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quinta-feira, novembro 25, 2010

Clarice Lispector

Clarice Lispector nasceu dia 10 de dezembro de 1920, em Tchetchelnik na Ucrânia.

Recém-nascida, foi com os pais, em 1921, para Maceió. Em 1924, mudou-se com a família para Recife e, em 1935, estavam no Rio de Janeiro.

Em 1943, tornou-se aluna da Faculdade de Direito. Nesse período escreveu seu primeiro romance, que se chamou Perto do Coração Selvagem. Casou-se com o embaixador Maury Gurgel Valente. A seguir, morou em vários lugares como Nápoles, Berna, Torquay (Inglaterra) e Washington.

Em 1959, separou-se do marido e fixou residência no Rio de Janeiro, a partir daí, colaborou para a revista Senhor, fez entrevistas para a revista Manchete, colaborou em colunas para o Jornal da Tarde, Correio da Manhã e, anos depois, para o Jornal do Brasil, além de manter a coluna Só para mulheres, no Diário da Noite.

Em 1962, recebeu o prêmio Carmem Dolores pelo romance A Maçã no Escuro, já em 1967, recebeu o prêmio Calunga, da Companhia Nacional da Criança pela publicação de O Mistério do Coelho Pensante. Em setembro, desse mesmo ano, provoca, acidentalmente, um incêndio em seu apartamento, queimando gravemente sua mão direita, lhe causando vários problemas.

O trabalho da escritora sempre foi complexo e identificado como o ponto mais alto da segunda fase do Modernismo. O tema dominante versa sobre a necessidade que o homem tem de amparar-se na linguagem para suportar o desamparo diante do universo, recoberto pelo silêncio intraduzível.

A tarefa da escritora é aprisionar esse silêncio e dar-lhe sentido. Esse trabalho exige contínuas retomadas que vão criando um discurso paradoxal, transitório, assim definido por Benedito Nunes: "o sentido erra entre o exprimível dos significantes e o inexprimível do significado".

Faleceu no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57° aniversário. Foi enterrada no Cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro devido a um cancer de útero.

Abaixo algumas frases famosas de Clarice:

"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."

"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca."

"E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço."

"Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar."

"Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca."

"Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito."

"Sou um monte intransponível no meu próprio caminho. Mas às vezes por uma palavra tua ou por uma palavra lida, de repente tudo se esclarece."

"Saudade é um dos sentimentos mais urgentes que existem."

"...Respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver."

"Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma."

"Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela só tenho uma chance de fazer o que quero.
Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce dificuldades para fazê-la forte,
Tristeza para fazê-la humana e esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas,
elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos."

"Não te amo mais
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis
Tenho certeza que
Nada foi em vão
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada
Não poderia dizer mais que
Alimento um grande amor
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais..."

"Me dê a coragem

Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
meu PECADO DE PENSAR"

"Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.

Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:

- E daí? Eu adoro voar!

Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre"


FONTE: Beníssimo
http://benissimo.com.br/

terça-feira, setembro 14, 2010

'Portfólio Brasil' mostra principais trabalhos de Elifas Andreato

Na música, foram mais de 350 capas de discos, boa parte transformada em objetos de arte. No cinema, filmes nacionais ganharam destaque com seu traço no cartaz. Na literatura, traduziu em ilustrações a prosa densa e inquieta de Clarice Lispector e Murilo Rubião. E, no teatro, um de seus trabalhos mais expressivos, o cartaz da peça "Mortos Sem Sepultura", foi apreendido pela Polícia Federal em 1977. Apesar de preferir a alcunha de artesão, Elifas Andreato é um dos mais importantes artistas gráficos do País, como comprova seu "Portfólio Brasil", livro com principais trabalhos editado pela editora JJ Carol e que será lançado nesta terça-feira (14).

"Minha arte se liga à história da minha vida, das vidas assemelhadas à minha, e serve para contar o que eu e pessoas semelhantes a mim entendemos seja o mundo, a justiça e a liberdade", observa Elifas, no texto de apresentação do portfólio. Na verdade, trata-se de um rápido rascunho sobre a origem de sua arte, iniciada, como ele mesmo conta, em uma fábrica de Vila Anastácio, onde construía cenários para os bailes no refeitório da empresa a partir de bobinas de papel de embrulho que serviriam para embalar fósforos.


Mesmo amadoras, as pinturas impressionaram um grupo de ingleses que visitaram a empresa e convenceram os patrões de que aquele adolescente pobre, morador de cortiço, deveria estudar artes visuais. Foi o passo decisivo para que ele ingressasse em pequenas agências de publicidade até que, aos 20 anos, arrumou um emprego na editora Abril, onde se notabilizou especialmente pelos encartes da coleção "História da Música Popular Brasileira", no início da década de 1970.


