terça-feira, agosto 05, 2008

Com lesão no joelho, judoca brasileira é cortada


Com lesão no joelho, judoca brasileira é cortada
Portal Terra
JAPÃO - A judoca brasileira Érika Miranda foi cortada nesta terça-feira da equipe brasileira que disputará os Jogos Olímpicos de Pequim por causa de uma lesão no cruzado anterior e no colateral medial do joelho direito.
A atleta, que é da categoria meio-leve (-52kg), permanecerá na capital chinesa para apoiar a delegação brasileira da modalidade.
A judoca se contundiu no último treino realizado pela Seleção Brasileira em Belo Horizonte, antes da viagem da equipe para Katsuura, no Japão. Érika Miranda chegou com o joelho inchado na cidade japonesa e permaneceu fazendo tratamento no local.
Após o desembarque em Pequim e a chegada à Vila Olímpica, a atleta foi submetida a uma ressonância magnética feita pelo médico da delegação brasileira de judô, Wagner Castropil.
Constatada a lesão, o médico e a treinadora da equipe brasileira, Rosicléia Campos, se reuniram com o chefe de missão do Brasil, Marcus Vinícius Freire, e tomaram a decisão de cortar a judoca.
Érika permanecerá fazendo fisioterapia por três semanas para depois ser avaliada para uma intervenção cirúrgica. Ela deverá ficar de quatro a seis meses fazendo o trabalho de recuperação, caso seja constatada a necessidade de cirurgia.
- É lamentável ter de cortar uma atleta dessa forma. A Érika foi a única que conquistou a vaga no ano passado, graças aos resultados no Pan e no Mundial. Foi um sofrimento de avisar para a atleta, mas tivemos que fazer isso para preservar a integridade dela, afirmou Ney Wilson, chefe de equipe do judô.
A atleta ainda não se pronunciou sobre o seu corte. A substituta de Érika, Andressa Fernandes, não virá a Pequim, pois não há tempo hábil para ela ter condições de disputar os Jogos Olímpicos.

[05/08/2008 :: 13:35]

FONTE: JB Online - Rio de Janeiro,RJ,Brazil

A odisséia do anti-herói


A odisséia do anti-herói
Antonio Gonçalves Filho

Uma das características marcantes de Macunaíma é seu aspecto paródico, que o poeta e crítico Haroldo da Campos definiu como de "linhagem rabelaisiana". Evocar Rabelais, no caso de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, que acaba de completar 80 anos, é pertinente não só pela presença de gigantes na rapsódia do modernista Mário de Andrade. O humor escatológico de Rabelais, o pai renascentista de Gargântua e Pantagruel, nasceu igualmente de lendas populares e da leitura satírica das tradições religiosas.

Se Rabelais teve como meta apagar as trevas da superstição medieval, elegendo gigantes no lugar de deuses, o modernismo de Macunaíma assumiu como missão livrar o brasileiro do mofo acadêmico, banhando-o nas águas da modernidade literária. Mário não desprezou nem o folclore indígena nem o africano, nem a língua erudita nem a popular. Macunaíma provocou uma revolução literária que virou o Brasil de ponta-cabeça, ao eleger como protagonista um personagem com três raças, mistura de índio, africano e europeu.

A fúria modernista de Mário de Andrade que se voltou contra o falso espírito de integração dos anos 1920 - isso numa época de crise moral, social e política - desaba na criação de um protótipo fabular, que nasce numa tribo amazônica e se revela, logo criança, um mentiroso da pior espécie. "Ai, que preguiça!" é o mote de Macunaíma, que cresce, se apaixona e casa com a índia Ci, tendo com ela um filho morto. Morta também a "Mãe do Mato" e perdendo o amuleto que dela ganhou para um mascate peruano, Macunaíma parte com seus irmãos para a cidade grande, São Paulo, atrás da "muiraquitã" presenteada por Ci.

Para recuperar a pedra, no entanto, o herói tem de enfrentar o gigante Piamã, comedor de gente. Resgatado o amuleto, Macunaíma volta para sua tribo e o perde novamente ao se envolver com uma uirá traiçoeira. O que fazer sem o talismã de Ci? Nada. A derrota do colonizado já estava selada. Inútil continuar a busca. Macunaíma transforma-se na Ursa Maior, constelação formada por Zeus, segundo a mitologia grega, para afastar Calisto de Arcas, seu filho caçador. A odisséia de Macunaíma tem dois momentos distintos: no primeiro, o herói sem caráter desce com os irmãos o Rio Araguaia para chegar a São Paulo, onde sua história cresce e se transforma num alegórico e satírico embate entre o pobre-diabo amazônico e o gigante da metrópole, Venceslau Pietro Pietra. Nesse segundo momento, em que mata e resgata o cobiçado amuleto das mãos do gigante, Macunaíma teria, enfim, um possível final feliz, não fosse a conflituosa relação com a deusa Vei, que domina o Sol e expõe o herói a um calor insuportável, esgotando suas forças e atiçando sua sensualidade. Esquentados os miolos e o ventre, a razão vai para o espaço, perdendo-se a esperança de uma aliança solar entre Macunaíma e Vei.

A todo momento, Mário insiste na idéia da descentralização da cultura, ao adotar o cruzamento de várias sintaxes - a do Nordeste com a do Sul do País -, e valorizar tanto a prosa erudita como a linguagem das ruas. Ele tampouco esquece de provocar os puristas (no episódio da Carta pras Icamiabas) com a ruptura lingüística de sua rapsódia que tem muito de Nietzsche, ao eleger um herói muito além do bem e do mal.

FONTE: Estadão - São Paulo,SP,Brazil

Judocas se previnem contra deslumbramento


Olimpíadas 2008/Judô - (05/08/2008 14:19:50)

Judocas se previnem contra deslumbramento
Pequim (China) - Não são apenas os adversários no tatame que preocupam os judocas da seleção brasileira nos Jogos Olímpicos de Pequim. Com a maioria da equipe estreando em Olimpíadas, a comissão técnica tratou de pedir aos veteranos que orientassem os novatos sobre os perigos do deslumbramento olímpico.
“Falei da importância de não se iludir com as Olimpíadas e se concentrar para lutar. Agora é esse frenezi todo da imprensa, dos amigos, da família, da torcida. Mas se deixarmos nossa chance de um bom resultado passar, tudo acaba. Para continuar com esse clima é preciso vencer”, alertou a experiente Edinanci Silva, que disputa sua quarta Olimpíada. Ela e o coordenador técnico Ney Wilson, que também está no quarto evento, conversaram com o grupo no Japão.
Mesmo com as orientações não houve como ficar impassível à grandiosidade da Vila e dos Jogos em si. “Não é uma vila, é uma cidade”, espanta-se a leve Ketleyn Quadros. “Procurei não olhar para os lados para não me impressionar. Deixa isso e o sanduíche do McDonald´s para depois do dia 12”, brincou a meio-médio Danielli Yuri, fazendo referência ao cuidado constante do grupo com a balança.
“Sem dúvida isso aqui é diferente de tudo o que já vivi até hoje. É um cuidado muito grande com os atletas. Nem deixar eu carregar a minha mala eles deixaram”, ressaltou o médio Eduardo Santos. “Mas estou super tranqüilo quanto a tudo que nos cerca”.
Bronze no Mundial 2007, o pesado João Gabriel Schlittler também tem em Pequim sua primeira Olimpíada. Mas fala como veterano. “Não quero saber de mais nada, nem de desfilar na abertura”, avisa o atleta, que compete no último dia da modalidade.
Opinião parecida tem Leandro Guilheiro, bronze em Atenas 2004 e único remanescente da equipe masculina que esteve na Grécia. “Se tiver duas palavras para me definir hoje elas são foco e serenidade”, resume com discurso muito parecido ao de Denilson Lourenço, que também competiu nos Jogos de Sydney-2000. “Sou frio, não vejo nada, não me deslumbro. Meu negócio é chegar, pesar e lutar”.

