terça-feira, novembro 11, 2008

“Mamã África” morre na Itália


Miriam Makeba sofreu ataque cardíaco após concerto anti-mafia
“Mamã África” morre na Itália
A cantora sul-africana Miriam Makeba, conhecida como "Mama Africa", morreu domingo à noite na Itália ao sair do palco, depois de ter actuado num concerto de apoio a um jornalista ameaçado de morte pela mafia.Fonte da Clínica de Pineta Grande, em Castel Volturno, perto de Nápoles (no sul de Itália), disse que a cantora morreu pouco depois de ter dado entrada no local.

A agência noticiosa italiana ANSA referiu que Makeba terá sofrido um ataque cardíaco no final do concerto, em que participaram vários artistas e que foi dedicado ao jornalista e escritor italiano Roberto Saviano, ameaçado pela Camorra, a máfia napolitana.

"Ela foi a última a subir ao palco, depois de vários outros cantores. Houve uma chamada ao palco e, nesse momento, alguém perguntou aos microfones se havia um médico na assistência. Miriam Makeba tinha desmaiado", relatou.

Cerca de um milhar de pessoas assistiram ao concerto em Caltel Volturno, considerado um dos bastiões da mafia napolitana e onde seis imigrantes e um italiano foram abatidos em condições obscuras em Setembro passado.

Roberto Saviano é autor do best--seller "Gomorra", um livro sobre a Camorra que foi adaptado ao cinema e mereceu o prémio do júri no último festival de Cannes, além de ter sido escolhido para representar a Itália nos Oscares.

Convertida num dos símbolos da luta anti-"apartheid", Miriam Makeba, nascida em Joanesburgo em 4 de Março de 1932 e cujo título "Pata, Pata" a tornou conhecida em todo o mundo, sempre defendeu nas suas canções o amor, a paz e a tolerância.

A cantora, a quem chamavam "a imperadora da canção africana" deixou a África do Sul em 1959. Tentou regressar em 1960, por ocasião do funeral da mãe, mas o passaporte foi-lhe cancelado e não foi autorizada a entrar no país.

Viveu no exílio durante 35 anos nos Estados Unidos, França, Guiné e Bélgica antes do seu emotivo regresso a Joanesburgo em 1990, quando regressaram muitos exilados sul -africanos ao abrigo das reformas instituídas pelo então presidente FW de Klerk. "Nunca percebi porque é que não podia voltar ao meu país", disse Makeba, quando regressou: "Nunca cometi nenhum crime". Em 1976, proferiu nas Nações Unidas um discurso de denúncia do "apartheid" (segregação racial). Foi depois disso, que a rádio e a televisão governamentais sul-africanas se recusaram a emitir as suas canções. Foi casada com o trompetista Hugh Masekela e mais tarde com o activista Stokely Carmichael.

"Uma das nossas maiores cantoras de todos os tempos parou de cantar", lamentou em nota o ministro da Cultura da África do Sul, Nkosazana Dlamini Zuma. "Ao longo da sua vida, Mama Makeba comunicou uma mensagem positiva ao mundo sobre a luta das pessoas na África do Sul e a certeza das vitórias sobre as forças malignas do apartheid e do colonialismo através da arte de cantar", apontou Zuma.

Miriam começou a sua carreira em Sophiatown, uma zona cosmopolita de Johannesburgo muito rica culturalmente na década de 1950. Porém, os negros da área foram retirados à força pelo governo do apartheid (regime que vigorou entre 1948 e 1990). A cantora recebeu um Grammy em 1966 pela melhor gravação folk, com Harry Belafonte, pelo disco An Evening With Belafonte/Makeba. A obra tratava dos problemas enfrentados pelos negros sul-africanos durante o apartheid.

FONTE: Midiamax - Campo Grande,MG,Brazil

Cabral disputa presidência do judo com André de Sousa


Cabral disputa presidência do judo com André de Sousa
André de Sousa e Quintino Cabral são os únicos candidatos à presidência da Federação Angolana de Judo (FAJ), para o quadriénio 2008/2012, cujas eleições no círculo nacional acontecem no próximo dia 29.

Nos círculos provinciais do Bié, do Bengo, de Benguela, de Cabinda, do Huambo, da Huíla, da Lunda- -Sul, do Moxico, de Malanje, do Namibe, do Kuando-Kubango, do Uíje e do Zaire o sufrágio realiza-se a 24 de Novembro.Os resultados serão divulgados a 2 de Dezembro, pela Comissão Eleitoral. Os dias 30 de Novembro e 1 de Dezembro servirão para a reclamação dos candidatos.

De acordo com o mapa estatístico da federação enviado à Direcção Nacional dos Desportos (DND), a massa votante é composta por 84 clubes e 13 associações provinciais. O federativo controla 4 mil e 384 judocas dos mais de 80 clubes do país.

Quintino Cabral, vice-presidente cessante e candidato pela Lista “A”, foi proposto pela Associação de Benguela, enquanto os filiados do Moxico propuseram a candidatura do antigo director técnico da federação e seleccionador nacional, André de Sousa.

A campanha eleitoral arrancou ontem e encerra no próximo dia 23. A abertura das listas foi realizada sexta-feira, no Complexo da Cidadela.AC

FONTE: Jornal de Angola - Luanda,Luanda,Angola

SOBRE NICOLAU SAIÃO


Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2004
SOBRE NICOLAU SAIÃO

Nicolau Saião é o pseudónimo literário/artístico de Francisco Ludovino Cleto Garção, nascido em Monforte do Alentejo no ano de 1946 e residente em Portalegre desde os três anos. Exerceu as profissões de meteorologista, jornalista e escriturário. Actualmente é o funcionário responsável do Centro de Estudos "José Régio" de Portalegre.

Empenhado civicamente antes e depois do "25 de Abril", teve o seu trajecto condicionado pelo antigo regime. De orientação democrática e libertária, foi também um resistente através da sua escrita e da sua acção, mas sem obrigatoriedade partidária ou de escola literária. Tem colaboração em jornais nacionais (República, Diário de Lisboa, O País, Sporting, Espaço Médico, etc.) e regionais (Jornal do Fundão, O Distrito de Portalegre, A Nossa Terra, Jornal de Paços de Brandão, Correio Beirão, Jornal de Queluz, Correio de Elvas, Diário do Sul, Notícias de Elvas, O Zurão...).

Poeta, pintor, publicista e actor/declamador, concebeu, realizou e apresentou o programa radiofónico Mapa de Viagens (Rádio Portalegre), que entrou para o ranking dos programas mais ouvidos das rádios regionais, e onde entrevistou personalidades como: José Bento, António Luís Moita, Rui Mário Gonçalves, Fernando Vendrell, José Manuel Anes, Diniz Machado, José do Carmo Francisco, etc...

Tem colaborado em revistas e jornais literários e artísticos, tais como Ler, Colóquio-Letras, Apeadeiro, Sílex, Célula Cinzenta, A Cidade, Bicicleta/Mandrágora, Bíblia, Ciclo Cultural, Jornal de Poetas e Trovadores, Callipole, Podium, A Xanela(Betanzos), Abril em Maio, DiVersos (Bruxelas), Albatroz (Paris), Artes & Artes, Mele(Honolulu), Ave Azul , Espacio/Espaço Escrito(Badajoz),etc...

Como pintor participou em mostras de Arte Postal em diversos países (Espanha, França, Itália, Polónia, Canadá, Estados Unidos, Austrália, Mali, etc.), além de ter exposto individual e colectivamente em diversas localidades. Organizou, com Mário Cesariny e Carlos Martins, a exposição O Fantástico e o Maravilhoso, tendo traduzido diversos autores incluídos no livro-catálogo; e, com João Garção, a mostra de mail-art O futebol. Está representado em diversas antologias (Palavras - Sete poetas portugueses contemporâneos, Poetas alentejanos do século vinte, O desporto na poesia portuguesa, O trabalho, Poemabril, Homenagem a Torga, Poemas para Lorca, Millenium, Série Poeta, Poetas e Escritores da Serra de S. Mamede...

Em 1992 a Associação Portuguesa de Escritores atribuiu o prémio Revelação/Poesia ao seu livro Os objectos inquietantes(Editorial Caminho).

Livros, além do citado: Flauta de Pan(Ed.Colibri),Os olhares perdidos(Universitária Editora), Assembleia geral(edição Bureau Surrealista Alentejano), Os labirintos do real - com Carlos Martins (idem), Passagem de nível - teatro (edição do autor, patrocinada pela Região de Turismo de S. Mamede). Em preparação: Cantos do deserto (poemas relacionados com o deserto de Tabernas, Almeria), As vozes ausentes(crónicas), As estrelas sobre a casa(teatro), Em nós o céu(policial) e Nigredo/Albedo - o livro das translações(a sair Black Sun Editores).

Proferiu conferências e palestras sobre arte moderna, poesia, literatura de mistério e os índios norte-americanos em Portalegre, Almada, Leiria, Lisboa, Ponte de Sôr, Montargil, Serpa, Madrid, Roma, Badajoz, Paris, Ciudad Real, Bruxelas e Toronto. Prefaciou Extravagários, de Nuno Rebocho e fez posfácio para livro de Ruy Ventura em preparação.


"Deus sabe que ninguém tem... " - Abus Novas


"Deus sabe que ninguém tem...

