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sexta-feira, novembro 19, 2010

Calvin vira trending topic do Twitter ao completar 25 anos

A dupla Calvin & Haroldo, criada pelo americano Bill Watterson, completou 25 anos

18 de novembro de 2010
21h 14

Estadão.com.br

Humor e ironia talvez sejam os atributos que melhor definam a história de um dos personagens mais famosos da história dos quadrinhos. A dupla Calvin & Haroldo, criada pelo americano Bill Watterson, completou 25 anos nesta quinta-feira, 18. Os fãs fizeram com que o garoto virasse uma das hashtags mais comentadas do dia no Twitter (#Calvin25Anos) entre usuários brasileiros.

Com histórias publicadas em quase 2.500 jornais de diferentes países, as populares tirinhas tornaram o personagem autor de muitas frases divertidas. Várias delas foram reproduzidas no microblog, que recebeu cerca de 25 mil mensagens ao longo do dia.

O garoto de 6 anos e Haroldo, seu tigre de pelúcia (Hobbes, na versão original), que ganha vida apenas na imaginação do menino, promovem diálogos ora engraçados ora reflexivos sobre muitos temas. Muitos usuários aproveitaram a data pra twittar frases célebres.

Além das páginas dos periódicos, até 1995, ano em que o cartunista Bill Watterson declarou sua aposentadoria da série, só as coletâneas venderam mais de 30 milhões de exemplares.

A série já recebeu prêmios importantes dos quadrinhos, como o Harvey Award, Eisner e Reuben Award, nos Estados Unidos, além do Angoulême International Comics Festival, na França.

Veja alguns exemplos de frases de Calvin e Haroldo:

"Porque perder tempo aprendendo quando a ignorância é instantânea?"

"Há uma relação inversa entre o quanto uma coisa é boa para você e o quanto ela é divertida."

"Então o segredo para a auto-estima é abaixar suas expectativas ao ponto onde elas já alcançaram?"

"Não há nenhum problema tão terrível ao qual você não pode adicionar um pouco de culpa e fazê-lo ficar pior."

"Se você faz o trabalho ruim o bastante, às vezes não lhe pedem para fazê-lo novamente."

"A infância serve para estragar a maioridade."

FONTE: Estadão

http://www.estadao.com.br/
http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,calvin-vira-trending-topic-do-twitter-ao-completar-25-anos,641939,0.htm

segunda-feira, outubro 18, 2010

Contra o excesso do verbo

Máquina do tempo. Javier, no gabinete de trabalho: 'Há minutos que duram a vida inteira e minha nostalgia pessoal não tem nada a ver com isso', afirma, em sintonia com o seu cronômetro antiproustiano
O premiado escritor Javier Marías, de quem está saindo no Brasil Veneno, Sombra e Adeus, explica a razão de sua resistência ao avanço da sociedade digital, que ''coloca em risco a liberdade individual''

02 de outubro de 2010 / 0h 00

Antonio Gonçalves Filho - O Estado de S.Paulo

Décimo romance de Javier Marías, considerado pela crítica o maior escritor espanhol vivo, Veneno, Sombra e Adeus, último livro da trilogia Seu Rosto Amanhã, é um thriller, classificado por resenhistas como "metafísico" - por falta de adjetivo melhor. A trilogia completa, disponível no Brasil em volumes separados, foi publicada na Espanha, em 2009, num único volume com quase 1.600 páginas. Seu epílogo é tanto uma obra de espionagem - sobre um ex-professor de Oxford que entra para o Serviço Secreto britânico para estudar o rosto das pessoas - como um ensaio filosófico sobre a traição e a nefasta interferência do Estado na vida dos indivíduos. Sobre ele, Javier Marías, da Real Academia Espanhola e filho do filósofo Julián Marías (1914-2005), falou ao Sabático por fax. Mantendo cautelosa distância do computador e do celular, Marías ainda escreve à máquina e revisa o texto com riscos, sublinhando frases para reforçar palavras ou expressões.