FONTE: Gazeta Esportiva - São Paulo,SP,Brazil

Abschied von Alexander Solschenizyn


Abschied von Alexander Solschenizyn

DT vom 05.08.2008
Von Richard Wagner

Alexander Solschenizyn ist tot. Er starb am Sonntag im Alter von 89 Jahren in Moskau.
Der Literatur-Nobelpreisträger ist der Prototyp des Intellektuellen, der im 20. Jahrhundert
dem Kommunismus die Stirn des Geistes geboten hatte. Er war schon 1945 in der Sowjetunion verhaftet worden, weil er Stalin in einem Brief an seinen Schwager kritisiert hatte. Bis 1953 musste er in einem Gulag, den stalinistischen Strafgefangenenlagern, aushalten. Dann wurde er in die Steppe Kasachstans verbannt. 1957 erst rehabilitiert, wurde er 1969 dann doch aus dem Schriftstellerverband der Sowjetunion ausgeschlossen. 1970 erhielt Solschenizyn den Nobelpreis für Literatur, vier Jahre später schließlich emigrierte er in die USA. 1994 kehrte die große
moralische Autorität nach Russland zurück. Ein Nachruf.
Russland hat den homo sovieticus hervorgebracht, aber auch Solschenizyn. Wenn Solschenizyn die Antwort der russischen Kultur auf den bolschewistischen Angriff ist, so ist er auch die Verkörperung der Grenzen der russischen Kultur. Das sagen nicht wenige. Genau das macht das Paradoxe an ihm aus, und beschäftigt bis heute seine Bewunderer und Befürworter, und mehr noch seine Gegner. Denn an Gegnern mangelte es ihm nie. Und um es gleich zu sagen, er kam gut damit zurecht.
In der westöstlich geteilten Welt der Nachkriegszeit war es höchst ungewöhnlich, dass jemand beide Seiten, den Kapitalismus ebenso wie den Kommunismus, zu kritisieren wusste, ohne sie zu dämonisieren und gegeneinander aufzurechnen. Die Salonideologie eines Dritten Wegs zwischen Kapitalismus und Kommunismus war für ihn auch kein Thema, und er war kein Taktiker und kein geschmeidiger Formulant. Ihm ging es um die Wahrheit, die historische und die geschichtsmächtige.

Alexander Solschenizyn – die Ein-Mann-Opposition
Dass er nicht nur den Kommunismus, sondern auch die westliche Moderne ablehnte, ließ ihn bald als Erben alter russischer Geistestendenzen erscheinen – und das reichte damals in den frühen Siebzigern beinahe, um als diskreditiert zu gelten. In der Öffentlichkeit wimmelte es von Denunzianten. Sie lebten vom richtigen Leben im falschen – um ein Wort Adornos zu variieren. Sie lebten ganz gut davon.
Einzigartig ist die Wirkungsmacht des Auftritts Solschenizyns – der Ein-Mann-Opposition. Sie ist es immer schon gewesen. Da ist zunächst seine Erzählung „Ein Tag des Iwan Denissowitsch“, die in einem Modus des verfänglichen Realismus den Alltag eines Gulaghäftlings veranschaulicht, also eines Häftlings in einem sowjetischen Straflager. Ein Realismus von frappierender Überzeugung, der ein kleines Schicksal ins große Verbrechen stellt. Selbst der Marxist Georg Lukacs war davon so beeindruckt, dass er einen lobenden Essay darüber verfasste, der sogar in der Sammlung Luchterhand erschienen ist.
Seine Romane rührten am Kern der Sowjetunion
Es folgten die großen Romane, und sie alle streben in den einen, den am System der Sowjetunion rührenden Kern des Opus magnum Archipel Gulag, das bis heute die Vorstellungen und das Wissen über die stalinistische Repression und ihre Lagerwelt in Ost und West prägt. Und das zu Recht. Hier hat jemand in einem Kraftakt einen totalen Angriff auf das Verbrechen literarisch gestaltet. Nie ist der Kommunismus spektakulärer widerlegt worden als in diesem Fall. Wie war es möglich, dass ein Einzelner es schaffte, einem menschenverachtenden System dermaßen erfolgreich die Stirn zu bieten. Gegen alle Aussichtslosigkeit, wider alle Vernunft. Das konnte nur der Glaube sein, der ihn antrieb, und das ist eben das Ergebnis russischer Intelligenzia-Erfahrung. Den ausreichenden Glauben zu haben, der das Für und Wider obsolet erscheinen lässt.
Solschenizyn ist der Schriftsteller des 20. Jahrhunderts mit dem größten politischen Einfluss. In Russland wurde er zum Vorbild, in Westeuropa zum Auslöser von Debatten. In Frankreich hat die Solschenizyn-Debatte eine ganze Generation von damals jungen Philosophen, allen voran André Glucksmann, zum Umdenken veranlasst. Für sie war Mao, den sie verehrt hatten, durch Solschenizyn zur Wegwerfware geworden. Durch ihn haben sie die Kehrseite des Revolutionsfurors, die Frage der Menschenrechte, neu entdecken können. Ganz anders in Deutschland. Eine solche Diskussion gab es hier nicht.
Der aus der Sowjetunion ausgewiesene Solschenizyn wurde zwar von einem Heinrich Böll empfangen und von einem Horst Bienek hoch geschätzt, aber die bundesrepublikanischen Genossen Meisterdenker hatten Besseres zu tun, als sich mit dem Kommunismus auseinanderzusetzen. Dieses Versäumnis, diese Ignoranz, ist bis heute zu spüren, und sei es im sorglosen Umgang mit der DDR-Vergangenheit und politischen Hochstapler-Phänomenen wie der Linkspartei.
Aber auch er, Solschenizyn, hatte wenig Verständnis für die mit Marx munitionierte Salonlinke, die die Öffentlichkeit mit ihren Parolen überschüttete. Ihm war das alles zu banal. In der Tat. Welche deutschen Bücher der siebziger Jahre sind heute noch lesbar, legt man sie neben die von Solschenizyn? Er verließ die Sowjetunion. Er ging nach Amerika, zog sich in die Wälder von Vermont zurück, in eine Art privates Russland, und arbeitete unbeirrt an seinem Romanreihen-Projekt, an der großen Deutung des Absturzes seiner Heimat in den Bolschewismus, mit dem Obertitel „Das Rote Rad“.
Der exilierte Schriftsteller hält auch Westen Spiegel vor

Gleichzeitig war er öffentlich präsent durch mehrere Pamphlete, in denen er auch dem Westen den Spiegel vorhält. Er hatte eine gleichsam archaische Ausstrahlung, auch auf den Titelseiten der Magazine. So war Solschenizyn auch Sehnsuchtsbild einer Gesellschaft, die in einer Kultur von Surrogaten lebte. Für die Öffentlichkeit war er eine Sensation, er war das Original, und so erhielt er auch seinen Platz in den Schaufenstern der Konsumgesellschaft. Und das, ohne jemals in sie integriert worden zu sein. In ihm erkannte man, wenn auch nur noch vage, den russischen Schriftsteller des 19. Jahrhunderts, und er hatte auch dessen Autorität, die eines Tolstoj. Eine Autorität, die man zur Kenntnis nahm, bisweilen bloß achselzuckend, aber wer ihn hören wollte, konnte ihn hören. Die westliche Welt, die während des Kalten Krieges die Metaphysik so weit von sich gewiesen hatte, dass die Philosophie nur noch soziologisch sein konnte, konnte mit Solschenizyns Wissen wenig anfangen.
Als Solschenizyn nach zwanzig Jahren Exil nach Russland zurückkehrte, war die Sowjetunion tot, aber der homo sovieticus lebendig wie eh und je. Solschenizyn inszenierte seine Rückkehr in spektakulärer Weise mit einer Bahnfahrt durch das Imperium von Ost nach West. Er kam sozusagen über Sibirien nach Moskau zurück. Was er sah, war nun das zerklüftete Reich des Boris Jelzins und dessen, was noch kommen sollte. Ein Reich, in dem es weder die alte noch eine neue Ordnung gab. Das bestärkte den Schriftsteller in seinen Auffassungen von einem tradierten kulturhistorisch begründeten Autoritarismus. Auch er selber hatte Autorität, sie war aber eingeschränkt. Man ehrte ihn, aber gestand ihm keinen Einfluss zu.
Von Solschenizyns Unbeirrtsein kann jeder lernen
Russland hatte sich, nach einem dilettantischen Demokratisierungsversuch in den frühen neunziger Jahren, zunehmend zu einem ideologischen Patchwork geformt, in dem fast alles Platz fand, auch der ehemalige Superdissident. Gesiegt hatte der Kreml, wer auch immer im Kreml saß. Solschenizyn jedenfalls war es nicht. Er ist bis zuletzt der eigensinnige Denker geblieben, der gelegentlich zum Mahner wurde. Solche Menschen sind in den modernen Zeiten selten.
Von seinem Unbeirrtsein konnte jeder lernen, jeder kann es auch weiterhin, selbst wer ganz anderer Meinung sein sollte. Und wenn man auch nur lernen würde, dass die Meinung nicht alles ist, vor allem die schnelle nicht, die schnell zu revidierende.
FONTE: Tagespost - Germany

