
LUIZ CESAR DE MORAES
Quem matou Saint Exupèry
Quem matou Saint Exupèry
A minha imaginação navega em mar aberto quando começo a pensar em tudo aquilo que os homens aprenderam a fazer. Voar figura em posição privilegiada nessa lista. Tudo começou com Ícaro, consagrado pela mitologia grega como o primeiro piloto da história – embora jamais tenha obtido o brevet, é bom que se diga. Depois veio nosso Santos Dumont, inventor do avião, apesar dos gringos insistirem na tese de que esse título pertença aos irmãos Wright.
O próximo piloto do qual tomei conhecimento foi Antoine de Saint Exupèry, que, além de discípulo de Ícaro, também escrevia romances e foi à guerra. Aliás, perdeu a vida quando seu avião foi abatido numa delas – a Segunda Guerra Mundial - e seu corpo jamais encontrado. Talvez por isso as narrativas de sua vida sempre foram recobertas por uma aura de aventura e mistério.
Uma professora de Português foi quem me apresentou Saint Exupèry, autor d’O Pequeno Príncipe, obra muito conhecida nas décadas de 70 e 80, e citada como leitura de cabeceira por dez entre dez candidatas aos concursos de miss de outrora. Quem é que não se lembra de “o essencial é invisível aos olhos”? É citação obrigatória do autor, assim como “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.
Dele se dizia que era exímio piloto e que amava voar e escrever. Antes da guerra pilotava aviões levando correspondência da Europa para o Cone Sul, e vice-versa, experiência retratada em outro livro seu, Vôos Noturnos. Foi nessa época que teria plantado um baobá em Natal, uma gigantesca árvore nativa da África e considerada sagrada em muitos países do continente africano.
A suspeita de que sua morte fosse um suicídio, com base em informações de que ficara depressivo por atuar como piloto de guerra, foi definitivamente descartada com a revelação recente de um ex-piloto alemão. O hoje jornalista Horst Ripper, de 88 anos, assumiu a responsabilidade pela autoria dos disparos que abateram Exupèry em 1944, nas costas da França.
Em 2004 os restos do avião do piloto-escritor foram encontrados no mar em frente às costas de Marselha. Antes disso, um pescador recolhera em suas redes uma pulseira que pertenceu ao autor famoso. Agora se sabe que a aeronave que pilotava naquele dia fatídico, um Lightning P38, foi mesmo abatida por um avião inimigo, sob o comando de Ripper.
O curioso é saber o que Ripper disse a respeito: "Foi depois que soube que era Saint-Exupéry. Eu esperava que não fosse ele, porque em nossa juventude todos tínhamos lido seus livros e os adorávamos", disse o ex-piloto. Quer dizer: Ripper fora cativado por Exupèry antes de ser seu algoz.
LUIZ CESAR DE MORAES é editor de Opinião do Diário
LUIZ CESAR DE MORAES é editor de Opinião do Diário
FONTE: Diário de Cuiabá - MT, Brazil
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