terça-feira, agosto 19, 2008

UM OUTRO OLHAR SOBRE O NOSSO JUDÔ EM PEQUIM

Ketleyn Quadros em ação

UM OUTRO OLHAR SOBRE O NOSSO JUDÔ EM PEQUIM

O judô de escola japonesa, ou o judô mais tradicional como queiram chamar. Tomava como um dos seus princípios algo que dizia: "nunca te orgulhes de haver vencido um adversário, aquele que venceste hoje poderá vencerte amanhã, a única vitória que perdura é aquela obtida sobre a própria ignorância".

Lendo isto, sempre tive a impressão, que aqueles que competem impregnados por certa obcessão pela vitória, acabam se afastando das condições ideais para alcançar grandes resultados.

O Brasil foi a Pequim competir no judô seriamente curvado pela responsabilidade de trazer de volta um pote de ouro, mas não é atrás do ouro que corre o judô.

Alguém viu no judô brasileiro comportamento vergonhoso, algo que sugira falta de empenho, de compromisso com o próprio esporte, ou ficamos com aquela impressão curiosa de que, se tudo acontecesse de novo vários resultados poderiam ter sido diferentes?

Eu não sou cronista de judô, nem tampouco atleta com passado que possa me credenciar para o que quer que seja, aprecio o judô como quem aprecia a poesia, com sentimentos de apreciador.

Ideograma do vazio
Mas, para quem vem sendo despertado para a modalidade, e quer saboreá-la da forma que sinto ser a melhor, gostaria de trazer um pouco da história de um lendário samurai japonês chamado Miyamoto Musashi.

Musashi nasceu na aldeia de Miyamoto, província de Mimasaka, e se chamava Musashi Fujiwara. De seu pai, Shinmen Munisai, um pequeno fidalgo rural, teve as primeiras lições com a espada. Aos treze anos, travou seu primeiro duelo, vencendo o então famoso espadachim Arima Kibei.

Além de ter sido um duelista imbatível, Musashi também se dedicou a outras artes, como a caligrafia e a escultura, e chegou a escrever livros sobre esgrima e estratégia. Seu tratado mais conhecido é o Gorin No Sho (Livro dos Cinco Elementos).

Em seu Livro dos Cinco Elementos, capitulado no Livro do Vazio quase como um ápice na formação de um samurai, diz Musashi sobre "... o que não tem princípio e não tem fim. Atingir este princípio significa não atingir este princípio". Fala com isto que a concentração absoluta é na verdade o alheamento absoluto.

Nestes nossos tempos de cronômetros, táticas, de obrigar os adversários a cometer faltas, esta lição, dada pouco depois da descoberta do Brasil, tão parecida com conceitos modernos da psicanálise, aponta para um erro moderno na prática do judô.

O judoca, competindo, tem que estar totalmente concentrado, mas, nada obstante, alheio, o que não é possível na obcessão por resultados, adversários e cronômetros.

Musashi não conhecia psicologia desportiva, não tinha curso superior, mas era um artista, um guerreiro, e se manteve vivo com esta concepção.

Paisagem pintada por Miyamoto Musashi (1584-1645)

Saboreando o judô brasileiro nas Olimpíadas de Pequim, de vitórias e derrotas, júbilos e manifestações de pesar. Colhi, uma presença - ou seria uma ausência - que me fez sorrir tranquilo da convicção que tenho: "o olhar de Ketleyn Quadros".

Miyamoto Musashi, conce~ção do mangá vagabond
Para aquela jovem atleta mineira (que tem também um lindo sorriso), tudo estava ali, mas ela estava absolutamente só, e, quem a viu lutando, teve a absoluta clareza de que não haveria táticas, cronômetros e temores, mas uma guerreira, com um olhar milenar, sobre adversários e cenários que significavam tudo, mas nada significavam...

O sorriso de Ketleyn

Enfim ... quem não pode encontrar o que queria no judô brasileiro em Pequim, talvez pudesse ser beneficiado por um outro olhar.

FONTE: http://judoepoesia.blogspot.com/

quinta-feira, agosto 07, 2008

PECHINO2008: JUDO, SUL TATAMI LE STAR RINER E ISHII


PECHINO2008: JUDO, SUL TATAMI LE STAR RINER E ISHII

(AGI/AFP) - Pechino, 7 ago. - Il campione del mondo dei pesi massimi francese Teddy Riner incontrera' sul tatami l'astro nascente del judo nipponico, Ishii Satoshi: i due giovanissimi atleti (19 e 25 anni) competeranno infatti nella stessa categoria di peso, sorteggiati in due gruppi diversi. Ma l'estrazione ha riservato sorprese interessanti anche per le altre categorie. Il campione europeo, l'austriaco Ludwig Paischer potrebbe affrontare al secondo turno della classe 60kg il campione del mondo olandese Ruben Houkes. Nei 73kg il campione europeo belga Dirk van Tichelt affrontera' l'argento mondiale Elnur Mammaldie, dall'Azerbaijan, nel match d'apertura. Il greco Ilias Iliadis, che ha vinto l'oro della categoria 85kg ai Giochi di Atene, affrontera' il campione europeo Michael Pinske, tedesco, medaglia d'oro mondiale nel 2000.


FONTE: AGI - Agenzia Giornalistica Italia - Roma,Italy

Judo : Riner gâté par le tirage

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Rédaction le 07/08/08 à 18:16
Judo : Riner gâté par le tirage

Effectué jeudi soir à Pékin, le tirage au sort des épreuves olympiques de judo a été relativement clément avec les français. Grand favori des plus de 100kg, le champion d'Europe et du monde Teddy Riner se retrouve dans une partie de tableau délestée du Russe Tamerlan Tmenov et du Japonais Satoshi Ishii.
Si la meilleure chance de titre du judo français, Teddy Riner (+100kg), a été relativement épargné par le tirage au sort du tournoi olympique, ce n'est pas le cas de tous ses compatriotes. Hormis la seule judokate médaillée il y a quatre ans à Athènes, Frédérique Jossinet (-48kg), qui ouvrira le bal samedi contre la Kazakh Kelbet Nurgazina, les Bleus auront fort à faire. A l'image de Lucie Decosse (-63 kg), qui se retrouve dans un tableau avec toutes ses rivales des dernières grandes compétitions internationales.
S.C.


FONTE: Ouest-France - Rennes,France
http://www.ouest-france.fr/

COB anuncia Andressa Fernandes na vaga da judoca Érika Miranda



07/08/2008 - 12h41
COB anuncia Andressa Fernandes na vaga da judoca Érika Miranda

da Folha Online

Após dois dias, a judoca Andresa Fernandes foi inscrita pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro) na Olimpíada de Pequim-2008, substituindo Érika Miranda, que foi cortada na terça-feira em virtude de uma lesão nos ligamentos cruzado anterior e colateral medial do joelho direito.
A atleta viaja ainda nesta quinta-feira e chega a Pequim no sábado. Ela disputa a categoria meio-leve (até 52kg) e tem estréia na competição prevista para o domingo.
"Tive esses dois dias de angústia, mas a espera valeu a pena. É uma recompensa após vários anos de treinamento", disse Andressa Fernandes em entrevista ao canal Sportv.
Mesmo ausente do período de aclimatação com a delegação brasileira, que aconteceu no Japão, a judoca demonstra confiança. "Estou com muita vontade. Vou procurar fazer o meu melhor e tentar trazer uma medalha", afirmou.
A CBJ (Confederação Brasileira de Judô), através da treinadora da seleção brasileira feminina de judô, Rosicleia Campos, afirmou que a demora para a inscrição da atleta foi devido aos trâmites que são exigidos pela organização do evento.
"Em nenhum momento a CBJ desconsiderou trazer a Andressa. Mas acima da CBJ existe o COB, a FIJ (Federação Internacional de Judô) e o COI. Não poderíamos tomar uma decisão e depois não conseguir trazê-la", explicou.
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FONTE: Folha Online - São Paulo,SP,Brazil

OS Judo: Zware loting voor Van Tichelt en Jacques


OS Judo: Zware loting voor Van Tichelt en Jacques

PEKING - Judoka's Dirk Van Tichelt (-73 kg) en Catherine Jacques (-70 kg) hebben op de Olympische Spelen in Peking een uiterst sterke tegenstander geloot. Europees kampioen Van Tichelt komt in de eerste ronde uit tegen de Azerbeidzjaan Elnur Mammadli, die zilver pakte op het wereldkampioenschap 2007. Jacques treft de Italiaanse Ylenia Scapin, de Europese kampioene van dit jaar.

De 20-jarige Mammadli stond al twee keer tegenover Van Tichelt. De Antwerpenaar verloor dit jaar op de Super World Cup in Hamburg, maar won vorig jaar op het Europees kampioenschap.

De 33-jarige Scapin behaalde de Europese titel in Lissabon (waar Jacques zevende werd). Ze pakte olympisch brons in 2000 en 1996. Eerder dit jaar versloeg ze Jacques al op de wereldbeker in Warschau.