"Deus sabe que ninguém tem
instrumento igual ao meu:
venham medi-lo e hão-de ver
o tesouro que El' me deu.
Tomai-o – isso! – na mão:
é meu timbre de valor.
Quem o gosto lhe descobre
sucumbe de temo ardor.
Tão alto como um pilar
(como um pilar não encolhe)
visto ao longe na distância
de qualquer lado que se olhe.
Venham pegar, e apertá-lo
com força na vossa mão.
E levai-o à vossa tenda,
entre onde os montes estão.
Sede vós a lá guardá-lo
com vossa mão cuidadosa.
ede quanto ergue a cabeça
como bandeira orgulhosa!
Nem dareis por sua entrada,
tão corajoso ele avança!
Jamais pende como a vela
quando o vento se descansa.
Que el' seja asa da panela
entre as pernas escondida,
tão vazia desde o fundo
até à borda cingida.
Venham ver a maravilha
que logo se ergue tão pronta!
Tão rara e tão portentosa,
tão rica de bens sem conta!
E vejam como endurece
tão forte e tão magistral:
E coluna dura e longa
de uma força sem igual.
Se quereis pega segura,
ou colher que bem remexa,
outra melhor não tereis
para panelas sem queixa.
Pegai nesta – que ela esteja
na vossa panela ardente,
lá onde só um instrumento
haverá que vos contente!
Nem sonhais – amores –
o gosto que vos dará tal espada,
mesmo em panela de cobre
ou de prata chapeada.
autor: Abus Novas (Tradução de Jorge de Sena)

da poesia excepcional: grabato dias (1933-1994) & os impossíveis 70 anos

da poesia excepcional: grabato dias (1933 - 1994) & os impossíveis 70 anos
Seriam mais de setenta anos, em breve. E quase nunca esse lapso de tempo, brevíssimo à escala cósmica, permite um punhado de poetas assim, de acto e de facto.

Na transiente e verificável vida que nos foi dado ver, existem sempre “estranhos estrangeiros” que pouco se mostram e que muito são. Contra o rigor do vento e das chuvas, esta é daquelas figuras maiores da nossa cultura que não pode ser lacerada pela inclemência do tempo e pela intolerância crítica. “Monstro sagrado” da nossa literatura e também das artes plásticas, e o epíteto é de Eugénio Lisboa, seria Rui Knopfli a atribuir-lhe o apodo de “engenheiro de almas”.

Connosco cruzou este homem sem que o soubéssemos todos. Completo e diferente, as esplanadas e as nossa ruas viseenses mais típicas recordam ainda a sua presença intensa e inconformada. Artista renascentista pela vastidão de apetências manifestadas (pintura, cenografia, docência, urbanismo, arquitectura, apicultura, jardinagem, pecuária...), é como poeta que o convoco, na sua pluralidade de máscaras e personalidades. Sempre corrosivo, clama para que o homónimo escritor António Quadros passasse a assinar António Quadras, uma vez que o pintor era ele; adentro do mundo poético, vingará em si um certo João Pedro Grabato Dias, nascido em Inhaminga (Moçambique) e mestiço de “industano, celta, judeu e com prováveis avós nos Concheiros de Muge.”

António Augusto de Melo Lucena e Quadros nasceu aqui bem perto de nós, em Viseu, no dia 9 de Julho de 1933, vindo a morrer em Santiago de Besteiros , no dia 1 de Julho de 1994, com inclusos sessenta e um anos de idade.

Desconfiado desde cedo da ductilidade do artefacto de verbal, não mais o largou a ideia demiúrgica da refundação e da recriação da linguagem. A incorformação e a heterodoxia serão assim uma pregnância de sempre, desde os primeiros escritos até às últimas criações, como um método que não admitia a fácil cedência ou a tergiversação. Há sinais humanos que dizem o homem que connosco priva. Lembro este, coonestado há pouco por um seu amigo e admirador, feito tão mais admirável quanto se sabe como os homens são volúveis em face das ternas palavras ou das passageiras glórias: chega a ser absolutamente superior a modéstia que leva Grabato Dias a não reclamar, na década de sessenta (1968), um prémio literário que ganhara em Moçambique (“Prémio Literário de Poesia da Câmara Municipal de Lourenço Marques”) com o nome de Grabato de Tete. Sem alardes, passado o fulgor, soube-o Eugénio Lisboa, membro do júri, siderado pela confissão silenciosa e desinteressada do Poeta. Na mesma senda, segue um Knopfli (quem lê?) ao defender, com respeito máximo, que António Quadros sempre foi um envergonhado camponês de Santiago de Besteiros.

Em 1970, sai a lume, em Lourenço Marques, um livro espantoso de nome 40 e Tal Sonetos de Amor e Circunstância e Uma Canção Desesperada. Na constrição da forma poética fixa (“Ó soneto, ó espartilho carcereiro!”), a colectânea pauta-se pela ousadia expressional e pela subversão inventiva, abundando, a par de um camonianismo estruturante, neologismos, justaposições estranhizantes e “infracções” ortográficas. A linguagem estende o seu corpo ginástico pelo calor vulcânico de cada sílaba, expandindo-se, suspendendo-se e recriando-se, logo reganhando a estrutura profunda do texto um halo de corrosão, sarcasmo e humor. Tal erupção léxica facilita em muito a causticidade e a intensidade diferenciadora de um refinadíssimo humor que só encontra alguma equivalência em Alexandre O’Neill. No humor, num território que é idiossincrasia e experimentação, levanta Grabato Dias uma ars poetica única (“Humor, minha automática secreta”). Poesia “ensimesmada, onírica, ironicamente realista, brutal, descabelada, ardentemente bizarra, reveladora de um mundo fantasmagórico e quase demasiado verdadeiro” (Eugénio Lisboa dixit), poucas vezes a nossa literatura conheceu tão descontrolada paródia (“Amor. Te. Ti, tigo. A morte. Amo-te / sem R, sem risco ao meio da morte”), tão acertado humor sobre a biografia poética (“No mundo em pedaços repartida / ficou-me a mim e ao luís vaz a vida, / galinha gorda rebolante ao espeto.”) e tão evidente gargalhada de dessacralização artística (“Me, mi, Mimi, migo... Ó amiga, as migas / ainda são um bom prato, e até com ligas / de duquesa se faz tanto soneto.”).

Iniciada a obra impressa em livro de modo arrebatador, muito havia a esperar de uma obra que mais e mais se acrescentou: A Arca – Ode Didáctica na Primeira Pessoa. Tradução do sânscrito ptolomaico e versão contida do Autor (1971), O Morto – Ode Didáctica (1971), Uma Meditação, 21 Laurentinas e Dois Fabulírios Falhados (1971), As Quybyricas. Poema éthico em outavas que corre como sendo de Luis Vaaz de Camões (1972), Pressaga (Ode Didáctica da Primeira Singular à Segunda Plural sobre as Terceiras, Segundas e Primeiras Pessoas) (1974), Eu, o Povo (1975), Facto / Fado. Pequeno Tratado de Morfologia. Parte VII. (1982), O Povo é Nós (1991), Sagapress (1992) e Sete Contos para um Carnaval (1992). Sabe-se existir ainda obra inédita e impressa de diminuta circulação, muita dela sem data.

Escolho, para conclusão, falar um pouco sobre As Quybyricas, até porque desde cedo se pensou tratar-se de um livro que muito desse que falar. “Testemunho irónico e fascinante”, assim o diz a releitura de Gil de Carvalho, esta obra de configuração épica é uma devastadora crítica ao regime português de então, esgotando-se o livro em poucos dias, sinal de que os leitores haviam entendido a perfídia subversiva. Polimórfico e sedutor, este longo poema de onze cantos e 1180 estâncias encerra tonalidades épicas, burlescas, dramáticas, jocosas, líricas, bucólicas e outras que fazem de si um imenso exemplar de descaso literário: afinal, quantos poemas como este no nosso século XX, em que “Luso descobre / que a herança imperial pouco mais era / que arco destinado a outra esfera”?

“O proscénio da luz começa aqui na pele”, diz o fabuloso João Pedro Grabato Dias. Estará o palco iluminado para esta diferença de acto e de facto?

sexta-feira, novembro 07, 2008

O maior espetáculo da Terra virá a Maceió este mês


06/11/08 12:30
O maior espetáculo da Terra virá a Maceió este mêsAdicionar imagem

Desde segunda-feira (3), quatro carretas e seis caminhões estão circulando nas estradas do Nordeste com uma carga preciosa. Além de 60 toneladas de equipamentos, a caravana transporta centenas de bonecos para a montagem, em seis capitais da região, do espetáculo "SESI Bonecos do Mundo" - o maior evento do gênero no planeta. Com patrocínio do SESI e apoio da Petrobras, a temporada foi aberta no Recife no dia 3 e contempla Aracaju nos dias 22 e 23.

Em sua 5ª edição, o projeto já foi visto por mais de 1 milhão de pessoas, incluindo públicos das regiões Norte, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Neste ano, com várias novidades, o SESI Bonecos vai percorrer 3.284 quilômetros para promover apresentações e oficinas também em Salvador (15 e 16/11), Maceió (29 e 30/11), João Pessoa (6 e 7/12) e Fortaleza (13 e 14/12). "O festival é um espaço de estímulo para a inteligência. Seja para fazer rir, para fazer chorar, para divertir ou para refletir", afirma Lina Rosa, curadora e idealizadora do projeto.

O SESI Bonecos traz um sortimento de nacionalidades, abordagens e estilos nunca visto, com encenações para crianças e adultos. A trupe carrega, por exemplo, a estrutura gigante do Gulliver (Chile), com cerca de 2 toneladas, e os bonecos da Divina Comédia (RS), que cabem na palma da mão. Tem ainda as marionetes sem fio de Phillip Huber - o artista que deu vida aos bonecos do filme "Quero ser John Malkovich", de Spike Jonze - e o Grupo Contadores de Estórias, com uma temática adulta, recheada de histórias sobre suicídio, masturbação, gravidez e o envelhecimento.

