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quinta-feira, dezembro 02, 2010

Saramago pode aparecer em diferentes provas



Provas de literatura, língua portuguesa e até redação de vestibulares de todo o país podem apresentar questões da grande referência da literatura portuguesa, José Saramago, morto em junho deste ano. "As universidades que inserem a Literatura Portuguesa como matéria a ser estudada para o vestibular podem sim citar alguma obra ou referenciar o autor", afirma Maria Amália Buchele, professora de literatura do Objetivo, de Florianópolis.

Para a professora, o escritor português, Prêmio Nobel de Literatura, pode ser citado em outras disciplinas. "As questões podem ser interdisciplinares. Talvez relacionadas com atualidades quando pensamos em 'Evangelho segundo Jesus Cristo', livro de posição política e ideológica marcantes e de grande crítica à Igreja Católica. Talvez tenhamos questões relacionadas a teoria literária, a interpretação de textos ou até mesmo propostas de redação", teoriza.

Saramago promete ganhar espaço principalmente em perguntas de interpretação de texto e redação. "Isso deve ocorrer pelo fato de ele ter sido um inovador dos textos. Ele era conhecido por utilizar o estilo oral na escrita, em que a comunicação se faz mais importante do que a correção de uma linguagem escrita, por exemplo", explica Maria Amália.

Para dar conta da abrangência de Saramago, vale a pena conhecer os clássicos "Ensaio sobre a cegueira", "Todos os nomes" e "A caverna". O autor português também pode ter seu nome impresso em questões sobre suas principais obras e personagens. Além disso, sua forte posição política e ideológica contra a Igreja Católica, fato que deixa transparecer nas páginas de alguns livros, é outro aspecto que os vestibulandos devem ficar antenados.

FONTE; Terra Brasil

http://noticias.terra.com.br/
http://noticias.terra.com.br/educacao/noticias/0,,OI4822938-EI8266,00-Saramago+pode+aparecer+em+diferentes+provas.html

sábado, novembro 27, 2010

O TÚNEL – PERCURSO PELA LITERATURA DE ERNESTO SABATO

27 de novembro de 2010 >>> Isabel De Nonno

No mês em homenagem às produções artísticas Ibero-Americanas no TEMPO, temas a abordar não faltam sobre cinema, design, artes plásticas e literatura. Diante de um universo tão diversificado, escolher uma só área, pessoa, ou obra para lançarmos nosso olhar, é um exercício de abdicação que possui certo grau de dificuldade. Rapidamente, sem pestanejar, proponho que fiquemos com a literatura. Porém, mesmo dentro deste recorte existe um mundo a ser explorado. Nomes como: Gabriel Garcia Márquez, Roberto Bolaño, Octavio Paz, Enrique Vila-Matas, Jorge Luis Borges, Júlio Cortazar, Adolfo Bioy Casares, Manuel Puig, José Saramago, Pablo Neruda e Ernesto Sabato, entre tantos outros que podíamos ficar citando aqui, surgem de forma cascateada em nossas mentes. Todos, com dois pontos em comum: latinos e contemporâneos.

Todavia, são somente esses dois pontos que nos permite colocar esses autores no mesmo caldeirão. Estamos diante de personalidades e obras distintas, e classificá-los, assim, seria, muito provavelmente, empobrecedor. Poderíamos separá-los então, por países (Argentina, México, Chile, Colômbia), por amizade (Vila Matas e Bolaño, Borges e Casares), aqueles que moraram em Paris (Cortázar e Sabato), por estilo literário (conto, poesia, romance) e este post não teria fim. É necessário, pois, recortar ainda mais. Optemos então pela Argentina, e dentro dos autores portenhos, por Ernesto Sabato.