Aragon, le fou d'Irène


Cent ans d'Enfer
L'Express du 24/07/2008

Aragon, le fou d'Irène

par Jérôme Dupuis
Avant de devenir le chantre officiel d'Elsa et du Parti communiste, Louis Aragon avait commis un chef-d'oeuvre de la littérature érotique: Le Con d'Irène. Un secret qu'il garda jusqu'à sa mort.

Jusqu'à son dernier souffle, il a nié. Jusqu'à sa mort, en 1982, Louis Aragon a farouchement contesté être l'auteur du mystérieux Con d'Irène. Non, il n'est pas le créateur de ce texte incandescent publié anonymement sous le manteau en 1928, et considéré par Camus et par Paulhan comme l'un des chefs-d'oeuvre de notre littérature érotique. Non, il n'autorisera jamais aucun éditeur à accoler son nom à cette prose qui attaque la «société comme bordel». Non, mille fois non, il n'a rien à voir avec cette voluptueuse Irène, «née de l'orage et de l'écriture».
Pourquoi tant de cachotteries? Pour comprendre, il faut remonter aux années 1920. Louis Aragon, jeune poète surréaliste sans le sou, se lie avec Jacques Doucet, élégant couturier de la Belle Epoque et mécène amoureux des lettres. Les deux hommes signent un étrange pacte: moyennant une mensualité de 1 000 francs, le poète enverra chaque mois au couturier ses manuscrits. Et c'est ainsi que, pendant l'année 1926, Aragon lui fait parvenir plusieurs morceaux d'un projet ambitieux, La Défense de l'infini. Une partie de ce roman, plus leste, s'appelle... «Le Con d'Irène».
Mais qui est donc cette mystérieuse Irène, héroïne de ce petit texte aux accents «maldororiens», où l'on passe abruptement d'un bordel d'une ville de garnison à une cuisine de ferme, théâtres de lubricités diverses? Comme toujours avec Aragon, il faut plonger dans ses amours malheureuses. Il y a tout d'abord Eyre de Lanux, une dessinatrice d'origine américaine qui lui préférera Drieu la Rochelle. Le poète, désespéré, se console avec Denise Levy, qui, ironie du sort, épouse un autre de ses amis, Pierre Naville. Ces deux figures de l'amour, qui baignent l'écriture d'Irène, inspireront aussi la célèbre Bérénice d'Aurélien.
Mais il est une troisième muse, fascinante, dont l'ombre plane sur le destin du Con d'Irène: Nancy Cunard. Cette richissime Américaine, proche de Joyce, devient son amante en 1926. Grâce à sa fortune, le couple sillonne l'Europe. Jusqu'à ce jour fatal de novembre 1927 où, dans la cheminée d'une chambre de l'hôtel de la Puerta del Sol, à Madrid, en un geste de désespoir inexpliqué, Aragon brûle les 1 500 feuillets de La Défense de l'infini. Nancy Cunard parvient à sauver une brassée de feuillets de cet autodafé. Un an plus tard, ne supportant plus son rôle de «gigolo», Aragon tente même de se suicider à Venise.
Abandonné par ses deux mécènes - Doucet et Cunard - le poète n'a plus un sou. Est-ce pour cela qu'il décide de publier Le Con d'Irène? Toujours est-il qu'il confie le manuscrit au jeune Pascal Pia, qui va l'imprimer avec l'aide d'un spécialiste des publications clandestines, René Bonnel. Rehaussé de cinq eaux-fortes d'André Masson, la typographie du titre dessinant élégamment un sexe féminin, l'ouvrage, tiré à 150 exemplaires, sort en avril 1928. Sans nom d'auteur. Bien sûr, parmi les amis surréalistes d'Aragon, il s'agit d'un secret de Polichinelle. Simone Breton, l'épouse de l'auteur du Manifeste du surréalisme, en commande l'un des exemplaires de luxe - on s'arrache aujourd'hui ce joyau de la bibliophilie érotique autour de 8 000 euros! Mais, officiellement, Aragon prétend qu'il n'a rien à voir avec ce texte. On a dit qu'il aurait voulu par là ne pas se compromettre avec le roman, genre «bourgeois» condamné par le groupe surréaliste.
En réalité, l'explication est plutôt à chercher du côté de la politique. «Sa proximité avec le Parti communiste ne cessant de se resserrer, il s'est retrouvé prisonnier d'une certaine pudeur de langage. Les lecteurs de L'Humanité n'auraient pas apprécié de savoir qu'il était l'auteur de ce texte sulfureux», explique Lionel Follet, responsable de l'édition la plus complète du Con d'Irène. Et puis, la roide Elsa a remplacé l'orageuse Irène. Le poète «officiel» du Parti préférait être célébré pour Les Yeux d'Elsa que pour Le Con d'Irène. Il s'y tiendra jusqu'à sa mort. «J'avais juré à un juge d'instruction n'être pas l'auteur de ce texte dans les années 1930. Quand on a menti une fois à la justice, il ne faut jamais changer de version», se justifiait-il auprès de proches.
Commence alors l'étonnante carrière posthume du Con d'Irène. Aragon avait interdit que ses archives soient consultables de son vivant. En 1982, l'embargo est donc levé. C'est tout d'abord Edouard Ruiz, un «aragonien» proche du PCF, qui en exhume des pans à la bibliothèque Jacques-Doucet. La suite se joue au... Texas! En 1989, alors maître de conférences à la faculté des lettres de Besançon, Lionel Follet a l'idée d'aller fouiller dans les archives du Humanities Research Center d'Austin, où ont atterri les archives de Nancy Cunard. «Là, je suis tombé sur une chemise frappée de l'inscription "Fragments/Aragon/1927", se souvient, encore ému, l'universitaire. S'y trouvaient les feuillets que Cunard avait sauvés de l'autodafé de Madrid. Une partie était déchirée, lacérée et avait été reconstituée avec du Scotch...»
Et, si besoin était encore d'une dernière preuve, elle vient de la salle Drouot, le 2 décembre 1993. Ce jour-là, on disperse la collection du célèbre libraire Jacques Matarasso - dont l'exemplaire du Con d'Irène ayant appartenu à Pascal Pia. Signe particulier: en fin de volume sont reliées les épreuves du texte corrigées de la main d'Aragon. En quelque sorte, la «preuve ADN» de la paternité du texte. Les enchères montent jusqu'à 220 000 francs (33 000 euros...). Le marteau tombe. Une petite voix se fait alors entendre: «Préemption de la Bibliothèque nationale!» L'exemplaire a depuis rejoint le célèbre Enfer de la BNF. Sur la couverture, au-dessus du titre, toujours aucun nom d'auteur. Par-delà la mort, l'obstiné Aragon a dû esquisser un sourire...
Vu par Régine Deforges*«Des policiers ont débarqué»En 1968, j'ai publié Le Con d'Irène sous le manteau, sans nom d'auteur, puisque Aragon refusait d'en endosser la paternité. J'ai eu la surprise de voir débarquer dans ma librairie des policiers qui ont saisi tout mon stock... sauf la caisse sur laquelle j'étais assise! J'ai eu droit ensuite à une convocation à la Brigade mondaine. Finalement, j'ai pu rééditer le texte à condition d'ajouter un nom d'auteur, parfaitement fantaisiste: Albert de Routisie. C'était un autre temps. Aujourd'hui, on trouve Le Con d'Irène en poche. J'ai gagné...»
*La romancière publie à la rentrée A Paris, au printemps (Fayard), ses souvenirs des années 1960.
La Défense de l'infini
Louis Aragonéd. Gallimard
567 pages
29,5 € 193,51 FF
FONTE: L'Express - Paris,France

Cartas de alunos e lembranças familiares animam judocas do Brasil


27/07/2008 - 14h00
Cartas de alunos e lembranças familiares animam judocas do Brasil
Do UOL Esporte

Em São Paulo
Após uma longa viagem, os judocas brasileiros já iniciaram os treinamentos no Japão na preparação final para as Olimpíadas de Pequim. A delegação chegou na última sexta-feira, repousou no sábado e iniciou a atividade em dois períodos no domingo.