No mesmo comboio, também estão o "Romance do Vaqueiro Bendito", do Distrito Federal, a "Caixa", do Le Grand Manipule (França), e as sombras chinesas de "Não me toques as Mãos" (Argentina-Espanha), apresentada pela exímia marionetista Valeria Guglietti. Outro grande destaque do Festival será um dragão de 50 metros. Cada parte da figura mitológica é levada por uma pessoa. Em sua apresentação, o dragão se mistura às pessoas na platéia.

A programação das seis capitais mostra outros exemplos de diversidade. Com "Dirk, o Vagabundo", a Compagnie de Draak (Holanda) levará à cena um robô construído a partir de princípios tanto da robótica quanto do teatro de marionetes. Quase não se distingue a máquina de uma pessoa. "Sangue Bom", com roteiro e direção de Miguel Vellinho, é uma história de amor tragicômica entre o vampiro de um castelo e uma bela jovem, com tendências suicidas, que sofre a interferência de um caçador de vampiros. Sem palavras, o espetáculo mistura elementos do desenho animado, dos filmes de terror e da literatura gótica. Entre tantas atrações, o projeto também embarca em sua viagem nordestina o festejado grupo mineiro Giramundo, o paulista Rafael Leidens (Estrelas do Brasil) e o Circo Minimal (RS), cuja principal atração é uma galinha que canta ópera.
O mestre-de-cerimônias oficial do projeto Sesi Bonecos é peça construída pela técnica "luva com varas". A mão do artista é introduzida por dentro, para manipular a cabeça e o corpo. Varetas de aço são usadas nas extremidades das mãos e movimentam os braços. Seu temperamento é divertido e eloquente. Ele é uma espécie de garoto-propaganda do festival
por Assessoria

FONTE (image include): Alemtemporeal - Alagoas,Brazil

Le monde va mal


Le monde va mal

Je suis en accord avec le texte « Le monde va mal ». Tout de même je me demande : quels poètes lisons-nous ? Les poètes aux mots engagés ou les poètes aux mots sucrés (ou esclaves du Marché) que les maisons d’édition décident de publier ? La poésie c’est un cri pour la liberté et la révolution du mot. C’est un appel à la conscience profonde. C’est un défi pour dévoiler et jeter à bas les masques, alors que de plus en plus dans le monde le glas d’une foule d’esclaves fait entendre ses plaintes. « Assez ! » aux troupeaux. « Assez ! » à tant de – poètes ? - courtisans du Pouvoir. Le cœur d’Arthur Rimbaud bat toujours et fait battre le mien avec son défi. Plus que jamais actuel : « Changer la vie »
Cristina Castello
Poète et journaliste Paris / Buenos Aires
FONTE (image include): Altermonde-sans-frontières - Orléans,France

José Saramago faz sugestões a Obama


José Saramago faz sugestões a Obama
JB Online
RIO - Em seu blog, cuaderno.josesaramago.org, o escritor português e Prêmio Nobel de Literatura José Saramago deu uma sugestão de primeira medida a ser tomada pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama: fechar o campo de prisioneiros de Guantánamo, em Cuba, e acabar com o bloqueio econômico à ilha. Para Saramago, Obama deve pôr fim a "essa vergonha", que é "um campo de concentração e tortura".
[14:21] - 06/11/2008

FONTE: JB Online - Rio de Janeiro,RJ,Brazil
http://jbonline.terra.com.br/

Pintura: "Birth", de Paula Rego, vai a leilão por 180.00 euros no Palácio do Correio Velho


Pintura: "Birth", de Paula Rego, vai a leilão por 180.00 euros no Palácio do Correio Velho
2008-11-06 10:00:00
Lisboa, 06 Nov (Lusa) - "Birth", óleo sobre tela de Paula Rego com um valor base de licitação de 180.000 euros, estará em destaque no leilão que o Palácio do Correio Velho organiza dias 12 e 13 de Novembro em Lisboa.
Da mesma pintora, uma tinta-da-china e guache sobre papel, de 2007, tem um valor estimado entre 60.000 e 80.000 euros.
Do lote de obras a leiloar constam ainda "Grande Festa na Grécia Antiga", de Manuel Cargaleiro, que irá a praça por 20.000 euros, uma colagem sobre tela de Luís Demée (30.000 euros), "Pierrot e Columbine", desenho a tinta-da-china sobre papel de Almada Negreiros, com uma estimativa de 8.000 euros, e uma escultura em terracota de Jorge Vieira (quatro peças, 20.000/40.000 euros).
Outros nomes de vulto das artes plásticas - nacionais e estrangeiros - participam nas duas sessões do leilão. Entre eles, Júlio Pomar, Jorge Martins, Almada Negreiros, Costa Pinheiro, Menez, Graça Morais, Nikias Skapinakis, Álvaro Lapa, Arpad Szènes, Tàpies, Noronha da Costa, Canogar, Artur Bual, Raúl Perez, Charrua, Nadir Afonso, Lindstrom, Fernando Calhau, Eduardo Nery, José de Guimarães, Carlos Botelho, Palolo, José Pedro Croft, Alvarez, Dacosta e Ana Vidigal.
Além de Pintura, Escultura e Obra Gráfica, o leilão apresenta também uma tapeçaria das Manufacturas de Portalegre, objectos de design e obras de artistas estrangeiros, entre os quais Picasso, do qual serão leiloados "Cabra, um prato em cerâmica" (5.000/10.000) e "Pássaro, travessa em cerâmica" (3.000/5.000).
A exposição que antecede o leilão estará patente no Palácio do Correio Velho dias 7 e 9 das 15:00 às 20:00 e dia 10 das 15:00 às 19:00 e das 21:00 às 23:00.
RMM.
Lusa/fim
keywords: cultura

FONTE: Visão Online - Laveiras,Portugal

Açores evocam 400 anos do nascimento do padre António Vieira

Açores evocam 400 anos do nascimento do padre António Vieira
O padre António Vieira, que esteve nos Açores em 1654, na sequência do naufrágio do galeão em que viajava do Maranhão para Lisboa, é tema central para duas conferências que decorrem na próxima semana na Horta e em Angra do Heroísmo.

A cargo de dois reconhecidos especialistas da literatura portuguesa, a iniciativa é promovida pelo Centro de Conhecimento dos Açores da Direcção Regional da Cultura da Presidência do Governo e enquadra-se num ciclo de eventos comemorativos dos 400 anos do nascimento do padre António Vieira, iniciado dia 23 de Outubro, em Ponta Delgada, com a abertura de uma exposição biobibliográfica sobre o mais famoso jesuíta português.

Intitulada “António Vieira, uma ‘coincidentia oppositorum’ da sua vida e da sua escrita”, a primeira destas conferências será proferida por Aníbal Pinto Castro e realizar-se-á na Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça, no próximo dia 12, pelas 20:30 horas.

No dia 13, pelas 18 horas, no Palacete Silveira e Paulo, em Angra do Heroísmo, será a vez de Yvette Centeno proferir a conferência “Vieira e Pessoa: Mistérios Adiados”.

Este ciclo de eventos comemorativos encerra dia 16, pelas 21 horas, com um concerto de Música Barroca na Igreja Matriz de Santa Cruz da Graciosa, onde o padre António Vieira, ali deixado com outros 41 náufragos pelo navio corsário que os recolhera ao largo do Corvo, pregou no Verão de 1654.

Da Graciosa, Vieira passou à Terceira e em seguida a S. Miguel, de onde rumou, então, a Lisboa, na segunda quinzena de Outubro, a bordo de um navio inglês. Na viagem que o conduziu aos Açores, o padre António Vieira embarcou num galeão da Companhia Geral de Comércio do Brasil em São Luís do Maranhão a 16 de Junho de 1654, três dias depois de ali ter proferido o famoso “Sermão aos Peixes”.

FONTE (image include): Acores.Net - Ponta Delgada,Portugal

Ícones da cultura Latino-Americana


Ícones da cultura Latino-Americana
Pablo Neruda, Gabriel García Márquez e Vinícius de Moraes foram eleitos em concurso como maiores representantes mais influentes

Da Redação online com assessoria
Jornal Correio de Uberlândia
Atualizada: 06/11/2008 - 12h51min

