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terça-feira, dezembro 07, 2010

Lacan : de la théorie à la poésie

Didier Roux partage son temps entre la création, l'improvisation et la scène. (Photo S.W.)

Lundi, 06 Décembre 2010 Sophie Wahl Actualité Toulouse - Culture

.Didier Roux propose mardi soir à la Cave Poésie une lecture de « Télévision » du célèbre psychanalyste du XXe siècle, Jacques Lacan. Un texte qui relève de la « poésie sonore » pour le comédien et metteur en scène.

« L'inconscient est structuré comme un langage. » La phrase est de Lacan. Elle revient comme un leitmotiv au cours des quelque 90 minutes d’entretien original.

En 1973, il répond dans « Télévision » à son gendre, Jacques-Alain Miller devant les caméras de Benoît Jacquot.

De la théorie lacanienne, Didier Roux ne comprend rien, ou presque. C’est une des raisons qui l’a poussé à choisir ce monologue. « Les choses que j’aime le plus sont souvent celles que je ne comprends pas. Ce texte m’intrigue énormément, aujourd’hui encore. Travailler sur une pièce c’est justement l’occasion de découvrir, s’interroger et chercher à saisir. »

Pour autant, il n’a pas entrepris de recherches particulières, ni sur l’homme, ni sur son œuvre. Car pour Didier Roux, la richesse du texte, c’est son « ferment d’un imaginaire avec un style surprenant, un rythme particulier. » Le sens le touche peu. Mieux : il compare sa lecture à celle d’une langue étrangère. « L’intérêt d’un œuvre n’est pas forcément dans sa compréhension rationnelle et narrative. Il y a des choses que l’on ne comprend pas primitivement, mais lorsqu’une idée est fondée, elle trace son chemin.»

La lecture qu’il soumet est donc volontairement la plus sobre possible : « une chaise, un livre, point. Je prends un écrit, je n’ai pas de savoir à apporter. Je ne suis pas psychiatre et je ne veux pas l’être », précise l’artiste.

Si le comédien joue les profanes, il connaît les fondamentaux de la théorie lacanienne et il n’est pas aussi hermétique au texte qu’il le laisse entendre. C’est d’ailleurs en cours de psychologie qu’il a découvert la conversation filmée du psychanalyste.

Il précise même qu’il considère qu’il s’agit d’un texte « relativement accessible et synthétique par rapport à l’œuvre de Lacan. » Mais il insiste : « je crois que ça n’intéresse personne, la théorie lacanienne. »

Contesté pour son côté tapageur et spectaculaire, Jacques Lacan est un personnage qui se prête particulièrement au jeu théâtral. Figure du paysage intellectuel français du XXe siècle, le psychiatre est le fondateur de l’Ecole Freudienne de Paris.

Il évoque dans l'entretien télévisuel le rapport entre les sexes, le capitalisme comme obstacle à la jouissance sexuelle, le statut du réel, la place de l’analyste dans la société...

Au-delà de la musique des mots, le texte a aussi tout son sens.

« Télévision », Didier Roux, 7/11/10, 19 h 30, 5 euros, La Cave Poésie.

FONTE: www.ActuToulouse.fr

URL FONTE: http://www.actutoulouse.fr/
URL MATÉRIA: http://www.actutoulouse.fr/20101206828/actualite-toulouse/culture/lacan-de-la-theorie-a-la-poesie.html

sexta-feira, novembro 19, 2010

Leonardo Gorostiza, presidente da Associação Mundial de Psicanálise, compara a psicanálise à poesia

Um dos grandes nomes da psicanálise mundial, o argentino está no Brasil para o 18º Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, do dia 19 a 21 de novembro

Alberto Bombig

A psicanálise é poesia. A psicoterapia, prosa. É com essa comparação que o argentino Leonardo Gorostiza, presidente da AMB (Associação Mundial de Psicanálise) ilustra a diferença entre a prática clássica criada por Sigmund Freud e desenvolvida por Jacques Lacan (1901-1981) das demais terapias comportamentais, baseadas em vivências, jogos e questionários, tão em voga em um mundo cada vez mais refém da velocidade e dos resultados em curto prazo: “Trata-se de uma linguagem sem metáforas e metonímias, quando o que se diz não significa nada além daquilo que foi dito. Falta a essa linguagem a dimensão poética da língua sobre a qual a psicanálise se fundamenta precisamente e opera. Imagine o que poderia ser o mundo em que se calasse a voz poética do delírio de um Vinicius de Moraes ou de um Carlos Drummond de Andrade”, diz ele, que está no Brasil para participar do 18º Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, a partir desta sexta-feira (19) domingo (21), em São Paulo.