'Er zijn natuurlijk heel wat gemakkelijkere tegenstanders om tegen te starten', reageert coach Danny Belmans. 'Het wordt voor allebei een topmatch, maar dit zijn natuurlijk de Spelen.' 'Toch is het een raar systeem. Bij de loting wordt enkel rekening gehouden met de uitslag van het laatste wereldkampioenschap. Zo is het mogelijk dat de eerste van de wereld (Mammadli) uitkomt tegen de tweede (Van Tichelt). Maar ik denk dat beide Belgen in staat zijn om te winnen. Al heb ik minder zicht op Scapin, want die heeft zich dit jaar wat verstopt.'

De competitie van Dirk Van Tichelt staat geprogrammeerd op maandag 11 augustus, die van Catherine Jacques op woensdag 13 augustus..
ivb

FONTE: De Standaard - Groot Bijgaarden,Belgium

Brasileiros do judô conhecem primeiros adversários

Born on time .
By:
Patrick Desmet View Full Portfolio (94 images)

Brasileiros do judô conhecem primeiros adversários
Publicado em 07.08.2008, às 12h41
Os brasileiros Denilson Lourenço e Sarah Menezes conheceram nesta quinta-feira seus primeiros adversários no judô em Pequim. Os dois competem na categoria ligeiro e estréiam no sábado. Lourenço não deu sorte. Como há 33 atletas inscritos, 31 têm vaga direta na segunda rodada, e dois disputam uma luta a mais, para poder entrar na disputa. Foi o caso do brasileiro, que terá pela frente o ucraniano Maksym Korotum, que venceu a etapa de Praga da Copa do Mundo neste ano
O jovem Sarah Menezes, de 18 anos, fará sua estréia olímpica diante da húngara Eva Csernoviczki, medalhista de bronze no Campeonato Europeu e sétima colocada no Mundial da modalidade em 2008.
Fonte: Agência Estado

terça-feira, agosto 05, 2008

AYAHUASCA, HALLUCINOGENE OU ENTHEOGENE ? LA REVANCHE DES CHAMANES AMAZONIENS

(Peinture tentant de représenter des visions sous ayhahuasca-

NEWS NEWS NEWS L’ayahuasca est un breuvage hallucinogène, purgatif et hypnotique utilisé courrament par les chamanes azoniens. Depuis quelques années, beaucoup d’Européens s’intéresent à cette boisson stupéfiante, pour des raisons diverses - du “trip” à la mystique. Si bien que des « ayahuasca tours », assistés par des prétendus « chamanes », se développent en Amazonie depuis quelques étés. En marge, de nombreux voyageurs passionnés par les psychotropes et les « plantes sacrées » tentent d’approcher les chamanes par eux-mêmes. Ce n’est pas évident. Dans ces pays, le gringo signifie « dinero ». En même temps, des centres luxueux s’ouvrent dans toute l’Amérique amazonienne proposant des semaines d’épanouissement où l’ayahuasca est au menu.
Cette nouvelle vogue pour les chamanes, souvent mâtinée de « développement personnel » et de romantisme écologique, fleurit aussi dans les essais (des dizaines en français, du sérieux au fumeux) et la littérature. Côte cinéma, le pionnier, Oliver Stone présentait un Jim Morrison sous influence chamanique dans son film « The Doors » (1991). Depuis, Yan Kounen a réalisé « Blueberry »(2004), avec son duel sous ayahuasca, et un documentaire sur les chamanes Shipibo, « D’autres mondes » (2004). Yan Kounen vient de publier avec l’anthropologue Jeremy Narby - auteur du « Serpent Cosmique » (Georg), un best seller peu scientifique mais passionnant sur l’ayahuasca – et Vincent Ravalec – auteur de « Bois sacré. Initiation à l’iboga » (Diable Vauvert, 2004) -, un livre d’entretiens : « Plantes et chamanisme » (Mamaeditions, 2008). De son côté, la musicienne française Corine Sombrun raconte avec humour son initiation en Mongolie dans « Journal d’une apprentie chamane » (Pocket, 2004).
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(Le chamane Kajuyali Tsamani en Hollande)

REPORTAGE…
Kajuyali Tsamani verse le jus noir d’une bouteille dans un seau de plastic. C’est une décoction d’ayahuasca, le mystérieux breuvage des chamanes amazoniens. Il ajoute trois bons litres d’eau, remue à la spatule, une mousse marron apparaît. Kajuyali Tsamani est un « curandero », un guérisseur de la Colombie andine. La mixture ressemble à du chocolat. Je goûte. Très amère. « Je la caramélise pour mieux la conserver, et lui enlever son amertume » explique-t-il, souriant - il sourit toujours. Il porte une chemise blanche, un chapeau perlé, une bague à tête de jaguar. Nous quittons la petite tente pour rejoindre le grand marabout où doit se dérouler la « cérémonie ». Nous sommes dans la campagne hollandaise…
À l’intérieur, les organisateurs de ce cinquième « week-end ayahuasca » - 400 amateurs européens - ont voulu créé une ambiance « chamanique ». Un grand totem fait de peaux de mouton, de cornes de vache et d’ossements garde l’entrée. Au milieu, une fourrure mitée, des parures de plumes, des cristaux, des congas entourent un jaguar en plâtre. Cela fait assez mauvais western. Tout autour, une quarantaine de personnes attendent, enfoncés dans des sacs de couchage. Cadres en costume et artistes chevelus, étudiants, gens chics et routards. Des Allemands, Belges, Espagnols, Français, Hollandais, Lituaniens. De vingt-cinq à quarante-cinq ans. Moitié de femmes. Certains ont pris des champignons hallucinogènes à Bali, de la mescaline au Mexique. C’est au tour de l’ayahuasca. C’est 100 euros le verre. Une nuit de visions garantie.
Les effets stupéfiants de l’ayahuasca semblent terriblement puissants, à les écouter - comme à lire les reportages et récits touristiques, ouvrages sérieux ou « new age », sites de vente directe ou ethnologiques, publiés depuis que la vogue pour le chamanisme gagne l’Europe. Car beaucoup en ont pris la veille. Un Français dit s’être roulé dans la terre, en avoir mangé, s’être transformé en animal. C’était terrifiant, mais une « révélation ». Laquelle ? « J’ai été confronté à mes peurs les plus archaïques, et je les ai affrontées. » Un musicien allemand a éprouvé l’impression que des racines envahissaient son cerveau, puis se transformaient en serpents. Qu’a-t-il appris ? « Mon ego a dû abdiquer, s’abandonner aux visions. C’est comme si je visitais mon esprit. » Une jeune femme raconte avoir été assailli par des visions extraordinaires de fleurs et de végétations en mouvement, et la lune a murmuré son nom. Pourquoi veulent-ils prendre une drogue si forte ? En reprendre ce soir ? Qu’est-ce qu’ils cherchent ?Sous le marabout, certains avouent chercher un « bon trip ». D’autres, non sans romantisme, rêvent de redécouvrir un savoir visionnaire oublié, préservé par les chamanes et la fotêt. Plusieurs en parlent comme d’une expérience mystique. Certains veulent explorer leur inconscient. Ce soir, tous escomptent des révélations. C’est de « l’anarchisme spirituel » dit un peintre espagnol.Comment l’organisateur, un voyageur hollandais, voit-il cet engouement ? « C’est la plante qui appelle les gens. C’est difficile à expliquer ».

(Sous le marabout, la “cérémonie” va commencer)

Le "ministre du Diable"
« Chaman » ou « shaman » est un mot d’origine sibérienne. « Saman » en toungouse signifie « Celui qui gesticule », et évoque l’action de se comporter comme un animal en rut au cours d’une danse magique. Car le « shaman », à la fois guérisseur et figure puissante, sait entrer en contact avec le monde surnaturel et les esprits des animaux, afin d’y intercéder pour les hommes. En deux siècles, le terme a connu une notoriété et une polysémie extravagante. Au XVIIIe siècle, dans l’Encyclopédie, Diderot le pourfendeur des superstitions décrit le « schaman » sibérien comme un prètre imposteur s’appuyant sur la peur et la jonglerie. Un siècle et demi plus tard le « chamane », reprimé comme « ministre du diable » par les missionnaires, devient un personnage clef de l’anthropologie. C’est l’« homme médecine », le « féticheur », le « sorcier » que l’on semble retrouver dans toutes les sociétés animistes. Qui est-il ? Un prètre ? Un guérisseur ?En 1949, Claude Levi Strauss le présente comme un thérapeute et un magicien, et le compare au psychanalyste : « Etrange mélange de pantomime, de prestidigitation et de connaissances empiriques, ou l´on trouve mêlés l´art de feindre, l´évanouissement, la simulation de crises nerveuses, l´apprentissage de chants magiques, la technique pour faire vomir, des notions assez précises d´obstétrique, l´emploi d´espions.» (Le sorcier et sa magie, Temps Modernes). À l’inverse, en 1950, l’historien des religions Mircea Eliade fait du chamane le maître du sacré et des plantes psychotropes. « Le chamane est un psychopompe, spécialiste de la maitrise du feu, du vol magique et la transe extatique pendant laquelle son âme est censée entreprendre des ascensions et des descentes infernales » (« Le chamanisme et les techniques archaïques de l’extase »). Par la suite, cette image mystique du chamane expert en substances magiques, s’est répandue dans les milieux des voyageurs et de la contre-culture des années 1970, puis dans le mouvement « new age » et holistique – voyez le livre de Jéremy Narby sur l’ahayuasca, « Le serpent cosmique ».Aujourd’hui, anthropologues et ethnologues refusent de parler d’un chamanisme universel, et l’emploi du mot « chamane » à toutes les sauces les énerve. Eux s’acharnent à décrire des religions animistes pleines de diversité, des traditions médicinales différant selon les ethnies et les régions, plus encore selon les continents, sans parler des chamanes urbains. Ils refusent d’associer à chaque fois le chaman et l’usage des stupéfiants - comme le dit l’ethnologue Jean-Loïc Le Quellec (CNRS), spécialiste de l’art rupestre saharien, l’homme n’a pas besoin d’être en transe pour éprouver le sacré, ou décorer magnifiquement des grottes. Il ajoute, moquant cette nouvelle « chamania » : « Appeler « shamans » tous ces gens, c’est finalement prendre le risque de nier leur diversité, et renouveler les anciennes visions réductionnistes de l’humanité, en donnant un nouveau nom à ces « Autres » qu’on appelait naguère « Sauvages » ou « Primitifs.»

