quelques illustres poèmes. Mieux, ce petit-fils d'intellectuel a déjà soutenu les républicains dans la guerre civile espagnole, fréquenté les surréalistes à Paris, vécu deux ans entre San Francisco et New York, fondé différentes revues littéraires et intégré le corps diplomatique mexicain en 1945. Un parcours hors normes, à l'image de ce 'Labyrinthe de la solitude', une oeuvre brillante, devenue presque soixante ans après sa parution un texte fondamental de la culture mexicaine. Paz y livre sa vision d'un peuple en quête d'identité, un peuple qui s'est construit sur un sentiment d'infériorité induit par son histoire, et une forme de résignation : "la fermeté dans l'adversité".

Dans ce texte flamboyant, non seulement l'écrivain tente l'impossible définition de la mexicanité, mais il entend replacer la nation mexicaine au centre des événements qui ont marqué sa formation. "L'homme, à mon sens, n'est pas dans l'histoire : il est l'histoire", écrit-il, insistant sur le bien-fondé de son projet et la nécessité de comprendre le peuple mexicain au regard de l'histoire, mais aussi de lire l'histoire comme le miroir de l'identité mexicaine. Aussi trouve-t-on dans cet essai une mixité d'influences et de cohabitations qui forment l'essence du Mexique autant que la personnalité de l'écrivain lui-même. "Si le Mexique est né au XVIe siècle, c'est en tant que fils d'une double violence impériale et unitaire : celle des Aztèques et celle des Espagnols." Au fondement de la civilisation mexicaine contemporaine, les vestiges des civilisations préhispaniques se mêlent aux stigmates de la colonisation européenne qui eux-mêmes se confrontent à l'influence des Etats-Unis voisins. Paz fonde son étude du caractère mexicain sur cette chronologie et cette géographie capitales avant d'expliquer comment l'indépendance et la révolution finissent d'unifier le pays en y incluant toutes les classes jusqu'alors écartées par la logique coloniale.

Dans une multitude de signes distinctifs intimement liés à l'histoire du pays et des peuples qui y coexistent, Octavio Paz parvient à dresser une cartographie éloquente du "Mexicain". Il y dépeint une virilité exacerbée, une culture de la mort, un goût de l'ordre et de la forme, une identité construite entre rejet et héritage des valeurs de l'Ancien Continent. Mais si l'écrivain oppose bien une certaine objectivité des critères à la complexité de l'entreprise, la définition annoncée au fil des pages relève bien d'une analyse psychologique subjective et d'une généralisation contestable. D'autant que sous couvert d'un regard critique sur son pays, Octavio Paz ne mâche pas ses mots et n'épargne en rien ses compatriotes ; une critique qu'il estime nécessaire à la libération et à la reconstruction.

Sur la forme, l'essai anthropologique d'Octavio Paz relève largement de son art savant du langage. Auteur d'une oeuvre poétique majeure - il publie son premier recueil de poèmes, 'Luna silvestre' en 1933, à l'âge de 19 ans -, Paz apporte un soin considérable à ses textes en prose et y incorpore des codes stylistiques souvent proches de la poésie, magnifiant les faits avérés de l'histoire en y mêlant la force des mythes qu'il estime être à la base de la politique contemporaine. Poète, romancier, critique littéraire, essayiste et journaliste, Octavio Paz a marqué le XXe siècle de son empreinte, laissant derrière lui - outre une oeuvre poétique qui lui valut le prix Nobel de littérature en 1990 - une masse considérable d'essais culturels et sociétaux dont 'Le Labyrinthe de la solitude' marque tout à la fois le fondement et le témoignage le plus légendaire.
Thomas Flamerion pour Evene.fr - Mars 2009

FONTE (foto incluída): EVENE - Paris,France

quarta-feira, março 11, 2009

Crise Mundial chega ao Judô e adia início de Seletiva Olímpica


Crise Mundial chega ao Judô e adia início de Seletiva Olímpica
Alteração fará Brasil rever seu planejamento. Pontos de Sarah Menezes serão válidos até 2011.
A Confederação Brasileira de Judô - CBJ - confirmou nesta quarta-feira (11) as alterações anunciadas pela Federação Internacional de Judô - IJF nas regras para a seletiva olímpica visando os Jogos de Londres, em 2012. Em função da crise mundial, que impede os judocas de disputarem vários torneios e somarem pontos no ranking mundial, a contagem dos mesmos no processo olímpico só será válida a partir de 2010, e não 2009 como estava planejado.

Na prática, o ranking continua existindo. No entanto, os resultados para Londres só serão válidos a partir de 1º de maio de 2010 até 30 de abril de 2012. Antes era válidos pontos obtidos desde janeiro deste ano, o que fez os judocas brasileiros, inclusive a piauiense Sarah Menezes (até 48kg), anteciparem seus treinamentos. A atual campeã mundial júnior soma 60 pontos no novo ranking, obtidos na Copa do Mundo de Paris.
Essa pontuação hoje classificaria Sarah para Londres. No entanto, em 2011 ela não valerá mais nada. Isso porque os pontos tem validade de dois anos, e perdem metade de seu valor após 12 meses. Com isso, a pontuação de Paris será igual a 30 no próximo ano, e vai expirar em abril de 2011, o que ainda obriga cada a judoca a continuar buscando pontos para se garantir na Olimpíada.
Mesmo assim, todo o planejamento anunciado no início do ano pela CBJ terá de ser revisto. "Assim como todos os países, fomos pegos de surpresa com esta alteração no sistema de classificação olímpica. Vamos estudar a melhor maneira para definir a equipe que representará o Brasil em Londres 2012", diz o coordenador técnico internacional da Confederação, Ney Wilson.

Fábio Lima

FONTE (foto incluída): Cidadeverde.com - Teresina,PI,Brazil

terça-feira, março 10, 2009

JOVEM, AGRADÁVEL E BRILHANTE - com vocês Felipe Lima!

Todos conhecem a mitologia dos talentos. As pessoas simples não tem gênio, as talentosas são geniosas demais, e as diversas capacidades se separam por universos de distância neste turbilhão da alma humana.
Conheci recentemente um jovem diferente. Simples, generoroso, extremamente disposto a aprender e capaz do relacionamento e da construção interativa nos trabalhos de equipe. Em síntese: a alegria dos Recursos Humanos das empresas modernas. Chama-se Felipe Lima, e se apresenta como ilustrador.
Jovem adulto com ares de menino, me apresentou trabalho, que me deixou perplexo, e que não quero empalidecer com elogios que só refletiriam minha rendição ante ao fato posto. O brilho de Felipe Lima, como o dos astros verdadeiros, não depende da luz que se refugia nos olhares. Acredito que este destino já esteja traçado. Vejam isto:







Felipe Guedes Lima tem 21 anos é ilustrador, solteiro e estuda design gráfico na FUMEC, e-mail: fill_lima@hotmail.com.

Redação: Judô e Poesia - http://judoepoesia.blogspot.com/