O tema do evento, organizado pela EPB (Escolha Brasileira de Psicanálise), é “O Sintoma na Clínica do Delírio Generalizado”. Ele falou a ÉPOCA sobre assunto e sobre o futuro da psicanálise. Segundo Gorostiza, todos nós somos seres delirantes:

ÉPOCA – A psicanálise tem futuro?

Leonardo Gorostiza - Creio que a psicanálise suporta desde um certo tempo e de maneira renovada um ataque teimoso de quem insiste em prognosticar a sua morte definitiva. Podemos dizer que, no entanto, ela ainda goza de boa saúde. Mas não convém nos contentarmos com isso apenas, porque estamos em uma época em que se produz uma verdadeira mutação que pode implicar em riscos para a sobrevivência da psicanálise. Refiro-me à ascensão da cultura de quantificação que faz da avaliação, dos questionários e dos protocolos o baluarte de uma suposta cientificidade. Nada mais longe disso do que a psicanálise.

Essa cultura, na realidade, trata-se de uma ideologia que aparenta cientificidade e que é funcional às burocracias administrativas. Essa ideologia tende a invadir as práticas “psi” e aponta ao coração poético, se posso dizer assim, de nossas existências.

ÉPOCA – O que são essas práticas?

Gorostiza - Vamos chamá-las por seu nome: as variantes psicoterapêuticas neurocognitivas. Nelas, o importante é o número de quadradinhos a serem preenchidos no questionário e o número de tarefas que o paciente deve realizar para alcançar a desejada “normalidade”. Porém, a questão central é que a linguagem que se utiliza nesse caso é equivocada, ou seja, trata-se de uma linguagem sem metáforas e metonímias, quando o que se diz não significa nada além daquilo que foi dito. Falta a essa linguagem a dimensão poética da língua sobre a qual a psicanálise se fundamenta precisamente e opera. Imagine o que poderia ser o mundo em que se calasse a voz poética do delírio de um Vinicius de Moraes ou de um Carlos Drummond de Andrade.

ÉPOCA – O senhor falou em delírio e esse é o tema do 18º Encontro Brasileiro do Campo Freudiano. Todo mundo delira, não apenas aqueles a quem chamam popularmente de loucos?

Gorostiza - O título do nosso próximo encontro, que introduz a frase “Clínica do delírio generalizado”, indica com precisão uma perspectiva que transcende a concepção habitual de considerar o delírio como algo reservado aos loucos ou psicóticos. Essa noção ampla de delírio, a do delírio generalizado, parte de uma premissa: todo ser humano carece, especialmente no plano da sexualidade, de um programa instintivo que lhe é inerente e que lhe permite uma relação natural com o outro sexo.

Diante desse buraco, dessa ausência, não nos resta senão a tarefa de inventar algum modo de funcionamento, além da variável da sexualidade humana, que permita essa união. Assim, todas as nossas invenções, na medida em que se instituem sobre uma referência vazia, ou seja, onde não há nenhum objeto baseado na realidade, podem ser qualificadas, generalizadas, como delírios, pois, como se sabe, um delírio se caracteriza classicamente por não ter relação com a realidade objetiva. E se todos temos que inventar algo porque somos afetados por um buraco no nosso instinto, então somos todos delirantes. Essa é a tese de Lacan sobre a qual trabalharemos. Tese que está presente de algum modo em Freud.

"Imagine o que poderia ser o mundo em que se calasse a voz poética do delírio de um Vinicius de Moraes ou de um Carlos Drummond de Andrade"

ÉPOCA – E como esse delírio pode ajudar os pacientes da psicanálise?

Gorostiza - Essa pergunta me permite precisar o que dito anteriormente. Por falarmos do delírio generalizado não podemos ignorar as diferenças que existem entre os delírios psicóticos, dos loucos, e os delírios neuróticos. Refiro-me aqui às fantasias, aos sonhos e especialmente aos sintomas dos neuróticos.

No primeiro caso, o tratamento deverá ajudar o paciente a reduzir o seu delírio na medida em que isso lhe torna difícil manter laços sociais. Mas reduzir não significa eliminar. Pelo contrário, significa dar à sua invenção, que sempre será singular, particular, o lugar adequado à sua própria existência: aquele que o permite estabelecer contato com outros, porém sem renunciar às suas características pessoais.

No segundo caso, o da pessoa neurótica, o paciente deverá se reconhecer naquilo que o faz sofrer. Evidentemente, espera-se que a psicanálise resulte na redução da sua dor, mas não por isso podemos esperar a desaparição total desse delírio. Agir assim significaria adaptar o delirante a uma suposta normalidade que, em si mesmo, é um conceito questionável.

