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terça-feira, novembro 30, 2010

Direito da imaginação



o artigo apresenta conceito desmistificador dos direitos autorais, apresentando entendimento filosófico quanto a criação

cassilla@uol.com.br - Lucio Correa Cassilla

Em Portugal entende-se por “imaginação” a criação, invenção, algo que seja digno de direito autorais. A importância de se conceituar isso no Direito é para poder proteger a propriedade imaterial. As coisas que têm relação com as criações do espírito humano, as obras artísticas, científicas, literárias, ou os produtos da inventiva industrial.

De maneira mais ampla a imaginação são possibilidades, fruto do raciocínio humano. Desta forma, por silogismo, basta raciocinar para se poder imaginar. Portando, neste exato momento, têm aproximadamente seis bilhões de seres no planeta Terra, criando, inventando, imaginando. No entendimento do professor Leite Campos, nossa imaginação tem alicerce em todas as pessoas que nos transmitem informações, “nós somos nossas próprias idéias e as dos outros”. Não estou generalizando, falo das idéias voltadas às ciências suscetíveis das constantes transformações do ser humano, da sociedade, da coletividade. Certamente que não se inclui ai as ciências exatas. Porém, importante notar que Isaac Newton não inventou a gravidade, somente transcreveu em formula algo que sempre existiu.

Pensando assim, não temos imaginação pessoal nenhuma de forma exclusiva. Nossa imaginação não é nossa, mas um agrupamento de pequenas criações e entendimentos das pessoas que nos rodeiam. Para piorar a situação dos que acreditam serem imaginativos, o psicanalista suiço, Carl Jung, conceituou um fenômeno chamado de “inconsciente coletivo”, traços funcionais inerentes a todos os seres humanos. Essa teoria explica a situação de o subconsciente do ser humano imaginar a mesma coisa em vários pontos do mundo, em culturas diversas e épocas diferentes. A exemplo disso citamos o símbolo da suástica, encontrado nas culturas da Índia, da China, da Alemanha e tantas outras com os mais diversos significados.

Dessa forma, quando você receber uma informação que lhe pareça interessante, ou mesmo chegar a uma conclusão aparentemente inovadora, não deixe que permaneça com você, passe à frente, não pertence só a você. É propriedade da coletividade que o rodeou em toda a sua vida. Se alguém tem boas idéias e não as divulga, vai morrer com elas e será um verdadeiro desperdício ao pensamento coletivo, visto que diminuirá as possibilidades de desenvolvimento.

O doutor Bruno Bini entende esse procedimento como um estilo de vida, um verdadeiro exercício de cidadania, de humanidade, de participação social e coletiva. Nomeamos isso nesse momento como “corrente da criação”. É questão de vida. “Para sobreviver, faz falta contar história” nas palavras de Shaharzad.

O químico francês, Lavoisier, determinou que na natureza nada se cria, tudo se transforma. O “filósofo” brasileiro, Chacrinha, inovou dizendo que nada se cria, tudo se copia.

O que se deve valorar é o pensamento que agrupe esse conjunto de informações de maneira útil, efetiva, mas sem dar-lhe o status de inventor, criador, esse, a Deus pertence. O que passamos a chamar de “agrupador de pensamentos” tem a genialidade de colocar as coisas de maneira didática.

Nada de ilusões, nada de grandes pretensões, nada de certezas, quanto às suas idéias, isso certamente te conduzirá à prepotência, à arrogância e ao fracasso.

Bach, um dos maiores compositores de todos os tempos, foi acusado de ter plagiado Vivaldi.

Quando você tiver certeza que descobriu algo novo, inovador, único, estará correndo um sério risco de cometer plágio.

FONTE: O Barriga Verde On-Line

http://www.adjorisc.com.br/
http://www.adjorisc.com.br/jornais/obarrigaverde/comportamento/direito-da-imaginac-o-1.376445
FOTO: ''Clean-Up Crew''

By: Dave Barstow
View Full Portfolio (1818 images) (http://photo.net/photodb/member-photos?user_id=469991)

domingo, novembro 28, 2010

Vocabulário parecido acende o romance

Escolha melhor as suas palavras: um novo estudo sugere que as chamas do amor se apagam quando um homem e mulher empregam palavras como “eu”, “isso”, “mais” ou “menos” em conversas cotidianas.

Durante a última década, pesquisadores desenvolveram um programa de computador que mede a extensão com que as pessoas usam palavras de função ou palavras de outras categorias quando falam ou escrevem. Agora, outros pesquisadores começaram a estudar vários tipos de conversas com esse programa.

Segundo pesquisadores, o uso das palavras na conversação entre um casal, como pronomes, artigos, conjunções, preposições e negações, pode prever o interesse romântico mútuo e a estabilidade das relações.

Esse tipo de coordenação verbal inconsciente, chamada “correspondência de estilo de linguagem”, não significa necessariamente o quanto duas pessoas gostam uma da outra, mas o quanto cada uma está prestando atenção ao que a outra diz.

Os pesquisadores dizem que uma ironia interessante é que duas pessoas que verdadeiramente se odeiam muitas vezes apresentam uma grande quantidade de correspondência de estilo linguagem. Quando brigam, as pessoas tendem a falar ou gritar de maneira semelhante.