Sabato tem doutorado em física, fez parte da Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas, e hoje em dia se dedica exclusivamente às artes plásticas, não só por prazer, mas por uma doença que o impede de ler e escrever. Autor de diversas obras, destacam-se: O túnel, Sobre heróis e tumbas, O escritor e seus fantasmas e Antes do fim, todos lançados no Brasil pela Cia.das Letras. Seu primeiro romance publicado foi O túnel, em 1948, e conta a história de Juan Pablo Castel e María Iribarne. Divido em 39 capítulos curtos, como se fossem pequenos contos, a história do pintor que se apaixona por uma moça misteriosa que julga ser umas das poucas pessoas, se não a única, a entendê-lo, começa pelo fim, e se desenvolve mostrando para o leitor um caso de paixão, obsessão e ciúme. Quanto mais Juan força María a se expor, mais esquiva ela se torna, e mais doentio o comportamento dele fica. Pode parecer uma história de amor banal, com obviamente um final não tão feliz. Porém, O túnel não trata disso. Sabato explica que a ideia inicial era escrever um conto sobre um pintor que enlouquecia com a incapacidade de comunicação e compreensão com uma mulher que, levianamente, ele achou cumpridora destas funções. Segundo o próprio, seria um tema metafísico, que acabou voltando-se para questões mundanas, pertinentes à realidade amorosa – “É que o seres de carne e osso não podem jamais representar as angústias metafísicas sob o estado de ideias puras: fazem-no sempre encarnando essa ideias, obscurecendo-as com sentimentos e paixões”.

O resultado é uma narrativa que fala acima de tudo de solidão, idealizações e uma busca por um outro que entenda nossa essência. O túnel é de uma beleza tocante, de uma paixão frenética e de um existencialismo arrebatador. Talvez seja por isso, que dentro de tantas escolhas que poderíamos ter feito, este livro específico foi o primeiro a surgir claramente em nossas cabeças.

“E às vezes coincidia de eu passar diante de uma de minhas janelas e ela estar à minha espera, muda e ansiosa (por que à minha espera? por que muda e ansiosa?); mas às vezes ela não chegava a tempo ou se esquecia deste pobre ser enclausurado, e então, com o rosto apertado contra o muro de vidro, eu a via ao longe sorrir ou dançar despreocupadamente ou, o que era pior, não a via em absoluto e a imaginava em lugares inacessíveis ou vis. E então sentia que meu destino era infinitamente mais solitário que o imaginado”.

FONTE: TEMPO FESTIVAL
http://tempofestival.com.br/
http://tempofestival.com.br/simultaneo/2010/11/27/o-tunel-percurso-pela-literatura-de-ernesto-sabato/

quinta-feira, maio 21, 2009

Brasil: Seis romances portugueses disputam o Prémio Portugal Telecom de Literatura 2009


Brasil: Seis romances portugueses disputam o Prémio Portugal Telecom de Literatura 2009
04h03m
Rio de Janeiro, Brasil, 21 Mai (Lusa) -- Na lista dos 50 livros finalistas do Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa 2009, divulgado na quarta-feira no Rio de Janeiro, seis são romances portugueses e outros quatro são obras de autores africanos de países de língua portuguesa.
Segundo o anúncio dos finalistas que concorrem à sétima edição do prémio, estão na disputa os romances: "A viagem do elefante" de José Saramago (Companhia das Letras), "A eternidade e o desejo" de Inês Pedrosa (Alfaguara -- Objetiva), "Aprender a rezar na era da técnica" de Gonçalo M. Tavares (Companhia das Letras), "Cemitério de pianos" de José Luís Peixoto (Record), "Ontem não te vi em Babilónia" de António Lobo Antunes (Alfaguara -- Objetiva), "Rio das flores" de Miguel Sousa Tavares (Companhia das Letras), "Predadores" do moçambicano Pepetela (Língua Geral ) e "Venenos de Deus" de Mia Couto (Companhia das Letras).
De poesia, foram escolhidas as obras do cabo-verdiano José Luiz Tavares "Lisbon Blues" (Escrituras Editora) e do moçambicano Luís Carlos Patraquim "O osso côncavo e outros poemas" (Escrituras Editora).