Pelo contrário, o processo ideal é fazer que cada delirante seja capaz de transformar a sua loucura incomparável com as demais em atos particulares de criação, esse é um dos objetivos implícitos da experiência analítica.

Finalmente, o delírio de cada um, entendido dessa maneira, pode ser considerado como uma bússola formidável, um ponto de orientação para o qual o analista deve mirar e não perder de vista aquilo que compõe a singularidade mais íntima de quem o consulta.

FONTE: Galileu

http://revistaepoca.globo.com/
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI188875-15257,00.html

terça-feira, maio 12, 2009

Saldo deudor


Saldo deudor
Publicada a las 08:25 AM del 12 de Mayo de 2009 El Nacional

Los espacios culturales tienen significación por sí solos, están asociados estrechamente a la memoria.

Las vivencias allí experimentadas son intransferibles y germen de sentimientos infinitos: la pasión, el amor, el destello que se asoma para enseñarnos cómo puede ser la trascendencia.

Más de una vez, los grandes artistas o escritores que son entrevistados, hablan de aquellos momentos ­el verso de un poema, la actuación de tal actriz, el sonido agudo de un violín, la imagen imperturbable de un cuadro­ que fueron determinantes en su formación. Son como chispazos de alta significación que cambian vidas, tuercen destinos o ven nacer vocaciones. Pero esto no sólo opera en quienes manejan entre sus manos los misterios de la creación, sino también en el público general, que es capaz de amar, odiar y estremecerse mientras ve una pieza de teatro.

A diferencia de las rebajadas vidas que llevamos, donde los muertos son noticia diaria, en el campo de la creación vida y muerte son fuerzas simbólicas que el artista maneja a su antojo para llevarnos a uno u otro sentimiento.

Traigo esto a colación porque en los espacios del Ateneo de Caracas que hoy se desalojan a la fuerza transcurrió buena parte de mi formación creadora.

Los libros presentados, las conferencias ofrecidas, los talleres impartidos, los conciertos escuchados, los espacios abiertos donde pude sentarme con mis hijos a ver títeres o el solo de una bandola, suman no menos de treinta años de vivencias, emociones, encuentros o sanos debates en ese recinto. Y ese saldo, que es difícil de transferir porque se mide con cifras que son del alma, se lo debo a todos aquellos que hicieron posible todas las imágenes y secuencias que lo han alimentado sin descanso hasta hoy.

Estoy en deuda, pues, con esos gestores, programadores o artistas que sin desvelo intervinieron en la forjadura de lo que hoy soy, y a quienes por entregarme tamaño obsequio no puedo sino agradecerles con la mínima retribución que estas líneas puedan significar.

Hablar a título personal, sin embargo, puede ser una trampa si ignoramos todo lo que esos espacios han contenido a lo largo de los años para tantos otros.

Hojeo por azar el libro Retratos de una pasión, dedicado a María Teresa Castillo, por muchos años presidenta de la institución, y los rostros de personajes como Alejandro Otero, José Ignacio Cabrujas, Sergio Ramírez, Mario Vargas Llosa, Gal Costa, Ernesto Cardenal, Barbarito Diez, Pablo Milanés, Jacques Lacan, Pablo Neruda, Julio Cortázar, Salvador Garmendia, Adriano González León, Gerard Phillipe, Vivian Leigh, Diego Rivera, Alejo Carpentier, Bola de Nieve, Vicente Gerbasi, Jacobo Borges o Morella Muñoz, vienen a mi auxilio para hablarme de una resumida historia cultural del siglo XX y para estampar el aura de diversidad, intercambio y profundo respeto que esos espacios significaron a lo largo de toda su trayectoria.

La Unesco ha determinado en casi todos sus documentos normativos que la creación o los espacios que a fomentan son la prioridad número uno de cualquier política cultural.

Es sano que esto se recuerde en un país que hasta hace pocos años, bajo el concurso de instituciones públicas y privadas, fue la envidia del continente en cuanto a oferta de institucionalidad y programación culturales se refiere.

Los que sólo se esfuerzan en fomentar la desmemoria para rehacer la historia, sepan que en el Ateneo de Caracas se hizo política cultural de la buena, pues nadie puede borrar y menos desalojar lo que queda sembrado en el espíritu.

FONTE: EntornoInteligente - Caracas,Distrito Capital,Venezuela
http://www.entornointeligente.com/
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FOTO: Morella Muñoz
in http://upload.wikimedia.org/
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