terça-feira, dezembro 26, 2006

4º CONCURSO LITERÁRIO GUEMANISSE DE CONTOS E POESIAS


4º CONCURSO LITERÁRIO GUEMANISSE DE CONTOS E POESIAS
www.guemanisse.com.br
editora@guemanisse.com.br

Com a bagagem e o orgulho de, através dos seus Concursos Literários, já ter publicado mais de 300 novos autores e mais de 700 textos, e objetivando incentivar a literatura no país divulgando novos talentos, a GUEMANISSE EDITORA E EVENTOS LTDA. promove o 4º CONCURSO LITERÁRIO GUEMANISSE, composto por duas Categorias distintas:

a) Contos;
b) Poesias,
o qual será regido pelo seguinte
REGULAMENTO

1. Podem concorrer quaisquer pessoas, desde que os textos inscritos sejam em língua portuguesa. Os trabalhos não precisam ser inéditos e a temática é livre.
2. As inscrições se encerram no dia 12 de fevereiro de 2007. Os trabalhos enviados após esta data não serão considerados para efeito do concurso, e, assim como os demais, não serão devolvidos. Para tanto será considerada a data de postagem
(correio e internet).

3. Os limites de cada trabalho são de até 6 (seis) páginas para Contos e de até 2 (duas) páginas para Poesia. Os textos devem ser redigidos em folha A4, corpo 12, espaço 1,5 (entrelinhas) e fonte Times ou Arial.

4. As inscrições podem ser realizadas por correio ou pela internet da forma seguinte:

a) Via postal (correio): os trabalhos podem ser enviados em papel, CD ou disquete 3 ½ para Guemanisse Editora e Eventos Ltda. CAIXA POSTAL 92.659 - CEP 25.953-970 - Teresópolis -
RJ;

b) Internet: os trabalhos devem ser enviados em arquivo Word para o e-mail editora@guemanisse.com.br
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. Tanto os contos quanto as poesias devem ser remetidos em 1 (uma) via, devendo, em folha (ou arquivo) separada, ficar explicitada a categoria a que concorre (Contos ou Poesias) e conter os seguintes dados do concorrente:
nome completo;
nome com o qual assina a obra;
data de nascimento / profissão / identidade;
endereço (com CEP);
e endereço eletrônico (e-mail).

6 . Cada concorrente pode realizar quantas inscrições desejar.

7. Para a categoria CONTOS, o valor de cada inscrição é de R$ 20,00 (vinte reais), podendo o autor inscrever até 2 (dois) textos por inscrição. Para a categoria POESIAS, o valor de cada inscrição é de R$ 20,00 (vinte reais) podendo o autor inscrever até 2 (dois) textos por cada inscrição. Os valores devem ser depositados em favor de GUEMANISSE EDITORA E EVENTOS LTDA, na Caixa Econômica Federal, Agência 2264, Oper. 003 Conta Corrente Nº 451-7 ou no BRADESCO, Agência 2801-0, Conta Corrente Nº 8582-0.

8. Os comprovantes de depósito (nos quais os concorrentes escreverão o nome) devem ser remetidos para Guemanisse Editora e Eventos Ltda. pelo correio, pela internet (escaneados) ou para o fax (0XX - 21) 2643-5418.
Nenhum valor de inscrição será devolvido.

9. Os resultados serão divulgados pelo nosso site www.guemanisse.com.br pela mídia e individualmente a todos os participantes, no dia 16 de abril de 2007.

10. Cada Comissão Julgadora será composta por 3 (três) nomes ligados à literatura e com reconhecida capacidade artístico-cultural.

11. Cada Comissão Julgadora pode, a seu critério, conceder menções honrosas.

12. As decisões das Comissões Julgadoras são irrecorríveis.

13. Para cada Categoria (Contos e Poesias), a premiação será nos seguintes valores, dos quais serão descontados possíveis impostos legais:

a) Premiação em dinheiro:

1º lugar: R$ 3.000,00 (três mil reais) e publicação do texto em
livro;
2º lugar: R$ 2.000,00 (dois mil reais) e publicação do texto em
livro;
3º lugar: R$ 1.000,00 (mil reais) e publicação do texto em livro.

b) Premiação de publicação em livro:
Os textos premiados, inclusive os que forem agraciados com menção honrosa, serão publicados em livro (sem ônus para seus autores) e cada um destes autores receberá dez exemplares, em troca do que cedem os direitos autorais apenas para esta edição específica que não poderá ultrapassar a tiragem de 2.000 exemplares. Os exemplares restantes desta edição serão preferencialmente distribuídos por bibliotecas e escolas públicas.

14. A inscrição no presente concurso implica na aceitação plena deste regulamento.

Santista Danielle Zangrando conquista vaga na seleção brasileira



Santos

Santista Danielle Zangrando conquista vaga na seleção brasileira
Por: Depto. Imprensa - Prefeitura Municipal de Santos
A judoca Danielle Zangrando (Associação de Judô Rogério Sampaio-SFC/Unisanta/Una/Vértice/Fupes/Pinho Bril) conquistou no último final de semana uma vaga para a seleção brasileira de judô. Ela representará a Cidade nas competições internacionais disputadas pela Confederação Brasileira de Judô ao lado de Priscila Marques e Leandro Guilheiro.Com esse resultado, a judoca santista está ainda mais perto dos Jogos Pan-Americanos que acontecem em julho de 2007 no Rio de Janeiro. A atleta disputou em Belo Horizonte (MG) a seletiva para a seleção brasileira na categoria leve (até 57kg) com mais quatro judocas, conquistando a primeira colocação, e conseguiu uma das duas vagas na seleção feminina. Danielle venceu três combates por ippon e, por isso, não precisou sequer fazer a última luta, contra a carioca Paula Rodrigues. A santista derrotou Roberta Bittencourt de São Paulo, a mineira Ketleyn Quadros e a pernambucana Katherine Campos. A primeira posição garantiu a Danielle o poder de escolher as competições que a seleção fará na Europa. A judoca optou por participar das etapas da Copa do Mundo na Alemanha e na República Tcheca. PanAmericano - A rival de Danielle pela vaga no Pan será Ketleyn Quadros. Ambas irão para a Europa em fevereiro, mas enquanto as provas de sua adversária estão marcadas para o início do mês, as suas acontecerão somente no final de fevereiro, garantindo a Danielle mais tempo para se preparar. A atleta também participará de campeonatos em Cuba (Judogui Dorado) e da etapa brasileira da Copa do Mundo, em maio, na cidade de Belo Horizonte. Caso consiga a classificação para o Pan, a santista terá chances de conseguir uma medalha e ir para o Mundial de Judô, em setembro, no Rio. Com um bom resultado, a judoca garantiria um lugar na Olímpiada de Pequim.
Fonte: ClickLitoral - Santos, SP, Brazil - http://www.clicklitoral.com.br/

Judo: Telma Monteiro conquista prata - PORTUGUESA BRILHA NO TORNEIO DE FUKUOKA


Telma Monteiro conquistou a medalha de prata no torneio de Fukuoka, no Japão. É o encerrar do ano da melhor maneira para a judoca portuguesa, que esta temporada sagrou-se campeã da Europa absoluta e de sub- 23 de -52 kg, escalão em que lidera o ranking mundial, além de ter arrecadado várias medalhas em diversos torneios. Na final da categoria (-57 kg), a judoca portuguesa perdeu por ippon frente a Olga Sonina, depois de ter ganho nas meias-finais à austríaca Sabine Filzmoser. Além de Telma Monteiro, estiveram em Fukuoka Ana Hormigo (-48 kg), Teresa Mirrado (-57 kg) e Ana Cachola (-70 kg), eliminadas logo na fase inicial.
Data: Domingo, 17 Dezembro de 2006 - 14:28
Fonte: Record - Lisboa, Lisboa, Portugal - http://www.record.pt/

Judo: O-Nami Judo Club dominate national championships


Judo: O-Nami Judo Club dominate national championships

In the St Aloysius Sport Hall the MJF organised two of its major activities. It has become a tradition that all judokas under 12 years meet the patron of the federation in the Festival synonymous to Fra Andrew Bertie. Around 100 boys and girls crowed on the two mats along with Andrew and the Maltese Coaches to show “daddy, mummy, auntie, and granny how much judo they know and how they can throw or hold their judo friends”, then all in one file to stand on the highest podium receiving the golden medal for their achievements directly from Andrew Bertie. In the meanwhile on mat No 1 the National Championships started. These championships are divided into 4 age groups, Espoir, Youth, Juniors and Seniors. Then each age group is divided into weight categories. In all 24 categories were contested and 17 were won by O-Nami Judo Club, to become the strongest judo club for 2006.These competitions are now very important, as through the championships the Maltese judoka can collect their points which now serve for their examination for a higher grade. These championships are also important, as according to the final results the successful judoka could qualify to form part of National Team Pool from which the federation selects the national team to compete in international events.Senior male categoriesThe - 60kg category was won by Brent Law. This category was highly contested and Brent from O-Nami Judo Club had to compete very hard to win against young Alex Attard also from O-Nami, who is still 14 years old. Alex is ear marked to represent Malta in the next European Cadet Championships which are to be organised in Malta next July. Aaron Bezzina(O-Nami), 15 years old won bronze but he was certainly one of the protagonists in these championships. The - 66kg category was dominated by Jerome Zammit also of O-Nami and convincingly won against two promising young judokas Kevin Bamber of Tigne Judo Club and of O-Nami, who won silver and bronze respectively.In the - 73kg category, Rainer Bonnici from Hibernians Budokwai Judo Club, who last month won against reigning champion Edward Attard, won the under 73kg title. The 81kg category was won by Chris Zarb from Tigne JC, his opponents were two judokas Christian Summut and Steven Bonnici coming from the newly registered club St. Martins Judo Club.Neville Thomas from O-Nami Judo Club won the under 90kkg category and his co-club member Chris Vella took the +100kg category.Female senior categoryIn the female seniors Joanna Camillieri from Hibernians Budokwai Judo Club, confronted the reigning and Olympian Marcon Bezzina of O-Nami JC. These two judokas know each other very well and have just returned from a 10 day training stage in Bath University Center of Excellence. During the fight it was difficult for anyone to throw the other cleanly but at the end Marcon’s experience triumphed and Marcon won with points.Espoir, Cadets and JuniorsIn the Junior category Alex Attard of O-Nami was the one who has the best results together Jerome Zammit also from O-Nami, who won their categories convincingly.In the Cadets age group the winners were Maverick Scerri ( under 50kg), Aaron Bezzina(under 55kg), Alex Attard(under 60kg), Justin Zarb(under 66kg), all judokas are from O-Nami Judo Club. Chris Zarb (under 90kg) of Tigne Judo Club.In the Espoir age group there were many entries of the young promising athletes, and here we high light Adrian Bonnici from Hibernian Budokwiai Judo Club. We will hear more of Adrian if he continues his successful trend. The Federation is very satisfied of this sector because it proves that there are promising judokas also for the future.
Fonte:Malta Independent Online - Malta - http://www.independent.com.mt/

João Tala entre o tambor e o grito por Abreu Paxe


Uma vez assumida a responsabilidade de apresentar o livro de João Tala, cujo título é: ¨A vitória é uma ilusão de filósofos e loucos¨, cumpre-nos fazer a apresentação do autor, falarmos da obra e de alguns aspectos periféricos, necessários para a nossa actualidade literária.