A equipe de 13 atletas deve manter o ritmo de treinamento de manhã e à tarde, dividindo a atenção entre parte física e tática, com estudo dos possíveis adversários olímpicos. Além dos 13 olímpicos, o Brasil levou também a seleção júnior e ainda uma equipe médica."

Estamos levando centenas de lutas e vamos usar o período da tarde para simular ataques e contra-ataques com base no que observamos. Temos imagens de todos os nossos adversários em todas as categorias. Ninguém será surpreendido. Claro, da mesma forma que nós estudamos, eles também nos estudam e criam formas de neutralizar nossos pontos fortes. Faz parte", explica o coordenador técnico da seleção brasileira, Ney Wilson.

Uma forma de incentivo aos judocas neste período foi levado na bagagem de alguns deles. Para suportar a distância de pessoas próximas até às Olimpíadas, o bicampeão mundial da categoria meio-leve, João Derly, levou 80 cartas de alunos que treinam no Instituto Podium, projeto social coordenado pelo gaúcho em Porto Alegre.

"É emocionante ver o carinho das pessoas. Isso dá mais força", afirma o judoca. Ao seu lado, a conterrânea Mayra Aguiar teve uma surpresa colocada na mala com presentes e cartas de familiares em alusão ao seu aniversário, que será em 3 de agosto. "Minha mãe só deixou eu ler no dia do aniversário. Não sei se vou agüentar até lá", diz a atleta, que fará 17 anos.
FONTE (photo include): Braganca Jornal Diario - sao paulo,SP,Brazil

Disse o corvo: "Nunca mais"

The crow on the skull
By:
Fabrizio V View Full Portfolio (297 images)
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Disse o corvo: "Nunca mais"
Edgar Allan Poe
Tradução: Fernando Pessoa

O CORVO

Tradução: Fernando Pessoa

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais".
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais —
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais".
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais —
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais.
Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
"É o vento, e nada mais."
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
Foi, pousou, e nada mais.
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
Disse o corvo, "Nunca mais".
Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome "Nunca mais".
Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos — mortais
Todos — todos já se foram. Amanhã também te vais".
Disse o corvo, "Nunca mais".
A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este "Nunca mais".
Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele "Nunca mais".
Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!
Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta — ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ânsia e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta — ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!
FONTE: poesia.net

El mwassouess ou le malade qui ne l’est pas


El mwassouess ou le malade qui ne l’est pas
La Presse Publié le 01.08.2008

Encore une fois, le théâtre a été à l’honneur à Carthage; encore une fois, le public a déserté. Sauf que, de mémoire de festivalier, il arrive au quatrième art d’attirer la foule par milliers :la troupe du Nouveau Théâtre, la troupe du Maghreb Arabe, Lamine Nahdi en solo, Raouf Ben Yaghlane ont reçu cette gratification d’un public dont les goûts et les centres d’intérêt, comme l’époque, ont changé. Egalement, pour applaudir le dramaturge syrien Douraïd Laham avec son œuvre de renommée panarabe Ala nakhbek ya watan (à ta santé, patrie), les Tunisiens s’étaient déplacés, alors, massivement.

Sauf qu’une poignée d’inconditionnels persiste et signe. C’était le cas en ce dimanche soir 27 juillet, les spectateurs dessinant un croissant humain sur les gradins suspendus sont venus pour suivre Le malade imaginaire dans une mise en scène bien de chez nous, signée Mohamed Driss.

C’est une œuvre classique portée sur la scène rocheuse de Carthage, la dernière comédie écrite par Molière et représentée par sa troupe en 1673. La pièce est célèbre, entre autres, pour avoir créé le personnage type du faux malade : Argan, Si Alaya dans sa déclinaison tunisienne. Quelques siècles plus tard, l’œuvre traduite par Taïeb Jalouli est jouée par la troupe du Théâtre National.

C’est l’histoire d’un homme sain de santé, hypocondriaque à l’extrême, riche de surcroît. Le personnage a été campé par Slah Msaddek. Il est berné par une femme, Nedra Toumi, qui l’entoure de tous les soins et attend sa mort pour l’hériter, et trompé par ses médecins qui lui appliquent des saignées et des purges en lui administrant toutes sortes de combinaisons végétales singulières.

Un quiproquo somme toute sympathique se noue à travers les événements pour se dénouer, comme le veut le genre, par un événement heureux. Quant à la répartition dualiste, elle est classiquement distincte. Le clan des méchants est représenté par l’épouse cupide, l’avocat véreux et les médecins pédants. En face se démène le camp des bons : la fille amoureuse et ingénue, son chevalier pauvre et amoureux sans être bête, et les serviteurs éveillés et loyaux.

C’est le pivot de l’histoire, tout le reste n’est que de la littérature, et de la bonne. C’est que le texte reproduit en dialecte tunisien est consistant par un vocabulaire riche et des phrases bien tournées. Une pointe d’humour ponctue plusieurs passages. Aussi, ne sont pas rares les fois où le public a ri de bon cœur.

Une multitude d’acteurs investissent la scène. Des visages connus pour avoir joué régulièrement à la télévision, Jamel Sassi et d’autres moins connus emplissent une scène régulièrement agitée. La musique de Hamadi Ben Othman, assourdissante par moments, est partie prenante de l’œuvre et accompagne les scènes de bout en bout. La gestuelle des comédiens est prononcée devant un public pris à témoin. Des regards entendus et des paroles complices émaillaient les tirades des personnages presque tous sympathiques. Sauf quelques-uns, tels le médecin et son fils, ou encore le frère qui pèchent par une certaine balourdise, voire cabotinage. Leur jeu appellerait plus de fignolage.

En revanche, du début à la fin, le rythme de la pièce est soutenu autant par la succession des événements que par les apparitions des comédiens sur la scène, c’est un point fort. Le chant et la danse ont animé le spectacle, quoique l’intermède surtout dansé se trouve un brin forcé. Ce n’est pas la première représentation, ici théâtrale, une autre fois musicale où on incruste une chorégraphie sans lien ni profond ni apparent avec l’essence du spectacle. Sinon, oui, le ballet existe dans la version originale, mais ce n’est pas une raison de greffer ces acrobaties rythmées.

Tout juste moyenne dans son ensemble, Le malade imaginaire, ou encore El mwassouess local, est une pièce qui procure un bon moment, sans plus.