(Chamane shipibo)

« L’épice » du roman « Dune »
Il reste que dans l’Amérique centrale, le Mexique et la Grande Amazonie, les « curanderos » utilisent des champigons hallucinogènes (le psylocibe mexicana) et l’ayahuasca dans leurs cérémonies de guérisons – et de nombreux ethnologues les appellent des « chamanes ». On en voit plusieurs mener une cérémonie de solstice d’été chez les Indiens Shipibo-Conibo, dans le documentaire de Jan Kounen, « Autres mondes » (Ajoz Film). La cérémonie, très impressionnante, se passe la nuit. On y entend des chants psalmodiés (les fameux « icaros »), des percussions, on voit des gens rêver éveillés. On découvre aussi Jan Kounen pris d’une frayeur immense, secouru par un curandero. Pourquoi ces Indiens ont-ils « fasciné » le cinéaste ? Pourquoi participe-t-il à leurs cérémonies de prise d’ayahuasca une fois par an depuis sept ans ?Jan Kounen était invité au « World Psychedelic Festival » de Bâle consacré à « L’héritage des chamanes » (70 chercheurs et artistes invités) en mars dernier. Rendez-vous était pris : « Je suis venu à m’intéresser aux chamanes à cause de la science-fiction, l’héroic fantasy. J’adorais les romans de K.Dick, les bandes dessinées allumées de Moebius et Jodorovsky, tous ces univers extraordinaires. Par dessus tout, j’adorais « Dune », le roman de Frank Herbert, où une planète produit une « épice » qui modifie la conscience. Cette substance me captivait, je ne comprenais pas pourquoi. Ensuite, j’ai commencé à m’intéresser aux états modifiés de conscience, tout en étudiant le cinéma. Un film m’a marqué, « Au-delà du réel » de Ken Russel, où le héros va à la rencontre des Indiens, pour prendre avec eux une boisson hallucinogène. Je me suis dit, au vu des effets décrits, qu’il existait de véritables voies d’accés au fantastique. Après avoir réalisé « Doberman », il fallait que je découvre le sens de mon existence. J’ai voyagé en Inde, au Tibet. Je suis allé voir les Indiens, comme le héros de « Au-delà du réel ». C’est là que j’ai rencontré les chamanes et l’ayahuasca. »Qu’a-t-il appris d’eux ? Que lui est-il arrivé pendant la « cérémonie » chez les Shipibo ? « Pendant les cérémonies du solstice, j’ai vécu une expérience de « mort imminente », je suis passé de l’autre côté de la vie. Heureusement Quetsembetsa le chamane m’a protégé. Quand je suis revenu d’Amazonie, tout ce que je savais me semblait factice. Je n’étais plus un cinéaste de retour de repérage, mais un type ébranlé. J’ai appelé mes producteurs, qui finançaient mon voyage : « Venez avec moi en Amazonie, vous allez faire une expérience incroyable. C’est beaucoup plus important que le cinéma. » Evidemment, ils ne l’ont pas bien pris ! »À la même époque, Jan Kounen prépare le western « Blueberry », un des plus lourds budgets du cinéma français, qui se termine par un long duel d’entités apparues sous ayahuasca. Ce qui a dérouté beaucoup de spectateurs, et plus encore les producteurs. Pourquoi cette accumulation d’effets psychédéliques ?« Je ne veux surtout pas faire de prosélitisme. Mon histoire avec l’ayahuasca fut une experience très éprouvante, je ne la conseille à personne. Blueberry, dans le film, serait mort si le chamane n’allait pas le chercher. J’ai voulu que le message soit clair : ne prenez pas ces plantes sans guide. En même temps, je voulais en montrer la puissance magique, comment elle nous transforme. Par la suite, dans ma vie, suite à mes rencontres avec les chamanes, j’ai su comment mieux affronter mes peurs. C’est une des leçons de ces voyages, enfin pour moi. »


(Jan Kounen et le chamane Shipibo qui l’a initié)

La Maison du Jaguar
Kajuyali Tsamani aussi était l’invité du forum sur le chamanisme de Bâle. Il n’est pas un « curandero » ordinaire. S’il exerce ses soins près de la petite ville de Chahagui, en Colombie andine, il est aussi un anthropologue diplômé de l’Université Nationale de Colombie. Il a publié en 2004, à Bogota (ed. Zahir), « La gente del jaguar », où il traite de la symbolique du félin chez les Incas et présente la mythologie de la nation Kogi. Il participait en mai 2006 avec des psychologues, des neurologues, des médecins, au congrés international « Cultura y droga. Una mirada adentro » organisé par la société d’ethnopsychologie de Colombie. Comment l’anthropologue William Torres Carvajal est-il devenu le « curandero » Kajuyali Tsamani ? L’est-il vraiment ? Ou refait-il aux Occidentaux l’imposture géniale de Carlos Castaneda, l’anthropologue péruvien qui inventa les histoires initiatiques d’un sorcier Yaqui, Don Juan Matus, rompu aux stupéfiants naturels comme à voir l’invisible – un best-seller chez les hippies des années 1970 ?Kajuyali Tsamani a répondu à ces questions avec une douceur désarmante : « Après mes études d’anthropologie, en 1980, j’ai vécu deux ans avec les Kogis réfugiés dans la Sierra Nevada de Santa Marta, que je veux saluer ici. Ils vivent en dehors du monde, leur culture pré-colombienne a résisté aux Espagnols, ce sont des gens pacifiques et d’une grande spiritualité. Leurs chamanes m’ont accepté. C’est pour moi un grand honneur. Ensuite, pendant dix années, j’ai fréquenté les Indiens Sikuani, les Kofan, les Siona, les Muinane, les Huitoto. Les « abuelos » (les maîtres) m’ont enseigné à reconnaître les plantes curatives, préparer les parfums, les décoctions, les poudres à priser. Avec eux, j’ai appris les rituels du tabac, du yopo et la coca. Enfin, dans la vallée de Sibundoy, j’ai été initié à l’ayahuasca avec le « curandero » Taita Martin Agrada, qu’il soit honoré. »Beaucoup des informations que donne Kajuyali Tsamani se recoupent : par exemple on retrouve les noms des « abuelos », comme le vieux curandero « Taita Martin », dans les études ethnologiques de l’université de Colombie. Kajuyali Tsamani lui-même a fondé à Chachagui un centre de recherche sur le chamanisme, « La maison du Jaguar », où il forme des élèves. Il a écrit un livre sur l’ayahuasca, publié en Allemagne et en Colombie. Pourquoi selon lui un tel breuvage hallucinogène est-il utilisé comme remède par les plupard des ethnies indiennes de l’Amazonie – on l’appelle « yagé » au Pérou, « datem » en jivaro, « hunao » chez les Huitoto, « Mii » chez les Huaorani ? « Ayahuasca vient du quechua « aya », ancêtre, âme, défunt, et « huasca », liane, corde. Pour nous, l’ayahuasca contient l’énergie des esprits anciens, elle est le lien qui nous réunit à eux. Elle nous aide à communiquer avec nos parents, nos ancêtres. Selon notre mythologie, c’est une nourriture fondamentale offerte par la Mère Terre. D’après l’archéologue écuatorien Plutarco Narajo, elle est utilisée en Amazonie depuis deux à quatre mille ans comme médecine et plante magique. Quant à ses effets, c’est d’abord une plante purgative et laxative. Nous l’appelons « la purga », la purge. En Colombie, les habitants en prennent quand ils ont des fièvres, souffrent d’alcoolisme, se sentent mal. Mais pour un « curandero », la maladie n’est pas seulement physique, elle revèle que le patient ne respecte plus certaines règes, ne vit plus en harmonie avec la nature ou ses proches. L’ayahuasca lui donne accés aux « esprits » des animaux, à leur puissance, elle lui montre les forces invisibles à l’oeuvre dans les arbres, les montages, la nature. Elle revisite le passé, fait revenir les parents disparus. C’est un voyage intérieur qui l’aide à remettre les choses à leur bonne place. »Pourquoi Kajuyali Tsamani mène-t-il des « cérémonies » en Europe ? L’initiation à l’ayahuasca lui semble bénéfique à tous. Et puis, il y a la loi de l’offre et la demande. Abandonne-t-il ses malades de Chachagui, en Colombie andine, au profit des riches Européens ? Non, il continue à vivre là-bas.



