Mostrando postagens com marcador Marina Colasanti. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Marina Colasanti. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, outubro 19, 2009

Palavra de mulher


prêmio
Palavra de mulher
Ao longo de sua história, o Nobel da Literatura laureou 89 homens e somente 12 mulheres. A matemática reproduz a desigualdade que ainda persiste entre os gêneros

Publicado em 18/10/2009 Annalice Del Vecchio

A alemã de origem romena Her­­ta Müller recebeu no último dia 8 de outubro o Prêmio Nobel de Literatura de 2009 em uma decisão que surpreendeu a crítica, não só pela pouca idade da au­­tora, 56 anos, mas por ela ser pouco conhecida fora de Europa, onde chamou a atenção em 1982, ao lançar na Romênia a co­­le­­tânea de contos Niederungen (Terras Baixas, inédito no Brasil).
Herta Müller é a 12.ª escritora a ser premiada com o Nobel, em uma edição que teve cinco mulheres vencedoras, entre elas, a primeira economista a receber um Nobel, a professora Elinor Ostrom, da Universidade de Indiana.
Criado em 1901, ao longo das décadas a láurea criada pela Academia Sueca concedeu 101 prêmios de literatura – 89 deles em posse de homens. Mas, já em 1909, a primeira mulher recebeu a distinção: a sueca Selma Lagerlöf (leia quadro nesta pégina).
Mesmo sendo bem poucas, “elas” pontuaram a história do Nobel literário. A Lagerlöf seguiram-se a italiana Grazia Deledda (1926), a norueguesa Sigrid Undset (1928), a norte-americana Pearl Buck (1938), a chilena Gabriela Mistral (1945), a sueca Nelly Sachs (1966), a sul-africana Nadine Gordimer (1991), a norte-americana Toni Morrison (1993), a polonesa Wislawa Szymborska (1996), a austríaca Elfriede Jeli­­nek (2004), a inglesa Doris Les­­sing (2007) e, finalmente, Herta Müller.
A escritora Marina Colasanti, autora de mais de 30 obras, entre elas Fragatas para Terras Distantes, de 2004, diz que basta ler as manchetes dos jornais anunciando os vencedores para se verificar a desigualdade que ainda pesa entre homens e mulheres. São títulos que enfatizam o gênero como “Primeira mulher a vencer o Nobel de Economia” ou “Uma mulher vence o Nobel de Li­­te­­ratura”.
Se, em 1909, uma época em que as mulheres eram tão pouco estimuladas a realizar atividades intelectuais, o Nobel foi concedido à Lagerlöf, porque o número de vencedoras não aumentou à medida que as mulheres foram conquistando seus direitos?
“É um conjunto de fatores ainda ligados à sociedade patriarcal, cujo desmonte é lento e trabalhoso. Houve de fato modificações intensas, mas precisam de muitos séculos para se estruturar. Os avanços não são feitos em linha reta e constante como um trem. Houve períodos de arrefecimento, outros mais intensos, e agora vivemos um novo momento de arrefecimento, em que há um silêncio sobre essas questões. No Brasil isso é flagrante”, diz Marina.
Para a professora do Depar­ta­mento de Literatura Italiana da Universidade Federal do Paraná, Lucia Sgobaro Zanette, “tanto a produção artística como a científica das mulheres é, de uma certa maneira, menos valorizada, as mulheres ainda estão conquistando espaço e voz. Nesse sentido, a obra de Grazia Deledda é exemplar, pois ela dá espaço e voz a uma determinada realidade muito peculiar, a da Sardenha, através de uma apurada e atenta sensibilidade feminina”.