Após seis meses de votação, a Antena 3 Internacional e a Organização Capital Americana da Cultura divulgaram nesta semana que Pablo Neruda, Gabriel García Márquez e Vinícius de Moraes foram eleitos, por meio de votação popular de milhares de pessoas de todos os países latino-americanos, como os personagens que mais influíram na cultura latino-americana.
A eleição dos 100 personagens que mais influíram na cultura latino-americana foi realizada em comemoração aos 10 anos da instauração da Capital Americana da Cultura, promovida pela Organização Capital Americana da Cultura e Antena 3 Internacional, para divulgar a cultura latino-americana de uma forma rigorosa, didática, pedagógica, lúdica e, ao mesmo tempo, aprofundar o conhecimento sobre os personagens do continente americano que foram eleitos.
Cidadãos de todos os países latino-americanos puderam participar na eleição dos 100 personagens que mais influíram na cultura latino-americana, que estão vivos ou os já falecidos.
Afim de que todos os países latino-americanos tivessem personagens incluídos na lista final, a votação foi realizada em duas fases distintas. Na primeira fase (21 de abril a 31 de agosto deste ano), a votação foi por país, priorizando houvesse maior representação dos países pequenos, em relação aos que tem maior população.
Cada país aportou o seguinte número de personagens à lista final:
Argentina (9); Bolívia (3); Brasil (14); Chile (4); Colômbia (9); Costa Rica (2); Cuba (4); Equador (4); El Salvador (2); Porto Rico (3); Guatemala (4); Honduras (2); México (12); Nicarágua (2); Panamá (2); Paraguai (2); Peru (7); República Dominicana (3); Uruguai (2); Venezuela (6); Outros (4).
Na segunda fase (15 de setembro até 30 de outubro), os personagens indicados por todos os países latino-americanos foram submetidos à votação popular, de onde saiu a lista definitiva ordenada por número de votos.
Tanto a Diretora da Antena 3 Internacional, Mar Martínez-Raposo, como o Presidente da Organização Capital Americana da Cultura, Xavier Tudela, mostraram-se muito satisfeitos com a realização da campanha dos 100 personagens que mais influíram na cultura latino-americana.
Classificação definitiva dos 100 personagens que mais influíram na cultura latino-americana:
Pablo Neruda, Gabriel García Márquez, Vinícius de Moraes, Octavio Paz, Andrés Bello, Jorge Luis Borges, Rubén Darío, Rómulo Gallegos, Gabriela Mistral, Simón Bolívar, Miguel Ángel Asturias, Carlos Gardel, Raúl García Zárate, Oscar Niemeyer, Juanes, Alejo Carpentier, Frida Kahlo, Augusto Roa Bastos, Julio Jaramillo, Franz Tamayo, Astor Piazzolla, Antonio Carlos Jobim, Alfonso Reyes, Arturo Uslar Pietri, José María Figueres Ferrer, Quino, Jorge Amado, María Isabel Granda Larco, Pedro Henríquez Ureña, Eugenio María de Hostos, Mercedes Sosa, Cecília Meireles, Fernando Botero, Violeta Parra, José Martí, Machado de Assis, Ernesto Guevara, Rigoberta Menchú, Miguel Hidalgo, Tarsila do Amaral, Julio Cortazar, Francisco José de Caldas, Roque Dalton García, Jesús Soto, João Gilberto, Benito Juarez, Víctor Jará, Gonzalo Arango, Mario Moreno, Joaquín Torres García, José Carlos Mariátegui La Chira, Francisco de Paula Santander, Jorge Negrete, Froylán Turcios, Ricardo J. Alfaro, Mário de Andrade, Domingo Faustino Sarmiento, Justo Arosemena, Policarpa Salavarrieta, Oswaldo Guayasamín, Shakira, Augusto César Sandino, Pelé, Paulo Coelho, Juan Carlos Onetti, José Antonio Abreu, José Vasconcelos Calderón, Mario Vargas Llosa, Juan Luis Guerra Sijes, Roman Chalbaud, Julia de Burgos, Carlos Mérida, Juan Diego Flórez Salom, José Hernández, Manuel Elkin Patarroyo, Juana Inés de la Cruz, Adela Zamudio, Alicia Moreau de Justo, João Guimarães Rosa, Eloy Alfaro, Pancho Villa, Gertrudis Gómez de Avellaneda, José Napoleón Duarte, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, Dolores del Rio, Luis Alberto del Paraná, José Gabriel Condorcanqui, Juan Pablo Duarte, Guillermo Meneses, Ricardo Arjona, Adolfo Pérez Esquivel, Luis Muñoz Marín, Carmen Lyra, Wilfredo Lam, Manuel Ricardo Palma Soriano, Jorge Icaza Coronel, José Alfredo Jiménez Sandoval, Eduardo Abaroa Hidalgo, José Francisco Morazán Quezada.
Todas as biografias desses personagens podem ser encontradas aqui.

FONTE: Correio de Uberlândia - Uberlândia,MG,Brazil

Como os cegos sonham?


07/11/2008
Como os cegos sonham?

Liliane Cruz

Sonhos dos cegos

A falta de visão impede que os cegos tenham sonhos? Não. Na ausência dela, os deficientes visuais se valem dos demais sentidos. Sensações, perfumes, sons, barulhos e toques ocupam a mente durante o sono.
Esse é um dos temas de pesquisa da psicóloga Liliane Camargos, que procurou entender como a psicanálise, teoria que se utiliza da interpretação dos sonhos, pode ser aplicada a pessoas com deficiência visual. A pesquisa A psicanálise do olhar: do ver ao perder de vista nos sonhos, na pulsão escópica e na técnica psicanalítica foi defendida como dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFMG.
Interpretação dos sonhos
De acordo com Liliane, alguns dos conceitos principais da psicanálise foram desenvolvidos a partir do livro A interpretação dos sonhos, de Sigmund Freud. Ela explica que os sonhos analisados pela teoria freudiana se baseavam em dados visuais. Sendo assim, ela se perguntou se os conceitos da psicanálise poderiam ser aplicados a quem não tem visão.
A resposta é positiva, mas Liliane propõe que é necessário levar em conta o olhar do consciente e o olhar das pulsões. Nesse sentido, pacientes cegos podem se submeter a tratamento psicanalítico.
Desejo de ver e ser visto
Na pesquisa, Liliane Camargos também procurou investigar se os cegos têm pulsão escópica. "De forma simplificada, pulsão escópica é um conceito para explicar o desejo das pessoas em ver e serem vistas", explica a pesquisadora. Segundo ela, os entrevistados demonstraram interesse em se vestir bem e combinar roupas, mesmo sem poder ver o que usariam. Na ausência da visão, eles se portam de acordo as premissas da sociedade, que dá muito valor ao visual, diz a pesquisadora.
Cegueira branca
Em um dos capítulos da dissertação, Liliane estabelece contato com a produção literária acerca da cegueira. Um texto analisado é Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, transformado em filme pelo cineasta Fernando Meirelles. A obra de Saramago trata de uma hipotética epidemia de cegueira que assola um país, com o detalhe de que a cegueira é branca e não escura, mais comum.
"Quando eu li o livro, achei estranho uma cegueira branca, mas parece que o Saramago não estava falando de uma cegueira pela ausência, e sim pelo excesso", relata Liliane. Ela afirma que o excesso de estímulos visuais caracteriza a sociedade contemporânea, como se o ser humano não tivesse mais censura ou recalque. Assim como na obra de Saramago, o excesso de luz e de estímulos caracteriza a cegueira coletiva, que resulta no caos.

FONTE: Diário da Saúde - Valinhos,SP,Brazil

Cenas de dor estimulam cérebro de jovens agressivos, indica estudo


Cenas de dor estimulam cérebro de jovens agressivos, indica estudo
Plantão Publicada em 07/11/2008 às 14h11m
BBC

O cérebro de jovens que intimidam outros pode ser estruturado de forma a ter tendências sádicas, segundo um estudo da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos.
Em exames de ressonância magnética, uma área do cérebro associada com recompensa acendeu quando adolescentes agressivos assistiram a um vídeo de alguém fazendo outra pessoa sentir dor.
Eles tiveram reações parecidas também quando assistiram a imagens de dor causada de forma acidental. Meninos sem histórico de agressividade não apresentaram respostas semelhantes.
O estudo analisou rapazes com idade entre 16 e 18 anos, oito com problemas de comportamento agressivo - como provocar brigas, usar armas e roubar após confrontar vítimas - e oito com comportamento considerado normal.
A pesquisa indica que, em alguns meninos, os impulsos naturais de empatia podem ser atrapalhados de forma a aumentar a agressividade.
Os testes de ressonância magnética foram realizado enquanto os participantes assistiam a vídeos em que pessoas sofriam dor por causas acidentais, como quando uma tigela pesada caía em suas mãos, ou de forma intencional, como quando alguém pisava em seu pé de propósito.
Respostas fortes
Os adolescentes agressivos mostraram uma ativação "específica e muito forte" da amígdala e do estriado ventral - áreas do cérebro que reagem à sensação de recompensa - quando assistiram a dor sendo infligida nos outros, o que sugere que gostam de ver pessoas com dor.
Ao contrário do grupo de meninos sem problemas de agressividade, os adolescentes agressivos não mostraram ativação de partes do cérebro associadas ao autocontrole, como o cortéx pré-frontal medial e a junção têmporo-parietal.
Usando o mesmo tipo de exame, o coordenador do estudo, o professor de psicologia e psiquiatria da Universidade de Chicago, Jean Decety, já havia observado que crianças entre sete e 12 anos de idade têm uma empatia natural com pessoas que sentem dor.
Esta é a primeira pesquisa a usar a ressonância magnética para estudar situações que normalmente despertariam empatia nas pessoas.
"Esse trabalho nos ajuda a entender melhor formas de trabalhar com jovens inclinados à agressividade e à violência", disse Decety.
O professor de psicologia da Universidade of Central Lancashire, na Grã-Bretanha, Michael Elsea, diz que o estudo é interessante, mas precisa ser repetido com uma amostra maior de meninos.
"É bom termos um entendimento melhor das bases biológicas dessas coisas, mas o perigo é levar as pessoas a pular para soluções biológicas, como remédios, ao invés de outras soluções comportamentais", afirma Elsea.

FONTE: O Globo - Rio de Janeiro,RJ,Brazil

A refundação de Obama

A refundação de Obama
06/11 - 12:15 - Régis Bonvicino, especial para o Último Segundo

Barack Obama não é um bom político (aquele que se adapta aos tempos e lida bem com as oportunidades na medida em que aparecem, como, por exemplo, Fernando Henrique Cardoso e Lula) mas um inovador, um grande político – que antecipa oportunidades, que os outros não anteviram, e cria possibilidades que não existiam antes dele. Não pretende apenas implementar programas de governo mas criar novos padrões culturais para o seu país. Aliás, a comparação com Lula ou Evo Morales é de todo descabida. Obama é um escritor, um intelectual, formado em ciências políticas em Columbia, e direito em Harvard, e professor de direito constitucional. Nunca apregoou o anti-intelectualismo ou anti-academicismo.