Le recouvrement d’âme


Le recouvrement d’âme
Dans l’Amazonie indienne, la médecine traditionnelle des chamanes demeure la première méthode de guérison, et la moins coûteuse. Les « curanderos » sont d’abord des rebouteux, des masseurs, des sage-femmes, qui préparent des décoctions, des emplâtres. Ce sont aussi des thérapeutes qui soignent « l’âme » du malade avec les plantes psychotropes comme le « chiric sinango » (une solanacée qui guérirait le « froid au cœur »), le tabac et l’ayahuasca. Il appelle encore la chance sur un commerce, un enfant, les récoltes, place quelqu’un sous la protection d’une « arcane » (une défense), ou bien fabrique des « pusangas » (des charmes) pour attirer l’amour, ou lance des « virotes », des fléches invisibles. Nous entrons là dans la sorcellerie. Car le chamane est aussi un personnage ambigu, capable de magie noire, craint, souvent tenu à l’écart. Au Pérou, on l’appelle « pandra », guérisseur, « sandatia », sage, mais aussi « metia nepuyéra », « jeteur de sorts ».La médecine traditionnelle d’Amérique Latine, longtemps méprisée en Occident, a commencé à être étudiée sérieusement à partir des années 1970. Depuis le début des années 1990, une nouvelle vague de chercheurs pluridisciplinaires, anthropologues, ethnologues, psychologues, éthnobotanistes, s’y attelle, n’hésitant pas à consommer les substances pour mieux comprendre. Ainsi l’anthropologue américain Michael Harner, qui a pris de l’ahayahuasca avec les Shipibo, pense que la « curacion » joue un rôle de guérison cathartique. Une de ses disciples, la psychologue Sandra Ingerman, devenue une figure du « développement personnel », parle de « recouvrement d’âme » et de réunification du soi après un traumatisme. L’anthropologue colombien Luis eduardo Luna et l’américain Michael J. Winkelman parlent d’un effet « pyschointégrateur ».En France, l’anthropologue Patrick Deshayes (Paris VII) décrit chez les derniers Huni Kuin (Brésil, Pérou) des rituels d’ayahuasca où l’on affronte et revit des peurs profondes qui vont être maitrisées, dominées grâce au chamane. La psychoanthropologue américaine Marlène Dobkin de Rios a cotoyé dix ans les guérisseurs de Belen (Pérou) les assimilent à une puissante séance d’hypnothérapie utilisant des techniques classiques de suggestion et de visualisation. Des études menées par le psychiatre américain Charles Grob (Hoasca Projet, 1992) auprès de 15 volontaires brésiliens prenant un « thé à l’ayhuasca » toutes les deux semaines depuis 10 ans ont montré une santé solide, de la confiance en eux, un optimisme à vivre - et ont mieux réussi les exercices de mémoire verbale que le groupe test.



Les plantes enthéogènes
Les plantes enthéogènes
Comment l’ayahuasca agit-elle ? Que dire de sa composition chimique ? Quelles plantes entrent dans sa composition ? Nous en savons plus, maintenant que des biochimites et neuropharmocologues étudient les plantes dites « anthéogènes », nom qu’ils préfèrent à « hallucinogène ». Enthéogène ? Le terme provient du grec « theos », dieu, associé à « gen », engendrer, et « en », à l’intérieur de soi. Le célébre banquier passionné de mycologie, Gordon Wasson, en a donné cette définition : « Libération ou expression du divin à travers de soi ». Les études descriptives ont suivi. Sont dites enthéogènes les substances qui déclencent des effets psychiques proches de ceux éprouvés et décrits par les mystiques : effroi sacré, intemporalité, contact ou fusion avec une présence puissante, innéfabilité, sentiment de joie ou d’extase, revisitation du passé, coexistence des contraires, certitude de la vie de l’âme après la mort, conscience de voir agir la conscience.De fait, les exemples historiques d’usages mystiques des plantes ne manquent pas : Gordon Wasson a découvert les champigons appelés « chair des dieux » (teo-nanacatl) dans les légendes des Nahua du Guatemala. Il affirme que le « soma » chanté dans les Rig Véda hindous, breuvage enivrant qui rend immortel, était fabriqué à partir d’anamite tue-mouche. Le chimiste Albert Hofman, découvreur du LSD (présent dans l’ergot du seigle), pense que les « religions à mystère » utilisent des psychotropes, comme les célébres « mystères d’Eleusis » en Grèce : le « kikeon », l’offrande à base de céréales consommée pendant l’initiation contenait apparemment du seigle moisi. Quant aux cérémonies en l’honneur de Dionysos, les phallophories, elles n’allaient pas sans amphores de vins et de boissons psychoactives.Depuis peu, les recherches sur les enthéogènes se sont focalisées sur l’ayahuasca. Le terme désigne une liane florescente, Banisteriopsis caapi – et queques autres de la même famille. Elle est préparée en décoction, toujours mélangée avec des feuilles d’un arbustre proche du caféier, la « chacruna » (psychotria viridis). Ce breuvage s’appelle aussi « ayahuasca ». Quelquefois, le chamane ajoute d’autres plantes psychoactives, cannabis, datura, brugmansia, chiric sanango, graines de volubilis, chacun sa recette. Cela donne des boissons aux effets différenciés. D’après le curandero Taita Martin Carveja : « Il faut apprendre à reconnaître les différents types de yagé. Avec le culebra-guasca, que je n’aime pas parce qu’il est maléfique, on voit des serpents. Avec le mono-guasca, des singes. Avec le curi-guasca et l’indi-guasca, qui sont ceux que j’utilise, on voit des gens. »L’analyse chimique explique comment opère ce coktail. Les feuilles de « chacruna » contiennent à haute dose du dymethiltritamine ou DMT, un alcaloïde peu connu, aux effets psychédéliques puissants. On trouve ce même DMT dans le « yopo », la poudre à priser hallucinogène utilisée par les Yanomanis – et certains dealers californiens le synthétisent (c’est une « design drug »). Normalement, le DMT mangé ne libère aucun effet hallucinatoire chez l’homme, car un enzyme de notre intestin le bloque. Or, comme l’a montré le pharmacologiste Dennis McKenna, les deux substances présentes dans la liane ayahuasca, les alcaloïdes « harmine » et « harmaline » inhibent cet enzyme. C’est là le génie de la recette chamanique : en ajoutant de l’ayahuasca à la chacruna, le DMT peut libèrer ses effets dans le corps l’humain. En même temps l’harmine et l’harmaline étant des psychédéliques, elles redoublent l’effet stupéfiant du DMT. Voilà pourquoi l’amère ayahuasca, breuvage combinant au moins trois alcaloïdes hallucinogènes, agit si fortement sur le cerveau du grand singe humain. On comprend que plusieurs sociétés pharmaceutiques, notamment l’américaine « International Plant corporation », aient tenté de s’arroger sa propriété en déposant des brevets décrivant des recettes indigènes, comme le « Sangre de Drago ».

(Ayahuasca, la liane)

Des “ayahuasca tours”
« Aujourd’hui, un médicament sur deux est d’origine végétale, et les trois-quart d’entre eux ont d’abord été expérimentés par les médecines traditionnelles… explique Dennis McKenna en ethnobotaniste qui sillonne le bassin amazonien depuis vingt ans - co-auteur, avec son frère Terence Mc Kenna d’un livre culte sur les hallucinogènes : The invisible landscape. Et les chamanes explorent depuis des millennaires l’immense forêt amazonienne, véritable sanctuaire biochimique abritant 80.000 espèces végetales. Ils connaissent mieux que quiconque les effets des plantes médicinales. On comprend que beaucoup de monde s’intéressent de près à leur « plante mère », l’ayahuasca, comme aux autres plantes curatives.»Nous sommes toujours au « Psychedelic forum » de Bâle. Ce soir Jan Kounen va projeter son film, et Dennis MCKenna vient de participer à la conférence-débat : « Tout ce que vous avez toujours voulu savoir sur les psychédéliques ». Il reprend : « Quand je regarde ces traditions indiennes, leurs cérémoniels, avec ces chants, ces visions prodigieuses, cette mystique, je me demande s’il ne faut pas s’opposer à ce que les plantes magiques soient transformées en molécules pharmaceutiques brevetées par Merck ou Pfizer. L’essentiel va être perdu, pour être réduit à des sensations affaiblies, détachées des rituels qui les accompagnent. Cela va faire comme avec les « ayahuasca tours » qui se transforment en séances de danse pittoresque, tandis que les chamanes se battent entre eux pour attirer les touristes. Je préfère la manière dont l’ayahuasca se fait connaître à travers les conférences, les articles scientifiques, les petits groupes d’amateurs, les sites de débat sur Internet. Par cette voie, l’ayahuasca rencontre ceux qui ont besoin d’elle. »Après la projection du film de Jan Kounen salle San Francisco, j’ai demandé à Kajuyali Tsamani ce qu’il pensait des effets spéciaux censés décrire les visions sous ayahuasca, ces kaleidoscopes de boas, ces mandalas de tarentules entrecoupés des tourbillons fractals, une esthétique assez Harley Davidson.Le chamane m’a répondu, souriant : « C’est le premier niveau ».