O acto que aqui decorre devolve-nos aquilo que provavelmente seja uma das linhas mais importantes da existência: O sentido da poesia que nos ensina que o ser humano sempre bifurca, não ancora num só ângulo, o sentido da poesia que nos ensina que a poesia reunida neste livro apresenta-se descompassada em relação a que consta de seus títulos anteriores. Estes são poemas bem conseguidos embora tendam para o discursivismo, o que não quer dizer que, por isso, sejam melhores ou piores. Digo isto, embatendo contra as teorias crescentes que “legislam, decretam padrões ou normas” para o material literário produzido, quando estes escapam dos seus faróis de polícias literários.

João Tala nasceu em Malanje, a 19 de Dezembro de 1959. Iniciou-se na escrita no limiar da década de 80, quando residia no Huambo, onde cumpria o serviço militar. Nesta época, funda a Brigada Jovem de Literatura Alda Lara ingressa na Faculdade de Medicina.

Já como médico, exerceu funções na Lunda Norte e, Posteriormente, em Luanda. Poeta com quatro títulos, tem publicado “A Forma dos Desejos” (1997) Prémio primeiro livro/97 da União dos Escritores Angolanos, “O Gasto da Semente” que foi Menção Honrosa do prémio literário Sagrada Esperança, edição do ano 2000, “A Forma dos Desejos II”, 2003 e “Os Dias e Os Tumultos” vencedor do Grande Prémio de Ficção da União dos Escritores Angolanos. Neste momento, está a cursar medicina interna no Brasil.

O livro que vamos passar a apresentar está composto por três cadernos que funcionam perfeitamente como vasos comunicantes, embora o autor tenha a intenção de os tematizar, de os compartimentar, talvez ignorando seu profundo diálogo. Passamos, como os ordenou, a apresentá-los:
No primeiro caderno, o poeta munido com um “tambor” e o seu “grito”, aliás termos recorrentes em quase todo seu poemário, devolve-nos os lugares todos perpassados pelas mais diversas e recentes referências histórico-culturais ‘onde a própria terra me busca e/não encontra senão o homem dividido’ (p.12), fazendo-nos chegar mais perto de nós mesmos ‘sendo também a dor palavra humana/palavra flagelada em Angola...’(p.12), sem termos como evitar essa natureza ‘com o meu próprio país a arder/na minha boca’ (p. 22), porque ela nos interroga da razão de quase 27 anos de guerra civil ‘ainda tenho de explicar/um homem sem nada/um país em chamas nos meus/nervos. E meus dias novos (...) que os tambores deflagram’ (p.23), verifica-se a clara denúncia de todos os problemas a ela inerentes ‘... Pagavam-nos para sofrer. (...)
É também por isso que se fez carnal a/bandeira dos suados’ (p.13), e isto, ainda acontece mesmo tendo já no passado vivido numa longa noite colonial que foi para nós um verdadeiro pesadelo. “O caminho finda onde o explico. /não se aguardam os caminhos por isso não se explicam./os caminhos fogem dos meus pés/e vão por aí se explicando - vão e vêm/algumas vezes são começos outras vezes o fim do mundo;//só os meus pensamentos me levam longe/distantes do abismo em mim reunidos./onde começará o fim?// Onde não me explico!/terminais os caminhos também são abismos;/haverá lugares maiores do que abismos/haverá minutos contados a cada passo;/haverá uma explicação para que eu chegue ao fim/ardendo de começos embora longe, muito longe./longe e suado. tão fim de tudo. Muito longe.”(p.14).
Por isso, achamos que é preciso buscar um lugar naquilo que possa vir a ser o nosso fundamento no desenvolvimento sócio-histórico, ‘está escuro. eu próprio repito estrelas erradas/mas a minha vida é um tambor./escuro parti para voltar cego./e ninguém me completa./apenas o caminho com a tua mão encontrada/no meio dos escombros (...) da minha velha experiência de remorsos/mando escrever tuas ideias inabaláveis/batendo em tambores como um burocrata/fora do caminho. o ritmo dos teus passos/enchendo a mão direita do pensador.’(p.15), ainda que provisório ‘e das vértebras às frases/recompões os caminhos andados’ (p.31), este que é o nosso modo específico de lidar com o mundo aquilo que desconhecemos. Vinham, para este caso, a propósito as comemorações neste ano dos 30 de independência, entre os quais 3 de paz, ‘cantamos a urgência dos lugares (...) edificaram-nos também os passos/com as botas sobre a aldeia./Agora um país tem as têmporas a arder / de nossos medos/ mas é apenas a memória dos tumultos (p.27), ‘... Cantamos o esquecimento [construindo]/a história’ (p.16), ‘cheguei (...) carrego orvalhos/onde findaram as explosões’(p.20). É o que se pode aguardar de um país que renasce.

No segundo caderno, Tala dissolve as relações historicamente estabelecidas em torno do Amor ‘nunca estive mal cantando tuas coisas (...) na verdade são tuas coisas profundas (...) faço onda profunda com a carícia dos nomes’(p.40), ‘o húmus está vivo; o suor nem seca’(p.42). Nas quais ele ‘comia em seu próprio texto a ternura.’(p.46) promovendo uma desorganização dessas relações através duma ousada desorientação das palavras tornando-as em verdadeira fonte endemoninhada ‘... o fundo da época.maçãs pecaminosas (...) quem desarruma o meu ritmo em teu corpo? Quem dessa revolução (...) retira da palavra estética o amor evoluído? Quem?’(p.51), ‘Dos medos desliza a serpente nativa (...) e o seu rasto cega-nos’(p.41), clarificando seu atrito com o mundo codificado ‘... arde e torna-se vivo; (...) lume do seu corpo suado (...) arde de febre (...) vejo o seu corpo renovado’(p.49), num intertexto acusando a desprogramação da Bíblia ‘ O paraíso era apenas uma ideia (...) Por agora busque-me, contigo moverei/a serpente nativa.’(p.41). Neste caderno o corpo é o lugar de encontro ‘...ramifico o meu corpo; (...) um útero enorme, uma cratera no fim do dia, /sente-me, abraça-me;’(p.42), o ponto de convergência do seu amor ‘... os frutos prestes a encher a terra’(p.50), dos seus medos ‘Não é difícil arrumar um poema/que te leve aos poucos para a enorme noite’(p.50), das suas paixões ‘tardes tropicais iguais à sobrevivência’(p.50); o lugar dos acontecimentos sagrados, assumindo as relações possíveis entre o corpo e a sua natureza apartada, representada pela fauna e flora ‘... a vida expande-se como/folhas flores frutos’(p.43). sem perder, de forma alguma, o sentido de beleza, denuncia a atitude de um ser faminto à procura de caça ou colheita ligada à terra ‘porque tudo envelheceu/Envelheceram as mãos injustiçadas e/a forma das paixões’(p.40).

No terceiro caderno, o poeta aduz na hiperonímia do seu tambor e do seu grito a sua condição de africano, ‘mas na negação da negação/o velho cede ao novo o espaço gasto/de palavras europeias/ com que um homem desenraizado/nomeia a morte de África.’ (p.57), que é de natureza complexa para os dias que correm, é certo, mas é a única que temos e com a qual precisamos conviver ‘... é um parto de tardes muito claras/mas em noite por dentro que resumem/nossos gritos’(p.58), condição antípoda da vontade dos civilizadores do ocidente de querer domá-la. A África ‘Na urgência do voo ...’(p.59), deve ser compreendida porque esse é o nosso próprio fundamento, assim a história ‘...como um pássaro que se move/quando o tempo parte do fim.’o prova no espelho que nos atravessa e faz transbordar essa autêntica e perturbante imagem ‘onde a palavra regista a morte’(p.57); imagem que infelizmente ainda nos acompanha.

Postos aqui, estará tudo compreendido ao analisarmos a dupla dimensão de João Tala: a de um ser social e a de um criador? penso que se compreende mal isso. Uma vez que escrever – não passivamente, descrever – de maneira precisa é um lugar que sequer se conhece totalmente, que não se consegue divisar claramente. Ao transitar da primeira condição (imitar) e tornar-se poeta que o levou para a segunda condição (criar), mergulhou no mundo das ideias. E João Tala artisticamente está nesta condição. Livre para projectar o mundo a sua medida. porquê então se impõe limites para o génio criador? uma vez que esse tem segurança em si, confia nas suas capacidades de criação e de invenção?

O que se pensa indizível na poesia - de uma maneira geral, o que se tem tornado moda entre nós – não se trata, como aquilo que não se pode dizer, mas como aquilo que se diz internamente, ou seja, dir-se-ia que suas imagens sempre avançam para um mais além das palavras, como que a denunciar a ânsia do poeta em função da vontade de aprender. Toda a arte exige uma aprendizagem séria e constante, inclusive de sua história e suas técnicas, já que o mundo das ideias é um mundo permanentemente desconhecido. Nós defendemos estes princípios, embora se constitua num embate frontal com uma autoproclamada, entre nós, super estrutura estético-literário que tudo quer silenciar, forçando a absurda extinção da faculdade de imaginar que, em essência, move a história humana, por ser inerente ao homem por ser a força que o anima, com expressões como: ‘dei porrada ao fulano’, ‘desmontei o livro do sicrano’, ‘tenha cuidado com o teu próximo livro que já dei porrada neste’ e outros impropérios que nutrem suas fraquezas, para uma correcta leitura dos produtos emergentes.

É preciso ter-se em conta, sabe-se de certeza, que o nosso país só existe há 30 anos, mas no espaço onde ele foi erguido já se produzia literatura escrita num período que dura, até à actualidade, por aí 156 anos, repartido em dois períodos: o colonial e o pós-colonial. Tendo estes, produtos literários adquirido características diferentes, por força dos sinais dos tempos. E não, com é perfeitamente verificável, se perdeu o sentido de poesia ou literatura ao longo destes tempos.

É preciso ter-se também em conta que a significativa maioria da população do nosso país é jovem, facto que torna numa verdadeira ameaça, o nosso desenvolvimento, se não se levar em conta com a seriedade necessária ‘o universo das letras como fundamento da evolução sócio-histórica’(Petelo) e da visão estética e ética da vida e do mundo. Deve-se estimular nos jovens a liberdade de pesquisa e de experimentação estética, a da busca de nova metáfora e da criação de novas linguagens - do que ter como muletas a uniformidade a funcionar como forma de bloco ou tijolo que é fixa e sem possibilidade nenhuma de a alterar mesmo que sejam produzidos aos milhares e as que saírem diferentes serem defeitos -, e é evidente que podemos compreender e admirar, da mesma forma, a grandeza de estilos que já passaram.