FONTE (photo include): Jetset Magazine - Tunis,Tunisia

SYMBOLISME LITTERATURE:


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Towering "Teddy bear" to shoulder French hopes


Towering "Teddy bear" to shoulder French hopes
Tue Aug 5, 2008 8:16am EDT

Riner's win in Rio gave France their first heavyweight world title since David Douillet's triumph 10 years earlier, but following in the footsteps of the double Olympic champion has meant a struggle to deal with fame and pressure.
It also saw an unpleasant experience during the protest-marred Paris leg of the Olympic torch relay earlier this year. A Chinese security official extinguished the flame just as Douillet was set to pass it onto Riner.
While Beijing's Olympic preparations have stoked controversy, Riner's have proved far more low-key.
He elected not to defend his European title in Lisbon in April and has concentrated on building his already imposing figure.
The Frenchman may face vanquished foes Tmenov and Gujejiani in the August 9-15 tournament, but the title bout could well turn out to be a clash of youth, with Japan's 21-year-old national champion, Satoshi Ishii, quietly emerging as a threat.
Riner, however, despite looming over 1.80 meter-tall Ishii and a raft of opponents in the over-100 kg class, is keeping his feet firmly on the ground.
"Physically, I still need to work, to push my limits even further ... I know I can win but I also know I can lose in the first round," he said.
(Editing by Alex Richardson)

FONTE: Reuters - USA

Atletas do judô, vôlei e vôlei de praia chegam confiantes a Pequim

Foto de Ivo Gonzalez

Otimismo no desembarque
Atletas do judô, vôlei e vôlei de praia chegam confiantes a Pequim
Publicada em 05/08/2008 às 08h40m

O Globo Online

RIO - A delegação brasileira em Pequim segue crescendo a cada dia. Nesta terça-feira foi a vez da chegada dos atletas do judô, das seleções masculina e feminina de vôlei, além da dupla de vôlei de praia Ricardo e Emanuel. Na bagagem, algo em comum a todos os atletas: o otimismo para a disputa dos Jogos Olímpicos de Pequim.
Depois de passar 13 dias na cidade japonesa de Osaka, durante a fase de aclimatação para os Jogos, a delegação de judô desembarcou às 12h (1h de Brasília) no Aeroporto Internacional de Pequim. O bicampeão mundial meio-leve (-66kg), João Derly, não escondeu o otimismo.
- Estou 110%, tanto física quanto emocionalmente. Vivo a melhor fase da minha vida e me encontro num estágio superior ao do Mundial de 2007 - declarou, acrescentando que está, inclusive, sonhando há um bom tempo com o torneio e os adversários. - Tenho lutado até dormindo - brincou.
Os atletas não esconderam o otimismo e destacaram que a pressão pelos resultados não atrapalhará a performance brasileira nos Jogos.
- Estou muito bem preparado para pisar o tatame no dia 14 de agosto. Se for bem na primeira luta, tenho certeza de que conquistarei uma medalha, não importa de que cor. Vou trabalhar forte para não deixar a ansiedade atrapalhar - disse Luciano Corrêa, campeão da categoria meio-pesado (-100kg) no Mundial Sênior (2007) e medallha de bronze nos Jogos Pan-americanos Rio 2007.
Os atletas não esconderam o otimismo e destacaram que a pressão pelos resultados não atrapalhará a performance brasileira nos Jogos.
- Estou muito bem preparado para pisar o tatame no dia 14 de agosto. Se for bem na primeira luta, tenho certeza de que conquistarei uma medalha, não importa de que cor. Vou trabalhar forte para não deixar a ansiedade atrapalhar - disse Luciano Corrêa, campeão da categoria meio-pesado (-100kg) no Mundial Sênior (2007) e medallha de bronze nos Jogos Pan-americanos Rio 2007.
Motivada pela conquista do Grand Prix, a seleção brasileira feminina de vôlei desembarcou certa de que fez a preparação adequada. A principal preocupação do técnico José Roberto nesse período que antecede a estréia brasileira em Pequim é com a defesa. Por isso, em Osaka, promoveu trabalho intensivo para melhorar esse fundamento. Agora, quer agendar alguns amistosos para testar a equipe.
- Estou satisfeito com o trabalho desenvolvido. Desde os treinos em Saquarema até o período em Osaka, no Japão - comentou José Roberto Guimarães.
José Roberto também aproveitou a estada de dez dias no Japão para conversar com o grupo.
- Falamos bastante sobre os adversários que teremos pela frente. O importante é que o moral do grupo está em alta, principalmente depois da conquista do Grand Prix - explicou o treinador.

Cansadas da viagem, as jogadoras disseram que não vêem a hora de começar logo a competição. A oposto Sheilla, que participa pela primeira vez dos Jogos Olímpicos, não esconde uma certa ansiedade.
- Estou um pouco ansiosa, mas otimista, sobretudo pelo título do Grand Prix. A viagem foi cansativa, mas agora é pensar na competição - declarou Sheilla.
Já a meio-de-rede Fabiana só queria ir para a Vila Olímpica a fim de descansar e se recuperar do desgaste da viagem.
- Estou doida para chegar à Vila e ainda mais para jogar finalizou.
Em busca do bicampeonato, a dupla Ricardo e Emanuel chegou preocupada em se adaptar logo às condições que terá pela frente. Ricardo está confiante em repetir o ouro de Atenas-2004, embora reconheça a evolução dos adversários.
- O circuito está mais forte. O nível das duplas melhorou, surgiram bons jogadores no mundo. Mas, continuamos ganhando - disse Ricardo, admitindo o favoritismo da dupla brasileira. - O importante nesse momento é fazer tudo devagar, pois o principal agora é a nossa adaptação - completou.
A outra parceria brasileira, Marcio e Harley, também já se encontra na capital chinesa.

FONTE (photo include): http://oglobo.globo.com/

Brasileira da luta livre usa técnicas do judô em Pequim


Olimpíadas 2008/Luta Livre - (05/08/2008 08:24:05)

Brasileira da luta livre usa técnicas do judô em Pequim

Pequim (China) - A paulista Rosângela da Silva Conceição é a única brasileira classificada para a luta livre nos Jogos de Pequim. Medalha de bronze no Pan-americano do Rio de Janeiro, a atleta chegou à China nesta terça-feira, e contou uma de suas armas para conseguir a classificação.
Rosângela era uma das integrantes da equipe de judô que disputou os Jogos de de Atlanta, em 1996. "Há vários golpes do judô, por exemplo, que são perfeitamente aplicáveis nas provas. Minhas vitórias são sempre obtidas com muita superação. A experiência com essa luta me deu uma vivência motora que procuro adaptar para a luta livre", comenta ela.
Apesar do bronze conquistado em 2007, Rosângela só conseguiu a vaga olímpica no Pré-olímpico do Canadá. "Mas foi o Pan que fez a diferença", disse ela na chegada a Pequim.


FONTE: Gazeta Esportiva - São Paulo,SP,Brazil

sexta-feira, julho 25, 2008

14 superdicas tecnológicas para quem vai aos Jogos Olímpicos


14 superdicas tecnológicas para quem vai aos Jogos Olímpicos
IDG News Service/China
23-07-2008
Steven Schwankert, editor do IDG News Service, da China
Energia elétrica, uso do celular e da web, dicas de compras high-tech; tudo o que o turista precisa sobreviver em Pequim.