No entanto, quando pessoas têm grande correspondência de estilo de linguagem, normalmente é porque se gostam. Se você se der bem com alguém, mas não entender porque, há uma boa chance de que houve uma alta correspondência de estilo de linguagem. Os pesquisadores descobriram também que esse tipo de conexão de conversação ocorre muitas vezes quando negociadores convencem bandidos a se render.

E os laços românticos também podem ser beneficiar dessa correspondência de estilos de conversação. Palavras de função são importantes porque essas palavras são independentes dos tópicos da conversa e requerem conhecimento compartilhado para serem eficazmente utilizadas.

Por exemplo, se dois amigos trabalham em lugares diferentes, vão usar diferentes substantivos e verbos para falar sobre seus dias de trabalho, mas se eles se gostam e entendem bem um ao outro, vão usar palavras de função semelhantes.

No novo estudo, os pesquisadores analisaram 40 conversas entre os participantes. Os casais que usaram tipos e frequência de palavras de função similares foram quase quatro vezes mais propensos a manifestar interesse mútuo em namorar.

Um segundo experimento verificou que dos 86 casais já em relacionamentos, aqueles que usaram semelhantes estilos de escrita durante 10 dias de conversas por mensagens instantâneas foram particularmente propensos a ficar juntos durante os próximos três meses.

Os pesquisadores suspeitam que a correspondência de estilo de linguagem tenha altos e baixos, ou seja, aumenta e diminui nas relações íntimas. Um estudo de arquivo com três pares de escritores famosos apoiou a ideia. Eles analisaram palavras de função em cartas entre os psicanalistas Sigmund Freud e Carl Jung (entre 1906 a 1913), poemas e peças de Elizabeth Barrett e Robert Browning (entre 1838 a 1861) e poemas de Sylvia Plath e Ted Hughes (entre 1944 a 1963).

A correspondência de estilo de linguagem diminuiu conforme cada relacionamento “azedou”. Declínios notáveis ocorreram quando Jung deixou o grupo de psicanálise de Freud, quando Elizabeth Barrett gostou da abordagem da morte enquanto seu marido a temeu, e quando o casamento de Sylvia Plath e Ted Hughes desmoronou. [Sciencenews]

FONTE: HypeScience - A ciência é a grande estrela do mundo real

http://hypescience.com/
http://hypescience.com/vocabulario-parecido-acende-o-romance/

quarta-feira, outubro 20, 2010

Inquietude refletida nas telas

Sara Saar
Do Diário do Grande ABC

"Sempre existe inquietação no artista. Se não houver, já morreu ou deveria ter morrido", opina em tom bem-humorado o paulistano José Guyer Salles, 68 anos, que exibe panorama da carreira na mostra Gravuras e Aquarelas de Guyer Salles. Com entrada gratuita, a individual tem abertura quinta, no Sesi São Caetano.

Este permanente estado inquieto pode ser observado na produção, nunca linear. Segue diferentes direções em relação a técnicas e temáticas. "Ora o vento sopra para um lado, ora para outro", compara o artista.

Na exposição, que abarca digigrafias de 46 obras, entre gravuras e aquarelas, o espectador é estimulado a refletir. "O trabalho do artista é sugerir, criar estados. Cada pessoa interpreta de acordo com sua pulsão interna", avalia.

Todas as principais fases tiveram obras pinçadas para a mostra. Entre a década de 1960 e o início de 1970, Salles se voltou para o mundo dos sonhos, tendo como referência a mitologia. "Era fascinado pelo mundo junguiano (refere-se aos estudos do psiquiatra suíço Carl Jung), na busca de arquétipos", explica.

Até meados dos anos 1970, concentrou-se no onírico, sem influência mitológica. "Não há razão objetiva para a mudança. O artista precisa focar em um assunto, senão o trabalho não resulta em nada." Mais tarde, até os anos 1980, elementos da realidade serviram de inspiração. "Criei obras voltadas para o dia a dia, para a natureza morta, a partir de espaços internos como casa e atelier. Faço referência ao mundo do aqui e agora", analisa.

Já, durante a década seguinte, brincou com a imagem das carpas japonesas. "Era o encanto por aquele ser bonito, produto do meio aquático. O movimento das águas me fascinou durante bastante tempo."

Nos anos 2000, ainda teve breve ‘namoro'' com a arte abstrata. "Curiosamente, sempre tive dificuldade para nomear obras figurativas. No caso das abstratas, os nomes vinham com bastante facilidade, inspirados na literatura", compara.

De volta ao figurativo, Salles iniciou há três anos nova fase. Retrata mulheres malabaristas. "É o elemento feminino que busca equilíbrio no caótico", analisa. Salles seguiu a profissão contra o gosto do pai, que lhe apontava a engenharia. Sobre a decisão, comenta aos risos: "Desde criança, gosto muito de desenhar. Fui procurando o meu caminho até que, quando dei por mim, já estava fazendo arte".

Gravuras e Aquarelas de Guyer Salles Exposição. Abertura na 5ª. No Sesi São Caetano - Avenida Santo André, 810, São Caetano. Tel.: 4238-1400. Ter. a 6ª, das 8h às 20h, 2ª e sáb., das 8h às 17h. Até dia 3. Entrada franca.

FONTE: Diário do Grande ABC

http://www.dgabc.com.br/