Esta, pensamos, seria a função de um crítico, na verdadeira acepção da palavra, capaz de orientar os jovens ávidos do saber. Discordando, com os arremedos textuais publicados em alguns jornais e seus autores fazerem fé destes serem textos críticos. A actividade crítica-pensamos ainda-, como é essencialmente de investigação e suportada por princípios teóricos, não deve estar, seguramente, dissociada da actividade académica, seja em que nível for.

Não cremos que se esteja a perder o sentido da poesia, pois ela sofre mudanças, concordando plenamente com Jorge Macedo, e assim ela deve ser entendida. As leituras que fazemos desse livro, obviamente não nasce das interesseiras relações literárias, mas sim de relações poéticas - no sentido nobre -, atravessadas inevitavelmente por inquietações humanas, sem de forma alguma alimentar o facilitário ou o puramente discursivo, quando se diz que, o que os novos poetas escrevem não se entende. Ou tencionar fomentar grupismos, bairrismos, cumplicidades, ou exclusões alheias ao fim que a arte de fazer poesia deve defender.

Para terminar reiteramos o que já dizíamos, em outra ocasião, a propósito da poesia, que só olhando ao lado, ao longe, nos cantos, dentro, no meio, na fresta, vemos que há poesia que explica outra coisa quando nossos olhos abrem o chão. No fundo de tudo é possível encontrar um sentido de beleza, um sentido de existir, uma verdade, a inquietante verdade do outro.




O presente texto foi originalmente publicado no Suplemento Vida Cultural do Jornal de Angola.

Abreu Paxe nasceu em 1969 no vale do Loge, município do Bembe. Licenciou-se no Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED), em Luanda, na especialidade de Língua Portuguesa. É docente de Literatura Angolana nesta mesma instituição e membro da União dos Escritores Angolanos (UEA), onde é secretário para as atividades culturais. Publicou A chave no repouso da porta (2003), obra vencedora do Prêmio Literário António Jacinto. No Brasil, foi publicado nas revistas Dimensão (MG), Et Cetera (PR), Comunità Italiana (RJ), nas eletrônicas Zunai e Cronópios, e em Portugal, na antologia Os Rumos do Vento, (Câmara Municipal de Fundão). E-mail: pjairo8@hotmail.com

segunda-feira, dezembro 11, 2006

JUDO CHAMP LEAVES LEGACY


JUDO CHAMP LEAVES LEGACY
By DENNIS TAYLOR
Herald Staff Writer

His peers in international judo dubbed him "The Giant Killer," a nickname Leo White, a Seaside native, earned by defeating every world champion and every Olympic champion from the 1980s forward.
When French world champion Stephane Traineau lost his second-round match to White at the '92 Olympics in Barcelona, he ripped off his black belt, hurled it to the mat and stormed away.
Traineau shouldn't have felt surprised. Eight years earlier, at Sarajevo, Yugoslavia, White's first-round opponent at the Olympics was Belgian superstar Robert van der Walle, the reigning world champion and defending gold medalist. He won that match, too.
White, an alumnus of Monterey High (Class of '75) who also played one year of linebacker at Monterey Peninsula College, never won an Olympic medal -- he lost his bronze-medal match in Barcelona -- but he is certifiably the greatest American judo athlete in the history of the sport.
Between 1976 and 1998, he won gold at the U.S. Nationals an all-time record 14 times (all but one in the 95-kilogram weight division) -- the last of which came after a two-year retirement when the then 40-year old became the oldest U.S. champion ever.
White also won the World Military Championships four times and the U.S. Open three, plus a gold, two silvers and five bronze medals at the Pan-American Games. In 1999, he won the World Masters Championship at age 41.
"One on one, I could fight the best guy in the world and beat him in the first or second round of a tournament," says White, who now lives in Lilburn, Ga. "But in reality, I was basically a hobby athlete -- I'd work all day, then train at night -- and I was competing against people from all over the world who trained for the sport full-time. By the third or fourth round, my strength would go away."
White learned on Sept. 1 that he has been chosen Team Leader -- essentially a coach with additional administrative duties -- for Team USA for the next Pan-Am Games and the 2008 Olympics.
The coaching role isn't new to him (he operates two separate judo clubs in Atlanta), but it doesn't come easy.
"What I hear all the time from referees, my other coaches and my athletes is, 'Leo, settle down!' Sitting in the coach's chair is probably the toughest thing I've ever done," he says with a laugh. "When you're out there fighting, you get into a zone and you learn to use your emotions as fuel. As a coach, you have to learn to contain those emotions and interact."
White grew up on Wanda Avenue in Seaside, attending school at Highland Elementary, Del Rey Woods, Fremont Junior High and Monterey High, where many of his friends -- including future NFL stars Ron Johnson, Milt Carter and Herman Edwards -- were football players.
Choosing at an early age to associate with serious athletes, he says, is one reason he eventually ascended to a world-class level in his own sport. Equally important, though, was the role of his first judo instructor, Bernard Baptiste, who owned and operated the Monterey Judo and Jiu-Jitsu Academy on Hoffman Avenue.
"I was an aggressive kid, and I was an only child," he says. "That judo academy is where I learned to deal with the world. Bernard Baptiste was a man who didn't take any mess from anybody, and he became a very big father figure in my life. I'm 49 and I still call him 'sensei' (meaning 'instructor' or 'professor'), which is the ultimate title of respect in martial arts."
Baptiste, now 86 and five years retired from his academy, regards White as the prized student from a school that produced 27 junior national champions, five senior national champs, three U.S. high school champs, and one other Olympian, Ellen Wilson of Salinas.
"Leo was 9 years old -- just a little runt -- when his father (Leo White Sr.) brought him to me," Baptiste recalls. "He'd ride his bicycle from Seaside to New Monterey every day, six days a week, and he never, ever missed a class. He believed in the philosophies I taught, and he had a drive you wouldn't believe."
After six months of training, Baptiste took his young pupil to his first-ever junior national tournament. White brought home the gold medal. He went on to win nationals at the intermediate and high school levels, too, and in 1976 was selected to compete with Team USA at the Pan American Championships. Only 19 years old, he won gold in the open division and silver in the 95-kg weight class.
He also won a full-ride college scholarship to compete at Cumberland College in Williamsburg, Ky., where White, son of a retired U.S. Army sergeant, became involved in the ROTC program.
He entered the army as a second lieutenant and continued to blossom in judo, winning the World Military Games in 1981, '82, '84 and '87. In 1983, when we won gold at the U.S. Open and the U.S. Nationals, and bronze at the Pan American Games, White was named U.S. Military Athlete of the Year for all sports.
He made the U.S. Olympic Team in '84, drawing van der Walle, the world champion and defending gold medalist, for his first-round match.
"Robert van der Walle was literally my idol. In the sport of judo, he was the man," White says. "The arena was packed, people were yelling and screaming at the top of their lungs during my match, and I never heard a thing. All I was thinking about was survival."
White and his legendary opponent fought ferociously for five minutes. The Seaside native won a close decision.
"I came off the mat, looked into the stands, and the first person I saw, in a crowd of more than 7,000 people, was Sensei Baptiste," he says. "I'd had no idea beforehand where he was sitting, but his face was the first one I saw. Isn't that something? And I could hear the crowd chanting, 'USA! USA!' as I was walking away."
White won his second match, too, defeating an opponent from Kuwait, but lost in the third round to the Olympian from Iceland.
"The lesson I took away from my first Olympics was not to allow myself get overwhelmed by the circumstance and the pageantry," he says. "You've got to go out there and play your game."
His next shot came eight years later, in 1992, when he competed with an injury.
"Three weeks earlier, at the Pan Am Games, I'd had three of my fingers pulled all the way back to my wrist. They were broken," White says. "They thought about replacing me on the team, but I took some cortisone shots, and a lot of other treatment, and wound up going."
With his left hand all but useless, he defeated an Egyptian Olympian in his opening match, then drew Traineau, the world champion from France, in the second round. Once again, Baptiste was watching his former student from the bleachers.
"Before the match, I told Leo, 'Don't be afraid of him. Go after this guy,'" Baptiste said. "As I was watching the match, I could see that (Traineau) was making mistakes that Leo wasn't recognizing, so I started giving him little signs to let him know what to do. He did it, and darned if he didn't beat that guy.
"When the match was over, (Traineau) was such a poor loser that he took his black belt off, threw it on the mat and walked off. I've never seen such poor sportsmanship."
White continued to win, all the way to the medal round, where he lost a decision for the bronze to an athlete from the Netherlands.
Meanwhile, his military career continued. Between the service and judo competitions, he visited almost every continent in the globe.
"I actually retired from the sport for 15 months in 1986 because I was in South Korea, a company commander with the second infantry division in the DMZ," says White, who retired from the service as a captain. "We were one of the most-forward deployed units -- we could literally look through the fence at the North Korean army -- and all we did was train. I was probably in better shape then than at any time in my life."
His successes in judo also have earned invitations to the White House, where he's met President Clinton, both Bushes, and legendary entertainer Johnny Carson, among others.
"I'm really looking forward to is going back to the White House after the Olympics in 2008," says White, who expects the next U.S. Olympic Team to feature at least four judo athletes with medal potential.
He enjoys living near Atlanta with his wife, Jacqueline, whom he married in 1991, his 8-year-old son, Leo Edward, already an orange belt in judo, and his mother, Winnifred, who relocated from Seaside four years ago after White's dad died. But White says he returns to the Monterey Peninsula at least once a year to visit lifelong chums, including Eugene Palmer, his best friend since childhood.
He also insists that his competitive career at the elite level is far from over.
"I was the oldest man ever to win nationals at 40, and I plan to try to win it again next year, at 50," White says. "And my 60th birthday... that would be another milestone, wouldn't it? God willing, I'll come out of retirement for that one, too."
Leo's legacy Leo White's accomplishments in international judo competition. U.S. Nationals: Gold medalist, 95kg weight class in 1977, '81-85, '89, '90, '92-95 and '98; gold medalist, 86kg weight class, 1979; silver medalist, 95kg weight class, 1991; bronze medalist, 95kg weight class, 1987; U.S. Open: Gold medalist, 95kg weight class, 1982-83 and '87; World Military Games: Gold medalist, 95kg weight class, 1981-82, '84 and '87; bronze medalist, 95kg weight class, 1980); Pan American Games: Gold medalist, Open division, 1976; silver medalist, 95kg weight class, 1976 and 1991; bronze medalist, 95kg weight class, 1979, '87-88 and '90. Miscellaneous: Silver medalist, Open division, German Open, 1984; bronze medalist, Dutch Open, 95kg weight class, 1982; bronze medalist, 95kg weight class, Belgium Open, 1984; bronze medalist, Sunkop Tournament, 1987.
Fonte: Monterey County Herald - Monterey, CA, USA - http://www.montereyherald.com/

Telma Monteiro "estuda" na catedral


07/12/2006
JUDO
Estágio no Japão

Telma Monteiro "estuda" na catedral

Uma grande lição de judo é o programa esperado pela selecção feminina que entre hoje e o dia 22 vai estagiar no Japão, catedral do judo.