Tecnologicamente, Pequim está em uma encruzilhada. É a capital do maior mercado mundial de celulares e internet, e suas universidades, principalmente Tsinghua University, abrigam algumas das melhores mentes do mundo em termos de tecnologia.
Ao mesmo tempo, a cidade não pode ser comparada às suas vizinhas asiáticas, como Tóquio, Seul e Hong Kong, quando se trata de serviços de telecomunicações, como redes 3G.
Seu acesso à internet é censurado e muito mais lento que nas cidades citadas: a conexão mais rápida, da China Netcom, é ADSL e vendida a 2 Mbps, mas muitas vezes os registros ficam abaixo de 1 Mbps.
Leia também:
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Enquanto o país ganha o ouro em tamanho de mercado de tecnologia, é em muitos casos derrotado em termos de qualidade de aplicação da tecnologia.
O básico: A rede eletricidade na China é de 220 Volts. A energia de Pequim é consistente, mas fontes de proteção de alguns tipos são aconselhadas.
Tomadas são de dois tipos: as de dois pinos finos verticais - como todas as usadas na América do Norte - e as de três pinos, como um vertical fino e dois inclinados, como os adaptadores do Reino Unido (para as tomadas que não convertem voltagem). Adaptadores de energia já estão disponíveis em lojas de departamentos e supermercados.
A grande questão a ser encarada pelo visitante será o idioma. Apesar das crianças estudarem inglês por anos nas escolas, a ênfase está em ler e escrever, não em falar e ouvir. Por isso, os taxistas falam um inflês funcional.
Para pegar um taxi, é essencial ter seu destino escrito em chinês para mostrar ao motorista. Você também pode mergulhar em um guia de imersão em mandarim, que provê não apenas o equivalente da frase em caracteres chineses, como a ‘romanização’, ou seja, o ‘como-se-lê’, com letras do alfabeto romano, caso você tente falar algo.
Manter-se conectado: A rede celular atual da China é 2G no padrão GSM. A maior parte dos aparelhos dual, tri ou quad-band serão capazes de se conectar lá, desde que você tenha roaming internacional com a China Mobile ou China Unicom.
Verifique com sua operadora antes de sair de casa. O serviço Blackberry tem suporte na China, inclusive o da norte-americana T-Mobile, mas, novamente, confirme antes de partir para os jogos olímpicos.
A rede GPRS (2.5G) é oferecida comercialmente pela China Mobile, mas apenas para contas pós-pagas e restrita aos cidadãos chineses. A habilitação será possível se o visitante estiver ligado a alguma empresa na China ou tiver um amigo local que esteja disposto a fazer esse favor.
A rede 3G ainda não está disponível comercialmente na China e telefones de outros países receberão apenas suporte 2G, como o TD-SCDMA chinês, não compatível com padrões 3G.
Usuários de telefones GSM desbloqueados podem economizar cargas em roaming comprando um SIM card pré-pago. É fácil de encontrar e barato. Qualquer escritório da China Mobile ou da China Unicom pode vendê-lo pelo equivalente a 4,40 dólares, ou ainda em qualquer banca de jornal das calçadas de Pequim. Cartões de recarga são encontrados de 40 iuan (5,85 dólares) a 100 iuan (14,64 dólares) e os menus de recarga estão disponíveis em chinês e inglês.
Sem celular? Você pode comprar um pelo equivalente a 40 dólares se procurar pelas lojas que estão em todos os lugares de Pequim.
Os turistas que preferem usar linhas fixas, Skype e outros tipos de ligação entre PCs ou de PCs para linhas externas, não terão dificuldades. Cartões de Telefonia por IP são vendidos de 10 a 100 iuan (1,46 dólar a 14,64 dólares).
Censura: Apesar das promessas de abertura da internet para os Jogos Olímpicos, muitos sites continuarão bloqueados no período. Por exemplo, enquanto a versão em inglês da Wikipédia está acessível atualmente, a versão em chinês simplificado não. Muitos blogs, incluindo o Typepad, ainda estão bloqueados.
Acessar sites bloqueados requer uma VNP (Virtual Private Network) ou um Proxy estrangeiro. Este site oferece uma lista de opções de proxy para navegação anônima e permite acesso aos sites bloqueados.
Softwares VPN comerciais e gratuitos são amplamente disponíveis. O OpenVPN funciona tanto em Linux como em Windows, embora seja mais fácil encontrar versões para o sistema operacional de código-aberto.
O StrongVPN oferece serviço VPN por 15 dólares ao mês, apesar de haver soluções mais baratas. Observe que a maioria dos proxys e dos softwares VPN oferecem acesso à internet, em Pequim, consideravelmente lento. Logo, tudo isso ajudará apenas a acessar sites bloqueados, e não a assistir vídeos, por exemplo.
Hotspots Wi-Fi e "Wireless Beijing": Há ampla oferta de hotspots Wi-Fi nas áreas de cidades estrangeiras, inclusive norte-americanas. Várias cafeterias Starbucks, assim como outros cafés e restaurantes, incluindo o The Bookworm, Sequóia Café e a Pacific Coffee, baseada em Hong Kong.
Operado pela Chinacomm, o serviço “Wireless Beijing” promete oferecer conectividade gratuita para turistas durante os Jogos Olímpicos e se tornará, mais tarde, um serviço de internet móvel cobrado.
A cobertura durante os jogos alcança o Beijing's Central Business District (CBD), a área do Financial Street, no oeste de Pequim e Zhongguancun, região high-tech da cidade. Exclui-se o parque olímpico - o Wirelles Beijing não dá acesso neste local por preocupações com segurança.
Os resultados do uso do Wireless Beijing têm variado. A equipe do Azálea Networks, que providenciou a parte de hardware do projeto, disse que o sinal seria mais facilmente detectado na Zhongguancun e no Financial Street.
No entanto, no CBD, o IDG News Service só conseguiu acessar o serviço uma vez, de sete diferentes locais, usando um iPhone 2G. Os usuários podem fazer o primeiro registro pela página de login, embora a leitura dessa página por celulares seja bem difícil. Os esforços para acessar o site e criar uma conta antes a partir de linhas fixas, tanto em Pequim quanto fora da cidade, falharam.
Compras tecnológicas: Embora Pequim não seja uma Tóquio para bens não disponíveis em outros mercados, ela pode oferecer bons preços em algumas especialidades.
Muitos produtos tecnológicos são feitos na China e são vendidos no interior do país de forma barata e confiável.
A “Meca” para esse tipo de compras é Zhongguancun. Próximo das universidades de Pequim, no distrito de Haidian, são 45 minutos de taxi do CBD, embora seja mais perto do Parque Olímpico no norte de Pequim.
A área tornou-se a capital da tecnologia primeiro por empregar e servir estudantes universitários. Agora, alguns desses estudantes têm empresas cotadas em bolsas de valores no exterior e trabalham de prédios localizados em sua antiga vizinhança que depois nomeou suas empresas.
Você pode cortar um pouco de tempo de passeio utlizando metrô. A estação de Zhi Chun Lu, na linha 13, o deixa perto de lá. Para ter uma idéia de como a área é boa tecnologicamente, veja esse guia feito por Sumner Lemon, do IDG News Service.
Perto do CBD está Bai Nao Hui, um mercado de tecnologica, a aproximadamente 400 metros da estação Chaoyangmen do metrô. Menor que o mercado de Zhongguancun, oferece disco rígidos portáteis, acessórios, CDs e DVDs regraváveis e celulares.
A maioria dos vendedores fala um inglês suficiente para negociar e, se precisar, você pode usar a calculadora para dar sua própria oferta de preço. Dependendo do item, pode conseguir até 20% de desconto ou mais.
FONTE: PC World - São Paulo,SP,Brazil

Ernesto Tatafiore, Filosófico – utópico



23/07/2008 - 11:35
Ernesto Tatafiore, Filosófico – utópico

O Istituto Italiano di Cultura e o MAC de Niterói apresentam exposição do pintor Ernesto Tatafiore (1943, Nápoles, Itália), que reúne 16 obras inéditas no Brasil, produzidas este ano. Em óleo sobre tela, as pinturas são em grande formato, 220cm x 150cm cada uma.
Desde a década de 1960, o artista italiano tem tido destaque na cena contemporânea internacional. Inicialmente ligado ao movimento conceitual, depois de uma rápida passagem pela transvanguarda italiana, se apropriou de uma linguagem única. Ativo participante de mostras internacionais, esteve na Bienal de Veneza em 1970, 1980 e 1990, e em prestigiosos museus americanos e europeus.
Com a realização dessa exposição, o Istituto Italiano di Cultura reafirma sua intenção de dar visibilidade no Rio para a arte contemporânea italiana.
Ao longo dos anos, Tatafiore abordou temas e assuntos que misturam a memória pública e a privada: a história do Ocidente e dos seus heróis desde Ulisses até Robespierre, desde a revolução napolitana de 1799 a Mozart, a Lênin. “A arte de Tatafiore é fortemente demarcada pela história”, observa Mario Franco.
Nesta mostra de grandes quadros estão 11 retratos de artistas e filósofos, heróis antigos e modernos – como Robespierre e Masaniello, De Chirico e Pelé – se alternam com cinco representações alegóricas de conceitos filosóficos – Utopia, Alegoria, Metáfora, Metafìsica e Filosofia – encarnados por imagens vermelhas de jovens mulheres nuas.
O ateliê-galeria do artista, em dois níveis, localiza-se em Nápoles no quinto andar de um edifício no qual no primeiro andar morava o filósofo, historiador e jurista Gianbattista Vico (1668 – 1744). Talvez isso se relacione com o fato de que Tatafiore – que também é psicanalista – tenha produzido essas obras recentes “quase de impeto, seguindo uma inspiração inequívoca e urgente”, como observa o crítico italiano Mario Franco, em texto do catálogo. “As obras parecem rever os ensinamentos vichiani, segundo os quais a história tem uma linha de desenvolvimento constante, transcendente, mas nunca concluída, ao contrário, submetida a contínuos cursos e recursos, motivo pelo qual nenhuma civilização pode ser considerada uma conquista definitiva”, afirma. Ele acrescenta que “na visão da psicanálise lacaniana, a realidade na arte é distorcida como em uma anamorfose: o Real é uma construção simbólica, sendo uma característica peculiar do contemporâneo a perda progressiva do princípio da realidade”.
“E a indagação consiste em organizar todos estes retratos como uma secreta autobiografia dissimulada em uma pluralidade de indivíduos, de entidades multiplicadas do signo e do sonho”, prossegue o crítico.
Outra observação feita pelo teórico italiano é que todas as pinturas de Tatafiore “têm ligação com as palavras: algumas vezes apenas pelos títulos e, freqüentemente, porque sobre as imagens há alguns escritos. Repropõe-se o eterno dilema entre as palavras e as coisas, a descontinuidade simétrica entre a similitude e a identidade”.
Ernesto Tatafiore - Filosófico – utópico, dia 27 de julho a 28 de setembro de 2008, de terça a domingo, das 10h às 18h* (a bilheteria fecha 15 minutos antes),MAC Museu de Arte Contemporânea de Niterói, no Mirante da Boa Viagem, s/nº – Niterói, Rio de Janeiro Telefone: ( 21 ) 2620.2400. Ingresso R$ 4,00 (estudantes e adultos brasileiros acima de 60 anos pagam meia entrada; estudantes do ensino público até o 2º grau e crianças até 7 anos não pagam). Entrada franca às quartas-feiras.