Como acompanhava a entrevista com os artistas, familiarizou-se com o trabalho da maioria deles a ponto de ser convidado por Paulinho da Viola para desenhar a capa de seus discos. Nasceu uma amizade tão próxima que, no LP "Nervos de Aço", de 1973, Elifas expôs um delicado problema sofrido pelo músico na época: seu desenho com uma lágrima escorrendo e um buquê de flores indicava a separação de Isa, a primeira mulher. "Pode parecer presunçoso, mas considero que foi com esse disco que eu inaugurei as capas de LP no Brasil. Encontrei um nicho que ainda não havia sido explorado por aqui", disse ele ao Jornal da Tarde em 2006, quando foi aberta uma exposição em homenagem aos seus 60 anos.


De fato, sua forma peculiar (sempre se aproximava do artista antes de iniciar qualquer trabalho) permitiu a descoberta de detalhes que transformavam especialmente as capas de LP em verdadeiras obras de arte. Para o disco comemorativo dos 70 anos de Adoniran Barbosa, por exemplo, em 1980, ele desenvolveu um estudo que mostra o rosto do artista com uma lágrima escorrendo. "Elifas, sou esse palhaço triste", vaticinou o músico.

AREIA

Outra solução genial resultou na capa do Clementina de Jesus, de 1979: em uma caixa com argila e areia, figura o molde dos pés da cantora, cujo nome aparece mais acima. O desenho de Clementina, aliás, é considerado por ele mesmo como o melhor que já fez. "Hermínio Bello de Carvalho o chama de ‘A nossa Monalisa’." No teatro, Elifas, que é irmão do ator e diretor Elias Andreato, também criou cartazes memoráveis. "Calabar", de Chico Buarque e Ruy Guerra, ostenta o desenho anatômico dos músculos do corpo humano coberto por uma pele de porco tatuada.

Já o homem cabisbaixo que figura no cartaz de "A Morte de um Caixeiro Viajante", dirigido por Flávio Rangel em 1984, foi elogiado pelo próprio autor da peça, o americano Arthur Miller, que, em carta ao diretor, confessou mantê-lo pendurado em sua cozinha, "onde posso admirá-lo todos os dias". "Vai ser difícil escrever a história das últimas décadas do Brasil sem ilustrá-la com a arte de Elifas", bem observa Fernando Morais, no prefácio do portfólio.


SERVIÇO:

ELIFAS ANDREATO. Coleção: "Portfólio Brasil" (J.J. Carol Editora, 132 págs., R$ 49). Local: Melograno Forneria & Empório de Cervejas. R. Aspicuelta, 436, SP. Terça-feira (14), 19h30. (Ubiratan Brasil - AE)


IMAGEM: http://www.oldblackgallery.com/

quinta-feira, julho 02, 2009

Cultura promove oficinas para incentivar a leitura


30/06/2009 09:35
Cultura promove oficinas para incentivar a leitura
Durante as férias, aprenda um pouco mais sobre a literatura

SÃO PAULO [ABN NEWS] - O Programa São Paulo: Um Estado de Leitores, da Secretaria da Cultura, surgiu no ano de 2003 e, desde então, vem trabalhando para incentivar a leitura e melhorar o acesso à informação para a população paulista. Por meio de eventos literários, cursos, revitalização de bibliotecas, criação de salas de leituras e campanhas de incentivo, o programa tem obtido sucesso na batalha pela democratização e incentivo ao prazer da descoberta da palavra escrita.

Em julho, o programa promove três oficinas de férias.

Veja quais são:

Como escrever e contar a literatura de cordel dia 7 de julho, às 14 horas, com Cesar Obeid. Inscrições: R$ 15,00

O participante vai aprender por meio de histórias, improvisos e interação com o grupo como escrever e contar as divesas modalidades da literatura de cordel. Haverá também dinâmicas de teatro de cordel. O objetivo é iniciar o treino da escrita, leitura e escuta em verso, por meio da oralidade da cultura popular.

Os caminhos do desejo no texto femininodia 14 de julho, às 10 horas, com Angela Coelho (Casa das Rosas) e Suzana Ventura (Universidade Federal de São Paulo).

Inscrição: um livro em bom estado

A partir das obras de Lygia Fagundes Telles, Adélia Prado e Clarice Lispector, a concepção desta oficina se baseia na vivência literária em amplo sentido, tornando consciente a interação com as diversas linguagens artísticas a partir de textos literários.

Saramago e Mia Couto, em verso, prosa e intervenção dias 15 e 16 de julho, às 10 horas, com Suzana Ventura (Universidade Federal de São Paulo).

Inscrição: um livro em bom estado

Dois encontros que vão colocar o público em contato com as obras de dois grandes autores da língua portuguesa. Para ler, discutir e até cantar.

Serviço:

São Paulo, um Estado de Leitores
Rua do Triunfo, 301/305 - Santa Efigênia
Informações pelo telefone: (11) 3331-5549

FONTE: ABN - Brasília,DF,Brazil


FOTO: Lygia Fagundes Telles