Ainda a saborear os títulos europeus de sub-23, Telma Monteiro e Ana Cachola assumem o destaque entre as lusas convocadas, sendo o estágio na Universidade de Budo, até ao dia 13, o primeiro dos compromissos.

Seguir-se-á nos, a 16 e 17, o afamado Torneio Internacional de Fukuoka, e por fim, outro estágio naquela cidade nipónica, de 18 a 22.

Com a selecção feminina em alta - lamentando-se apenas a ausência de Ana Monteiro, ainda a recuperar da lesão no ombro contraída no Brasil - eis as convocadas pelo técnico António Matias: Ana Hormigo (AJCB) e Leandra Freitas (CNF) nos -48 kg; Telma Monteiro (CNS) e Joana Ramos (ACM-TN) nos -52; Teresa Mirrado (-57, CNS) e Ana Cachola (-70, JCA).

Fonte: O Jogo

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Judoca de Porto Real é promessa de futuras medalhas


Judoca de Porto Real é promessade futuras medalhas

PORTO REAL - Aos nove anos, Fábio Santos dos Reis é uma promessa de bons frutos no judô brasileiro. Praticante de judô desde os seis anos, Fábio já conquistou sete medalhas em competições regionais, três delas em primeiro lugar.O atleta treina pela Fundação Porto Real. Recentemente passou para a faixa amarela, quarta faixa. Mesmo pequeno, já tem sonhos grandes. Um deles é chegar à seleção brasileira de judô. Outro é conhecer e tirar fotos ao lado do judoca Flávio Canto.Fábio treina três vezes por semana com o professor Luiz Fidelix. De acordo com o professor, ele é muito dedicado. “Ele tem se sobressaído. Nos campeonatos de que participa sempre fica nos primeiros lugares”, afirma. Para ele, a vantagem do atleta é o incentivo dos pais. “Ele é o que mais participa de competições. É muito dedicado, por isso tem alcançado seus objetivos em tão pouco tempo”, conclui.Segundo a mãe do atleta, a jornalista Zenilda Helena dos Santos, Fábio é muito disciplinado. “Quando tem treino, ele acorda cedo, prepara o uniforme e fica esperando ansioso pela hora do treino”, conta. Outra paixão de Fábio é o futebol. Ele participa da escolinha de futebol do Núcleo do Vasco da Gama, mantida pela prefeitura da cidade. Fábio é zagueiro, mas garante que gosta mesmo é de judô.De famíliaO pai de Fábio, José Dores, também foi judoca e chegou até a faixa laranja. A mãe foi jogadora de futebol e ganhou algumas medalhas e troféus. Fabio, porém, pretende seguir os passos do pai, que já prepara um quadro para pendurar as medalhas do filho.Além dos pais esportistas, Fábio tem na família outros atletas. O primo Sílvio César de Brito defendeu o Porto real Country Clube, sendo artilheiro de campeonatos juvenis de Resende e Porto Real. O tio Escalé, José Roberto dos Santos, que também jogou pelo Porto Real, e ainda, o tio Mandi, Sérgio Antonio dos Santos, que é corredor e ficou em 4º lugar na I Corrida Rústica em Piraí e se prepara para a corrida de Volta Redonda e São Silvestre. Portanto, parece que o esporte está no sangue.
Fonte: A Voz da Cidade - Barra Mansa, RJ, Brazil -http://www.avozdacidade.com/


Nel mezzo del cammin
Dante Alighieri

INFERNO
CANTO I
(trecho inicial)

No meio do caminho desta vida
me vi perdido numa selva escura,
solitário, sem sol e sem saída.
Ah, como armar no ar uma figura
desta selva selvagem, dura, forte,
que, só de eu a pensar, me desfigura?
É quase tão amargo como a morte;
mas para expor o bem que encontrei,
outros dados darei da minha sorte.

Não me recordo ao certo como entrei,
tomado de uma sonolência estranha,
quando a vera vereda abandonei.
Sei que cheguei ao pé de uma montanha,
lá onde aquele vale se extinguia,
que me deixara em solidão tamanha,
e vi que o ombro do monte aparecia
vestido já dos raios do planeta
que a toda gente pela estrada guia.
Então a angústia se calou, secreta,
lá no lago do peito onde imergira
a noite que tomou minha alma inquieta;
e como náufrago, depois que aspira
o ar, abraçado à areia, redivivo,
vira-se ao mar e longamente mira,
o meu ânimo, ainda fugitivo,
voltou a contemplar aquele espaço
que nunca ultrapassou um homem vivo.
(...)
Tradução: Augusto de Campos
INFERNO
Dal CANTO I

Nel mezzo del cammin di nostra vita
mi ritrovai per una selva oscura
ché la diritta via era smarrita.
Ah quanto a dir qual era è cosa dura
esta selva selvaggia e aspra e forte
che nel pensier rinova la paura!
Tant'è amara che poco è più morte;
ma per trattar del ben ch'i' vi trovai,
dirò de l'altre cose ch'i' v'ho scorte.
Io non so ben ridir com'i' v'intrai,
tant'era pien di sonno a quel punto
che la verace via abbandonai.
Ma poi ch'i' fui al piè d'un colle giunto,
là dove terminava quella valle
che m'avea di paura il cor compunto,
guardai in alto, e vidi le sue spalle
vestite già de' raggi del pianeta
che mena dritto altrui per ogne calle.
Allor fu la paura un poco queta
che nel lago del cor m'era durata
la notte ch'i' passai con tanta pieta.
E come quei che con lena affannata
uscito fuor del pelago a la riva
si volge a l'acqua perigliosa e guata,
così l'animo mio, ch'ancor fuggiva,
si volse a retro a rimirar lo passo
che non lasciò già mai persona viva.
(...)

First North Korean Gold Medal


First North Korean Gold Medal

The North Korean national anthem was heard for the first time after the opening ceremony of the 2006 Doha Asian Games.
After South Korean Lee Won-hui (25) won a gold medal in judo yesterday, North Korean Ahn Geum Ae (26) also received her country’s first gold medal.
“I fought completely with the Chosun spirit.”
Ahn Geum-ae, competing in the women’s 52kg judo class, replied to a winner’s impression request as she quickly walked out of the arena.
Ahn was selected as North Korea’s 2005 best athlete after winning the Asian championship and receiving a bronze in the world championship. North Korea had strong faith in her as a gold medalist even before this match.
After passing the first round by default, she beat Liying (China) in the second round by bracketing her heels. She reached the finals after beating the world’s second best Yuki Yokosawa (Japan). After battling Munhbatar (Mongolia) for a minute, Ahn defeated her with a knee slam.
North Korea Judo Committee’s Park Hak Yeong (43) commented after the game, “I was sure of a win when she defeated the Chinese player in the first game. Geum Ae was third in last year’s Cairo world championship. However, she won the gold medal after defeating last year’s number one and two players.”
Hong Ok Seong, another North Korean expected to win gold, received a bronze medal in the 57kg category. We met Ahn who was walking out of the arena after changing into a track suit.
We asked for a comment once again, but she got on the bus without saying a word. Park, who was standing next to her, said, “Let’s talk about it tomorrow.”

Fonte: Donga.com - Seoul, South Korea - http://english.donga.com/

China terminates Japan's 20-year domination in Asiad judo


Chinese judo team topped the gold medal list for the first time at any Asian Games here in Doha, but players and coaches expressed cautions on Tuesday.
China snatched five gold medals and three bronze medals, surpassing Japanese team which grabbed 4 gold medals.
China "dethroned Japan from their 20-year domination of Asian Games judo" Japan's Kyodo News reported.
Japan, the birthplace the judo, has dominated judo contests in Asia for a long time and grabbed a record eight gold medals in 2004.
Though excited over the super performance by Chinese judo players, Chinese coaches and officials remained calm and expressed cautions.
"The players perform well in the contests, but there are still obvious lapse and lot of room to improve," said Xiong Fengshan, China's deputy team manager.
Xiong's view was echoed by Chinese coach Fu Guoyi.
"Though women's judo competition at the Asian Games is at world level, but the true test will be the Olympic Games," said Fu.
He added that the results at the Doha Asian judo contests can not fully demonstrate the true strength of the two teams.
Chinese sports official Song Zhaonian also said that judo players can not be carried away by the results.
Meanwhile, Japanese men's coach Hitoshi Saito criticized his players.
"We could not take advantage of what we had learned at the world team championships. We lacked the persistence to win," he said.
"I acknowledge the disgrace but come home with my head up high. I must say this is not the end, " he added.


Source: Xinhua


Judoca internacional
Ana Cachola com Honra do Comité Olímpico

Ana Cachola, bi-campeã da Europa de judo, recebeu uma menção honrosa do Comité Olímpico de Portugal (COP), no decorrer de uma cerimónia realizada em Lisboa, na festa dos seus 97 anos.Ana Catarina de Almeida Cachola, filha de Teresa Almeida (da Borralha) é bi-campeã da Europa de Sub-23, na categoria de menos de 70 quilos - há duas semanas conquistado em Moscovo, no decorrer do respectivo campeonato. Juntou este novo título aos conquistados no Europeu de Juniores (2005) e Europeu de Sub-23 (2004), todos na categoria de 63 quilos. Na mesma categoria, a judoca já havia alcançado também o terceiro lugar no Europeu de Juniores em 2003, bem como o sétimo lugar no Europeu de Sub-23 em 2005 e no Mundial de Juniores em 2004. Na última semana, no Europeu de Moscovo, Ana Cachola contribuiu ainda para que Portugal alcançasse o quarto lugar por equipas, em termos de medalhas, entre 42 países, tendo sidoResidente em Faro, onde sua família se radicou, representa o Judo Clube do Algarve, é estudante de Medicina em Lisboa e parte dentro de dias para o Japão, onde, de 17 a 22 de Dezembro, vai participar um estágio mundial. A mãe, Teresa Almeida, é da Borralha e antiga praticante de Natação (no Sport Algés e Águeda) e de canoagem (GICA).A irmã, Marta Cachola, é a actual campeã nacional de esperanças, menos de 63 quilos, também em judo.
Fonte: Jornal Regional - Portugal - Porto, Portugal - http://www.jornalregional.com/

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Futuro brilhante




Futuro brilhanteAurélio Miguel elogia faixa preta de apenas 15 anos
Fonte: globoesporte.com

A faixa preta do judoca Murillo de Sena Ramos, de apenas 15 anos pode ser um fato raro para alguns atletas, mas para quem conhece o jovem, é apenas a continuação de um bom trabalho. Medalha de ouro nas Olimpíadas de Seul, 88, e bronze em Atlanta, 96, Aurélio Miguel, também cosenguiu a faixa preta com 15 anos e elogiou a nova promessa do judô.
- Ele começou cedo e pegou a faixa preta com a idade mínima. Está de parabéns, agora é o início do aprendizado. Ele é um bom atleta, é forte e está se destacando. Agora só depende dele, e é claro das oportunidades, para que se torne um grande vencedor - diz o medalhista olímpico em entrevista para o globoesporte.com, direto de São Paulo.
Para Aurélio Miguel, a forma com que é treinado também é fundamental para Murillo.
- O Sadao Fleming Mulero, técnico dele sabe utilizar bem os princípios do judô. Nosso objetivo não é formar campeões e sim grandes judocas - comenta Aurélio Miguel.
O judoca Tiago Camilo, que disputou sua primeira Olimpíada aos 18 anos, ficou surpreso com o jovem talento.
- É difícil acontecer, é um caso raro. Normalmente o atleta chega a faixa preta com mais idade ou mais tempo de judô. Eu peguei a minha aos 18 anos, e já praticava há 13 - diz Tiago Camilo, por telefone.
O atleta também vê em casos como este uma forma de incentivar outros atletas.
- É muito bom para o esporte. É incentivador para outros atletas da idade dele - comenta o judoca.