Em seu discurso da vitória, no Grant Park, de Chicago, evocou um único antecessor – Abraham Licoln (1809-1865), com mandato de 1861 a 1865, quando foi assassinado – poucos dias depois do término da Guerra de Secessão, que contivera – no Teatro Ford, de Washington, enquanto assistia a uma peça, pelo ator John Wilkes Booth – defensor da causa sulista. Licoln era abolicionista. Libertou os escravos. Quando tomou posse, a Carolina do Sul declarou sua independência e foi seguida por mais seis Estados do sul. Esses Estados rebeleram-se contra a abolição.

A Guerra Civil (1861-1865) ocupou todo o mandato do republicano Licoln, que, no entanto, a venceu e impediu o desmantelamento do país, com inflexão conciliatória, de integração.



Depressão econômica

Como afirma Michael Cohen, é equivocada a comparação de Obama com Franklin Delano Roosevelt, John Kennedy, Ronald Reagan ou Bill Clinton – que para ele é somente “um populista para a classe média”. O populismo é degradação da democracia. Por que Obama pretende superar as várias divisões internas dos EUA, entre republicanos e democratas, negros e brancos etc? Porque sem sobrepujar, numa escala ao menos média, o federalismo extremado de seu país, não vai conseguir superar a depressão econômica e a pobreza – conseqüência, agora, da irresponsabilidade da era Reagan (o Estado é o problema) e de seus sucessores, incluindo-se o neoliberal Clinton – um democrata do Sul, quase um republicano clássico, com seu Consenso de Washington, e excetuando-se Jimmy Carter.

Obama, em seu discurso da vitória, disse: “não somos inimigos, mas, amigos”, referindo-se aos eleitores de John McCain e aos seus e igualmente às divisões raciais, de classe etc. Afirmou também que sem ajuda recíproca os americanos não avançariam o suficiente para sobrepassar a depressão econômica. Obama quer se confrontar com as divisões internas dos EUA, como Licoln.

Sua tarefa não é das mais fáceis. Embora tenha vencido McCain por 349 delegados (27 Estados) contra 163 (21 Estados) do senador do Arizona, este obteve 46% dos votos populares contra 53% do democrata. A divisão é visível, explosiva e se soma à uma depressão intelectual, educacional e social. Milhões de jovens não completam sequer o colegial. Há cerca de 50 milhões de pessoas sem planos de saúde e aqueles que têm não conseguem pagá-lo. Há 30 milhões de miseráveis. As redes sociais foram liquidadas pelo neoliberalismo. A ignorância passou a ser celebrada nos EUA, como observa Bob Herbert. Nos anos 60, a música popular produziu Bob Dylan, Janis Joplin e Jimi Hendrix, além do cool jazz. Hoje, Paris Hilton e Britney Spears são “ícones culturais”, segundo ainda Herbert. A programação da tevê – acrescenta o colunista do “Huffington Post” – é a pior do mundo e o americano médio a assiste quatro horas e meia por dia. A brasileira é igual.

Além disso, Obama pretende limitar rigorosamente as intervenções militares de seu país – que, de 1980 para cá, fez incursões – quase todas unilaterais, “privilégio” não só de George Bush – em mais de 50 países. Lembram-se de Reagan em Granada em 1983, para combater a influência soviética e cubana na minúscula ilha caribrenha? Ele já deixou claro que seu principal instrumento de trabalho internacional será a diplomacia e sua eleição significa o retorno dos EUA à comunidade de nações. Terá que convencer 46% dos estadunidenses.

Por isso tudo, Obama não deseja apenas governar, mas refundar o país, ao almejar para ele nova unidade cultural e social. Sem essa unidade, não vai sobrebujar a depressão econômica. A “unidade” proposta pelos republicanos foi a do “inimigo” – uma unidade bélica, que levou o país à bancarrota e à uma cultura de centro-direita muito enraizada. Seu movimento ao centro é um passo enorme. E sua vitória em si – a de um negro, independente, filho de um imigrante africano e mãe solteira, a de alguém que não pertence à elite econômica ou à uma família tradicional (Keneddy) – sinaliza que ele tem força suficiente para ser bem sucedido, em médio prazo.



Voto pouco envergonhado

A mídia impressa brasileira – uma das mais empobrecidas intelectualmente e uma das mais provincianas do mundo hoje – insistiu na tese do voto branco envergonhado em McCain até a véspera da eleição. Mas, quem votou – sem tanta vergonha – em Barack Obama foi Condoleeza Rice – segregada, na infância, no Alabama. Rice declarou exultante: “Os americanos não podem estar satisfeitos até que estabeleçam união perfeita”, ecoando Obama.
Aliás, falando em mídia brasileira, há que se cumprimentar a “Globo News” e o “Jornal da Dez”, ancorado por André Trigueiros – que fez a mais cosmopolita, informativa e reflexiva cobertura dessa campanha que marcou – para sempre – o mundo.

Leia mais sobre: Barack Obama

FONTE (image include): Último Segundo - São Paulo,SP,Brazil

Publicações começam a escolher as melhores graphic novels de 2008


Quadrinhos
Publicações começam a escolher as melhores graphic novels de 2008
Bottomless Belly Button e What It Is estão tanto na lista da Publisher's Weekly quanto da Amazon

06/11/2008
Érico Assis
Ainda estamos em novembro, mas, para o mercado editorial dos EUA, o ano já chegou ao fim. E as listas de "melhores de 2008" começam a aparecer.

A revista Publisher's Weekly e o site Amazon.com já lançaram suas listas de melhores graphic novels, com várias indicações do que movimentou o mercado no ano que passou. Vale reparar a diversidade internacional na lista, reflexo do investimento que está ocorrendo na diversificação do mercado de quadrinhos por lá.

Quase nenhuma das publicações chegou ao Brasil ainda, mas as listas são indicativas (e "recomendativas") do que pode aparecer por aqui em breve em termos de quadrinhos de altíssimo nível, como Bottomless Belly Button e What It Is - ambas nas duas listas.

A lista da Publisher's Weekly privilegia o material mais "intelectual", sem espaço para super-heróis:
Aya of Yop City, album francês de Marguerite Abouet e Clement Oubrerie
(Drawn & Quarterly)

What It Is, da estadunidense Lynda Barry
(Drawn & Quarterly)
Treasury of XXth Century Murder: The Lindbergh Child, do estadunidense Rick Geary (ComicsLit)

Alan's War, do francês Emmanuel Guibert
(First Second)

Kramer's Ergot 7, antologia em formato gigante (do tamanho de uma Folha de S. Paulo) editada por Sammy Harkham
(Buenaventura Press)

The Education of Hopey Glass, novo trabalho de Jaime "Love and Rockets" Hernandez (Fantagraphics)

Slam Dunk, mangá de Takehiko Inoue (Viz), já publicado no Brasil pela Conrad

Achewood: The Great Outdoor Fight, coletânea da webcomic de Chris Onstad
(Dark Horse)

Bottomless Belly Button, do estadunidense Dash Shaw
(Fantagraphics)
Tamara Drewe, da inglesa Posy Simmonds
(Houghton/Mariner)

Skim, mangá de Mariko Tamaki e Jillian Tamaki
(Groundwood Books)

Travel, mangá maluco-experimental de Yuichi Yokoyama
(Picturebox)
Já o Top 10 da Amazon abre espaço para DC e Marvel, bem como para um autor brasileiro:
The Umbrella Academy Vol. 1, Gerard Way e Gabriel Bá
(Dark Horse) - o material vai ser publicado pela Devir em 2009

What It Is, Lynda Barry
(Drawn and Quarterly)

An Anthology of Graphic Fiction, Cartoons, and True Stories Vol. 2, antologia de HQs clássicas e contemporâneas editada por Ivan Brunetti
(Yale University Press)

Bottomless Belly Button, Dash Shaw
(Fantagraphics)

The Alcoholic, graphic novel de Jonathan Ames e Dean Haspiel
(DC Vertigo)

Omega: The Unknown, de Jonathan Lethem, Karl Rusnak, Farel Dalrymple e Paul Hornschemeier
(Marvel Comics)

Too Cool To Be Forgotten, de Alex Robinson
(Top Shelf)

Dilbert 2.0: 20 Years of Dilbert, de Scott Adams
(Andrews McMeel)

Zot!: The Complete Black and White Collection: 1987-1991, de Scott McCloud
(Harper Paperbacks)

The Amazing Remarkable Monsieur Leotard, de Eddie Campbell e Dan Best
(First Second)

FONTE (image include): Omelete - Brazil

Catherine Deneuve e Paul Auster no júri do Estoril Film Festival 2008


Catherine Deneuve e Paul Auster no júri do Estoril Film Festival 2008
Paul Newman vai ser homenageado pela organização

A actriz Catherine Deneuve, os artistas plásticos Julião Sarmento e Cristina Iglesias e o escritor Paul Auster completam o júri do Estoril Film Festival 2008, juntando-se ao Nobel da Literatura J.M. Coetzee, anunciou a organização.
Na segunda edição do festival, que decorre entre 14 e 22 de Novembro no Casino do Estoril, Centro de Congressos do Estoril e Teatro Mirita Casimiro, em Cascais, caberá a este júri de cinco elementos atribuir os prémios de Melhor Filme (20 mil euros), Segundo Melhor Filme e o Prémio Cine-Europa.
A estas individualidades, cuja escolha reflecte a filosofia do festival, de cruzamento das várias artes com o cinema, «ainda poderão vir a juntar-se mais nomes», indicou a organização do certame, a que preside o mais internacional dos produtores portugueses, Paulo Branco, em comunicado enviado à Lusa.
Além da secção de competição oficial, em que concorrem 14 filmes europeus, e de uma secção em que serão exibidos filmes fora de competição, constam ainda do programa uma retrospectiva da obra do cineasta norte-americano Tim Burton, e duas homenagens: ao realizador italiano Bernardo Bertolucci e ao actor norte-americano recentemente falecido Paul Newman, enquanto realizador.
Pretende-se dar a conhecer uma faceta menos conhecida do actor que se tornou uma lenda do grande ecrã, participando em mais de 60 filmes ao longo da sua carreira, que se estendeu também ao outro lado da câmara.
«Entre 1968 e 1987, realizou seis filmes que bastaram para o afirmar como um dos mais talentosos realizadores de sempre», sublinha a organização do Estoril Film Festival.