Nascido em 1951, Marías acabou de completar 59 anos no dia 20. Aos 23 anos já estava às voltas com uma tradução de Thomas Hardy e, aos 27, assumiu a tarefa de traduzir para o espanhol a obra mais famosa de seu escritor inglês favorito, Laurence Sterne, A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Tristram Shandy (1713-1768). Desde então, já traduziu inúmeras obras-primas de Conrad, Faulkner e Nabokov, ganhando um prêmio pela versão de Sterne. Seus livros foram igualmente premiados na Espanha e fora dela (França, Itália, Irlanda). Em sua entrevista ao Sabático, Javier Marías assume que a construção do volume final da trilogia Seu Rosto Amanhã deve muito a Sterne.

"Sterne confessou ter aprendido muito com Cervantes e, assim, minha trilogia, em certo sentido, talvez seja mais cervantina que joyciana", diz Marías sobre uma possível referência a Ulysses no segundo livro da trilogia, por causa do tempo em que se passa a história - uma só noite. Avesso ao realismo literário, ele diz que não gosta de Ulysses, a "coroação do realismo, mais que um romance vanguardista". Marías prefere Os Sertões, de Euclides da Cunha, nascido como uma série de reportagens sobre Canudos para o Estado. "É um dos melhores livros que li, muito superior a Ulysses".

Não que Marías tenha sido seduzido pelo realismo de Euclides. Seu modo de narrar a campanha de Canudos, garante, importa mais. Aliás, o foco do terceiro volume da trilogia é mais a narração como forma de ficção. Inventa-se uma história um tanto absurda sobre um ex-professor com talento de James Bond (mencionando, inclusive, seu criador, Ian Fleming) e o leitor fica confuso sem saber se está diante de uma história real - em que apenas os nomes são fictícios - ou se lê uma obra de ficção tão boa que a realidade não importa mais. "Seria inexato dizer que Seu Rosto Amanhã é um romance de ação só por se passar num período de tempo tão curto", diz ele. "Às vezes resumimos vários anos em um momento, numa conversa, mas o tempo verdadeiro e significativo é o que me interessa." Em outras palavras, Marías inventa um tempo "que na vida real não tem tempo de existir". Em sua literatura, o tempo cronológico não existe. "Há minutos que duram uma vida inteira e minha nostalgia pessoal não tem nada a ver com isso", observa, assumindo seu cronômetro antiproustiano.

Marías não vive do passado, apesar de não usar computador ou celular. O fato é que desconfia do excesso de informação. "É algo inegável que os Estados utilizam a tecnologia para controlar, vigiar e acumular dados sobre os cidadãos, para mim uma catástrofe", observa, defendendo que "os seres humanos devem poder ocultar partes de si mesmos, devem ter segredos, subtrair-se do olho insaciável do Estado". As democracias, conclui, estão cada vez mais parecidas com Estados totalitários, disfarçando-se de protetoras dos cidadãos que, ingenuamente, aceitam essa "intrusão abusiva" do Estado. Na conclusão de sua trilogia, o professor/agente secreto se dá conta tardiamente do mal que causou a milhares de pessoas ao assumir o papel de colaborador secreto do Estado. "Creio que há razões de sobra para ser pessimista ao ver como a tecnologia se aperfeiçoa para enxergar através das paredes das casas."

Outro aspecto abordado no livro é a tendência irresistível de trair o próximo. "Bem, não creio que o pobre Caim, já tão distante no tempo, tenha algo a ver com isso, embora a traição haja existido sempre, mas, independentemente de ser ou não religioso, até pouco tempo atrás as pessoas tinham claro o que não se devia fazer - e isso inclui delinquentes e criminosos." Agora, comenta Marías, "parece que a fronteira entre o que se pode ou não fazer é cada vez menos nítida". O escritor refere-se a pessoas que denunciam colegas de trabalho "e esse tipo de coisas", o que teria uma relação com o que disse anteriormente, ou seja, que "as pessoas aceitam cada vez mais serem vigiadas e controladas, ainda que seja porque desse modo estarão vigiando e controlando também os outros".