Lei de Incentivo ao Esporte é aprovada na Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (28/11), o projeto de Lei de Incentivo ao Esporte. Encaminhado ao Congresso pelo presidente Lula em maio deste ano, durante a abertura da II Conferência Nacional do Esporte, a proposta prevê a renúncia fiscal de parte do imposto de renda devido por pessoas físicas e jurídicas para que seja usada como investimento em projetos esportivos. A aprovação consagrou um dia de mobilização de atletas e dirigentes junto ao Ministério do Esporte e ao Congresso Nacional. Pela manhã, cerca de 35 atletas e dirigentes estiveram reunidos com o ministro do Esporte , Orlando Silva Jr., para ressaltar a importância da aprovação e agradecer o empenho em torno da proposta. Na parte da tarde, o grupo, formado, entre outros, por Paulão, Sandra, Maurício, Tande, Jaqueline, Lars Grael , Vital Severino e Djan, mobilizou-se em torno dos deputados federais para pedir a aprovação da Lei.A proposta será encaminhada agora para o Senado Federal. Caso não haja modificação no projeto, ele será encaminhado para a sanção presidencial. Em caso de alteração pelos senadores, o projeto retornará para a Câmara.Conforme a proposta, desenvolvida nos moldes da Lei Rouanet, de incentivo à Cultura, pessoas físicas podem doar ou usar como patrocínio até 6% do imposto devido e as pessoas jurídicas – empresas, clubes sociais, entidades de classe, dentre outros – até 4%. Com a nova lei, o governo brasileiro quer dar início a uma mobilização que leve a uma nova visão empresarial. Para o ministro Orlando Silva Jr., a aprovação da Lei abrirá uma nova perspectiva para o esporte brasileiro no sentido em que estimula a participação da sociedade no financiamento do setor. “Esta ação, reivindicação histórica das lideranças esportivas, amplia e diversifica as fontes de financiamento do esporte. Nossa expectativa é que essas novas fontes venham pra ficar, mantendo a associação com todos os valores positivos que o esporte ressalta”, afirma Silva Jr.. Segundo ele, a votação na Câmara foi mais uma prova de que o tema une pessoas das mais diversas posições. “Tenho certeza de que no Senado o sentimento de união será o mesmo e o projeto será rapidamente apreciado, para que a lei entre em vigor já em 2007. “No próximo ano, teremos os Jogos Pan-americanos no país, e tenho certeza de que com a Lei de Incentivo mais atletas terão condições de estar preparados para aumentar o número de medalhas e de resultados positivos do Brasil na competição”, destaca.Mais informaçõesAscom-Ministério do Esporte(61) 3217-1875

Visite nosso sítio: http://www.esporte.gov.br

Essa é uma publicação da Assessoria de Comunicação do Ministério do Esporte
Esplanada dos Ministérios, Bloco A, Sala 733. CEP: 70.054-906 - Brasília - DF
Telefone: (61) 3217-1875 / 1837.
Fax: (61) 3217-1707

Treinadores de Judo de São Miguel em Acção de Formação


Treinadores de Judo de São Miguel em Acção de Formação

A Associação de Judo do Arquipélago dos Açores, irá aproveitar o fim-de-semana prolongado que se aproxima, para levar a efeito uma Acção de Formação para Treinadores.
O Formador principal será o Professor Henrique Nunes – 6ºDAN (Ex-treinador da Selecção Nacional e um dos treinadores portugueses que mais judocas teve a representar Portugal nos Jogos Olímpicos). Actualmente exerce funções de treinador do Judo Clube de Lisboa.Esta Acção de Formação tem como alvo principal os Treinadores dos escalão de Formação, a trabalhar no âmbito desta Associação, e visa proporcionar a estes mesmos treinadores o contacto com outras formas de abordar os ensinamentos técnicos da modalidade ao nível dos escalões de Formação.Nuno Carvalho e Miguel Medeiros Seleccionados Os judocas Açorianos do Judo Clube de Ponta Delgada, Nuno Carvalho e Miguel Medeiros (no seu segundo ano de três como Júnior), foram seleccionados para representar a Selecção Sénior de Portugal nas categorias de -60Kg e -81Kg, respectivamente, no Encontro Internacional de Judo “Portugal-Euskadi” que irá ter lugar em Espanha no dia 2 de Dezembro.
Fonte: Acores.Net - Ponta Delgada,Portugal - http://www.acores.net/


Rudaki wins Asian judo silver
Dec 2, 2006

Iran's over-100kg judoka Mohammadreza Rudaki here Saturday took the silver medal at the 15th Asian Games. Rudaki conceded a loss to the veteran Japanese judoka Yasyuki Muneta by waza-ari in the final showdown.In the bronze medal playoffs, Abdullo Tangriev from Uzbekistan beat Baeg Chul-Sung of South Korea by ippon and Yeldos Ikhsangaliyev from Kazakhstan overcame Mongolia's Tuvshinbayar Naidan by ippon.Earlier, Abbas Fallah representing Iran in the under-100kg class failed to bag bronze after he lost to his Kazakh rival Askhat Zhitkeyev by yuko, finishing fifth.South Korea's Jang Sung-Ho defeated Satoshi Ishii from Japan in the final by ippon and the Uzbek judo Utkir Kurbanov beat his Qatari opponent Mohammed Ayad by koka to snatch the bronze.

© Iranian.ws
Fonte: Persian Journal - Iran - http://www.iranian.ws/

CAFÉ À CAMA - POR lUIZA DE MARILLAC BESSA LUNA MICHEL


CAFÉ À CAMA
LUIZA DE MARILLAC BESSA LUNA MICHEL
Café da manhã
Ao entardecer
Sublimando tempo
Exalando liberdade
Madrugada colorida
Prazeres e avenidas
Café da manhã
Servido à cama
Síntese da noite
Oferecida em cristais
Quando a tarde chegar
Um almoço vermelho decerto será servido
em suntuoso jantar
Noite sem limites
Rasgando madrugada
De meu coração das
horas sem fim...
Luiza de Marillac Bessa Luna Michel

Atletas do Clube de Judô Makoto levaram o título de campeãs do VI Torneio Jigoro Kano


Capitaneadas pela medalhista de bronze nas olimpíadas escolares Taysa Ribeiro, as atletas do Clube de Judô Makoto levaram o título de campeãs do VI Torneio Jigoro Kano - Feminino. 04 clubes participaram da competição realizada no sábado (02).
Antonio Viana
Presidente-FAJ
(96) 9903-0250

Mané Fulô por Cecília Prada


2/12/2006 14:21:00
Mané Fulô
Por Cecília Prada
(Baseado no conto “Corpo Fechado” de João Guimarães Rosa –incluído na antologia “Quartas Histórias”, org. de Rinaldo de Fernandes – Garamond, Rio, 2006)