FONTE (photo include): Diário IOL - Lisboa,Portugal

ONU lança site com informações em 130 idiomas

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ONU lança site com informações em 130 idiomas
Por Editor em 07/11/2008


ONU lança site com informações em 130 idiomas
Por Editor em 07/11/2008
O Departamento de Informação Pública das Nações Unidas (DPI) acaba de lançar um novo site - unic.un.org -, com links para os Centros de Informação da Organização em todo o mundo.


"O site permite que nossos Centros de Informações divulguem a história da ONU para pessoas em todo o planeta em seus idiomas locais",declarou o Subsecretário-Geral para Comunicações e Informação Pública, Kiyo Akasaka. A página contém informações sobre as atividades atuais e momentos marcantes na história da Organização, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs)."


Este projeto reflete a inestimável contribuição das Nações Unidas e seus Centros de Informação ao Ano Internacional dos Idiomas, destacando a importância da preservação da diversidade lingüística", afirmou Akasaka, que também foi nomeado Coordenador da ONU para o multilingüismo em maio deste ano.


O novo site disponibiliza aos visitantes informações atualizadas e confiáveis sobre a ONU, com textos explicando o trabalho de informação pública das Nações Unidas e as atividades dos Centros de Informação.




Clique aqui para acessá-lo.


FONTE - ONU Brasil
Links referenciados
Clique aqui


unic.un.org
unic.un.org


unic.un.org
ONU Brasil


terça-feira, novembro 04, 2008

Café Filosófico analisa filme Lua de Fel

Geral
Terça-feira, 4 de novembro de 2008
Café Filosófico analisa filme Lua de Fel
O arquétipo matriarcal e sua influência nos relacionamentos serão analisados pelo psiquiatra Luiz Paulo Grinberg no Café Filosófico desta sexta-feira, dia 07 de novembro, às 19 horas, na CPFL Cultura em Sorocaba.

A análise, que será feita a partir do filme Lua de Fel, inaugura o módulo "A transformação cultural expressa através do cinema", que tem curadoria dos psicanalistas junguianos Carlos Byington e Maria Helena Guerra.

“Lua de Fel conta a história de dois artistas que se apaixonam e se tornam prisioneiros da sensualidade na busca da plenitude do amor. O exagero do arquétipo matriarcal do prazer os impede de vivenciar plenamente o amor por não considerarem a sensibilidade do outro e, por isso, caminham para a perversão e a tragédia. O filme será associado a inúmeras disfunções sociais dominadas pela sensualidade, como as adições, o consumo, o luxo e a promiscuidade”, comenta Grinberg, que é médico psiquiatra, analista membro da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica e autor do livro didático Jung – o Homem Criativo (editora FTD).

Atualmente Luiz Paulo Grinberg é doutorando em psiquiatria e colaborador do Programa de Doenças Afetivas da UNIFESP / Escola Paulista de Medicina.

A CPFL Cultura em Sorocaba está localizada na avenida Armando Pannunzio, 1555, Jardim Romilda. A entrada é gratuita e por ordem de chegada (capacidade de 90 lugares). Mais informações pelo telefone (19) 3756-8000.
Publicado por Guilherme Martins
Tags: cpfl, café filosófico, cinema

FONTE: Itu.com.br - Itu,Brazil

Mónica vira-se para a China


Cultura

Mónica vira-se para a China
Maurício de Souza diz que, após meio século, os valores são algo que permanece inalterado na Turma
Ontem
F. CLETO E PINA
Chama-se Maurício de Souza, nasceu há 73 anos no Brasil, completa 50 de carreira em 2009 e demonstra uma enorme vitalidade, notória nos muitos projectos que continua a desenvolver e a abraçar. O "pai" da Mónica falou ao JN.
O principal, no momento, é a Campanha Educacional na China com a Turma da Mónica, "via Internet, desenvolvida a convite do Governo chinês", como faz questão de frisar. E entusiasma-se: "Imagine a oportunidade que temos de inculcar os nossos valores a 180 milhões de crianças daquela que vai ser em breve a nação mais poderosa do mundo".
Aliás, após meio século de "quadrinhos", se mudaram "a linguagem e as ferramentas", se há actualizações "devidas aos progressos tecnológicos", se há "novas temáticas como a ecologia ou o respeito pela diferença", algo permanece inalterado na Turma: "Os valores que queremos transmitir: amizade, solidariedade, superação".
Valores também presentes na "Turma da Mónica Jovem". "O filho que de momento exige mais cuidado, pois finalmente deixou o meu colo e está à vista de todos", diz, com um brilhozinho nos olhos que surge quando fala nos seus "rebentos". Desenhado por si com a ajuda "imprescindível" da esposa, Alice Takeda ("faz rostos melhor do que eu e domina o que diz respeito a moda e vestuário"), é "uma versão adolescente em estilo manga dos heróis tradicionais", com a narrativa dividida entre acção e fantasia, o "que vai permitir abordar temas importantes para os jovens como acne, namoro, sexo seguro, gravidez indesejada ou incorporação no exército", e que os portugueses conhecerão dentro de três meses.
E se não vê problema "nas poses sensuais de Mónica e Magali ou em piadas com duplo sentido", obrigou a "oito versões da capa do nº 4, em que a Mónica beija o Cebola" - e recusa mostrar "o Cascão na banheira, apesar de ele agora já tomar banho". Porque a última palavra continua a ser sua, pelo que revê "1000 páginas de BD por mês" e todos os contratos passam por si.
Vocacionada para adolescentes, a "Turma da Mónica Jovem" é também lida "por adultos que querem ver como cresceram os heróis de infância e por crianças que querem saber como serão um dia", o que fez dela um "sucesso, que nunca esperamos, embora sabendo que o trabalho bem feito geralmente gera bons resultados", com a tiragem inicial de 50 mil exemplares quintuplicada após apenas três números, com o interesse da Cartoon Network na sua difusão mundial em desenhos animados e inúmeras solicitações para licenciamentos.
Afável, vibra com outros temas como a "nova série de animação computorizada", o sucesso internacional da revista "Ronaldinho Gaúcho", a possibilidade de concretizar "em breve dois parques temáticos em shoppings de Lisboa e Porto", o desejo de ter "dois dias de calma para criar as bases" duma versão do Homem-Aranha já anunciada ou a possibilidade do seu "Pelezinho se tornar na mascote da selecção brasileira de futebol".
E, demonstrando uma enorme vitalidade, encontra tempo para "conversar regularmente com os fãs nos fóruns da internet", de forma a "garantir a interacção com o leitor", por isso os seus quadradinhos vendem dois milhões de exemplares mensais no Brasil e são traduzidos em 30 línguas, contrariando os sinais de crise e de dificuldade de renovação de leitores da BD dita popular. "Prefiro errar ao tentar fazer algo novo, do que acertar em algo já experimentado", conclui Maurício de Souza.

FONTE: Jornal de Notícias - Porto,Porto,Portugal

O beijo - Anibal Beça

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30/10/2008 22:55:00


O beijo
Por Anibal Beça

- Dona Zélia, a senhora está dispensada por hoje do ensaio.

O maestro foi seco e áspero. Não sem razão. Já tinha voltado ao início duas vezes. Aquela partitura exigia muito das cordas. Principalmente do violoncelo. Zélia estava estranha, tão diferente da primeira vez, quando fez o teste para a orquestra. Dominava o violoncelo como ninguém na cidade. Tratava o instrumento com carinho todo especial. Havia até quem apontasse um relacionamento fora dos ditames. Anormal mesmo.

Viu-se no meio da Rua 22 antes que o zelador fechasse as luzes da ribalta. As partituras voavam, o andar trôpego entre os carros, partituras coladas nos pára-brisas, buzinas, trompas rachando a tarde.
Mas o que o maestro Dorner entendia ou sabia de beijo? Será que ele não notava aquela boca escancarada como uma cadela à espera de uma língua? De um toque, breve e úmido, de uma língua viva, pentecostal?
O céu estava ali, solitário, virgem, sem nuvens, pronto a ser invadido por algum trovão perdido. Faísca que viesse rasgar aquele céu vermelho da boca virgem de romã.

Um tropeço mais forte trouxe Zélia para junto do cello único companheiro nos últimos 33 anos. Não tinha ninguém no mundo, Era como um cão abandonado de rua, uma cadela desprezada: "Las mujeres desde entonces conoci todas en una, mujer y perra parida no se me acerca ninguna". "A única mulher que andou na linha, o trem matou". Foi na fronteira do Brasil com o Paraguai. Não a mulher que o trem matou, mas a sua lua-de-mel: os caminhões e os dísticos chauvinistas.
Os caminhoneiros fortes reluzindo ao sol, as tatuagens de sereias, verdadeiros marujos do asfalto.