No romance que está escrevendo - e espera terminar "em um par de meses" -, Marías revela que segue o caminho inverso de Seu Rosto Amanhã. Não vai tratar da dimensão "pública" ou "política" que existe na trilogia. "Ainda não estou seguro do que venho fazendo, pois nunca sei bem o que escrevi até terminar e fazer uma releitura dos meus romances, que para mim são seres muito vivos e sujeitos a mudanças enquanto os escrevo, talvez para compensar sua imobilidade até o fim dos tempos."

Marías admite não ter pudor em misturar personagens fictícios - caso de Turpa, de Seu Rosto Amanhã - e pessoas reais como sir Peter Russell, professor de Oxford, e o próprio pai, Julián Marias. "Mas nunca me atreveria a escrever filosofia", acrescenta. "O que há em meus romances é um pensar sobre a literatura, ou melhor, pensar literariamente o mundo, o que se pratica pouco nos últimos tempos, de modo geral, embora tenha ilustres precedentes: Shakespeare, Proust, Montaigne."

FONTE: Estadão
http://www.estadao.com.br/

sexta-feira, outubro 15, 2010

Sol da meia-noite

Prosa de Sábado
02 de outubro de 2010 / 0h 00

Silviano Santiago - O Estado de S.Paulo

O sol se põe no horizonte. O poeta se põe no livro de versos. Poeta Poente (Perspectiva) é o título da nova coleção de poemas de Affonso Ávila, autor do já clássico Código de Minas (7 Letras, 1997). O sol e o ser humano se consagram ao ocaso dos respectivos percursos. No entanto, a poesia e as artes foram solares no século 20.

Em 1922, no poema Cemitério Marinho, Paul Valéry abre o périplo do sol pelo meio-dia. Firma o astro na abóbada celeste e o reafirma no momento exato em que põe em evidência a completa ausência de sombras na terra. O sol a pino atiça faíscas de luz nos metais tomados pela maresia e na crista das ondas do Mediterrâneo. Ao cansaço causado pelo pensamento segue-se o longo olhar lançado à calma luminosa dos deuses. Entregue à luz do meio-dia e às pombas, aos esguios pinheiros e às ondas renovadas do mar, o cemitério é convite à vida. Em epígrafe, versos de Píndaro incitam o leitor a gozá-la no instante-já: "Não aspire, oh minha alma, à vida eterna, mas esgote o campo do possível." No cemitério marinho de Paul Valéry, a vida calca os pés no leito da morte.

Banhado pelas ondas que o vento agita no canavial, um diferente cemitério marinho logra poema em engenho de açúcar pernambucano. Nele, sob o inclemente sol tropical, a vida se traja de luto. Morte e vida severina. No poema Cemitério S. Lourenço da Mata, João Cabral de Melo Neto presta homenagem ao mestre francês e nordesteia as ondas do Mediterrâneo: "É cemitério marinho / mas marinho de outro mar. / Foi aberto para os mortos / que afoga o canavial." Longe das águas do Mediterrâneo, louvadas pelo cineasta Manoel de Oliveira em Um Filme Falado, ali, os cortadores de cana são tragados pelas ondas do canavial. Não chegam vestidos de caixão. São derramados no chão. Tão da terra são, que a terra nem sente a intrusão. Em S. Lourenço da Mata, a morte calca os pés na lavoura da vida em versos que rimam em ão.

Cabral é herdeiro de Carlos Drummond de Andrade. Ao perder a referência ético-filosófica mediterrânea, o sol ganhou os trópicos, crestou a pele humana e adensou o vazio da vida com a sua indispensável politização. Assim o tinha anunciado Drummond no poema Morte do Leiteiro. Ao iluminar a violência da Segunda Grande Guerra e o medo que ganha os cidadãos durante a ditadura Vargas, o sol drummondiano abre seu périplo pela aurora carioca. Pé ante pé, o dia amanhece como o leiteiro que, ao depositar a garrafa à porta da cozinha, é tomado por ladrão e recebido à bala. Leite e sangue derramados, branco e vermelho, as duas cores se procuram e se enlaçam amorosamente, "formando um terceiro tom / a que chamamos aurora".