As coisas que se passam nesse sertão que por aí, ninguém sabe ao certo. O sertão é a terra do espicha-beiço, do diz-que-vale. De todos-falam, ninguém-sabe, reparou? Terra das coisas que crescem no sem-mais, ampliadas verdades, no cada-dia. Mesmo porque, me diga, onde é o sertão hoje? Que tem, por aí, ainda tem, por esse Brasil afora, tão grande. Aquilo que só se sabe, se adivinha, de escuro, de fechado, longe e impossível. Mas este lugar agora, Laginha, que era sertão antes, não, não agora. Depois da barragem, depois da BR que passou por aí, não se sabe mais, já viu sertão de verdade com TV, com as pessoas ficando em casa para ver novela? O sertão ficou foi nas estórias da gente, as lembradas pelos velhos, dos outros tempos.
De Mané Fulô, então? Me lembro. Até conheci, morreu muito velho. E ouvi muitas vezes, me disseram, essa estória então, de tantas vertentes...que anda por aí, engrossada até. Daquele menino, sim, mofino e tristinho, encorujado de nascença, parecia, o Manezinho que ninguém dava nada por ele, gente dos Véiga, tudo meio bicho-do-mato, às vezes juntavam dois num burro mambembe, vinham vender no povoado um cacho de banana-ouro, meio saco de polvilho, umas coisas. O menino enfezado,sim, que vinha da roça com a mãe, viviam aparecendo na casa do Coronel Peixoto - o daquela casa grande, oito janelas fechadas dando para o pátio da igreja, oito janelas escancaradas para o largo, vistosa, reluzindo nos caixilhos verdes, na lisura do reboque retocado todo o ano.
Diziam que era filho natural do Coronel. Dos tantos.
A mãe empurrava o menino, “toma a benção do Padrinho”, ele se enroscava, tosco e transido, se esfregando no batente da porta, amassando sem jeito um boné de brim pardo, muito sujo.
Um menino que nunca ninguém ouviu falar, naquele tempo, nunca. Paresque que nem tinha voz. Que de vez em quando levava uma moeda jogada pelo padrinho coronel num quase nojo, “toma aí, ô moleque”.
Mas que ia crescendo, muito magro, de olhar enviesado. De
prosa pouca no normal, depois se desenrolando aos trancos, no botequim - ia crescendo nele uma animação, pegava até a conversar com qualquer um. Dizem até que, já homem, se pegou de amizade com um moço-doutor, médico, que veio da Capital e morou uns tempos em Laginha, um que gostava de puxar prosa com todo mundo - meu pai contava, que eu era menino nesse tempo, sabe. Diz que de repente, no meio da conversa, esse moço-doutor puxava de um caderninho preto de capa de oleado, tomava nota de tudo - meio estranho, ele. Por aqui já passou muita gente.
Assim que, parecia, tivesse dois Mané Fulô - um que era aquele meio-traste de se ver, miúdo, baixinho mesmo, coisa de pouca valia, quieto e de olhar enviesado, que ficava num canto de sala, de igreja, de praça, com uma espécie de cisma. Diz que depois de crescido, mocinho, ficava tempão na esquina da casa do Coronel, olhando fixo o batente da porta principal, sempre aberta como é costume da gente daqui. Como se quisesse entrar, sozinho, sem a mãe que já tinha morrido, se dirigir ao Coronel....Gente fala demais. Me diga, como é que podiam saber o que ele pensava, me diga? No que sim, é que naquela conversa palrada que começou a desenvolver no botequim, crescia, em arroubo e imaginação - deu para arrotar umas grandezas que nunca teve, como a estória da égua que comprara de um bando de ciganos, no engano, desmerecendo pra comprar barato. Pois já viu alguém enganar cigano em matéria de cavalo, seu? Certo é que era uma egüinha meio boa, empinadinha e de trote ligeiro,matreira - diz que sabia tão bem o caminho da casa, na roça, que levava Mané direitinho, pateava abrindo a porta, despejava ele na cama para curtir a bebedeira. Se chamava....deixa ver que estou meio esquecido, olhe uns diziam que se chamava, a egüinha, Beija-Fulô, ou alguém me disse Florzinha?...ora, que importância tem? Tem. Tem, sim. Teve muita, essa égua, em toda a estória que veio depois, com os desenvolvimentos. A gente tem de contar as coisas como elas são - mesmo porque tudo é impreciso, e ninguém sabe de nada, nada mesmo, o senhor não acha, mesmo eu, mesmo o senhor, como é que se pode contar o assim por-dentro das pessoas, como elas eram, o que ele, Mané, aquele menino enfezadinho, aquele moço calado, aquele bebum de conversa destampada...ninguém não sabe direito, por isso tem de contar no mais certo que se pode, o nome da égua.
Porque a Beija-Fulô - e não a Dasdor, como disseram depois - foi o verdadeiro amor daquele homem, tou certo. Não sei se dá para compreender, hoje, que só carro é que vale. Mas naquele tempo, ter um cavalo...pense bem, o sujeito , e um sujeito que nem Mané, Mané Fulô falado, veja bem só, que nome, então um Mané Fulô qualquer, que andando por aí, apeado e transido se esfregando em batente de porta, mal falando...e um dia, sabe-se lá como, descobre que pode aparecer rompendo no povoado na hora da missa solene do domingo, chispando casco na ladeira diante da igreja, e vir se pôr de fronte alta no futing do largo, ele, olhado, visto - pela primeira vez. Dá para imaginar?
Dali por diante foi meio-centauro, até aquele fim, que é conhecido, o senhor decerto já sabe, mas foi assim, na nova identidade achada, o complemento, homem-cavalo, que começou a se destravar. A vir, impávido, para as reuniões da homarada, no botequim, cada vez mais falante. Se encontrava então um forasteiro, um ouvido emprestado, não parava mais. Foi assim com o moço-doutor, aquele alto e míope, de riso bondoso,que veio da Capital e morou uns tempos por aqui. Parece que sempre querendo mesmo ouvir as estórias do sertão, sabe? Já falei, dizem que tinha um caderninho de capa de oleado...me esqueci do nome dele, mas foi importante nesta estória, de Mané Fulô, que estou querendo le contar.
Que é mesmo uma estória de transformação, de como-é-que-aquele sujeito...A gente se admira, depois. O que eu acho, também já vivi tanto, é que a gente, nós todos, é que nem desenho de menino num caderno, que primeiro nem sabe fazer, só uns traços, a lápis, borrão. Depois vai enchendo de cor, de linhas, de tanto rabisco, vai somando céu e estrela, mãe, pai, a vizinha do lado, chaminé de fábrica, carro, avião, foguete, polícia...Estou falando de menino de hoje, feito meu neto. Naquele tempo, o do sertão, o dos homens do sertão, era menos coisa, nem polícia não tinha - Laginha era quase uma terra de ninguém, assim largada, nem o Coronel Peixoto, aquele do casarão da praça, para impor respeito, com jagunçada, como se fazia antes. Sozinho e velho, os filhos doutores, na cidade, as filhas casadas. Por isso, nem mais que por isso Mané Fulô se agarrava com aquelas manias, de contar prosa, de se dizer “sangue de Peixoto” - que antes, no tempo do Coronel moço e prosa, era sangue de se temer....Manezinho dos Véiga insistia. Gastava muita conversa, na venda.Dizem que tinha mesmo mania de ficar contando do que sabia, dos valentes do sertão brabo, de outrora - do Bejo e do Miguilim, do Adejalma. Do Zé Boi, tão valente, mil brigas, que tinha caído de um barranco e quebrado o pescoço, e, veja, o próprio Miguilim, que era o pior deles, não foi depois morrer gemendo entortado de artrite, na cama?
É como lhe digo, cada qual cumprindo seu desenho, na vida. E o do Mané Fulô, que afinal tinha de cumprir o seu – que as coisas, quando têm de acontecer já vêm escritas, tudo no miudinho dos dias da gente, tal qual. O senhor não acha? E todos nós somos iguais – que temos todos, embutido, um outro personagem, dentro de nós, de nossa mesmice, paresque. E aquela figura enfezada e meio ridícula, metro e sessenta se tanto, do Manezinho, nascido encorujado, meio bobo-de-fazenda... e tinha de existir uma Beija-Fulô – ou Maria Dasdor, quem sabe, mas desta pouco se falou pra dizer a verdade, não sei se é estranho, mas a besta, aquela Beija-Fulô ou o que sei lá, a besta é que foi a peça importante – se não fosse ela...
Porque foi com ela que o Toniquinho das Pedras, às vezes também chamado de Toniquinho das Águas, se engraçou – com a besta, a egüinha. Foi, sim. Aquele Toniquinho benzedor, meio feiticeiro, diziam. Que era, veja só, o maior inimigo do moço-doutor, que vinha lá da Capital com remédios e receitas tirar sua freguezia. Toniquinho das pedras-águas, que não fazia receita no papel, mesmo porque não sabia escrever, mas benzia, tratava de tudo, aconselhava que ninguém devia tomar remédio de botica, só o “cordial” que ele mesmo preparava, cobrando muito baratinho. E olhava feio, de arrevezado, para aquela amizade de botequim que Mané Fulô ia pegando, meio visguento, com o doutorzinho - o único que dava aquela trela toda pra ele.
Pois tem isso - quer que lhe diga? Esta estória que o senhor sabe, que corre por aí, mil vertentes, cada um que acrescenta o de seu, o como acha que de verdade aconteceu...que foi um dia que ficou, em Laginha, o dia em que o Mané Fulô ...o senhor sabe. Mas por mim, tem vez que penso: será que o Toniquinho, quem sabe não estivesse de compadrio com o tal do Targino. Não tivesse mesmo chamado o Targino, quem sabe,pra meio que resolver o seu negócio da besta chamada Beija-Fulô...podia ser, não podia? Pois olhe...e a gente falando até parece que esclarece mais as idéias, não acha? Que vai descobrindo pouco-que-pouco o que vem sempre escondido nas dobras de todas as estórias, que nunca são aquilo que dizem que são, que as pessoas contam...Bem que dizem que quem conta um conto acrescenta um ponto. Há!há!
Mas não vou acrescentar, não tenho tenção. Só meu pensamento dessa estória, tenho direito, não tenho? Porque tem coisa...le falei, por exemplo, que só o doutorzinho dava trela pra Mané Fulo, no botequim...mas pense bem - se as pessoas, no depois do acontecido, sabiam contar tão bem o que Mané falava, assim, nos pormenores da fala, bem, é porque se não davam trela, davam ouvido, pelo menos. E nessas coisas, de ouvidas, diversas se grudavam já naquela altura na figura mirrada sem jeito do manézinho lá de trás, do começo da vida...eu não lhe disse, a gente vai se formando é que nem desenho do meu neto, primeiro só tem rabisco, depois, tem nuvem, casa, trovoada e tiro, mulher...No caso bem concreto do Manezinho, teve a besta, a mulinha bem-amada.
E o tal do “sangue de Peixoto”, sim, eu acho - uma reserva de paixão? Ele já ia fervendo meio disparado, paresque, na fala, na vontade pelo menos, do Fulô, que não era branquelo nem perrengue como esses Véigas...dizia assim, dizia mais, sou mesmo é Peixoto, raça de gente brava...e que não viessem mexer com ele porque não levava desfeita pra casa, e que pra desaforo grosso a sua Beija-Fulô não dava condução.
Dizia. E às vezes até dizia muito,arrenegando, que só queria três coisas na vida, que eram uma sela mexicana para arrear a Beija-Fulô bem merecida e pimpante, no dia de domingo...- e essa sela, sabe quem tinha? Pois veja como as coisas se amarram. Como se armaram. Era o Toniquinho que tinha a sela linda e virgem de uso, pra quê queria se não tinha a égua do seu desejo?...Coisas assim. Também, dos outros desejos, mais dois, de Fulô: ser boticário ou chefe-de-trem-de-ferro, fardado de boné, que ele dizia...nada feito, como podia? O homem nem sabia ler. E o que lhe sobrava, já iam vendo, era a raiva, só uma raiva, meio ridícula no começo, mas depois um ódio que ia crescendo nele - do Toniquinho. Ou da vida, se pode pensar.