FONTE (PHOTO INCLUDE): Revista Fator - Sao Paulo,Sao Paulo,Brazil

A internet e o movimento Dadaísta têm tudo a ver: "a emoção indisciplinada enriquece a consciência"


Arte Cinética
25/7/2008
A internet e o movimento Dadaísta têm tudo a ver: "a emoção indisciplinada enriquece a consciência"
Por Thereza Pires

Estamos em Zurique e é 1916. Daqui, emerge um sopro de irreverência e moderrnidade. Em uma Europa ainda imersa nas misérias da primeira guerra mundial, o poeta romeno Tristan Tzara (foto) - perplexo com a violência, o absurdo das vidas perdidas e outras barbaridades causadas pelo conflito - decide reacender a esperança através da arte. E propõe uma atitude radicalmente diferente. Ele e outros companheiros que freqüentam o Cabaré Voltaire - pintores, escultores, músicos, escritores, cantores - trocam idéias e criam um movimento transgressor das regras vigentes que, convenhamos, não estavam mais dando lá muito certo. Nada de velharias, dessa vez, Uma nova expressão, escolhida ao acaso nomeia o movimento que atinge a Europa em cheio e vai, em futuro próximo, cruzar o Atlântico e encantar o fotógrafo Man Ray - O Dadaísmo.
Tudo indica que foi mesmo Tristan Tzara que cunhou o termo "dada" ao folhear um dicionário Larousse à procura de palavra sonora que pudesse ser dita em qualquer idioma. Dada - que sacudiu a cena artística entre 1916 e 1924 - em romeno, significa Sim, Sim e em francês, cavalo de pau.
Evoluiu para o Surrealismo, liderado por André Breton (1896-1966), poeta e crítico literário que marcou a "Diáspora" com o Manifesto Surrealista de 1924. O surrealismo, considerado manifestação popular da arte produzida por homossexuais, teve em Breton uma voz crítica demais, talvez para tentar pontuar sua masculinidade. Os dois movimentos - dada e surrealismo - escolheram temas de natureza fluída, mas densa,e realmente dificultam as interpretações de homoerotismo ou homossociabilidade."
Arte sem amarras, liberdade total do pensamento
"Tristan Tzara foi a pedra angular do dadaísmo. Nasceu como Samuel Rosenstock (1896-1963), na Romênia, de família burguesa e privilegiada. O pai fazia prospecção de petróleo. Começou a vida literária aos 16 anos. A partir de 1913, o jovem artista muda o pseudônimo para Tristan Tzara: Tristan, da opera de Wagner e Tzara significa "terra" em romeno. Outra explicação para o pseudônimo é, em tradução livre, "Triste Terra", forma de protestar contra o tratamento dado aos judeus na Romênia. Em 1915, Tristan Tzara viaja para Zurique ao encontro de seu amigo íntimo Marcel Janco e para estudar filosofia. Mas logo se aborrece com as elocubrações e a preguiça estudantil se instala. Numa noitada, conhece Hugo Ball e, juntos, imaginam a criação do Cabaré Voltaire, um "centro de divertimentos artísticos". O sucesso é imediato com declamação de poesias, danças e música africana. O Cabaré é um palco para a renovação da arte: o panorama tradicional é descartado em benefício das transgressões artísticas. Vai nascendo o Dadaísmo e Tzara já aparece como a eminência parda do movimento.
É o triunfo da abstração. O alegre grupo procura "a alquimia mais íntima da palavra e mais além para preservar o domínio mais sagrado da poesia". O alemão Rudolph Huelsenbeck, que conhecera o dadaísmo ainda no nascedouro, declarou que Tzara era "um bárbaro do mais alto nível mental e um gênio sem escrúpulos". Mas seu empreendedorismo se revelou na programação do Cabaré Voltaire, na criação da revista do mesmo nome e na publicação do Manifesto.
Dada se manifesta "O luxo não é um prazer, mas o prazer é um luxo":
Estamos em Berlim e é 1918. É chegada a hora de oficializar o movimento que cresce mais do que as noitadas do Cabaré Voltaire poderiam entender. O grupo original está completo: pintura, colagem, fotografia e poesia e, daqui por diante, misturam-se as artes para dar originalidade ao projeto. Poemas se transformam em colagem de palavras, as palavras se fazem sonoras pela pesquisa da musicalidade e a musicalidade atravessa os sentidos. Nos poemas, a alegria do grupo deseja "reencontrar a alquimia mais íntima da palavra e superá-la para preservar a poesia em seu domínio mais sagrado". Julho de 1918 é a data oficial do Manifesto, um texto marcado pela irreverência contida no dadaísmo, verdadeiro "grito de vida, de harmonia e ilusão da juventude". Eis um pequeno extrato:
"Fé absoluta indiscutível em cada deus produto imediato da espontaneidade DADA salta elegante e sem perdas de uma harmonia a outra esfera
(…) Liberdade: DADA DADA DADA gritos de dor crispante, entrelaçamento dos contrários, dos grotescos, dos inconseqüentes: A VIDA (…)
O Manifesto conduz DADA à internacionalização. Picabia se junta ao grupo em Zurique e André Breton os acolhe em Paris.
Diaspora Dadaísta: "Nossa cabeça é redonda para permitir ao pensamento mudar de direção"
Em 1920, Dada se torna um produto de exportação. As obras de Marcel Duchamp (autor do famoso urinol ou Fonte, de 1917. nesse exato momento sendo exibido no MAM-SP), da Gioconda L.HO.O.Q e da Roda de Bicicleta "desestabilizam o establishment", com seus ready mades :simplesmente objetos do dia a dia que se tornam obras de arte. A justificativa de Duchamp é que um objeto comum escolhido pelo artista, tendo sido repensado, passa a ter sua função artística. Os Estados Unidos se juntam ao DADA nas pessoas de Man Ray (fotógrafo e cineasta) e Picabia, que pinta Rros Sélavy (Eros, c'est la vie) o alter-ego feminino de Duchamp. Em Paris, Eluard, Breton, Aragon e muitos outros se deixam seduzir por DADA, ainda que com a ajuda do absinto e do ópio para que a escrita se transforme em transe. A França, indignada, se levanta, protesta e condena: Maurice Barrès, (da extrema direita na época) se junta a Charles Maurras, ambos membros da Action Française. O réu é o dadaísmo, acusado de "atentado à segurança do espírito". Compreensível, levando-se em conta as cabeças da idade da pedra.
Abaixo, dois "agravantes" que poderiam se juntar ao processo:
1- Na Feira/ Missa Internacional Dada de 1920 os dadaístas berlinenses estão com total domínio nas colagens, fotomontagens e instalação e exibem nos cartazes ilustrados por um sub-oficial alemão-prussiano com cara de porco as frases: "DADA está ao lado do proletário revolucionário", "Abaixo a moral burguesa", "DADA é política", "Diletantes, revoltem-se contra a arte, abaixo a arte!".
- Na Rússia Maïakovski e Khlebnikov desejam criar novo vocabulário, o Zaoum "poesia transmental, com a linguagem liberada e sem entraves". Todos os textos referentes ao dadaísmo estão conservados na Bibliothèque Jacques Doucet (amigo de Duchamp e Picabia) na Place du Panthéon 8/10 75005, Paris. Os princípios anárquicos do Dadaismo foram se ajustando e geraram novo surrealismo em 1924, mas o fim do movimento como atividade grupal aconteceu por volta de 1921. As correntes artísticas contemporâneas se adaptam perfeitamente ao espírito DADA.
O espírito DADA se adapta perfeitamente ao fascinante mundo da internet