Marina Colasanti afirma que, para que mais mulheres ganhem o Nobel, é necessário que as mulheres sejam avaliadas “exatamente como são os homens, desde a primeira leitura de um original passando pelo processo editorial, de crítica, e sem o véu de preconceito que ainda existe”.
Diversidade temática
Criada na comunidade alemã da cidade romena de Nitchidorf, Herta Müller criticou a ditadura de Nicolau Ceausescu e foi perseguida pela polícia secreta. Em 1987, fugiu para a Alemanha com o marido. Sua trajetória e sua obra coadunam-se com a lógica da Academia Sueca de laurear autores que usam a literatura como elemento transformador.
Entre as mulheres, há casos exemplares como o da norte-americana Toni Morrison, vencedora do Nobel de 1993, que em seus romances relata as experiências dolorosas das mulheres negras nos Estados Unidos dos séculos 19 e 20. Amada, por exemplo, é uma narrativa inspirada em uma notícia que Morrison leu no jornal sobre uma escrava fugitiva que cortou a garganta da filha para evitar que ela tivesse o mesmo destino. Adaptado para o cinema no filme Bem-Amada, de 1998, com Oprah Winfrey e Dan­ny Glover, o romance é o primeiro de uma trilogia, formada por Jazz e Paraíso, e rendeu à autora o Prêmio Pulitzer de melhor ficção.
Doris Lessing, a pessoa mais idosa a receber o Nobel literário, em 2007, aos 86 anos, deixa en­­trever em sua obra a influência de seus anos na África. Devido a campanhas públicas que encampou contra as armas nu­­cleares e o regime de apartheid na África do Sul, foi banida da­­quele país e da Rodésia durante muitos anos. A autora foi anunciada durante a premiação como “contadora épica da experiência feminina que, com ceticismo, ardor e uma força visionária escrutinou uma civilização dividida”.
A italiana Maria Grazia Cosi­ma Deledda escreveu essencialmente sobre sua terra natal, a Sar­denha, “principalmente so­­bre a sabedoria profunda e au­­tên­­tica e a maneira de viver quase religiosa de certos pastores sardos”, como ela própria escreveu. “Deledda se empenhou pa­­ra colocar a Sardenha no circuito da grande literatura europeia e, por isso, a crítica insiste em fazer um paralelo entre ela e os escritores russos. Assim como eles ti­­nham introduzido a língua e as tradições orais russas na própria literatura, ela estava fazendo com a língua e as tradições da Sardenha”, diz Lucia Sgobaro.
“São mulheres de muitas atuações, que nem sempre colocam questões femininas em seu trabalho. Mas, de qualquer maneira, o feminino aparece toda vez que a autora é uma mulher. O próprio fato de ela ganhar um Nobel enriquece a imagem do gênero feminino”, diz Marina Colasanti.
Mesmo quando premia mu­­lheres, o Nobel revela desigualdades. A maioria das escritoras distinguidas com a láurea são europeias, com poucas exceções: a sul-africana Nadine Gor­­dimer (1991), a chilena Gabriela Mistral (1945) e as norte-americanas Pearl Buck (1938) e Toni Morrison.
FONTE (foto incluída): Gazeta do Povo Online - Curitiba,PR,Brazil
http://portal.rpc.com.br/
FOTO: 1909 - Selma Lagerlöf (1858-1940, sueca). Sua obra repleta de duendes e fantasmas, ao recriar a atmosfera ficcional das lendas e relatos populares, significou uma volta ao romantismo em uma literatura dominada pelo realismo naturalista. Escreveu A Saga de Gösta Berlings (1891), seu primeiro romance; a coletânea de contos Os Laços Invisíveis (1894) e a história infantil A Maravilhosa Viagem de Nils Holgersson através da Suécia (1907)
***

sexta-feira, abril 03, 2009

Paiol Literário entra no seu quarto ano


Paiol Literário entra no seu quarto ano
[03-04-2009]