FONTE: Jornal de Notícias - Porto,Porto,Portugal

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segunda-feira, maio 18, 2009

Benedetti deixa poesia mais pobre


19 Maio 2009 - 00h30
Vítima de doença crónica
Benedetti deixa poesia mais pobre

O poeta uruguaio Mario Benedetti morreu no domingo na sua casa de Montevideu, aos 88 anos, vítima de doença crónica.
Benedetti tinha um estado de saúde frágil e, só no ano passado, foi internado quatro vezes, a última das quais o fez abandonar o livro de poemas em que trabalhava sob o título provisório de ‘Biografia Para Encontrar-me’. Poeta e prosador de reconhecido mérito, era na poesia que se sentia 'mais à vontade'.
'A dor e o desgosto não adormecerão tão cedo. Havia Benedetti e deixou de haver', comentou José Saramago no seu blogue.

FONTE: Correio da Manhã - Lisboa,Lisboa,Portugal
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FOTO: unbenannt -131-
By: Hans Jörgen Kötter View Full Portfolio (212 images)
Tags: cemetery figure graveyard sculpture
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quinta-feira, maio 07, 2009

De Maledetti a Benedetti


Quarta-feira, 06 de maio de 2009
De Maledetti a Benedetti
Dia desses o nosso leitor Augusto perguntou aí nos comentários do blog se estávamos a par do fato de que o mestre uruguaio Mario Benedetti estava internado em estado grave. Sim, este blog soube e vinha acompanhando as notícias, mas não teve tempo de colocar nada aqui — até porque raramente publicamos notícias dessa natureza neste site, as notícias mais inconstantes ficam muitas vezes para o portal da Zero Hora.com mesmo ou para o jornal impresso. Mas topei com um texto que poderia ser apropriado para lembrar a todos que Benedetti teve alta e já está em sua casa, depois de 12 dias de internação — em condição "estável, lúcido, não requerendo outros cuidados além dos que já recebia", de acordo com o comunicado do hospital. Benedetti, de 88 anos, havia sido hospitalizado por problemas digestivos que provocaram infecção e hemorragia no cólon. Benedetti é o padroeiro de um certo existencialismo latino-americano com obras melancólicas e comoventes como A Trégua (que tem duas edições atuais no Brasil, uma em bolso pela L&PM e uma em formato normal pela Alfaguara) e Gracias por el Fuego (edição de bolso pela L&PM). Seu último livro editado no Brasil (tá bom assim, Francesco?) é Primavera em um Espelho Partido, também pela Alfaguara.
Benedetti é uma figura tão importante e querida pelos seus leitores que provocou uma manifestação espotânea de afetividade mesmo do sisudo e austero nobel português José Saramago, que escreveu em seu blog a seguinte entrada, segunda-feira dia 4:
O susto foi grande, Mario Benedetti estava no hospital e o seu estado era considerado grave. Ángel González foi-se-nos quase sem aviso, numa fria madrugada de Janeiro. Que agora fosse a vida de Benedetti a estar em perigo lá no seu distante Montevidéu era algo que a preocupação aqui despertada não se resignava a aceitar. E, contudo, nada podíamos fazer. Enviar telegramas, à antiga usança? Mandar recados por algum amigo? Rezar uma oração pelo seu pronto restabelecimento, se com isso não fôssemos provocar a ira laica de Mario? Pilar encontrou a solução. Que era em verdade Mario Benedetti, que havia sido ele em toda a sua vida, muito mais que as múltiplas profissões exercidas? Poeta. Então arranquemos os seus poemas à imobilidade da página e façamos com eles uma nuvem de palavras, de sons, de música, que atravesse o mar atlântico (as palavras, os sons, a música de Benedetti) e se detenha, como uma orquestra protectora, diante da janela que está proibido abrir, embalando-lhe o sono e fazendo-o sorrir ao despertar. Aos médicos alguma coisa se ficou a dever, reconheçamo-lo, mas nós, todos os que ao redor do mundo demos a nossa contribuição pessoal, juntando poemas de Benedetti aos poemas de Benedetti, tivemos também a nossa parte no trabalho. Mario Benedetti está melhor. Leiamos então um poema dele.
FONTE: Zero Hora - Porto Alegre,RS,Brazil
http://www.clicrbs.com.br/
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