FONTE: Mix Brasil - São Paulo,SP,Brazil

Geografia da Barbárie


Geografia da Barbárie
Luís Ferreira

Jornal do Barreiro 25-07-2008
Editorial
A sucessão vertiginosa de imagens e palavras não nos permite perspectivar, na sua real dimensão, a complexidade do momento histórico que atravessamos, repleto de contrastes e saturado de contradições. A crise económica marca o ritmo do correr dos dias. O desemprego, o subprime e o petróleo tornaram-se elementos nucleares do quotidiano, relegando para segundo plano todas as questões e problemas que não se relacionem directamente com as dificuldades financeiras.
Apesar de serem compreensíveis, estas preocupações não devem ocultar a existência de outras realidades que gradualmente têm vindo a ser menorizadas. Com o passar dos anos, assistimos ao regresso da categoria do inumano, caracterizada pela abolição dos mecanismos naturais que controlam a violência, e pela emergência de novos fenómenos totalitários que assolam várias zonas do globo.
Em diversos locais, a relação com o outro voltou a assumir um carácter instrumental, com as ideologias assassinas a utilizarem a aniquilação física como um meio justificável para que se atinja um fim redentor. Como uma mancha de óleo que alastra lentamente, o terrorismo, o fanatismo e o racismo retomaram um lugar central no pensamento contemporâneo, constatável num breve olhar sobre as mais diferentes latitudes geográficas.
Na Palestina, a imagem seca e brutal de um soldado israelita que dispara uma bala de borracha sobre o corpo de um homem vendado e acorrentado retrata uma sociedade em erosão, na qual a possibilidade de diálogo e a conciliação caminham para um ponto de não retorno. Poucas horas depois deste incidente, um árabe investiu sobre a população indefesa com um tractor, semeando o pânico e o terror nas ruas de Telavive, num balanço trágico de 16 vítimas.
Em Belgrado, milhares de pessoas invadiram as ruas da cidade, prestando homenagem ao criminoso Radovan Karadzic, responsável pelo maior genocídio perpetrado na Europa após o fim da Segunda Guerra Mundial. O líder dos sérvios durante a guerra civil na Bósnia é acusado de ter ordenado a execução de 7500 muçulmanos, e autorizado o bombardeamento de Sarajevo em Junho de 1995, o que o transforma agora num herói nacional, celebrado como uma estrela de cinema ou um futebolista famoso.
O presidente do Sudão, Omar al-Bashir, depois de se ter passeado tranquilamente por Lisboa, pôde voltar ao seu país natal e dar continuidade aos já habituais massacres na região do Darfur. As acusações proferidas pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) foram recebidas por este ditador africano com uma calma olímpica, negando qualquer tipo de jurisdição do TPI relativamente às carnificinas que gosta de consumar sobre cidadãos inocentes.
Mesmo os países ocidentais não têm escapado a este recuo no domínio dos direitos humanos. A pretexto de questões relacionadas com a segurança, os Estados Unidos têm vindo a diminuir as mais elementares garantias constitucionais, transformando a prisão de Guantanamo num marco da injustiça e do autoritarismo. O jovem canadiano Omar Khadr apareceu esta semana nas televisões a suplicar por ajuda aos agentes que o vinham submeter a um novo interrogatório, numa gravação que nos permite entrever o inferno em que muitas destas pessoas se encontram mergulhadas há mais de 6 anos.
Recentemente, a União Europeia aprovou a denominada Directiva de Retorno, que configura um recuo considerável nas políticas de imigração. A coberto de uma alegada necessidade de uniformizar as diferentes legislações nacionais, viabilizou-se a detenção administrativa dos ilegais, durante 18 meses, sem que lhes tenham sido garantidos os recursos jurídicos adequados à sua situação. O repatriamento de crianças e menores de idade, mesmo que não se encontrem acompanhados pelos respectivos pais, revela mais um dos aspectos hediondos desta pretensa cruzada contra as redes de imigração clandestina.
Nos últimos meses, em Itália, o Governo de Berlusconi decretou a obrigatoriedade de todos os jovens ciganos serem identificados através das impressões digitais, aparentemente com o propósito benigno de evitar a sua exploração como mendigos pelos familiares mais próximos. No sábado passado, duas adolescentes ciganas morreram afogadas perante o olhar impassível dos restantes banhistas que, mesmo após ter sido decretado o seu óbito, continuaram a gozar tranquilamente mais um dia de praia e de sol
Albert Camus, numa das suas obras mais célebres, A Peste, descreve-nos a história de uma cidade situada na Argélia, em que a vida tranquila e monótona dos seus habitantes é abruptamente interrompida por uma série de acontecimentos inexplicáveis. As primeiras mortes causadas pela epidemia são encaradas com absoluta indiferença, procurando-se enquadrá-las na ordem natural dos acontecimentos. Só quando a calamidade começou a atingir uma maior escala, ceifando as vidas de alguns protagonistas do romance é que nos conseguimos aperceber da verdadeira dimensão da catástrofe.
Esta poderosa metáfora sobre os totalitarismos mantém-se perturbadoramente actual. Todas as vitórias humanas contra a barbárie e o absurdo acabam por ser precárias e intermitentes, mesmo que tenhamos que travar estes combates como se fossem definitivos. O teatro do mundo ensina-nos diariamente que “acabará talvez por vir o dia em que, para desgraça e ensinamento dos homens, a peste acordará os seus ratos e os mandará morrer numa cidade feliz”.

FONTE: Jornal do Barreiro - Barreiro,Portugal

Biographie de Salah Stétié


Biographie de Salah Stétié
Salah Stétié est un poète libanais de langue française. Il est né à Beyrouth en 1929
.Après une jeunesse au Liban, où il reçut l'enseignement de Gabriel Bounoure, il devient diplomate en poste à Paris. Il a été délégué permanent du Liban auprès de l'UNESCO, il a également été ambassadeur du Liban au Pays-Bas et au Maroc.
Célébrant à la fois une langue française très pure et les traditions de la poésie arabe, il est l’auteur d’une œuvre poétique abondante et très dense, où la “réduction” de l’expression et des thèmes visent à l’évocation de l’essentiel humain par des moyens verbaux épurés, la référence à Mallarmé (à qui Stétié a consacré un essai : "Mallarmé sauf azur", 1999) s’imposant, du côté occidental.
Parmi ses recueils poétiques : "L’Eau froide gardée", 1973 ;" Inversion de l’arbre et du silence", 1981 ; "L’Etre poupée", 1983 (traduit en arabe par Adonis, 1983) ; "Archer aveugle", 1986 ; "Lecture d’une femme", 1988 ; "L’Autre côté brûlé du très pur", 1992.
Il est l’auteur de nombreux essais, de recueils d’aphorismes ("Signes et singes", 1996), de traductions et présentations de poètes arabes, de textes sur la poésie, la langue, l’art et la calligraphie. Son œuvre manifeste « le désir d’une vigilance et une foi dans la parole de poésie », selon les mots d'Yves Bonnefoy et se découvre « dans une illuminante complexité » (Giovanni Dotoli, "Salah Stétié, le poète, la poésie", 1999)
Salah Stétié a été distingué en 1995 par le Grand Prix de la Francophonie de l'Académie française.



FONTE: Toute la Poésie - France