Affonso Ávila se soma à lista dos poetas solares brasileiros, herdeiros, cada um à sua maneira, da lição de Paul Valéry. Lemos no poema Meridiano, em Poeta Poente: "Ao pleno sol de fortuito meio-dia / não em berço de ouro e estrela na testa / o soluço de vir ao mundo foi sua festa." Ao sol do meio-dia, a vida se abre em soluços. No entanto, o sol se põe. Não mais apetece ao poeta calcar a morte na lavoura da vida, embora ainda seja afeito a "acolher o pretexto para o texto", ou "o sobe e desce da bolsa".

Poeta Poente. À semelhança da crisálida, que dá título ao poema que abre o volume, Affonso Ávila se põe em expectativa de revelação. É preciso "lutar até o juiz decretar o seu tempo / e cair em nocaute só ao último assalto". É chegado o momento em que "o após do antes infinito" é o "retilíneo percurso / incrustado de curvas e recurvas". O vir-a-ser é aula de "nascer mínimo". É "o ter por onde ir e não saber a saída". Sobrevive-se graças às arapucas armadas à lucidez pela experiência humana: "Saber que o tempo não passou / foi passado para trás." Como esclarece no poema Terceira Estação: "A fonte não secou mas a água está turva / e turva a palavra da antiga clara semântica." E adiante reitera: o poeta "já pagou o check-in e aguarda a decolagem". A esculpida companheira, "replena de beleza", o acompanha na viagem.

Em poesia que nasce substantiva, embora "cediça" (em estado de putrefação), a palavra é "aurora da última hora". A situação (do sol na abóbada, do poeta na cidade) se expressa pelo "desfazimento do feito e do não-feito". No ajuste de contas, deve-se "pagar enfim o que foi dado / no jogo da vida ou no jogo de dados", ou seja, "o construído o consentido o destruído". O abatimento ("a atonia") tomba na "calada da noite". Confundem-se o físico, o figurado e o psíquico: "Víscera, avesso, abulia."

A esperança do poeta poente é, pois, intervalar. Calar ou falar o último solilóquio, "enquanto a alma é batida de fel e não tomba / enquanto ainda muge a ovelha e despetala sua lã". A esperança se expressa pelo tempo do enquanto. Neste, a ação verbal vem no infinitivo (calar, falar, olhar). Por ser desprovido de pessoa e de número, o infinitivo se confunde com o tempo circular, em que os 80 anos é um "amálgama de aros". Confunde-se com o tempo mítico, onde o poeta encena Pigmaliões e Teseus. No tempo do enquanto, graças às reminiscências, passa a calar fundo o que, no calendário das ações, é conversa fiada e banalidade.

A memória é algema ou liberdade?

Os poemas poentes de Carlos, João e Affonso. Por não ter visto a infância passar, Carlos Drummond readquire os olhos de menino em Boitempo. Não os ressuscita para rever o tempo antigo. Em perspectiva e palavra de poeta-criança, entrega ao leitor o futuro tal como visto do tempo pretérito. João Cabral sensualiza a paisagem em Sevilha Andando. Empresta-lhe coxas femininas. Da janela, "vê passar, entre as que passavam, / uma mulher de andar Sevilha". Affonso Ávila escreve a "áspera fábula", enquanto manhã, tarde e noite se confundem e o horizonte tarda em fechar seu ciclo. Pier Paolo Pasolini pergunta ao poeta poente: "O que o senhor ainda tem no ativo? Eu... uma desesperada vitalidade." No dizer de Roland Barthes, a desesperada vitalidade pasoliana se confunde com "o ódio da morte". Brilha o sol da meia-noite.