A Maria Dasdor? O senhor sabe como dizem, que alguém entrou na estória como Pilatos no Credo? Foi assim. Eu acho. Pretexto, talvez fosse, para a intervenção do Targino? Como disse, nunca se sabe ao certo, no fundo das coisas. Mas, siga o meu raciocínio, acha que se houvesse compadrio, conluio mesmo do Targino com o Toniquinho das Águas - como eu acho...acha que Targino, meu Deus! aquele valentão que vez em quando assombrava o sertão naquele tempo, sujeito feio como defunto vivo, magro de magreza de ruindade, gasturento como faca em nervo, revólver sempre pronto no dedo,então, sujeito assim, acha que ia se apresentar sem mais na porta do botequim naquela tarde, com tenção de tomar à força do Manezinho, meu Deus, uma mula? Égua que fosse, sei lá....
O que sim, de verdade, é que Manezinho noivara. No comum das coisas. Vai um dia, repimpado na Beija-Fulô, descendo a rua do Rosário, reparou numa mocinha bem posta, de olhos gateados, na janela. Assim como quem espera marido. Ou noivo. Mané passou, voltou, repassou - essas coisas, normais, que assim se procederam. Tinha gente que nem acreditava, zombava. Mas a moça até ia pedindo dinheiro pra bordar o enxoval, costume de Laginha - moça solteira era desgraça certa, obra boa contribuir prô casamento. Nem que fosse com aquele meio-traste do Manezinho-da-Mula - como já ia sendo chamado.
Agora, o que eu acho que foi cena de não se perder mesmo, de estapafúrdia, portentosa - deve ter sido aquele momento, do Targino, o Targinão, o brederodes, o diabo do sertão, se apresentando na porta do tal boteco, enquadrado, botando a voz no diapasão certo, largando: Mané Fulo tenho um particular, com licença de seu doutor...Porque foi então que de fato a estória começou. Veja bem, o que dizem...verdade que com essas estórias de antigamente, com tanta coisa de contada e passada, nunca se sabe se foram ao certo assim, já lhe disse, se quem contou...Ou se foi arrumada. Bem arrumada, pelo menos - pois assim me disseram, que o Targino, Targinão magrelo e feio, apareceu na porta do boteco mesmo no instante que Mané tava é se gabando prô moço-doutor, coisa que assim meio conversa de bêbado, que queria acertar um tiro bem no meio da fuça do Toniquinho, morre no meu pinguelo, seis tiros, se fizer algum caborje prá riba da minha neguinha Beija-Fulô....E porque era sangue de Peixoto, e coisa e tal...
E como lhe digo - naquele momento, mesmo, o Targino ensombrando a quadratura da porta do botequim, o vozeirão encavado, Mané Fulô, um particular...não é demais?
E aí, no instante, cadê o mané-valente de instante-antes, hein? Nada. Nadinha. Diz sim que derreado, escorregado pra beira da cadeira, paresque querendo se levantar, num respeito até?...meio curvado em mesura, desorganizado, foi cantando, mão estendida até, boa-noite seu Targino, com´passou?
Targino foi direto às falas. Peremptório e horrível:Escuta Mané Fulô, a coisa é que eu gostei da Dasdor, e venho visitar sua noiva, amanhã, já mandei recado avisando ela...E que ele ficasse quieto, era coisa de um dia só, capricho, que depois eles até podiam casar que nem se importava. Mas se não...
E Targino ria um riso soturno, gélido, como de um carrasco manchú. Depois, sem mais cortesias, virou-se e foi-se. O que ficou foi uma confusão, de destape, de todo-mundo falando ao mesmo tempo, magotes de gente reunida na esquina, coitado do Manezinho, coitada dessa moça...Diz que o moço-doutor saiu amparando Mané, que chacoalhava de medo. Que foi levando ele pra sua casa, já insuflando uma coragem que ele sozinho que nunca que ia de ter, mesmo. Que foi falando palavra gorda, dessas muitas, coisa de amor, honra, herói, obrigação, que sei lá - palavras de doutor. Diz que, sei lá, chegou a falar assim por que Mané não ia pedir proteção prô Coronel Peixoto, mesmo...pois não era sangue de Peixoto?
Mané desconversou, disse que não amarrava cavalo com ele...égua,mula, no seu caso?
Quem ouviu atrás da porta da casa do seu doutô - e que teve gente ouvindo, teve - diz que aí o moço da Capital entrou rijo na estória. Na invenção, que essa é danada de boa com gente de instrução, dizem. Diz que o moço foi falando, daquele jeito manso, manso, com o Mané, botando ele pra dormir feito menino, não se preocupe não, mano, vamos inventar um meio de enganar o Targino....Que Mané, caindo de sono de bêbado, ainda ia teimando no desespero, qual, seu doutô, adianta não, Targino é bicho danado de ruim...
Aí que acordaram todos naquele dia que ia marcar história em Laginha. O doutor levantou cedinho, disse que ia tomar providências. Foi. Diz que foi falar com um Coronel, não o Nhô Peixoto, não, que esse não comandava mais a reza, velho e cansado, mas tinha um outro coronel, ou meio-coronel, chamado Melguério. Só que o chamavam de berda-Merguério... Ouviu, fez que nem era com ele, não tinha gente pra pegar o Targino à unha....ninguém não tem sopro pra esse homem...
Foi ao Vigário, o doutor, pediu. O reverendo olhou para cima, com jeito de virgem nua rojada à arena. Prometeu rezar.
Então o doutor, desanimado, temendo já pela própria pele, voltou para casa, verrumando as idéias para ver se surgia alguma. Mané Fulô não tivera coragem de pôr a cara para fora. Os Véiga, sabe-se lá como, haviam acorrido, solidários - mas adiantava, gente tão perrengue? Um Véiga mais velho, barbaçudo, chamou o doutor para o canto. Que aconselhasse o Manezinho a não fazer nenhuma besteira, entregasse o caso a Deus,não se metesse...E a moça era boa, a gente esquece, faz de conta que não aconteceu nada, é que nem casamento com viúva...
Maria Dasdor adoecera de tanto pavor, sozinha com a mãe, chamando pelo noivo...Targino ainda não aparecera - tivesse desistido, quem sabe? O dia avançava, na expectativa. Até que aconteceu : aquilo que ninguém esperava. Que o pedreiro que respondia pelo nome de Tonico das Pedras, ou Tonico das Águas, aquele que tinha fama de feiticeiro...e tinha também uma sela mexicana encostada por falta de animal, e cobiçava a Beija-Fulô, o grande amor do Manezinho Fulô...O senhor está vendo como são as coisas?...Bem, o próprio, o Toniquinho, apareceu de repente lá na casa do doutor, pedindo pra falar com o noivo desonrado. E se trancaram no quarto que dava para a sala, num escuro de conversa enrolada que ninguém por mais que se esforçasse conseguia ouvir direito. Só uns entortes de entonação, um ir-e-vir feito marulho de água, dava pra entender que o Tonico insistia, veemente, o Mané negava, gago, relutante.
Mas de repente, a porta do quarto se abriu e surgiu o Tonico, muito cínico e sacerdotal, pedindo que lhe trouxessem agulha e linha, um prato fundo, cachaça e uma lata com brasas. Aí Mané Fulô apareceu também, mais amarelo do que nunca, amassado, sofrido. E foi dizendo assim: que era pra entregarem a Beija-Fulô prô seu Toniquinho, que ela agora era dele.
A veigarada caíu no choro - aquilo era um testamento, um último pedido de quase-defunto. Mas os dois donos da besta voltaram a se trancar no quarto, com os aviamentos, ficaram lá bem uns vinte minutos.
Enquanto isso a hora, suprema, do encontro, se aproximava. A tensão, no ar, era coisa como de tempestade iminente. A cidade se engolfava em murmúrio, já vinham pressentidos os passos fatais, bicho-papão que vinha vindo, implacável, seu Targino – cochichavam – já tinha saído de sua casa dependurada no morro. Vinha que vinha, mesmo, buscar Maria Dasdor.Fechem as portas e as janelas, que ele ai vem, vai passar mesmo por aqui, na frente da casa!...
Nisso, abriu-se de novo a porta do quarto, Mané Fulô veio primeiro, teso, meio sonâmbulo, parecia. Diz que tinha um brilho esquisito no olhar. Seu Toniquinho das Pedras vinha depois, perguntando já – que coisa! – pela Beija-Fulô. Mané passou sem ver ninguém pelas mulheres que rezavam, pelos irmãos. Um deles até interpelou o Tonico, o que o senhor foi fazer com meu irmão? E Tonico, no retruque: Fechei o corpo dele. Não careçam de ter medo, que para arma de fogo eu garanto.
E assim foi que Manezinho naquele dia saiu para enfrentar o maior bandido da região, desprovido de garrucha, só com uma faquinha quicé quase canivete...O outro, armadão e terrível, vinha lento, com caminhada de dono da rua e do mundo. E
decerto se espantou quando deparou, do outro lado da rua deserta, com a figura ridícula do noivo da Dasdor. Do ex-dono da Beija-Fulô. A dez metros do inimigo Mané parou – enquanto por trás das persianas todos olhavam, não acreditando...e rompeu num palavrão tamanho, que envolvia a mãe do valentão.
Targino puxou o revólver, pronto, enquanto os insultos se cruzavam no ar, piolho, sujeito idiota, cachorro...Por cima de tudo – se ouviu! – um grito de voz diferente, engrossada, que saía da garganta do Manuel dos Véiga, incrível, do Manezinho?...Atira, diabo, que eu estou fechado e a tua hora já chegou!
E cresceu, grandioso, para cima do inimigo.As balas do Targino ecoaram cinco vezes, rua afora – por trás das persianas todos se abaixaram, rastejando, querendo sumir chão a dentro. O choro das mulheres era mais um uivo de animal ferido, na reza pela alma do Mané Fulô. Quando se fez um silêncio, foram todos arriscando um olhar, pelas frestas – e lá estava Targino, fixo como um manequim. E Mané Fulô dando cabo dele, o esfaqueando bem na altura do peito. Targino foi se vergando, conhecendo o chão, lambuzado na poeira – desviveu, num átimo, parece que num espanto. Foi o que disseram.
E o que viram, num espanto maior, todos os que das casas, das ruas laterais, do largo, acorriam para a cena do encontro – que, crescido, de corpo pela primeira vez endireitado, como quem toma posse enfim da vida, aquele mesmo Mané dos Véiga, dito Mané Fulô, até Mané da Mula, o Manezinho, aquele encorujado de nascença, se virava, distanciado do corpo inerte do Targino, mudava seu rumo, possuído de uma energia nova, impava, atrevido, galgando no passo decidido e ritmado o ladeirão que ia dar no largo da Matriz. Como quem fosse se desencumbir de tarefa maior.
No que, chegado ao largo, foi avançando muito firme, pelo meio da aléia central do jardim. Primeiro, como quem fosse à igreja – achavam? Mas depois, no último lance, se desviando e encarando, desafiador, aquela casa grande, oito janelas fechadas dando para o pátio da igreja, oito janelas escancaradas para o largo, vistosa, reluzindo nos caixilhos verdes, na lisura do reboque retocado todo o ano. A casa do Coronel Peixoto.
E ali chegado, já não mais o transido menino a quem atiravam uma moeda para que aparasse no ar – se quisesse. Não, nem o mocinho tímido, o rapaz enfurnado e tristonho, nada, nem o bebum choramingas e covarde, nada. Mas sim, o homem. O homem recém-nascido do cadáver do valentão Targino que lá embaixo na rua poeirenta se descompunha. E esse homem avançava pela porta da frente, sempre escancarada – como se o esperasse, seria? e com um pontapé violentava a porta intermediária, do corredor, a que dava para a sala onde entrevado, na cadeira de rodas, aquele que fora o temível Nhô Peixoto que ninguém em outras eras ousava contrariar, vegetava, desvalido.
E que então – de todo o ódio acumulado naqueles anos todos de Mané, bastardo, miserável e sem direitos, a faca, quase um canivete, que trazia hirta na mão, e ainda ensangüentada, se escapou, atirada. E numa trajetória afiada foi atingir, certeira, a jugular do seu único, irremediável, implacável inimigo.
O sangue jorrou, de um vermelho vivo e pungente, uma sangueira sem limite, escorrendo pela roupa, pela cadeira, pela parede e pela casa do Coronel, pelo largo e pelo povoado. Ensanguentando até mesmo esta estória - sangue de Peixoto, sem contestação.