Pour aller plus loin

Un site consacré aux plantes mystiques ou « enthéogènes »

http://www.entheogenes.net/index.php/

Un article de synthèse sur les effets de l’ayahuasca par le neuropharmocologue Frédéric Bois-Mariage (Paris VII)

http://www.cairn.info/revue-psychotropes-2002-1-page-79.htm

Un article critique sur la « chamania » par l’anthropologue Jean Loïc

Le Quellec (CNRS)http://www.cairn.info/revue-afrique-et-histoire-2006-2-page-41.htm

Le site consacré « aux relations complexes des hommes et des psychoactifs »http://www.erowid.org/

FONTE: Le Monde - Paris,France - http://fredericjoignot.blog.lemonde.fr/

Artist’s sculpture on show at Olympics site


Artist’s sculpture on show at Olympics site
8:08am Tuesday 5th August 2008

A SCULPTURE reflecting the North-East’s industrial heritage has been placed yards from China’s Olympic stadium.
Darlington sculptor John Atkin’s artwork will be unveiled as part of Friday’s opening ceremony.
About 2,600 artists applied to have their work in the Olympic Park, in Beijing, and Mr Atkin was among the 26 successful applicants.
He is the only British artist to have been successful.
The 27-tonne marble and granite carving, called Strange Meeting, is inspired by the poem of the same name by Wilfred Owen.
It is made of two blocks of veined marble, one upright and the other laid out, and has been designed to reflect the poem’s tale of a soldier coming face-to-face with the man he killed.
But Mr Atkin said the final piece is also evocative of his North-East upbringing.
He said: “I remember clearly walking my dog up Yarm Road in Darlington and seeing the works through Cummins’ glass facade.
“That high-intensity, dayin- day out industry of the North-East really made its mark on me and has influenced my work tremendously.”
Mr Atkin, who now works from London, flew to China to oversee the construction of the sculpture. It took an estimated 24 men three months to complete and is thought to have cost about £20,000.
The sculpture, commissioned by Beijing Municipal Government, has already been described as outstanding by the China Sculpture Institute.
It is the latest recognition in what has been a busy year for Mr Atkin, who has also had a sculpture commissioned in San Francisco.
His Fillmore Plaza piece will be built later this year to commemorate the city’s role in the West Coast jazz movement.
But the 49-year-old hopes his international recognition will lead to more projects closer to home.
He said: “I would love the opportunity to make a major landmark piece of sculpture in my own back yard – the North-East.
“The region has really developed as a fantastic place to see contemporary public art.
“But those commissioning new public artwork in the region should perhaps look closer to home rather than importing talent.”

FONTE (photo include): Northern Echo - Darlington,England,UK

Surfe anima Derly; Edinanci se concentra em medalha inédita

Surf picture - The Tube
By:
Bernardo de Castro Antunes View Full Portfolio (1 images)
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Surfe anima Derly; Edinanci se concentra em medalha inédita
terça-feira, 5 de agosto de 2008 11:53 BRT
Por Alberto Alerigi Jr.
PEQUIM (Reuters) - O judoca meio-leve João Derly chegou a Pequim com a convicção de conquistar uma medalha de ouro, depois de um período de aclimatação ao forte calor asiático no Japão, onde ele aproveitou até para surfar.
"Eu estou entrando para ganhar a competição, a gente tem condições disso até pela preparação que tivemos agora. Dá para sair sim com medalha e quem sabe com medalha de ouro", afirmou o judoca debaixo de um forte sol na chegada da equipe brasileira na Vila Olímpica.
"Peguei uma prancha de um japonês numa praia de Katsuura, peguei três ondinhas e deu para me divertir e esfriar um pouco a cabeça", afirmou o judoca bicampeão mundial, que é uma dos favoritos à medalha em sua categoria em Pequim.
O colega de equipe Tiago Camilo, prata nos Jogos Olímpicos de Sydney (2000) e candidato ao posto de melhor atleta olímpico na história do judô brasileiro depois de Aurélio Miguel, que conquistou medalhas de ouro (1988-Seul) e bronze (1996-Atlanta), é mais contido e prefere evitar fazer apostas.
"Quero viver intensamente, luta por luta. Nesta Olimpíada quero encarar cada adversário como o principal adversário, estamos rodando faz um tempo no circuito e todo mundo sabe mais ou menos o estilo de todo mundo", disse o meio-médio na chegada da equipe na Vila.
Aos 26 anos, Camilo afirma ter amadurecido como atleta. "A gente aprende e amadurece como atleta. Foram muitos anos batalhando sem deixar de acreditar que eu posso realizar aquilo (prata em Sydney) de novo."
Também apostando na experiência desde a trágica derrota em Sydney, o ligeiro Denílson Lourenço, se diz mais "rodado" e mais preparado psicologicamente e taticamente.
Em Sydney, ainda com problemas de miopia e astigmatismo que o obrigavam a decorar o placar ao mesmo tempo em que se concentrava no adversário, foi eliminado depois que esqueceu que perdia por koka em uma das lutas. Depois da derrota, passou por cirurgia para correção da visão e hoje, oito anos depois, diz que a vista "é um problema a menos, estou enxergando tudo".
Lourenço disse que em sua categoria não existe candidato a vencedor, mas que tem "condição de chegar a qualquer uma das medalhas".
CALOR E MEDALHA INÉDITA
Por ora a preocupação é com a temperatura. "É muito quente aqui. Tudo bem que os ginásios estão climatizados, mas no entra e sai pode acontecer de dar um resfriado, uma dor de garganta e isso é mau", afirmou, enquanto João Gabriel Schlittler tentava abrigar seus quase 2 metros de altura embaixo de um guarda-sol.
Na briga com o calor de Pequim, a judoca mais experiente da equipe, Edinanci Silva, chegou a sua quarta Vila Olímpica abrigada em um agasalho, apesar do sol que fazia os jornalistas a sua volta pingarem de suor.
Sem uma gota escorrendo da testa, a judoca afirmou que o melhor contra o calor forte é a proteção contra o sol. "Eu estou com calor, mas essa é a melhor tática. Os árabes não andam com aquelas mantas no deserto?", brincou.
Edinanci ficou em sétimo lugar nas três últimas Olimpíadas que disputou e diz que ainda não encontrou uma "receita" para conquistar colocações melhores. "Eu não sei ainda a receita para subir, mas se eu souber eu te entrego", afirmou a judoca.
Segundo ela, uma inédita medalha para o judô feminino brasileiro é o mais importante agora, independentemente de quem a conquiste.
"Agora é esse frenezi todo da imprensa, dos amigos, da família, da torcida. Mas se deixarmos nossa chance de um bom resultado passar, tudo acaba. Para continuar com esse clima é preciso vencer", afirmou. "A expectativa é a medalha, não importa qual, o importante para o judô feminino é um pódio."
A judoca evitou comentar se suas expectativas de medalha aumentaram com a ausência na delegação cubana da bicampeã mundial e bronze em Atenas, Yurisel Laborde, que desertou de Cuba no Pan-Americano deste ano.
"Tem muita gente que está comemorando a saída da cubana. Mas quanto mais gente forte na competição é melhor para você fazer o seu trabalho. Agora fica essa coisa de faltar a principal, a bicampeã mundial."
"Ela teve os motivos dela. Acho que ela chegou à conclusão que mais uma medalha olímpica não mudaria muita coisa para ela."