Os olhares despiam Zélia. Aquela sensação já havia sentido por duas vezes. A primeira quando fez a 1ª comunhão. O beijo na mão do padre, o beijo no anel do bispo; a hóstia colada ao céu da boca, e a calcinha colada ao mel do sexo.

20 anos passeando pelos parques. Coruja atrás de um casal de namorados, de preferência àqueles mais ousados nos beijos. Voyeuse. Sim. Zélia era uma voyeuse.

O falecido marido era homem muito estranho. Gostava de fazer sexo vestido e nunca a beijara. Thamaturgo Valle, seu nome. Com th e dois ll, mas sem beijos. Sempre com aquela mala preta e de luvas assepticamente alvas. Carregando para onde fosse, os famigerados talheres, o copo e o guardanapo. Comia sempre no mesmo restaurante. A fiscalização de sua refeição, era condição paga com gorda gorjeta ao cozinheiro. Pratos brancos, alva toalha de linho. Ritual que se repetia quando não comia em sua casa.

Falava-se na cidade, que a esquisitice havia sido herdada de seu pai. Dentista e inventor de aparelhos de reabilitação oral. As tarraxas eram testadas na cobaia mais próxima: o filho.

Dr. Espiridião Valle, este, o nome do pai. Sua meta era acabar com todos os dentuços do mundo. Thaumaturgo, por sua vez, foi eliminando a boca de seu franzino esqueleto. A boca, órgão que nos últimos dias de vida não lhe foi de serventia. Lepra maldita de vida. "O beijo é a véspera do escarro..."

Zélia colecionava os beijos mais famosos de gables e valentinos. Figurinhas que acompanhavam o perfumoso sabonete das estrelas e nunca havia sido beijada.
A televisão na vitrine mostrava uma boca enorme anunciando a refrescante sensação de bem-estar. Mania dessas lojas de expor televisores ligados de todas as polegadas. A Martha Rocha, que tem uma boca linda, não foi Miss Universo por causa de duas polegadas a mais nos quadris. Zélia também foi candidata a "Boneca Viva" no Colégio da Divina Providência. Não ganhou. A divina providência só ajudava a moças desembaraçadas. Toda cidade sabia de sua marfiléia dentadura, da sua boca apetitosa de romã. E ela continuava uma cadela de boca virgem.

Quando se deu conta, estava deitada na praia.Os pensamentos corriam acompanhando os finos grãos de areia. Sinuosos desenhos trazidos pelo vento e areia recobriam seu corpo. O vento zunia e a areia castigava. Ora açoite, ora cilício. Estava sozinha na praia. Um ou outro banhista à distância. Sozinha, continuava desprezada, uma cadela parida.

As ondas beijavam seus pés brancos. Sentiu o amargo do sal. Salamargo purgando sua alma. Naquele bailado, Tchaikovsky: o cisne mergulhando no imenso lago. As ondas rugiam furiosas, e ela não se sentia mais. O grande lago verde a possuía com fúria, engolindo-a.

Ainda chegou com vida à praia. A visão turva mal divisava a camiseta do musculoso salva-vidas, mas sentiu o calor daquela boca soprando na sua.


FONTE: Portal CRONÓPIOS
http://www.cronopios.com.br/site/prosa.asp?id=3614

quarta-feira, outubro 29, 2008

Teatro: Comédia absurda "Os Antílopes", sobre "a relação dos brancos com África"


Teatro: Comédia absurda "Os Antílopes", sobre "a relação dos brancos com África"

Lisboa, 29 Out (Lusa) - A Companhia de Teatro de Almada estreia quinta-feira a comédia absurda "Os Antílopes", do escritor sueco Henning Mankell, no Teatro Municipal de Almada, numa encenação de Solveig Nordlund.

"[A peça] conta a última noite em África de um casal de cooperantes que está à espera do substituto do marido num projecto do Banco Mundial para abrir poços... e o substituto acaba por chegar", disse à Lusa a encenadora sueca naturalizada portuguesa.
Os actores Isabel Muñoz Cardoso, José Airosa e Rogério Vieira vestem a pele das três personagens desta comédia, que a encenadora escolheu para apresentar este escritor e argumentista sueco de 60 anos, que há muito tempo vive entre a Suécia e Moçambique e cuja obra nunca foi representada em Portugal.
"Ele diz que os negros são as personagens principais da peça, mas são invisíveis. Portanto, os actores da peça são os brancos, a peça é sobre a relação dos brancos com África", explicou Solveig Nordlund, uma relação que Mankell "conhece bem", porque vive e trabalha em Maputo, como director do Teatro Avenida, para o qual escreve e encena.
"São dois mundos - é isso que ele sublinha - que não se conhecem e, de facto, não se compreendem", observou.
Sobre a sua ida para África, o escritor explica, citado no comunicado do TMA, que não foi "por motivos românticos".
"Aqui não há nada de paradisíaco - bem pelo contrário. Mas desde a infância sabia que um dia havia de vir para cá", afirma Mankell, que nasceu numa pequena cidade do nordeste da Suécia, se casou com a filha do cineasta Ingmar Bergman e foi, durante anos, dramaturgo e encenador, até publicar, em 1973 o seu primeiro romance, e se celebrizar com o policial "Assassino sem Rosto", a que se seguiram outros (publicados em Portugal pela Presença).
"Fico colérico quando oiço a forma como se fala de África [na Europa]. Sabemos tudo acerca de como os africanos morrem, e nada sobre a forma como eles vivem! Chegou a altura de África invadir a Europa com as suas histórias, tal como fez a América Latina nos anos sessenta", defende.
Henning Mankell mantém a sua ligação à Suécia, através da editora que fundou, a Leopard, na qual utiliza os lucros das vendas dos seus romances policiais para publicar autores africanos.
Fundou igualmente uma oficina de escrita, a que chamou Memory Books, para que pessoas infectadas com o vírus da sida possam deixar aos filhos um testemunho das suas vidas.
"Os Antílopes" estará em cena na sala experimental do Teatro Municipal de Almada (TMA) até 30 de Novembro, de quarta-feira a sábado às 21:30 e ao domingo às 16:00.
Na quinta-feira, depois da estreia da peça, pelas 23:30, será inaugurada na galeria do teatro uma exposição de pintura da autoria da encenadora, realizadora e pintora Solveig Nordlund, de 64 anos, à qual o TMA dedica o mês de Novembro.
A completar o programa, decorrerá ainda um ciclo de cinema, em que serão exibidos quatro filmes por ela realizados, o primeiro dos quais será, no dia 04, "Comédia Infantil" (2003), uma adaptação de um livro de Mankell com o mesmo nome, editado em Portugal pela Asa.
"É uma história sobre crianças de rua em África, crianças na guerra, é uma história mágica e muito bonita", referiu.
A 13 de Novembro, será projectado o filme "Aparelho Voador a Baixa Altitude" (2002), dia 15 será a vez de "Uma História Imortal" (1992) e, a 19, "Uma História Imortal" (2003).


FONTE: RTP - Lisboa,Portugal

Vladimir Putin lança DVD sobre judo


18:11 - Judo Vladimir Putin lança DVD sobre judo

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, que hoje celebra 56 anos, apresentou um DVD de instrução de artes marciais, no qual partilha o seu entusiasmo pelo judo. O DVD “Let's Learn Judo with Vladimir Putin” (“Vamos aprender judo com Vladimir Putin”) é o resultado da cooperação de Putin com outros entusiastas de judo, incluindo o japonês Yasuhiro Yamashita, antigo campeão mundial e olímpico. O vídeo mostra o primeiro-ministro russo - cinturão negro na modalidade - a atirar um adversário ao tapete e, aparentemente, foi produzido de forma privada. Tem como principais destinatários os estudantes russos de judo. Vladimir Putin, no dia em que completa 56 anos, apresentou o DVD a jornalistas e outros convidados e afirmou que o vídeo é mais do que um mero “truque publicitário”. Quem quer o visualize “não vai aprender judo com o vosso humilde servo, mas com génios reais [da arte marcial]”, disse. Partes do vídeo foram já mostradas na televisão russa: mostram Putin a falar sobre a história e filosofia do judo, bem como alguns movimentos exemplificativos do primeiro-ministro russo. Putin chegou por uma vez a ser campeão de judo na sua cidade natal - São Petersburgo - e não hesita em promover o desporto. O primeiro-ministro russo revelou ainda que o presidente francês Nicolas Sarkozy pretende ter algumas lições de judo. “Ele tem interesse em artes marciais e decidimos fazer algum treino juntos” - citação de Putin publicada pelo jornal francês “Le Fígaro” no passado mês.

FONTE: O Jogo - Porto,Porto,Portugal

Adquiridas cartas de várias personalidades


Biblioteca Nacional
28-10-2008 21:08
Adquiridas cartas de várias personalidades

Diversas cartas de Teófilo Braga, Bernardino Machado, Manuel Arriaga e Teixeira de Pascoais enviadas a Ana Castro Osório fazem agora parte do espólio da Biblioteca Nacional.
Em comunicado, a instituição explica que adquiriu as missivas num leilão no passado dia 25, altura em que estava também para licitação um conjunto de cartas de Marcelo Caetano, que acabaram nas mãos de um particular.Neste mesmo leilão a Biblioteca Nacional ampliou também o seu espolio com manuscritos autógrafos de Camilo Castelo Branco, Fontes Pereira de Melo, António Correia de Oliveira e Eugénio de Andrade.