FONTE: http://www.estadao.com.br/

FOTO: Old pass

By: Vittorio Pellazza
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sábado, setembro 25, 2010

Revolução pela causa modernista

Em Azul, o nicaraguense Rubén Darío desenvolve crítica à sociedade que condena o artista a um lugar de desconforto

25 de setembro de 2010
0h 00

Ronaldo Correia de Brito - O Estado de S.Paulo

Trinta e três anos separam a publicação de Folhas de Relva, de Walt Whitman, e Azul, de Rubén Darío. Aproximados pela modernidade que inventaram e pela admiração comum a vários poetas e ao filósofo Ralph Waldo Emerson, os dois vivem em Américas recém-libertas do colonialismo, mas bem distintas entre si. Octavio Paz escreveu que "a singularidade da poesia de Whitman no mundo moderno só pode ser explicada em função de outra, ainda maior, que a engloba: a da América".

A poesia exaltada de Whitman, celebrando o "destino manifesto" que garante aos Estados Unidos o direito de expandir-se sobre as nações, propõe "que nada é melhor do que a simplicidade... que nada pode compensar o excesso ou a indefinição". Carregada de discurso e ideário, de incitamento e instrução a poesia whitmaniana é o contrário do que observou o crítico espanhol Juan Valera sobre o livro Azul, nas suas Cartas Americanas: "Se me perguntassem o que ensina o seu livro e de que trata, responderia sem vacilar: não ensina nada e trata de tudo e nada. É obra de artista, de mera imaginação."

O livro que "nada ensina", publicado em 1888 por um jovem nicaraguense de 21 anos, com contos curtos e alguns poemas no final, se transformaria no marco do denominado modernismo literário em língua espanhola. Bem distinto do extenso manifesto da primeira edição de 1855 das Folhas de Relva e da simplicidade de Whitman, Rubén Darío escreveu um artigo em que é possível vislumbrar um propósito para os contos de Azul:

Juntar a grandeza ou os esplendores de uma ideia no cerco burilado de uma boa combinação de letras; lograr não escrever como os papagaios falam, mas falar como as águias calam; ter luz e cor num engaste, aprisionar o segredo da música na armadilha de prata da retórica, fazer rosas artificiais que cheiram a primavera, eis aí o mistério. E para isso, nada de burgueses literários, nem de frases de cartão.

Nos 13 contos selecionados pelo selo Demônio Negro (da editora Annablume), lançados com prefácio de André Fiorussi, é possível reconhecer o projeto literário de Rubén Darío (1867-1916): a crítica ao mundo burguês em que o artista parece não ter um lugar confortável; a imaginação exótica; a escolha por geografias que tanto podem situar as narrativas na França, Itália e Espanha como na Grécia clássica, em meio a ninfas, faunos e sátiros.

O confronto entre a poesia e a insensibilidade burguesa aparece no conto O Rei Burguês, que narra a tentativa de um poeta sobreviver de sua arte na corte de um soberano mecenas. O tom da narrativa é irônico, bem ao estilo das histórias de Andersen e Oscar Wilde, embora a influência evidente na obra de Darío seja da literatura francesa. É possível reconhecer as leituras dos românticos e simbolistas, principalmente desses últimos, nos contos mais misteriosos ao estilo de Villier de L"Isle-Adam.

Ao contrário da onipresente América de Whitman, força motora de sua poesia nacionalista, a pátria de Darío aparece numa referência casual, no conto Pombas Brancas e Garças Morenas: "E estávamos sozinhos, à luz de uma lua prateada, doce, uma bela lua daquelas da Nicarágua"! E seguem-se empolados e retóricos "pombas brancas, arrulhadoras", "peitos níveos", "acetinados braços alabastrinos", "estrela acarminada de suas patas", "sã e virginal primavera", o que nos leva a refletir sobre as diferenças entre o poeta dos Estados Unidos que canta seu país como se ele fosse a única América e o poeta da América Central que busca na França uma outra pátria.

O modernismo de Rubén Darío consiste em não imitar ninguém, embora assimilando a literatura francesa - Flaubert, Hugo, Gautier, Banville, Mendes -, segundo Fiorussi. Inflamado pela imaginação dos românticos, parnasianos, decadentes e simbolistas, ele ousa encontrar um estilo original, um verdadeiro escândalo para a literatura espanhola ainda presa aos clichês do século de ouro, "enrijecida e anquilosada".