FONTE: Reuters Brasil - Brazil

Com lesão no joelho, judoca brasileira é cortada


Com lesão no joelho, judoca brasileira é cortada
Portal Terra
JAPÃO - A judoca brasileira Érika Miranda foi cortada nesta terça-feira da equipe brasileira que disputará os Jogos Olímpicos de Pequim por causa de uma lesão no cruzado anterior e no colateral medial do joelho direito.
A atleta, que é da categoria meio-leve (-52kg), permanecerá na capital chinesa para apoiar a delegação brasileira da modalidade.
A judoca se contundiu no último treino realizado pela Seleção Brasileira em Belo Horizonte, antes da viagem da equipe para Katsuura, no Japão. Érika Miranda chegou com o joelho inchado na cidade japonesa e permaneceu fazendo tratamento no local.
Após o desembarque em Pequim e a chegada à Vila Olímpica, a atleta foi submetida a uma ressonância magnética feita pelo médico da delegação brasileira de judô, Wagner Castropil.
Constatada a lesão, o médico e a treinadora da equipe brasileira, Rosicléia Campos, se reuniram com o chefe de missão do Brasil, Marcus Vinícius Freire, e tomaram a decisão de cortar a judoca.
Érika permanecerá fazendo fisioterapia por três semanas para depois ser avaliada para uma intervenção cirúrgica. Ela deverá ficar de quatro a seis meses fazendo o trabalho de recuperação, caso seja constatada a necessidade de cirurgia.
- É lamentável ter de cortar uma atleta dessa forma. A Érika foi a única que conquistou a vaga no ano passado, graças aos resultados no Pan e no Mundial. Foi um sofrimento de avisar para a atleta, mas tivemos que fazer isso para preservar a integridade dela, afirmou Ney Wilson, chefe de equipe do judô.
A atleta ainda não se pronunciou sobre o seu corte. A substituta de Érika, Andressa Fernandes, não virá a Pequim, pois não há tempo hábil para ela ter condições de disputar os Jogos Olímpicos.

[05/08/2008 :: 13:35]

FONTE: JB Online - Rio de Janeiro,RJ,Brazil

A odisséia do anti-herói


A odisséia do anti-herói
Antonio Gonçalves Filho

Uma das características marcantes de Macunaíma é seu aspecto paródico, que o poeta e crítico Haroldo da Campos definiu como de "linhagem rabelaisiana". Evocar Rabelais, no caso de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, que acaba de completar 80 anos, é pertinente não só pela presença de gigantes na rapsódia do modernista Mário de Andrade. O humor escatológico de Rabelais, o pai renascentista de Gargântua e Pantagruel, nasceu igualmente de lendas populares e da leitura satírica das tradições religiosas.

Se Rabelais teve como meta apagar as trevas da superstição medieval, elegendo gigantes no lugar de deuses, o modernismo de Macunaíma assumiu como missão livrar o brasileiro do mofo acadêmico, banhando-o nas águas da modernidade literária. Mário não desprezou nem o folclore indígena nem o africano, nem a língua erudita nem a popular. Macunaíma provocou uma revolução literária que virou o Brasil de ponta-cabeça, ao eleger como protagonista um personagem com três raças, mistura de índio, africano e europeu.

A fúria modernista de Mário de Andrade que se voltou contra o falso espírito de integração dos anos 1920 - isso numa época de crise moral, social e política - desaba na criação de um protótipo fabular, que nasce numa tribo amazônica e se revela, logo criança, um mentiroso da pior espécie. "Ai, que preguiça!" é o mote de Macunaíma, que cresce, se apaixona e casa com a índia Ci, tendo com ela um filho morto. Morta também a "Mãe do Mato" e perdendo o amuleto que dela ganhou para um mascate peruano, Macunaíma parte com seus irmãos para a cidade grande, São Paulo, atrás da "muiraquitã" presenteada por Ci.

Para recuperar a pedra, no entanto, o herói tem de enfrentar o gigante Piamã, comedor de gente. Resgatado o amuleto, Macunaíma volta para sua tribo e o perde novamente ao se envolver com uma uirá traiçoeira. O que fazer sem o talismã de Ci? Nada. A derrota do colonizado já estava selada. Inútil continuar a busca. Macunaíma transforma-se na Ursa Maior, constelação formada por Zeus, segundo a mitologia grega, para afastar Calisto de Arcas, seu filho caçador. A odisséia de Macunaíma tem dois momentos distintos: no primeiro, o herói sem caráter desce com os irmãos o Rio Araguaia para chegar a São Paulo, onde sua história cresce e se transforma num alegórico e satírico embate entre o pobre-diabo amazônico e o gigante da metrópole, Venceslau Pietro Pietra. Nesse segundo momento, em que mata e resgata o cobiçado amuleto das mãos do gigante, Macunaíma teria, enfim, um possível final feliz, não fosse a conflituosa relação com a deusa Vei, que domina o Sol e expõe o herói a um calor insuportável, esgotando suas forças e atiçando sua sensualidade. Esquentados os miolos e o ventre, a razão vai para o espaço, perdendo-se a esperança de uma aliança solar entre Macunaíma e Vei.

A todo momento, Mário insiste na idéia da descentralização da cultura, ao adotar o cruzamento de várias sintaxes - a do Nordeste com a do Sul do País -, e valorizar tanto a prosa erudita como a linguagem das ruas. Ele tampouco esquece de provocar os puristas (no episódio da Carta pras Icamiabas) com a ruptura lingüística de sua rapsódia que tem muito de Nietzsche, ao eleger um herói muito além do bem e do mal.

FONTE: Estadão - São Paulo,SP,Brazil

Judocas se previnem contra deslumbramento


Olimpíadas 2008/Judô - (05/08/2008 14:19:50)

Judocas se previnem contra deslumbramento
Pequim (China) - Não são apenas os adversários no tatame que preocupam os judocas da seleção brasileira nos Jogos Olímpicos de Pequim. Com a maioria da equipe estreando em Olimpíadas, a comissão técnica tratou de pedir aos veteranos que orientassem os novatos sobre os perigos do deslumbramento olímpico.
“Falei da importância de não se iludir com as Olimpíadas e se concentrar para lutar. Agora é esse frenezi todo da imprensa, dos amigos, da família, da torcida. Mas se deixarmos nossa chance de um bom resultado passar, tudo acaba. Para continuar com esse clima é preciso vencer”, alertou a experiente Edinanci Silva, que disputa sua quarta Olimpíada. Ela e o coordenador técnico Ney Wilson, que também está no quarto evento, conversaram com o grupo no Japão.
Mesmo com as orientações não houve como ficar impassível à grandiosidade da Vila e dos Jogos em si. “Não é uma vila, é uma cidade”, espanta-se a leve Ketleyn Quadros. “Procurei não olhar para os lados para não me impressionar. Deixa isso e o sanduíche do McDonald´s para depois do dia 12”, brincou a meio-médio Danielli Yuri, fazendo referência ao cuidado constante do grupo com a balança.
“Sem dúvida isso aqui é diferente de tudo o que já vivi até hoje. É um cuidado muito grande com os atletas. Nem deixar eu carregar a minha mala eles deixaram”, ressaltou o médio Eduardo Santos. “Mas estou super tranqüilo quanto a tudo que nos cerca”.
Bronze no Mundial 2007, o pesado João Gabriel Schlittler também tem em Pequim sua primeira Olimpíada. Mas fala como veterano. “Não quero saber de mais nada, nem de desfilar na abertura”, avisa o atleta, que compete no último dia da modalidade.
Opinião parecida tem Leandro Guilheiro, bronze em Atenas 2004 e único remanescente da equipe masculina que esteve na Grécia. “Se tiver duas palavras para me definir hoje elas são foco e serenidade”, resume com discurso muito parecido ao de Denilson Lourenço, que também competiu nos Jogos de Sydney-2000. “Sou frio, não vejo nada, não me deslumbro. Meu negócio é chegar, pesar e lutar”.

FONTE: Gazeta Esportiva - São Paulo,SP,Brazil

Abschied von Alexander Solschenizyn


Abschied von Alexander Solschenizyn

DT vom 05.08.2008
Von Richard Wagner

Alexander Solschenizyn ist tot. Er starb am Sonntag im Alter von 89 Jahren in Moskau.
Der Literatur-Nobelpreisträger ist der Prototyp des Intellektuellen, der im 20. Jahrhundert
dem Kommunismus die Stirn des Geistes geboten hatte. Er war schon 1945 in der Sowjetunion verhaftet worden, weil er Stalin in einem Brief an seinen Schwager kritisiert hatte. Bis 1953 musste er in einem Gulag, den stalinistischen Strafgefangenenlagern, aushalten. Dann wurde er in die Steppe Kasachstans verbannt. 1957 erst rehabilitiert, wurde er 1969 dann doch aus dem Schriftstellerverband der Sowjetunion ausgeschlossen. 1970 erhielt Solschenizyn den Nobelpreis für Literatur, vier Jahre später schließlich emigrierte er in die USA. 1994 kehrte die große
moralische Autorität nach Russland zurück. Ein Nachruf.
Russland hat den homo sovieticus hervorgebracht, aber auch Solschenizyn. Wenn Solschenizyn die Antwort der russischen Kultur auf den bolschewistischen Angriff ist, so ist er auch die Verkörperung der Grenzen der russischen Kultur. Das sagen nicht wenige. Genau das macht das Paradoxe an ihm aus, und beschäftigt bis heute seine Bewunderer und Befürworter, und mehr noch seine Gegner. Denn an Gegnern mangelte es ihm nie. Und um es gleich zu sagen, er kam gut damit zurecht.
In der westöstlich geteilten Welt der Nachkriegszeit war es höchst ungewöhnlich, dass jemand beide Seiten, den Kapitalismus ebenso wie den Kommunismus, zu kritisieren wusste, ohne sie zu dämonisieren und gegeneinander aufzurechnen. Die Salonideologie eines Dritten Wegs zwischen Kapitalismus und Kommunismus war für ihn auch kein Thema, und er war kein Taktiker und kein geschmeidiger Formulant. Ihm ging es um die Wahrheit, die historische und die geschichtsmächtige.