Cecilia Prada é paulista. Ficcionista e jornalista, têm três livros publicados. Ganhou o prêmio Revelação de Autor da APCA-1978 e o Prêmio ESSO de Reportagem-1980.
E-mail: amaralprada@uol.com.br

Chubby cop ousts towering Iranian to keep heavyweight title

CHUBBY CHAMPION: Japanese judoka Yasuyuki Muneta (right) pushes down Mohammad Reza Rodaki of Iran during their final match in the men's over 100kg class on Saturday. – AFPpic

Chubby cop ousts towering Iranian to keep heavyweight title

PINT-sized Japanese policeman Yasuyuki Muneta survived a contest of David and Goliath proportions to retain his men's heavyweight judo title at the Asian Games on Saturday.
Muneta, whose chubby appearance has earned him the nickname the “Fighting Teddy Bear”, gave up 30cm in height to Iran's Mohammad Reza Rodaki, but the Tokyo law enforcer outmanoeuvred his hulking opponent to become only the third man to retain an Asian Games judo title.
“Usually I try to win with an ippon to take the contest with one throw but this time I couldn't so I just had to keep on going,” he said.
Sae Nakazawa also won gold in the women's 78kg class, putting Japan on course to achieve their goal of overhauling South Korea for second place in the final Games medals standings.
“I was so happy that I won,” said Nakazawa. “This is my first time participating in the Asian Games.”
After a poor world team championship in Paris in September, where neither the men nor women's team reached the final, and without Olympic champions Keiji Suzuki and Ryoko Tani, there had been questions over the quality of the Japan team for Doha.
Teenager Satoshi Ishii, who became the youngest national champion in Japanese history this year, failed to add to the gold rush as Athens Olympic silver medallist Jang Sung-ho struck back for South Korea to win the half heavyweight final.
The Chinese inevitably got involved too, with Tong Wen using her 132kg to great effect with a contest-ending ippon after just 67 seconds against Mongolian Tserenkhand Dorjgotov.
The pick of the ties was the last, however, when former world champion Muneta, having already out-witted a couple of granite-jawed giants, took on the 2.02m muscle-bound Rodaki.
At first it looked as if the Iranian's strength and probing kicks would prove too much for Muneta, but with a combination of speed and solid ground defence he managed to use the bigger man's bulk against him and after three minutes was ahead in the contest.
“I'm not bothered by the difference in height, you need to do your own judo, stick to your own game until you win,” said Muneta, who joined compatriot Yukisama Nakamura and Korea's Chung Hoon-Yong in retaining a men's Asian Games title.
Nakazawa was adjudged the champion of the women's under 78kg class when 10 minutes of fierce fighting with South Korean Lee So-yeon could not produce a winner.
The 23-year-old bundled her more experienced opponent over as time ran out to force 'golden score' overtime, winning on a split decision from the three officials when another five minutes could not separate them.
“I thought that time was out when my opponent beat me in the final second,” said South Korea's tearful silver medallist. – Reuters

Fonte: Malaysia Star - Malaysia - http://thestar.com.my/

FALECE MITSUGU IWAFUME

Jodo-ga-hama in Miyako, Iwate
Circular no. 098/2006

Belo Horizonte, 04 de dezembro de 2006.

De: Federação Mineira de Judô
Para: Filiados / Imprensa
Assunto: NOTA DE FALECIMENTO

Comunicamos o falecimento do Prof. Mitsugu Iwafune no dia 30 de novembro de 2006.
Foi enterrado no Cemitério da Colina no dia 01 de dezembro de 2006 as 16h.

Tivemos a oportunidade de entrevista-lo para o nosso site: www.judomineiro .com.br, durante o ano de 2004. Um dos maiores nomes do judô mineiro, que após uma grande ausência retornava ao nosso convívio. Para a Federação Mineira de Judô, foi de suma importância resgatar o ilustre professor e seus alunos. Foi o responsável técnico pelo judô da Sociedade Mineira de Cultura Nipo Brasileira, filiada na FMJ/CBJ.

Nome: Mitsugu IwafuneNascimento: 04/04/1933Filiação: Takeo Iwafune (pai) e Sume Iwafune (mãe) Nacionalidade: japonesaNaturalidade: Miyako, Província de Iwate (Miyako é uma cidade litorânea que fica a aproximadamente 650 km de Tóquio, ao norte do Japão) Grau de Escolaridade: Superior completo. Graduado no curso de Política-Econômica pela Universidade Takushoku, Tóquio. JM - Quando iniciou no Judô?
IWAFUNE Iniciei a prática do judô quando tinha 10 anos de idade, no ano de 1943.

JM - Quem foi o seu primeiro Sensei?
IWAFUNE - Meu primeiro professor foi Koichi Shimizu (7o dan).

JM – Quando foi a sua graduação para 6. Dan?
IWAFUNE – Foi conferida pela CBJ em 1o de março de 1981.

JM – Onde?
IWAFUNE - Na cidade do Rio de Janeiro.

JM – Quais foram os principais títulos conquistados desde o início da carreira?
IWAFUNE -Campeão do Torneio Provincial de Iwate/Japão
-1964, Campeonato Mineiro, Belo Horizonte.
-1964, Campeonato categoria peso leve (4o dan) -Campeão categoria leve e absoluto, Campeonato Mineiro – Juiz de Fora
JM - Quando veio para o Brasil?
IWAFUNE - IWAFUNE Em julho de 1959 vim para o Brasil, juntamente com uma leva de imigrantes no navio Burajiru Maru. Após a chegada em Santos, fui morar na cidade de Itaquaquecetuba, no interior de São Paulo.

JM - Qual o trabalho que fazia na época?IWAFUNE - Professor de japonês na Associação Japonesa da cidade. Todos os dias, após as aulas, ensinava Judô para vários jovens brasileiros e nikkeis da colônia japonesa. Em 1962 mudei-me para Poços de Caldas e, como contratado da Prefeitura Municipal, busquei transmitir a arte e a filosofia do Judô para brasileiros e jovens nikkeis também da colônia.Em 1964 fui contratado pela Usiminas na cidade de Ipatinga. Diariamente, após o expediente de trabalho, dava aulas de Judô na Associação Esportiva e Recreativa USIPA.Em 1969 mudei então, para Belo Horizonte,onde fundei a academia “Campeões Judô Clube” e foi lá onde fiz muito amigos e formei vários alunos, que futuramente tornaram-se professores desta arte. JM – Quais foram os seus principais atletas? IWAFUNE Almir Graciano, Jorge Augusto Travassos, Alexandre Matsushita, Hidehiro Obata Júnior, Masaru Takeda, Paulo

Okano, Sebastião Sidney Soares, Carlos, Augusto Karam, Roberto Karam, Henry Karam, Domingos Nogueira de Souza Neto, Paulo da Silva Nogueira Filho, Eduardo Guilherme Joviano dos Santos. JM - Enumere 3 principais alegrias com o Judô.IWAFUNE 1.Satisfação por ter escolhido o Judô como esporte favorito, praticando-o com muito amor e vigor. Foi no Judô que pude absorver todos aqueles ensinamentos que fizeram de mim uma pessoa equilibrada física, mental e espiritualmente. 2. Ter participado dos Jogos Universitários Japoneses durante 3 anos consecutivos.3.Oportunidade de ter transmitido a arte e a verdadeira filosofia do Judô a todos os alunos com quem convivi, e ter aprendido imensamente com todos eles. JM – O senhor tem filhos no Judô?IWAFUNE – Sim, Carlos Takehiko Iwafune: - Faixa preta, 2o. Dan, tendo como seus principais títulos:- Campeão Belo Horizontino, 1970~1987- Campeão Mineiro, 1970~1987- Campeão Zonal Brasileiro- Campeão Olimpíada do Ministério da Indústria e Comércio, 1978- Campeão Peso Leve e Absoluto, 1978- Vice-campeão Brasileiro Estudantil, 1977 Márcio Nobuharu Iwafune- Faixa preta, 3o. Dan- Campeão Belo Horizontino, 1970~1987 (infantil, infanto-juvenil, juvenil), (júnior e sênior) - Troféu “Melhores dos esportes especializados”, Jornal de Minas, 1974~1976- Campeão Brasileiro, 1979, 1981, 1982, 1983, 1984 (estudantil, juvenil, (júnior, sênior e universitário).- Professor de Judô e Defesa Pessoal da Academia de Polícia Civil de MG, 1980~1981- Atleta da Seleção Brasileira na Copa Internacional de Judô, 1980, Japão- Campeão Sul-americano, 1982, Argentina- Vice-campeão da Seletiva Brasileira para os Jogos Olímpicos de Los Angeles em 1984- Curso Técnico no Instituto Kodokan de Judô no Japão, 1994, 1995, 1996

JM – Por que o senhor e seus alunos afastaram da FMJ?
IWAFUNE - Eu me afastei porque não estava concordando com as medidas adotadas na época e apesar do imenso amor pelo judô, preferi evitar polêmicas maiores.

JM – O senhor que acompanhou praticamente toda a vida da Federação Mineira de Judô desde 1969, qual a sua opinião sobre a nova Direção da Entidade?
IWAFUNE - Apesar de não estar acompanhando de perto, eu acredito na competência, seriedade e ética da atual administração. O judô mineiro está a caminho de um trabalho de reconstrução de sua identidade.JM - Qual é o seu sonho ainda no Judô?
IWAFUNE Meu sonho é ver vários judocas mineiros se sobressaindo no Judô nacional, tornando-se atletas com capacidade de representar o Brasil com muita graça nos Jogos Olímpicos.

JM - Que mensagem o senhor poderia passar para os novos judocas de Minas Gerais?
IWAFUNE - Desejo do fundo de meu coração que todos os judocas mineiros aprendam corretamente o verdadeiro espírito e filosofia do Judô, nunca esquecendo seus princípios, treinando bastante e sem desânimos. Judocas mineiros, busquem sempre ser atletas espiritualmente e mentalmente equilibrados e procurem vencer e superar todos os obstáculos, sendo verdadeiros vencedores não somente neste esporte como também na vida.
JM – No dia 11 de dezembro de 2004 durante o exame de faixas pretas e graus superiores no Dojo do Minas Tênis Clube, a pedido do Presidente da Federação Mineira de Judô, prof. Geraldo Brandão de Oliveira, o Presidente da Confederação Brasileira de Judô, Prof. Paulo Wanderley Teixeira, outorgou pessoalmente a graduação de 7. Dan ao ilustre professor Mitsugu Iwafune, pelo seu relevante trabalho em prol do judô mineiro.

Atenciosamente,
Prof. Geraldo Brandão de Oliveira
Presidente da Federação Mineira de Judô

Cartaz Seletiva de Judô


Assunto: Fw: Cartaz Seletiva de Judô

Gostaríamos de contar com a presença e divulgação da Seletiva Nacional que acontece no próximo dia 16 de dezembro.

Abraço a todos,

Prof. Geraldo Brandão de Oliveira
Presidente da Federação Mineira de Judô

Judo: Ana Cachola sagra-se campeã europeia de sub-23 em -70 quilos


Em Moscovo
Judo: Ana Cachola sagra-se campeã europeia de sub-23 em -70 quilos
26.11.2006 - 16h50

A judoca portuguesa Ana Cachola sagrou-se hoje, em Moscovo, campeã da Europa de sub-23 na categoria de -70 quilos, ao vencer na final a húngara Anett Meszaros, por yuko.
Ana Cachola junta este título ao conquistado no Campeonato da Europa de sub-23 realizado em 2004, quando se sagrou campeã na categoria -63 quilos.Ontem, Telma Monteiro, líder do "ranking" mundial de -52 quilos, sagrou-se campeã europeia de judo de sub-23, ao derrotar no combate final, por ippon, a russa Anna Kharitonova.Telma Monteiro, de 20 anos, conseguiu assim o único título continental que lhe faltava, depois de se ter sagrado já este ano campeã de absolutos e de já ter conquistado o título de juniores.
Fonte: Público.pt - Lisboa, Lisboa, Portugal - http://www.publico.clix.pt/