terça-feira, abril 08, 2008

«Mundial e Jogos Olímpicos são as minhas metas»


Francisco Rodrigues, arbitro madeirense de Judo, é “Juiz Internacional Continental”
«Mundial e Jogos Olímpicos são as minhas metas»
A prática do Judo e o gosto pela modalidade, levou Francisco Rodrigues (mais conhecido por Franco), a enveredar pela arbitragem. Inicialmente, não levou a tarefa muito a sério, mas a partir do momento em que integrou os quadros nacionais, passou a encará-la de uma forma diferente. Agora, depois de ter participado nas provas da União Europeia de Judo e de ter-se classificado no quarto lugar, entre os juízes portugueses presentes, a meta passa por marcar presença no Campeonato do Mundo e nos Jogos Olímpicos.

36 anos de idade, o madeirense Francisco Rodrigues "Franco" pode chegar longe na arbitragem internacional na modalidade de Judo. Apesar de ter nascido na Venezuela, o juiz sente-se como se tivesse nascido na Região, para onde veio viver ainda criança.

Na condição de atleta, representou quatro colectividades: Casa do Povo de Santo António, Sporting da Madeira, CS Madeira e Judo Clube da Madeira, agremiação na qual é actualmente presidente da direcção.

JM - Como é que, depois de ter sido atleta, optou por enveredar pelo sector da arbitragem?

FRANCISCO RODRIGUES - Inicie-me na arbitragem em 1994, numa altura em que a Associação de Judo tinha pouca actividade. Surgiram alterações a nivel directivo e começámos a realizar diversas iniciativas. Como os cursos eram poucos, tínhamos que fazer um pouco de tudo e foi aí que iniciei a actividade, como amador.

Entretanto, com o decorrer dos anos, comecei a tomar mais a sério aquilo que fazia, até pelo gosto que tinha, e cumpri então as várias etapas da carreira de árbitro.

Em 2000, iniciei a actividade mais a sério e em 2003 consegui ser árbitro nacional. Em 2005 fui considerado o melhor árbitro de Elite Nacional, tendo então sido proposto pelo Conselho Nacional de Arbitragem para fazer provas, em 2006, de modo a ser juiz Internacional Continental, em Edimbugo, na Escócia.

Agora, por assim dizer, estou a iniciar a carreira internacional.

JM - Quais são as ambições que tem na arbitragem?

FR - Inicialmente enveredei pela carreira de amador, sem pensar em grandes objectivos. Contudo, depois da evolução que tive, posso dizer que o sonho agora é chegar o mais longe possível. Alcancei este patamar e, com a idade que tenho, penso que terei condições de poder chegar ao Campeonato do Mundo e aos Jogos Olímpicos.

Ser árbitro implicater sido praticante

JM - É fácil ser árbitro numa modalidade como o Judo?

FR - Como todos os desportos, o Judo também tem a suas especificidades e se, por exemplo, no futebol, um árbitro pode exercer a actividade sem nunca a ter praticado, no Judo já não é assim. É que para além de ter que ser praticante, quando chegamos a internacionais, exigem-nos que sejamos pelo menos segundo Dan. Isto tem a ver com a especificidade técnica do Judo, pois para um árbitro perceber certos movimentos, tem mesmo que ser ou ter sido um praticante da modalidade. Por isso, muitas vezes, quando estamos a avaliar um combate, sabemos bem o que está a acontecer no tapete, pela experiência adquirida na condição de atletas.

Evolução no sector é considerável

JM - Como é que classifica o sector da arbitragem, comparativamente com outros países, sobretudo os mais evoluídos na modalidade?

FR - Não está mal, até porque apresenta um nível que considero ser bastante razoável. Temos um grupo de árbitros nacionais que têm evoluído, depois que o último Conselho de Arbitragem foi empossado. Houve trabalho de fundo e com isso, surgiu uma viragem na arbitragem nacional. Se recuarmos ao tempo em que me iniciei na arbitragem nacional, observávamos que então os árbitros estavam há muitos anos e não havia renovação. Depois, investiu-se nos mais jovens que, juntamente com os outros mais experientes, conseguiram uma evolução satisfatória.

Neste momento temos seis árbitros internacionais no activo e na altura só haviam dois, daí ter apontado uma evolução que é muito boa.

JM - Qual é o estatuto que tem um árbitro no Judo? Existe remuneração ou é puro amadorismo?

FR - Actualmente nenhum árbitro pode viver da actividade por si só. Os valores que recebemos são simbólicos e estamos na modalidade pelo gosto que temos por ela.

JM - Qual é a opinião que tem sobre o Judo madeirense, uma vez já esteve no auge, houve depois um abrandamento, mas agora parece estar de novo em evolução?

FR - Está no bom caminho neste momento. Actualmente existem dez clubes, mas houve efectivamente uma fase, sobretudo entre 1992 e 1994 em que houve uma quebra, devido à má gestão de alguns dirigentes que estiveram na Associação.

Conseguimos dar a volta ao momento menos bom e existem agora mais atletas e mais clubes, o que é muito positivo.

JM - Existe motivação para que um jovem opte pela prática da modalidade?

FR - O Judo peca por não ter um espaço próprio, o que motiva que andemos com a casa às costas. Ou seja, não temos as condições ideais para a prática da modalidade, mas vamos fazendo o que nos é possível, com os recursos que temos. Perspectivo que no futuro possam haver melhorias para bem da modalidade na Madeira.

Duarte Santos

FONTE (photo include): Jornal da Madeira - Funchal,Madeira,Portugal

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