Alexander Solschenizyn – die Ein-Mann-Opposition
Dass er nicht nur den Kommunismus, sondern auch die westliche Moderne ablehnte, ließ ihn bald als Erben alter russischer Geistestendenzen erscheinen – und das reichte damals in den frühen Siebzigern beinahe, um als diskreditiert zu gelten. In der Öffentlichkeit wimmelte es von Denunzianten. Sie lebten vom richtigen Leben im falschen – um ein Wort Adornos zu variieren. Sie lebten ganz gut davon.
Einzigartig ist die Wirkungsmacht des Auftritts Solschenizyns – der Ein-Mann-Opposition. Sie ist es immer schon gewesen. Da ist zunächst seine Erzählung „Ein Tag des Iwan Denissowitsch“, die in einem Modus des verfänglichen Realismus den Alltag eines Gulaghäftlings veranschaulicht, also eines Häftlings in einem sowjetischen Straflager. Ein Realismus von frappierender Überzeugung, der ein kleines Schicksal ins große Verbrechen stellt. Selbst der Marxist Georg Lukacs war davon so beeindruckt, dass er einen lobenden Essay darüber verfasste, der sogar in der Sammlung Luchterhand erschienen ist.
Seine Romane rührten am Kern der Sowjetunion
Es folgten die großen Romane, und sie alle streben in den einen, den am System der Sowjetunion rührenden Kern des Opus magnum Archipel Gulag, das bis heute die Vorstellungen und das Wissen über die stalinistische Repression und ihre Lagerwelt in Ost und West prägt. Und das zu Recht. Hier hat jemand in einem Kraftakt einen totalen Angriff auf das Verbrechen literarisch gestaltet. Nie ist der Kommunismus spektakulärer widerlegt worden als in diesem Fall. Wie war es möglich, dass ein Einzelner es schaffte, einem menschenverachtenden System dermaßen erfolgreich die Stirn zu bieten. Gegen alle Aussichtslosigkeit, wider alle Vernunft. Das konnte nur der Glaube sein, der ihn antrieb, und das ist eben das Ergebnis russischer Intelligenzia-Erfahrung. Den ausreichenden Glauben zu haben, der das Für und Wider obsolet erscheinen lässt.
Solschenizyn ist der Schriftsteller des 20. Jahrhunderts mit dem größten politischen Einfluss. In Russland wurde er zum Vorbild, in Westeuropa zum Auslöser von Debatten. In Frankreich hat die Solschenizyn-Debatte eine ganze Generation von damals jungen Philosophen, allen voran André Glucksmann, zum Umdenken veranlasst. Für sie war Mao, den sie verehrt hatten, durch Solschenizyn zur Wegwerfware geworden. Durch ihn haben sie die Kehrseite des Revolutionsfurors, die Frage der Menschenrechte, neu entdecken können. Ganz anders in Deutschland. Eine solche Diskussion gab es hier nicht.
Der aus der Sowjetunion ausgewiesene Solschenizyn wurde zwar von einem Heinrich Böll empfangen und von einem Horst Bienek hoch geschätzt, aber die bundesrepublikanischen Genossen Meisterdenker hatten Besseres zu tun, als sich mit dem Kommunismus auseinanderzusetzen. Dieses Versäumnis, diese Ignoranz, ist bis heute zu spüren, und sei es im sorglosen Umgang mit der DDR-Vergangenheit und politischen Hochstapler-Phänomenen wie der Linkspartei.
Aber auch er, Solschenizyn, hatte wenig Verständnis für die mit Marx munitionierte Salonlinke, die die Öffentlichkeit mit ihren Parolen überschüttete. Ihm war das alles zu banal. In der Tat. Welche deutschen Bücher der siebziger Jahre sind heute noch lesbar, legt man sie neben die von Solschenizyn? Er verließ die Sowjetunion. Er ging nach Amerika, zog sich in die Wälder von Vermont zurück, in eine Art privates Russland, und arbeitete unbeirrt an seinem Romanreihen-Projekt, an der großen Deutung des Absturzes seiner Heimat in den Bolschewismus, mit dem Obertitel „Das Rote Rad“.
Der exilierte Schriftsteller hält auch Westen Spiegel vor

Gleichzeitig war er öffentlich präsent durch mehrere Pamphlete, in denen er auch dem Westen den Spiegel vorhält. Er hatte eine gleichsam archaische Ausstrahlung, auch auf den Titelseiten der Magazine. So war Solschenizyn auch Sehnsuchtsbild einer Gesellschaft, die in einer Kultur von Surrogaten lebte. Für die Öffentlichkeit war er eine Sensation, er war das Original, und so erhielt er auch seinen Platz in den Schaufenstern der Konsumgesellschaft. Und das, ohne jemals in sie integriert worden zu sein. In ihm erkannte man, wenn auch nur noch vage, den russischen Schriftsteller des 19. Jahrhunderts, und er hatte auch dessen Autorität, die eines Tolstoj. Eine Autorität, die man zur Kenntnis nahm, bisweilen bloß achselzuckend, aber wer ihn hören wollte, konnte ihn hören. Die westliche Welt, die während des Kalten Krieges die Metaphysik so weit von sich gewiesen hatte, dass die Philosophie nur noch soziologisch sein konnte, konnte mit Solschenizyns Wissen wenig anfangen.
Als Solschenizyn nach zwanzig Jahren Exil nach Russland zurückkehrte, war die Sowjetunion tot, aber der homo sovieticus lebendig wie eh und je. Solschenizyn inszenierte seine Rückkehr in spektakulärer Weise mit einer Bahnfahrt durch das Imperium von Ost nach West. Er kam sozusagen über Sibirien nach Moskau zurück. Was er sah, war nun das zerklüftete Reich des Boris Jelzins und dessen, was noch kommen sollte. Ein Reich, in dem es weder die alte noch eine neue Ordnung gab. Das bestärkte den Schriftsteller in seinen Auffassungen von einem tradierten kulturhistorisch begründeten Autoritarismus. Auch er selber hatte Autorität, sie war aber eingeschränkt. Man ehrte ihn, aber gestand ihm keinen Einfluss zu.
Von Solschenizyns Unbeirrtsein kann jeder lernen
Russland hatte sich, nach einem dilettantischen Demokratisierungsversuch in den frühen neunziger Jahren, zunehmend zu einem ideologischen Patchwork geformt, in dem fast alles Platz fand, auch der ehemalige Superdissident. Gesiegt hatte der Kreml, wer auch immer im Kreml saß. Solschenizyn jedenfalls war es nicht. Er ist bis zuletzt der eigensinnige Denker geblieben, der gelegentlich zum Mahner wurde. Solche Menschen sind in den modernen Zeiten selten.
Von seinem Unbeirrtsein konnte jeder lernen, jeder kann es auch weiterhin, selbst wer ganz anderer Meinung sein sollte. Und wenn man auch nur lernen würde, dass die Meinung nicht alles ist, vor allem die schnelle nicht, die schnell zu revidierende.
FONTE: Tagespost - Germany

Aragon, le fou d'Irène


Cent ans d'Enfer
L'Express du 24/07/2008

Aragon, le fou d'Irène

par Jérôme Dupuis
Avant de devenir le chantre officiel d'Elsa et du Parti communiste, Louis Aragon avait commis un chef-d'oeuvre de la littérature érotique: Le Con d'Irène. Un secret qu'il garda jusqu'à sa mort.