FONTE: Rádio Renascença - Lisboa,Lisboa,Portugal

terça-feira, outubro 28, 2008

Lya Luft fala sobre processo criativo em Salvador


Lya Luft fala sobre processo criativo em Salvador
Eduardo Vieira, do A Tarde

O universo que envolve os bastidores da criação literária é motivo de curiosidade. A maneira como os variados personagens surgem, o ambiente escolhido pelo escritor para começar a contar as suas histórias, assim como a escolha dos temas, são elementos íntimos e reveladores de cada autor.
Desvendar um pouco sobre este processo criativo é a proposta do Laboratório do Escritor, que chega pela primeira vez a Salvador no próximo dia 15, a partir das 19 horas, no Cine-teatro Casa do Comércio, com entrada gratuita. Quem fala sobre as particularidades da sua criação é a gaúcha Lya Luft, com mais de 20 obras no currículo e responsável por sucessos como "Perdas & ganhos", "Pensar é transgredir" e, o mais recente, "O silêncio dos amantes", lançado no primeiro semestre.
“Eu levo a minha profissão com enorme naturalidade. Mesmo quando tinha meus três filhos em casa, nunca foi: vamos falar baixinho, mamãe está escrevendo. Assim como não faço vida literária. Vivo muito recolhida em minha casa e não faço pose literária” (risos), disse Lya Luft, em entrevista exclusiva por telefone.
Segundo a autora, quando começa a escrever uma obra, apenas um pequeno recolhimento é necessário. “É óbvio que na hora de escrever eu me fecho no meu pequeno escritório. Mas também não é que ninguém possa entrar. Quando minhas netas estão aqui, entram. Eu faço com grande alegria, não escrevo com angústia”.
O Laboratório do Escritor chega à capital baiana como parte do Centro Cultural Banco do Brasil Itinerante e funciona como uma espécie de talk show. Criado em 2006 pelas jornalistas Cristiane Costa e Valéria Lamego, o formato também permite que a platéia participe com perguntas. “O público não é necessariamente de escritor, mas de pessoas que tenham gosto por literatura”, diz Lya, que participou de edições anteriores da iniciativa.
A autora aponta a reflexão de cada obra como o mais difícil. “O processo que mais demora é o de meditar, de deixar que os personagens venham a mim, ver o que eles querem. Só começo a escrever quando o livro quer ser escrito. Em geral, leva de cinco a seis meses. Mas se não posso escrever, se tenho que viajar, não me aflige porque é meu, está dentro de mim. Na hora certa eu retorno”, diz.
Carreira – Escritora de sucesso, não somente no quesito vendagem, como na forma precisa de utilizar a palavra, Lya tem a obra marcada por temas como incomunicabilidade, infância, perdas e outras questões existenciais. Foi assim em livros mais conhecidos, como Perdas & ganhos, mas também em obras como O rio do meio e As parceiras – um dos primeiros da autora, romance publicado em 1980.
“A incomunicabilidade e a incompreensão me chamam a atenção. Sempre fui muito fascinada pelo ser humano, pela vida, por esse mistério, por essa estranheza, inclusive pelo drama existencial. Eu tive uma vida muito protegida, uma infância muito feliz, uma família muito amorosa, mas sempre, por alguma razão, lá da minha genética psíquica, fui fascinada pelo outro lado. Quando as coisas não dão certo, pela solidão, pela frustração que eu via às vezes nas pessoas”, diz.
Segundo Lya, essa frustração vem justamente da observação das várias realidades do ser humano e não tem fundamento em questões difíceis enfrentadas por ela, como a morte de dois companheiros. “Meus primeiros romances foram bem antes da morte de Hélio Pellegrino e da doença longa e morte do meu primeiro marido, de quem me separei e voltei a casar. Não foram romances de sofrimento meu, ao contrário, foram de observação do ser humano e de fascinação e estranheza com as dificuldades”.
Lya Luft começou a publicar obras em 1964, aos 26 anos, mas demorou para se assumir como escritora. “Respeito muito a profissão de escritor. Todo mundo escreve livro e quer ser escritor. Prostituta, atriz, atriz iniciante, jogador de futebol. É moda colocar escritor no currículo. Realmente tinha livros publicados em editoras daqui do Rio Grande do Sul, mas não me considerava escritora. Era uma tradutora que, eventualmente, escrevia”.
A autora escreve uma coluna quinzenal na revista Veja e, entre outros temas, comenta a política. “Eu sou muito descrente. Acho que há uma grande falta de respeito pelos personagens políticos. A culpa é deles mesmos. Nos últimos anos, a dupla corrupção e impunidade nos deixou descrentes”.
Com livros infantis publicados, Lya fala sobre a importância de uma leitura adequada aos pequenos. “Fui criada no meio de livros e acho extremamente importante. Na minha casa, com meus filhos e, hoje, com os netos, livro é instrumento cotidiano. Temos autores extraordinários. E temos muita bobagem, muito livro tolo”, considera.

FONTE: A Tarde On Line - Salvador,BA,Brazil

Brinco por Rinaldo de Fernandes


25/10/2008 23:14:00
Brinco

Por Rinaldo de Fernandes

As lonas.
As lonas amarelas das barracas.
Rostos
cervejas
grama e lama.
A barba do professor no balcão é uma lua boiando na tarde.
E ela ali, sozinha na mesa.
A silhueta petrolina, paulista, não sei.
E o brinco.
Vem o garçom, churrasquinho e gentilezas pra ela.
Hum...
Estudantes, no auditório, protestam.
Ainda polícia no campus?
Passou a onda, ficou a espuma.
Por favor, me deixem nesta barraca, companheiros!...
A silhueta dela.
Entorno o copo, bom...
Apanho a tampinha de cerveja no chão, jogo na direção dela.
Brinco.
Sujo isopor do menino do picolé
tampinha
brinco
pernas passando
camisa do Che
buzina
tampinha
brinco
pano de um circo, longe
copa do oiti
tampinha
sol no tampo da mesa
brinco
grama mole
tampinha
cheiro de cebola
brinco
brinco
brinco
Que bom!...
Quero um churrasquinho também.
Hoje mais nenhuma palestra, desenredos, ufes!
O escorrego.
A bunda na grama daquela lá.
Já falei — por aí tem lama.
O ramo da lama na bunda.
Mais uma aqui, garçom!
Uma vez mais, brinco, jogo-lhe uma tampinha.
Ela nem se mexe: bebe sua branca vodca.
Vou mijar nos jardins da biblioteca.
Mijo na garganta da flor.
Volto.
Ainda ali, na mesa, rima deste congresso, ela — sozinha.
Ainda ali, o brinco: breve e agudo.
Jogo mais uma tampinha.
Brinco que não faísca.

Às cinco da tarde, quando o sol já cai por trás das marquises e copas das árvores, pára um carro ali rente ao meio-fio. O brinco então balança, sorri e segue para o carro. É só aí que percebo que ele não é único. O outro, que lhe forma o par, o espera ali ao volante.

Rinaldo de Fernandes é contista, romancista e antologista. Autor do livro de contos O perfume de Roberta (Rio de Janeiro: Garamond, 2005), do romance Rita no Pomar (Rio de Janeiro: 7 Letras, 2008) e organizador, entre outras, da antologia Capitu mandou flores: contos para Machado de Assis nos cem anos de sua morte (São Paulo: Geração Editorial, 2008). Em 2006 obteve o Prêmio Nacional de Contos do Paraná com o conto “Beleza”.

FONTE: Portal de Literatura e Arte Cronocópios

Os homens e demais primatas preferem as mulheres de vermelho

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Os homens e demais primatas preferem as mulheres de vermelho
28/10 - 15:22 - AFP

Os homems são bastante atraídos sexualmente por mulheres que usam o vermelho, como acontece com outros primatas machos tais como os chimpanzés e os babuínos, segundo estudos publicados nesta terça-feira nos Estados Unidos. Sem negar que os efeitos afrodisíacos do vermelho sejam, em parte, produto de um condicionamento social, o trabalho revela que a resposta sexual dos homens a essa cor se explica provavelmente por uma reação com raízes biológicas profundas.

Entre babuínos e chimpanzés, as fêmeas ruborizam, por exemplo, de maneira evidente quando ovulam, lançando, com isso, uma mensagem sexual muito clara para atrair o macho. "Nossa pesquisa estabelece um paralelo na maneira pela qual primatas machos humanos e não-humanos reagem ao vermelho", escrevem os cientistas da Universidade de Rochester (Nova York, leste) que tiveram seu estudo divulgado na edição do Journal of Personality and Social Psychology deste 28 de outubro.

"Ela confirma as antigas suspeitas de muitas mulheres, a de que os homens agem como os demais primatas no domínio sexual", acrescentam.

"Embora os homens gostem de pensar que eles reajam ao charme feminino de maneira atenciosa e rafinada, parece, pelo menos em alguns pontos, que suas preferências e predileções sejam, numa palavra, primitivas", prosseguem os pesquisadores.

Os psicólogos realizaram diferentes experiêncis mostrando a homens com mais de 20 anos fotografias de mulheres. Em todas as circunstâncias apresentadas nesses testes, as mulheres vistas numa fotografia com a borda em vermelho, ou usando roupas vermelhas, foram consideradas mais atraentes e mais desejáveis sexualmente que as mesmas mulheres mostradas com outras cores.

Quando ela usa vermelho, é com mais freqüência convidada a sair e levada aos locais mais caros.

Embora o vermelho tenham ampliado os sentimentos positivos nesta pesquisa, outros estudos realizados anteriormente levam a pensar que as cores podem suscitar diferentes reações, segundo o contexto.

Assim, a cor vermelha em competições esportivas ou durante exames escritos é associada a maus resultados, destacam os autores deste estudo, entre eles Andrew Elliot, professor de psicologia na Universidade de Rochester.

FONTE: Último Segundo - São Paulo,SP,Brazil