Rubén Darío não antecipou o feminismo, não fez a revolução sexual, não pregou a igualdade das raças, nem a liberdade irrestrita como Whitman, num tempo em que o império espanhol agonizava, dando lugar ao americano. A revolução de Darío acontece na intimidade da literatura. Mesmo assim, ele é aclamado como a voz da hispanidade e da latinidade. Azul é o paradigma de uma modernidade que, após 33 anos do lançamento das Folhas de Relva, surge como um decreto de Rubén Darío a um novo tempo: "O movimento de liberdade que me cumpriu iniciar na América se propagou até a Espanha, e tanto aqui como lá o triunfo está logrado." Num livro sobre Darío, Vargas Villa atenua essa impressão e escreve que o poeta nicaraguense acreditava assistir à aurora de uma literatura americana e se empenhava em revelá-la à Europa, mas "seu generoso sonho morreu sem se realizar, porque o que ele acreditava ser a aurora, não era senão o pestanejar de umas poucas estrelas sobre um céu muito remoto, na noite equatorial".


RONALDO CORREIA DE BRITO É ESCRITOR, AUTOR, ENTRE OUTROS, DE GALILÉIA E RETRATOS IMORAIS (ALFAGUARA)

FONTE: Estadão

FOTO: Milky Way II


By: Svein-Jørgen Wiken
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quarta-feira, abril 08, 2009

Xiomara Taveras y su desmitificación de la poesía



Publicado el 04-07-2009
Xiomara Taveras y su desmitificación de la poesía


A través de "Retazos..Esencia de mí alma"


Por Luis Peralta


CRANSTON, RI—La obra artística o literaria, puede fragmentar el estado de ánimo del lector o espectador, tornando sus sentimientos o el acto de pensar, en un accionar complejo y constante. En el caso de una composición poética, los versos son modelados respondiendo a la necesidad de hallar la esencia y claridad reveladas en el lenguaje; son sus símbolos y metáforas quienes nos revelan la intención comunicacional del escritor. Una poesía intelectual emana no sólo de las gotas de pensamiento, sino también de la belleza gráfica y de la musicalidad ósea de las palabras. Pero no toda la poesía es lenguaje, si pensamos en éste partiendo del interés en construir una estética; en la poesía de Xiomara Taveras habitan, melodía y descarga de imágenes repletas de realidad que contextualizan como sujeto de la escritura la experiencia única de la autora. No existe un blindaje que encarcele el discurso poético, sino que más bien, ella nos intenta transmitir, la persistente sensación de un cúmulo de experiencias amatorias que resisten—a través de su memorización—el embate de cierto golpeo de tiempo histórico, que podría ser eso a lo que llaman olvido.


De ahí que, acogiéndome a la noción de la poesía como instrumento de la realidad, no creo que necesitemos asumir la experiencia escritural de Xiomara Taveras, a partir de la estructura del lenguaje, ni verla desde el punto de vista histórico, a no ser que acordemos reducir esa concepción a la contextualización de la autora como sujeto de la escritura. Saquemos también de contextualización, la presencia-sujeto del lector como objetivo del quehacer poético, y veremos que en Xiomara saltan—incontenibles—pedazos de vida, razón por la cual su poesía se acerca tanto a nosotros, ya que la autora expone su realidad vital con una franqueza excepcional. Leamos por ejemplo, estos versos de su poema titulado “Como olvidar el día que te conocí” (página 16):

“Cómo olvidar esa mirada tan tierna

esa sonrisa cautivadora, tus palabras

que al ser expresadas removían emociones

que me hacían sentir más que mi piel

desatando así un volcán de pasiones

Que al sólo hecho de tenerte cerca

se estremecía mi cuerpo

mis pupilas brillaban como dos luceros

mi estómago se llenaba de maripositas

mi respiración se hacía lenta….