Jusqu'à son dernier souffle, il a nié. Jusqu'à sa mort, en 1982, Louis Aragon a farouchement contesté être l'auteur du mystérieux Con d'Irène. Non, il n'est pas le créateur de ce texte incandescent publié anonymement sous le manteau en 1928, et considéré par Camus et par Paulhan comme l'un des chefs-d'oeuvre de notre littérature érotique. Non, il n'autorisera jamais aucun éditeur à accoler son nom à cette prose qui attaque la «société comme bordel». Non, mille fois non, il n'a rien à voir avec cette voluptueuse Irène, «née de l'orage et de l'écriture».
Pourquoi tant de cachotteries? Pour comprendre, il faut remonter aux années 1920. Louis Aragon, jeune poète surréaliste sans le sou, se lie avec Jacques Doucet, élégant couturier de la Belle Epoque et mécène amoureux des lettres. Les deux hommes signent un étrange pacte: moyennant une mensualité de 1 000 francs, le poète enverra chaque mois au couturier ses manuscrits. Et c'est ainsi que, pendant l'année 1926, Aragon lui fait parvenir plusieurs morceaux d'un projet ambitieux, La Défense de l'infini. Une partie de ce roman, plus leste, s'appelle... «Le Con d'Irène».
Mais qui est donc cette mystérieuse Irène, héroïne de ce petit texte aux accents «maldororiens», où l'on passe abruptement d'un bordel d'une ville de garnison à une cuisine de ferme, théâtres de lubricités diverses? Comme toujours avec Aragon, il faut plonger dans ses amours malheureuses. Il y a tout d'abord Eyre de Lanux, une dessinatrice d'origine américaine qui lui préférera Drieu la Rochelle. Le poète, désespéré, se console avec Denise Levy, qui, ironie du sort, épouse un autre de ses amis, Pierre Naville. Ces deux figures de l'amour, qui baignent l'écriture d'Irène, inspireront aussi la célèbre Bérénice d'Aurélien.
Mais il est une troisième muse, fascinante, dont l'ombre plane sur le destin du Con d'Irène: Nancy Cunard. Cette richissime Américaine, proche de Joyce, devient son amante en 1926. Grâce à sa fortune, le couple sillonne l'Europe. Jusqu'à ce jour fatal de novembre 1927 où, dans la cheminée d'une chambre de l'hôtel de la Puerta del Sol, à Madrid, en un geste de désespoir inexpliqué, Aragon brûle les 1 500 feuillets de La Défense de l'infini. Nancy Cunard parvient à sauver une brassée de feuillets de cet autodafé. Un an plus tard, ne supportant plus son rôle de «gigolo», Aragon tente même de se suicider à Venise.
Abandonné par ses deux mécènes - Doucet et Cunard - le poète n'a plus un sou. Est-ce pour cela qu'il décide de publier Le Con d'Irène? Toujours est-il qu'il confie le manuscrit au jeune Pascal Pia, qui va l'imprimer avec l'aide d'un spécialiste des publications clandestines, René Bonnel. Rehaussé de cinq eaux-fortes d'André Masson, la typographie du titre dessinant élégamment un sexe féminin, l'ouvrage, tiré à 150 exemplaires, sort en avril 1928. Sans nom d'auteur. Bien sûr, parmi les amis surréalistes d'Aragon, il s'agit d'un secret de Polichinelle. Simone Breton, l'épouse de l'auteur du Manifeste du surréalisme, en commande l'un des exemplaires de luxe - on s'arrache aujourd'hui ce joyau de la bibliophilie érotique autour de 8 000 euros! Mais, officiellement, Aragon prétend qu'il n'a rien à voir avec ce texte. On a dit qu'il aurait voulu par là ne pas se compromettre avec le roman, genre «bourgeois» condamné par le groupe surréaliste.
En réalité, l'explication est plutôt à chercher du côté de la politique. «Sa proximité avec le Parti communiste ne cessant de se resserrer, il s'est retrouvé prisonnier d'une certaine pudeur de langage. Les lecteurs de L'Humanité n'auraient pas apprécié de savoir qu'il était l'auteur de ce texte sulfureux», explique Lionel Follet, responsable de l'édition la plus complète du Con d'Irène. Et puis, la roide Elsa a remplacé l'orageuse Irène. Le poète «officiel» du Parti préférait être célébré pour Les Yeux d'Elsa que pour Le Con d'Irène. Il s'y tiendra jusqu'à sa mort. «J'avais juré à un juge d'instruction n'être pas l'auteur de ce texte dans les années 1930. Quand on a menti une fois à la justice, il ne faut jamais changer de version», se justifiait-il auprès de proches.
Commence alors l'étonnante carrière posthume du Con d'Irène. Aragon avait interdit que ses archives soient consultables de son vivant. En 1982, l'embargo est donc levé. C'est tout d'abord Edouard Ruiz, un «aragonien» proche du PCF, qui en exhume des pans à la bibliothèque Jacques-Doucet. La suite se joue au... Texas! En 1989, alors maître de conférences à la faculté des lettres de Besançon, Lionel Follet a l'idée d'aller fouiller dans les archives du Humanities Research Center d'Austin, où ont atterri les archives de Nancy Cunard. «Là, je suis tombé sur une chemise frappée de l'inscription "Fragments/Aragon/1927", se souvient, encore ému, l'universitaire. S'y trouvaient les feuillets que Cunard avait sauvés de l'autodafé de Madrid. Une partie était déchirée, lacérée et avait été reconstituée avec du Scotch...»
Et, si besoin était encore d'une dernière preuve, elle vient de la salle Drouot, le 2 décembre 1993. Ce jour-là, on disperse la collection du célèbre libraire Jacques Matarasso - dont l'exemplaire du Con d'Irène ayant appartenu à Pascal Pia. Signe particulier: en fin de volume sont reliées les épreuves du texte corrigées de la main d'Aragon. En quelque sorte, la «preuve ADN» de la paternité du texte. Les enchères montent jusqu'à 220 000 francs (33 000 euros...). Le marteau tombe. Une petite voix se fait alors entendre: «Préemption de la Bibliothèque nationale!» L'exemplaire a depuis rejoint le célèbre Enfer de la BNF. Sur la couverture, au-dessus du titre, toujours aucun nom d'auteur. Par-delà la mort, l'obstiné Aragon a dû esquisser un sourire...
Vu par Régine Deforges*«Des policiers ont débarqué»En 1968, j'ai publié Le Con d'Irène sous le manteau, sans nom d'auteur, puisque Aragon refusait d'en endosser la paternité. J'ai eu la surprise de voir débarquer dans ma librairie des policiers qui ont saisi tout mon stock... sauf la caisse sur laquelle j'étais assise! J'ai eu droit ensuite à une convocation à la Brigade mondaine. Finalement, j'ai pu rééditer le texte à condition d'ajouter un nom d'auteur, parfaitement fantaisiste: Albert de Routisie. C'était un autre temps. Aujourd'hui, on trouve Le Con d'Irène en poche. J'ai gagné...»
*La romancière publie à la rentrée A Paris, au printemps (Fayard), ses souvenirs des années 1960.
La Défense de l'infini
Louis Aragonéd. Gallimard
567 pages
29,5 € 193,51 FF
FONTE: L'Express - Paris,France

Cartas de alunos e lembranças familiares animam judocas do Brasil


27/07/2008 - 14h00
Cartas de alunos e lembranças familiares animam judocas do Brasil
Do UOL Esporte

Em São Paulo
Após uma longa viagem, os judocas brasileiros já iniciaram os treinamentos no Japão na preparação final para as Olimpíadas de Pequim. A delegação chegou na última sexta-feira, repousou no sábado e iniciou a atividade em dois períodos no domingo.

A equipe de 13 atletas deve manter o ritmo de treinamento de manhã e à tarde, dividindo a atenção entre parte física e tática, com estudo dos possíveis adversários olímpicos. Além dos 13 olímpicos, o Brasil levou também a seleção júnior e ainda uma equipe médica."

Estamos levando centenas de lutas e vamos usar o período da tarde para simular ataques e contra-ataques com base no que observamos. Temos imagens de todos os nossos adversários em todas as categorias. Ninguém será surpreendido. Claro, da mesma forma que nós estudamos, eles também nos estudam e criam formas de neutralizar nossos pontos fortes. Faz parte", explica o coordenador técnico da seleção brasileira, Ney Wilson.

Uma forma de incentivo aos judocas neste período foi levado na bagagem de alguns deles. Para suportar a distância de pessoas próximas até às Olimpíadas, o bicampeão mundial da categoria meio-leve, João Derly, levou 80 cartas de alunos que treinam no Instituto Podium, projeto social coordenado pelo gaúcho em Porto Alegre.

"É emocionante ver o carinho das pessoas. Isso dá mais força", afirma o judoca. Ao seu lado, a conterrânea Mayra Aguiar teve uma surpresa colocada na mala com presentes e cartas de familiares em alusão ao seu aniversário, que será em 3 de agosto. "Minha mãe só deixou eu ler no dia do aniversário. Não sei se vou agüentar até lá", diz a atleta, que fará 17 anos.
FONTE (photo include): Braganca Jornal Diario - sao paulo,SP,Brazil

Disse o corvo: "Nunca mais"

The crow on the skull
By:
Fabrizio V View Full Portfolio (297 images)
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Disse o corvo: "Nunca mais"
Edgar Allan Poe
Tradução: Fernando Pessoa

O CORVO

Tradução: Fernando Pessoa

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais".
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais —
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais".
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais —
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais.
Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
"É o vento, e nada mais."
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
Foi, pousou, e nada mais.
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
Disse o corvo, "Nunca mais".
Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome "Nunca mais".
Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos — mortais
Todos — todos já se foram. Amanhã também te vais".
Disse o corvo, "Nunca mais".
A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este "Nunca mais".
Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele "Nunca mais".
Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!
Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta — ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ânsia e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta — ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!
FONTE: poesia.net