Na próxima terça-feira, dia 7, acontece a primeira edição da quarta temporada do projeto Paiol Literário. Realizado desde 2006 pelo jornal Rascunho, em parceria com o Sesi Paraná, o evento traz a Curitiba alguns dos principais escritores do país para um bate-papo com os leitores no Teatro Paiol (Praça Guido Viaro, s/n.º, Prado Velho). O primeiro encontro do ano contará com a presença da escritora carioca Livia Garcia-Roza. Serão, ao todo, sete edições mensais em 2009. Além de Livia, já estão confirmadas as presenças de Nélida Piñon e Moacyr Scliar.
Já participaram do Paiol Literário em edições passadas nomes como Ignácio de Loyola Brandão, Milton Hatoum, Affonso Romano de Sant’Anna, Ana Maria Machado, José Mindlin, Nelson Motta, Marina Colasanti e Marçal Aquino, entre outros. A conversa seguirá o mesmo formato dos três anos anteriores, com a mediação do escritor e jornalista José Castello. O Paiol Literário começa sempre com as seguintes perguntas: “Qual a importância da literatura na vida cotidiana das pessoas? E por que ler?”.
A convidada para a abertura da temporada 2009, Livia Garcia-Roza, nasceu no Rio de Janeiro. É psicanalista e estreou na ficção em 1995, com o romance Quarto de menina (Selo de Altamente Recomendável concedido pela Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil - FNLIJ). É também autora de Meus queridos estranhos, Cartão-postal, A palavra que veio do Sul, Cine Odeon, Solo feminino (estes dois últimos, finalistas do Prêmio Jabuti na categoria romance) e Meu marido (finalista do Prêmio Portugal Telecom). No ano passado fez sua primeira incursão na literatura infantil, com o livro A casa que vendia elefante.
“A chegada à quarta temporada consolida o Paiol Literário como um dos grandes eventos no calendário cultural de Curitiba”, diz o jornalista Rogério Pereira, editor do jornal Rascunho. “O interesse dos leitores em interagir com os autores se traduz no constante bom público que recebemos desde as primeiras edições, fator primordial na continuidade do projeto.”
Todos os encontros, com início previsto para as 20 horas, serão reproduzidos na edição do mês seguinte do Rascunho e no site http://www.rascunho.com.br/, mantido em parceria com a Rede Paranaense de Comunicação (RPC). Dessa forma, os leitores que moram em outras cidades ou não puderam comparecer também acompanham os temas levantados nas conversas. Mais informações pelo telefone (41) 3213-1340.
O mediadorJosé Castello, nascido em 1951 no Rio de Janeiro e radicado em Curitiba, é jornalista e escritor. Trabalha como crítico literário para os jornais O Globo e Rascunho e para a revista Época, entre outros veículos. É mestre em Comunicação pela UFRJ. Foi editor do caderno “Idéias” do Jornal do Brasil e cronista e repórter literário do “Caderno 2” de O Estado de S. Paulo. É autor, entre outros, de O Homem sem Alma/Diário de Tudo, Vinicius de Moraes: o Poeta da Paixão, Inventário das Sombras, Fantasma e A Literatura na Poltrona. A editora Global publicou, em 1994, uma seleção de suas crônicas: As Melhores Crônicas de José Castello, organizada e prefaciada por Leyla Perrone Moisés.
Apoios e parcerias

O Paiol Literário é uma realização do jornal Rascunho, em parceria com o Sesi Paraná. O projeto conta com o apoio da Gazeta do Povo, Tchukon Terapias, Quintana Café & Restaurante, Livrarias Curitiba, Nume Comunicação, Editora Arte & Letra, Hotel Deville Rayon, CCZ e Fundação Cultural de Curitiba.
Serviço:

Paiol Literário, com Livia Garcia-Roza e mediação de José CastelloTeatro Paiol (Praça Guido Viaro, s/n.º, Prado Velho), (41) 3213-1340.Dia 7 de abril, terça-feira, às 20 horas. Entrada gratuita. Debate literário.
Fonte: nume@nume.com.br/
apud (foto incluída): Paranashop - Curitiba,Paraná,Brazil