… mis piernas empezaban a temblar

mi voz se quebraba y el nerviosismo de mis dedos me delataba

¿Cómo olvidar el día que te conocí?”…



En uno de sus mejores poemas, por el ritmo interno de los versos, por la techumbre de las palabras, y por la serenidad y certeza de su flecha poética, la autora desenvaina imágenes fuertes, donde su soplo vital se desangra a borbotón para describir la angustia e incertidumbre causada por la lejanía del amor. El poema se titula “Destierro” (página 42):


“Hoy es un día de esos

en que la soledad embriaga mi alma

en que la tristeza habita mi vida y

la melancolía se apodera de mí

Hoy es un día de esos

en que no escucho el sonido del viento y

el cantar de las aves agudiza mis silencios

Hoy no siento, ni ...
río, ni padezco
soy como un barco a la deriva

sin timón ni capitán, a la espera de un jamás

Hoy es un día de esos

en que renuncio a la felicidad

porque el amor parece haber olvidado que aún existo y

tengo derecho a amar

Como un velero en alta mar

trato de buscar un sonido en la distancia

quizás una esperanza

que me devuelva las ganas de creer

que aún puedo volver a querer

Hoy es un día de esos

en que me cuesta respirar, quizás

para no llorar, y a pesar de que no estás,

tengo la sospecha de que algún día llegarás.”


Sin embargo, cuando los versos parecen acercarnos al desamor, Xiomara no nos deja atrapados en la experiencia que desgarra el alma, haciéndonos conocer por lo contrario, las pasiones que el oleaje del amor desembarcó en su cuerpo; nos muestra las rejas que sitian el espíritu y la intemperie en que nos sume la pérdida del amor físico que le desgranó los sentidos en su consumación, pero también el pedazo de cielo por donde excarcela la angustia de la ausencia. Su poema titulado “Intocable es tu lugar” (página 22), tiene esa virtud liberadora:


“… me quedo con el verde de tus ojos

con el olor de tu piel

que me acompañaba al amanecer

Me quedo con tu alegría, que también fue la mía

me quedo con las noches, los días que viví junto a ti

porque con ellos fui inmensamente feliz

Contigo olvide respirar

para que tu aire fuera sólo mío

contigo volví a vivir, a sentir…”


A mi me gusta su poesía, y sé que a cada uno de ustedes que tenga la oportunidad de leer su libro, le gustará encontrarse con una poesía fresca, atrevida y limpia de retórica, con la cual Xiomara Taveras nos muestra su subyugante experiencia amatoria. Más que una complejidad lingüística sin sustancia, abrazo la valentía y autenticidad de sus versos.

Erótica

(Página 94)


A punzadas me clavas

como espinas

me hieres excitando mis ganas

Me cubres con tus gemidos

recorres entre el sudor y escalofríos

todos mis sentidos

Arrullándome con el silencio de tu sollozar

queda adormecido mi cuerpo

bajo el caliente de tu piel, haciéndome temblar

con un suspiro infinito

me elevas hasta decir basta ya

Entrelazados por el venir del placer

bebes de mi piel el dulce amargo que destilan mis poros

velas mi desnudez con tal candidez

que me renuevas el deseo de empezar otra vez

Ver tanta dulzura al contemplarme

pido a Dios no morir para volver a besarte

poder tocarte todos los días hasta que el cuerpo aguante

Agonizando te paseas por mi vientre

hasta conquistar mis entrañas

que te siente venir, llegar y partir como si nada

haciéndome vibrar hasta derramar lágrimas.

____________________

Título: Retazos…esencia de mi alma
Autora: Xiomara Taveras Henríquez
Pp: 118
Editorial Ecce Búho, 2009
ISBN: 0-9672593-7-1
New York, NY
(xiomarataveras@hotmail.com)

Retazos..Esencia de mí alma" está a la venta en Librería Caliope (170 Dyckman 212.567.3511)
Librería Continental (620 West 207 Street (Broadway- 212544.9004)
(Pídalo por email a xiomarataveras@hotmail.com)

Eventos:
18 El Macutor Bar & Restaurant (Rhode Island...Team Promotion & Entertainment)
21 Librería Caliope
1 de Mayo Feria Internacional del Libro
...
FONTE (fotos incluídas): Farandu Life - New York,NY,USA
FOTOS: Periodista y escritora Xiomara Taveras (foto: www.sanahoria.com)